Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
6 Grimmauld Place
Madame Pomfrey acordou cedo, como sempre, diga-se de passagem. Antes de tomar seu chá matinal, ela foi até a enfermaria, para dar uma olhada em seu único paciente. Pobre menino, ela pensou, fora tão maltratado. A enfermeira observou Draco adormecido sobre peito de Harry, a mão pálida e magrinha segurava a camisa de Harry, como se isso pudesse impedir que o grifinório saísse dali. De qualquer forma, Harry não queria sair, era só ver o modo possessivo com que envolvia a cintura de Draco.
Infelizmente, ela teria que acordar Potter, para que ele fosse ver Dumbledore. Harry levantou-se meio grogue, com a camisa amassada e o cabelo... não havia o que comentar sobre aquele cabelo. Assim que Madame Pomfrey tocou no nome de Dumbledore, foi como se tivesse jogado água no grifinório, ele ficou imediatamente mais desperto.
—Não o deixe sozinho de jeito nenhum – Harry falou para a enfermeira, olhando fixamente para Draco da porta da enfermaria – E tente distraí-lo, não o deixe lembrar do que aconteceu – Harry sentia uma vontade enorme de voltar lá, de beijar Draco longamente – Não faça perguntas...
—Eu sei, Sr. Potter – a enfermeira lhe deu um sorriso doce – sei como tratar um paciente. – a enfermeira olhou de Harry para Draco, trocando o peso de uma perna para outra, mordendo o lábio – Deve saber que o procedimento padrão seria mandar o Sr. Malfoy para uma avaliação psiquiátrica no St. Mungos... mas se o Sr. se comprometer a tomar conta dele eu não o mandarei – ela suspirou, lembrando-se enternecida do modo como Harry cuidava do sonserino – Até porque, pelo que me disse, acho que ele teria que ser internado lá, no entanto me parece que ele ficaria melhor em sua companhia...
—Eu aceito – Harry interrompeu – Tomo conta dele. – E como não o faria? Olhando para Draco adormecido no leito, sem vontade de sair de perto dele, Harry sabia que não poderia ficar longe do loirinho.
—Acho que essa é a melhor opção – ela suspirou, parecendo aliviada – Ele está um pouco abaixo do peso normal, então tem que fazê-lo comer.
—Certo – Harry sorriu confiante – Acho que consigo fazer isso.
Harry olhou para Draco uma vez mais antes de deixar a enfermaria, preocupado em deixá-lo sozinho. Ele percorreu o caminho até a sala do diretor rapidamente, sabendo que enquanto mais rápido fosse mais rápido voltaria.
Rony e Hermione já estavam lá, quietos e sentados em frente a Dumbledore. O diretor tamborilava os dedos na mesa calmamente, ele sorriu ao ver Harry entrar e indicou uma terceira poltrona em frente à mesa para que ele sentasse.
—Que bom que chegou, Harry – ele disse olhando o grifinório sobre os óculos – Estávamos apenas lhe esperando – o diretor esperou que o grifinório tomasse assento, tamborilou os dedos um pouco mais e então suspirou – Tenho que dizer que estou decepcionado... com os três – ele ergueu a mão quando Hermione ameaçou falar alguma coisa – O que está feito, feito está. – falou tristemente – Mas tenho certeza que vocês têm algo a dizer sobre isso.
—Sim – Harry falou quase pulando da cadeira – Precisamos proteger Draco, temos que tirar ele do alcance de Voldemort!
—Isso mesmo! – Rony falou exaltado, batendo um punho na mesa, ele ignorou a cara confusa de Harry – Temos que deixa-lo em segurança, na sede da ordem.
—Considerando tudo o que houve – Hermione tomou a palavra tranquilamente – acho que seria o mais sensato hospedar a família Malfoy inteira. Temos que arquitetar algo para tirá-los das mãos de você-sabe-quem....
—Claro, — Dumbledore interrompeu, com aquele sorriso de quem já sabe de tudo – vamos providenciar um resgate, o Sr. Malfoy será levado até lá, e como sei que não conseguirei separá-lo dele, você também irá, Harry.
—Obrigado, diretor. – Harry falou mexendo-se impaciente – Será que posso dar a noticia para Draco...agora?
—Oh! Claro! Dumbledore soltou uma risadinha – Pode ir vê-lo.
Harry se mexeu rapidamente, ele correu até a enfermaria, ansioso para ver Draco novamente. O sonserino estava sentado na cama, ele sorriu ao ver Harry. Tanto Draco, como Harry sabiam que ambos eram muito diferentes um do outro, Draco sempre sentiu uma pontada de inveja da fama de Harry, e nunca entendeu como o moreno podia rejeitar isso; Harry não entendia por que Draco pensava que era superior a todos, ou como podia gostar de alguém que era tão preconceituoso. Mas nenhum dos dois tinha vontade de deixar o outro ir.
—Madame Pomfrey disse que eu posso ir para o nosso quarto, desde que você fique comigo. – Draco falou, aliviado por ter Harry por perto.
—Será que você precisa ficar aqui no colégio? Porque eu estava conversando com Dumbledore, estamos pensando em te levar para sede da Ordem da Fênix.
—Ordem? – Draco perguntou, ele não achou que o pessoal da Ordem iria gostar da ideia. – Não tenho certeza se isso é o mais sensato a fazer...
—Vai ficar tudo bem – Harry se aproximou e entrelaçou sua mão com a de Draco. – Eu vou ficar lá com você o tempo todo, e depois seus pais vão pra lá.
—Sério? – Draco murmurou ele deixou o corpo ir pra frente até sua testa encostar-se ao peito de Harry, aquilo seria o fim de um pesadelo. – Seria bom sair de Hogwarts, porque eu não aguento mais esses malditos grifinórios olhando para mim... Claro que eu acho que na sede da Ordem as pessoas vão ficar me olhando também.
—Eu tenho permissão para olhar, senhor Malfoy? – Harry perguntou erguendo uma sobrancelha com um sorriso sapeca.
—Ah... – Draco corou um pouco – Eu não quis te ofender, é só que...
—Tá tudo bem – Harry disse e sorriu – Eu também não aguento mais eles olhando pra você... daqui a pouco vou estuporar alguém... – ele inclinou o rosto de Draco em sua direção, o sonserino era tão branquinho que qualquer elogio de Harry o deixava corado – Você é tão doce... – ele murmurou.
—Harry... – Draco puxou o ar e então soltou devagar – Eu acho que eu estou virando uma pessoa melhor... ou talvez apenas uma pessoa mais idiota... – ele se remexeu, afastando-se de Harry, enquanto o grifinório olhava-o de sobrancelhas erguidas, o que Draco ignorou – Só que eu quero ser sincero com você... e... bem, eu sei que você quer acreditar que eu sou um cara legal, que eu sou fofo e bonzinho... – ele olhou sério para Harry, suas bochechas estavam levemente coradas – mas eu não sou nada disso. Todas as vezes que eu xinguei Granger e Weasley, bem, eu realmente achava que estava certo... quando briguei com você eu realmente achava que estava certo... – ele fez uma pausa, ponderando se devia mesmo continuar – O... o único motivo que me fez aceitar a sua ajuda foi... foi porque eu estava desesperado e não havia mais ninguém...
—Eu sei, Draco... – Harry suspirou – pare de tentar motivos para eu me afastar, eu não vou...
—Não quero que...
—Nem eu. – Harry cortou – Não vou ficar longe de você... – ele entrelaçou as duas mãos no cabelo de Draco, vendo o sonserino ruborizar ainda mais – Eu conheço você, Draco. Eu sei que é um sangue-puro metido e orgulhoso, sei que egoísta, mimado, egocêntrico... – ele sorriu vendo Draco torcer o nariz – Tenho certeza que você pode ver um monte de defeitos em mim também... Eu só acho que agora é a hora de vermos as qualidades um do outro.
—Eu estou ficando louco – Draco soltou, Harry revirou os olhos – Não, não, é sério! – ele disse encarando o grifinório – Aquele dia na biblioteca, você acha que eu estava imaginado, não é mesmo? – ele perguntou, os olhos brilharam úmidos por um minuto antes que ele pudesse se controlar – E se não tivesse nada mesmo? E se eu tiver imaginado?
—Eu não sei se tinha mais alguém ali, Draco. – Harry passou as mãos pelos fios loiros – Mas acho que... acho que pode ter sido um comensal da morte... talvez alguém vigiando você...
—Harry... – Draco murmurou tremendo, a ideia de outro comensal em Hogwarts lhe trouxe a lembrança de algo que não devia ter esquecido. – Eu menti pra você... lembra quando me perguntou se alguém podia entrar...
—O armário está seguro, está com Snape e lacrado. – Harry suspirou, ele desceu o rosto até tocar os lábios de Draco com os seus. Começou com um roçar de lábios, suave, provocante, até Harry aprofundar o beijo.
Draco passou os braços pelo pescoço de Harry e puxou-o em sua direção. O moreno se desequilibrou por um momento, ele sorriu, passando os lábios pelo pescoço do sonserino antes de retornar sua atenção à boca. Draco o apertou um pouco mais, sentindo o peito do grifinório colar no seu...
—Hum-hum – Madame Pomfrey pigarreou, pela segunda vez, alto o bastante para que Harry e Draco escutassem, ela estava com as bochechas levemente coradas, envergonhada por ter presenciado uma cena tão íntima.
—Madame Pomfrey... – Harry falou envergonhado, Draco o havia soltado rapidamente e agora estava muito vermelho, ele não olhava para Madame Pomfrey e sua mão segurava a camisa de Harry.
—Sr. Potter, o Sr. Malfoy já pode ir para o quarto, mas agora eu não sei se seria apropriado.
—Eu vou cuidar dele. – Harry respondeu – Não precisa se preocupar com isso, na verdade íamos perguntar se Draco pode ir para outro lugar, longe de Hogwarts.
—Sr. Potter! – ela disse exasperada, e ainda corada. – Creio que o senhor não entendeu minha preocupação, o Sr. Malfoy não pode ter relações sexuais por pelo menos um mês e...
—Mas não tem problema beijar, tem? – Harry perguntou preocupado, ele se virou para Draco e agora ele era tudo que existia, só o que importava. – Você está bem? – ele olhou o sonserino atentamente, para ver se não o havia machucado – Está com dor, Draco? – Harry acariciou seu rosto ternamente – Te machuquei?
—Não – Draco sussurrou – Eu... estou bem. Não precisa se preocupar tanto... – ele conseguiu dizer mesmo morrendo de vergonha.
Madame Pomfrey observou a cena, Harry Potter era muito cuidadoso com Draco, era visível que ele gostava do garoto, e era disso que Draco precisava para melhorar. Ele estava bem melhor fisicamente do que quando chegou, e Madame Pomfrey sabia que Harry seguiria todas as suas instruções, sem esquecer de ministrar alguma poção ou deixar Malfoy se esforçar mais do que deveria. Além disso, ela ouvia os outros alunos, eles ainda comentavam sobre o que havia acontecido com Draco alguns dias atrás, e seria bom pra ele ficar longe das fofocas.
—Sr. Malfoy – ela chamou certa que estava tomando a melhor decisão – o senhor está bem o suficiente para sair de Hogwarts, desde que o Sr. Potter cuide de você... –ela falou tendo certeza que Harry aceitaria – Lembre-se, repouso absoluto!
E é claro que Harry aceitou, ele gostava de Draco, gostava de passar tempo com o sonserino, e por mais incrível que fosse, por mais que fossem diferentes, gostava de conversar com ele. Por sorte, Snape tinha poção Polissuco de sobra para um mês e já começara a preparar mais. Ninguém daria por falta de Harry e Draco, mas havia um problema, ninguém iria ao encontro de Voldemort na semana seguinte e Lord daria falta de Draco, logo o resgate de seus pais deveria ocorrer antes da semana que vem.
Eles haviam usado das carruagens de Hogwarts para sair da escola e depois usaram um carro enfeitiçado para ir até Grimmauld Place. Draco mal acreditou quando chegaram A mui antiga e nobre Casa dos Black, ele já fora ali quando era muito mais novo, mas não se lembrava de quase nada.
—Aqui? – ele perguntou olhando para Harry – Sirius deixou ela para você? Eu não venho aqui desde que minha tia avó morreu.
—É, ele deixou... eu tinha até me esquecido que você é um Black – Harry sorriu enquanto Draco o puxava pela casa – Você gosta daqui?
—Eu gostava – Draco sorriu da cara de descrença de Harry – Esse lugar era diferente quando eu era pequeno, eu não lembro muito bem, mas não acho que era tão macabro quanto agora. – Draco entrou no quarto que estava procurando, era uma das poucas coisas que lembrava, ele sempre adorou aquela tapeçaria. Draco colocou sua mão sobre seu próprio nome, o último a ser colocado, e traçou a linha até seu pai e sua mãe. – As famílias mais importantes do mundo bruxo estão aqui – ele falou traçando outras linhas aleatórias – Malfoy, Lestrange, Yaxley, McMillan, Crouch... – murmurou, ele pousou o dedo sobre um nome em particular – os Potter, talvez você também tenha sangue Black... – Draco sorriu e apontou mais para cima, para um lugar que fora queimado – Até mesmo os Weasley estão aqui, é obvio que o nome deles não foi bem vindo...
—É, é obvio – Harry sorriu, beijando o pescoço de Draco de leve, era tão bom observá-lo concentrado, os olhos do loirinho chegavam a brilhar de fascínio. Harry já havia percebido que família era algo bem importante para Draco, não só a família em si, mas suas tradições. – O nome Black acabou...
—É verdade – Draco pousou a mão sobre a parte queimada da tapeçaria em que antes se encontrava o nome de Sirius Black – Sinto muito, ele era seu padrinho...
—Era... – Harry murmurou, ele pós sua mão sobre a de Draco no local onde deveria estar o nome de Sirius – Acha mesmo que podemos ser parentes?
—Claro – Draco sorriu apertando a mão de Harry na sua – Eu não conheço nenhuma outra família Potter, podemos descobrir se eles são seus parentes, podemos colocar seu nome aí, o de Sirius também, minha mãe deve saber como fazer isso.
—Obrigado, Draco – Harry abraçou o sonserino apoiando o rosto em seu ombro – Acho que eu preferia entrar nessa árvore de outro jeito... – ele sorriu, sabendo que Draco havia corado – mas seria bom colocar Sirius aí... –Harry suspirou se apertando mais contra Draco – Eu queria tanto que ele estivesse aqui comigo...
—Eu sei... – ele acariciou os cabelos de Harry e deu um beijo estralado no pescoço dele. – Eu sei que não é comparável... mas eu estou aqui com você.
—Está – Harry murmurou sorrindo, ele pegou Draco no colo dando um selinho nele – Eu que devia estar cuidando de você... não o contrário... – falou levando Draco escada acima, ele devia estar cansado da viagem, ele devia estar quietinho no quarto ao invés de andando por aí – Madame Pomfrey disse repouso absoluto – Harry lembrou a um Draco emburrado.
—Eu estou bem, Harry – Draco se remexeu tentando descer do colo – Não precisa ficar me carregando para cima e para baixo, eu não sou um inútil!
—É claro que não. – ele disse sorrindo, Draco ficava lindo emburrado, na verdade ele ficava lindo de qualquer jeito – Eu quero te mimar um pouco, não posso mimar meu namorado?
—Namorado? – Draco repetiu sorrindo – Somos namorados? – ele mordeu o lábio inferior tentando disfarçar o quanto ficara feliz, mas não funcionou.
—Se você quiser namorar comigo... – Harry disse com as bochechas coradas – Você quer, não quer?
—Quero – Draco soltou uma risadinha e puxou Harry, beijando-o – Como foi que chegamos até isso? – depois de soltar Harry ele deixou a cabeça pender até seu ombro, estava realmente cansado, e depois do beijo se sentia lânguido.
—Eu acho que é o destino – Harry encontrou um quarto com cama de casal e depositou Draco sobre ela – Está com fome? Posso pedir para Monstro preparar algo.
—O elfo doméstico? – Draco sorriu – Lembro dele, era o elfo mais rabugento que já vi, na verdade o único elfo rabugento que já vi.
—Então ele não mudou nada – Harry riu, selando seus lábios nos de Draco em uma carícia rápida. Ele estava sempre tocando em Draco, e o sonserino gostava de toda essa atenção – Monstro! – o elfo apareceu bem na frente de Harry, resmungante como sempre. – O que quer comer Draco?
—Draco? Menino Malfoy? – o elfo subiu na cama para olhar o loirinho com adoração – Ultimamente só sangue-ruins vêm a este lugar, minha senhora ficaria feliz de vê-lo aqui.
Draco ficou sem graça com o comentário, porque ele pensara, e às vezes ainda pensava assim. Ele sabia que era mentira, às vezes o pensamento pulsava em sua mente, mas ele se lembrava de Hermione e Rony e sabia que essas ideias não faziam sentido. Por sorte, Harry notou seu desconforto e interrompeu, lembrando meio-mal-humorado que Draco estava com fome.
—Juro que não penso mais assim – Draco suspirou quando o elfo doméstico saiu. Ele se sentiu desconfortável na presença de Monstro, mas tentaria ser o mais simpático possível com ele. – Eu sei que esse tipo de coisa não faz o menor sentido...
Harry sentou na cama ao seu lado e o abraçou. Ele ficava feliz que Draco estivesse lutando contra os próprios preconceitos. Ele queria muito ficar com Draco, gostava mesmo do sonserino. Queria que melhorasse, queria que tivessem um futuro juntos, se Draco não tivesse preconceitos as coisas ficariam mais fáceis.
—Voldemort é mestiço – Harry falou sério –O pai dele é trouxa.
—Está falando sério? – Draco perguntou espantado – Ele... ele é horrível! Completamente maluco... eu não sei como pude ser a favor das ideias dele um dia, mas ele... – Draco interrompeu-se, ele não sabia o que dizer – Eu quero que ele suma, quero esquecer que ele existiu e o que ele fez comigo.
—Eu sei – Harry puxou Draco para que ele deitasse entre suas pernas – Desculpe por falar disso... eu não devia ter tocado no assunto – o moreno suspirou, desenhando com os dedos o rosto de Draco, decorando cada linha enquanto o loiro fechava os olhos e relaxava de encontro a seu peito – mas eu não acho que possa esquecer disso... eu...eu acho que o melhor é enfrentar e superar, fingir que não aconteceu não é a melhor saída... – Harry falou nervoso, ele sabia que o comentário podia machucar Draco e quando sentiu o sonserino tremendo em seus braços ele se desesperou – Draco eu...
—Você está certo... – Draco estremeceu, mas não estava chorando. Ele se virou de lado, passando os braços ao redor da cintura de Harry e recostando a cabeça contra seu ombro – Mas só por enquanto eu queria fingir que não aconteceu...
Draco e Harry ficaram abraçados até que Monstro lhes trouxesse o jantar, a melhor sopa de abóbora que já comeram na vida. Draco até agradeceu a Monstro quando ele chegou com os pratos, estava disposto a tratar bem o elfo doméstico. Ele se lembrava de como fora mal com Dobby, e um dia pediria desculpas a ele, mas nunca mais trataria mal um elfo doméstico, ou qualquer um que não merecesse.
Harry tinha ido tomar banho depois da sopa, ele deixara a porta aberta. Draco sabia que era algo que Harry fazia por ele, e apreciava. Ele sabia também que não era saudável essa dependência, ele sempre precisava de Harry, e Harry parecia nunca precisar dele. Assim que Harry saiu do banho, ele entrou, o grifinório ficou do lado de fora, conversando com ele. Draco saiu vestindo um pijama preto, sem estampa, Harry quase sugeriu que ele trocasse. Ele puxou Draco para cama, voltando a mesma posição de antes, Harry tirou sua toalha do pescoço para secar o cabelo do loirinho.
—Amanhã não seremos só nós dois aqui – Harry falou – Lupin e Tonks virão pra cá, Moody também, o Sr. e a Sra. Weasley e provavelmente Fred e George – Harry massageava o cabelo de Draco carinhosamente – Você está pronto?
—Não, é claro – Draco soltou uma risadinha nervosa – Bem, pelo menos você vai estar comigo.
—O tempo todo – ele bagunçou o cabelo de Draco antes de jogar a toalha longe.
—Bagunceiro! – Draco chiou antes de deitar para dormir.
Harry segurou a mão dele antes de apagar o abajur. No dia seguinte os dois acordaram com o sol entrando no quarto, a mão de Harry estava na cintura de Draco, quando este acordou, sabia muito bem que Harry já estava acordado, mas estava com preguiça de mais para levantar. Os dois estavam.
—Bom dia... – Draco murmurou se ajeitando na cama.
—Bom dia... – Harry bocejou, ele se espreguiçou e logo voltou a rodear a cintura de Draco – Podemos fingir que ainda estamos dormindo?
—Aham – ele murmurou sonolento.
Eles mal voltaram a fechar os olhos, ouviram o barulho da porta. A porta do seu quarto, e não ela abrindo, ela explodindo. Draco se assustou, apertando-se contra Harry, o grifinório passou a mão sobre os olhos.
—Parece que não vamos poder dormir, afinal. – Harry sorriu, apertando o nariz de Draco – Bom dia Fred, bom dia George – ele suspirou, não precisava nem olhar para saber que eram os dois.
—Bom dia, Harry – disseram em uníssono entrando no quarto.
—Foi uma bela entrada, não é? – Fred comentou rindo.
—Se foi! – George respondeu, trocando um olhar com o irmão – Ficamos sabendo que Malfoy estava aqui...
—E pensamos em dar um oi... sabe como é, bater um papinho com ele... – Fred disse, e os dois deram um passo para frente.
—Ah... saiam daqui – Harry pediu sorrindo, ele rolou pra cima de Draco, escondendo-o dos olhos dos dois.
—Seremos bonzinhos! – Fred disse, mas o sorriso no rosto dos dois o desmentiu.
Harry chegou a abrir a boca para responder, mas a Sra. Weasley chegou gritando tão alto que mesmo se tivesse falado qualquer coisa ninguém teria escutado.
—O que vocês dois pensam que estão fazendo – ela crispou os lábios e apertou os olhos furiosa – Eu disse que era para chamar Harry e Malfoy para o café e vocês dois destroem a porta?!
—Foi mal, mãe. – George disse sorrindo amarelo enquanto Fred concordava com a cabeça.
—Foi mal, mãe?! – a Sra. Weasley repetiu – Foi mal, mãe?! Isso é tudo que os dois têm a dizer?! –a Sra. Weasley respirou fundo – Fred e George, vão limpar essa bagunça agora... e sem magia! – ela disse tirando a varinha da mão de Fred e puxando a de George do bolso. Nessa hora, Harry e Draco seguravam o riso e a Sra. Weasley finalmente se virou na direção deles com um suspiro – Bom dia, Harry, querido – ela disse com a voz incrivelmente doce pra quem havia acabado de gritar tanto – Bom dia, Malfoy. O café está servido, vocês já podem descer. – ela suspirou saindo dali com as varinhas de Fred e George nas mãos.
Harry se espreguiçou, finalmente saindo de cima de Draco, este vermelho como um tomate. Os gêmeos ainda estavam no quarto, olhando-os, Harry se levantou puxando Draco para cima, os gêmeos continuavam olhando para eles, ou melhor, para Draco.
—Vamos descer? – Harry perguntou carinhoso, sua mão estava entrelaçada com a de Draco.
—Assim? – Draco perguntou – Você está de pijama...
—Eu sei – Harry sussurrou divertido – Não tem problema, todos estão de pijama, olha só aqueles dois ali... – falou apontando para os gêmeos – Vem... – ele puxou Draco pela mão.
Antes de ceder, Draco voltou para pegar sua varinha, e ao passar pela porta ele consertou-a.
—Valeu, Malfoy – os gêmeos disseram juntos trocando um olhar surpreso.
—Não quero os dois na minha porta quando eu voltar – Draco disse erguendo as sobrancelhas, ele parecia muito confortável em seu pedestal até Harry arrancá-lo de lá com um beijo que o fez perder o equilíbrio, Fred e George até bateram palmas e assoviaram.
Estava na Ordem exatamente quem Harry disse que estaria, o Sr. e a Sra. Weasley, Lupin e Tonks , Moody e , é claro, os gêmeos. Não foi exatamente normal com Draco ali, todos estavam mais contidos, ninguém além de Harry confiava nele e o café-da-manhã passou em um clima tenso. Claro que Moody desconfiava não só de Draco, como de todos a sua volta, mas aquele olho girando pra todos os lados deixava todos mais tensos. Bem, na verdade o clima não ficou tenso para todos porque Fred e George pareciam desconhecer o significado da palavra “tensão”.
—Eu acho que vai chover – comentou Lupin a certa altura, tentando quebrar o silêncio. Tonks chegou a virar o rosto para encará-lo pela tentativa ridícula.
—Ah é, não é George?! – Fred riu – O clima está péssimo!
—Péssimo, com certeza – George assentiu sério – Que clima!
Foi nessa hora que Draco pediu licença para retirar-se, Harry ainda não tinha terminado, mas foi atrás do sonserino de qualquer jeito. Ele foi direto para o banho. Harry ponderou antes entrar junto com ele. Assim que viu que era Harry que estava ali ele corou sem saber o que fazer. Harry se aproximou beijando o pescoço de Draco, agora ele achava que tinha sido uma péssima ideia entrar ali, ele realmente pensou que conseguiria se manter calmo, mas estava enganado.
—Harry... – ele chamou, seu coração batia acelerado – o que está fazendo aqui?
—Eu queria tomar banho – Harry beijou a nuca de Draco, o que fez o sonserino guinchar e se afastar um pouco – Eu vou me comportar. – prometeu. Ele olhou as cicatrizes nas costas de Draco, tinha que se comportar. Ele se aproximou dele novamente e abraçou-o, preocupado – Você está bem? Saiu da mesa tão rápido... – ele deu um beijo casto na bochecha do sonserino, mas Draco se afastou novamente, arfando. – Você quer que eu saia? – Harry suspirou.
—Quero.
—Eu não quero sair. – ele murmurou se aproximando de Draco.
—Saia, Harry – sua voz saiu fraca e seus olhos estavam fechados.
Ele ficou chateado com o pedido do sonserino apesar de ter perguntado, ele pensou que Draco confiaria nele o suficiente para deixar que tomassem banho juntos. Ele realmente pretendia se comportar! Ao sair ele levou a toalha de Draco, este nem ligou, na verdade nem percebeu. Encostou a cabeça no azulejo frio. Será que Harry não entendia que não era o único ali a sentir desejo? Por Merlin! Ele abriu mais o chuveiro, deixando que a água esfriasse, acalmando-o.
Draco ainda teve que respirar fundo algumas vezes antes de se acalmar por completo. Aí ele notou a falta da toalha e teve que respirar fundo mais um pouco. Saindo do banho, colocou apenas a cabeça pra fora da porta, sorrindo.
—Será que pode me alcançar a toalha?
Harry pegou uma toalha pra ele. Ele passou por Draco com as costas encolhidas, sem olhá-lo, e entrou no chuveiro. Quando ele saiu, Draco estava na cama, lendo. Harry se vestiu em silêncio e se aproximou da cama.
—Desculpe – ele pediu cabisbaixo – Você tinha razão... sabe... em me tirar de lá.
Draco sorriu, ele não estava preocupado com a chance de Harry pular em cima dele, estava preocupado em se atirar em cima de Harry.
—Vem aqui, Potter – ele sorriu, puxando-o pela mão Draco o fez sentar e começou a secar o cabelo dele – Eu achei que você tinha ficado chateado comigo.
—Eu fiquei... – Harry murmurou aproveitando o carinho de Draco – Achei que não confiava em mim, só que você não pode confiar em mim mesmo, se eu ficasse ali mais um minuto iria acabar te agarrando. Você é tão lindo, Draco – Harry mordeu o lábio – Eu te desejo tanto, Draco, mas não quero que se sinta obrigado... eu não estou te forçando a nada, amor.
—Eu sei – Draco beijou a bochecha de Harry sentindo aquele calorzinho de quando o moreno o chamava de “amor”. – Vamos até a cozinha? Eu estou com fome...
—Eu sei, você saiu da mesa rápido demais – Harry riu – A Sra. Weasley brigou com o gêmeos de novo, eu ouvi os gritos enquanto subia a escada.
—Os gêmeos... – Draco riu, ele olhou para Harry que tinha as sobrancelhas erguidas – O que foi? Eu não disse que gostei deles ou algo assim...
O plano deles era descer sem serem notados, pegar algo na cozinha e subir sem serem notados. Infelizmente Tonks e Lupin estavam conversando aos sussurros na cozinha, e devia ser algo muito secreto porque Draco e Harry só ouviram quando passaram pela porta, é claro que a essa altura o plano foi por água abaixo.
—Oi – Lupin sorriu, tentando ser simpático com Malfoy – Como vão?
—Ah... vamos... bem? – Draco respondeu, Tonks soltou uma risadinha.
—Só viemos pegar algo para comer... – Harry falou indo até a geladeira, Draco se pendurou no ombro dele procurando o que comer. – O que vai querer, Draco?
Draco mordeu o lábio – Aquilo ali é pudim de abóbora? – perguntou.
—Não sei por que eu perguntei – Harry suspirou tirando o pudim da geladeira.
—Vocês... vão querer também? – Draco perguntou enquanto timidamente procurava pelos pratos.
—Vamos. – Ninfadora sorriu, ela abriu o armário atrás dela tirando quatro pratos – Os garfos estão nessa gaveta atrás de você.
Harry cortou fatias normais para todos, menos para Draco, a fatia dele tinha pelo menos o dobro do tamanho. O sonserino corou quando Harry lhe entregou o prato.
—Ninguém vai pensar que come demais, Draco – disse Harry sabendo muito bem o que se passava por aquela cabeça loira – Você está magro de mais. – ele suspirou puxando Draco pela mão – até depois, Tonks, Lupin.
Tonks terminou de comer sua fatia calmamente sentada na mesa. – O que acha deles? – perguntou pensativa.
—Acho que estão sérios... quanto a essa coisa de namorados – Lupin deu de ombros.
—Você parece achar isso bem normal... – ela suspirou, Lupin franziu o cenho sem saber aonde ela queria chegar com isso. – Porque Harry pode namorar um ex-comensal da morte e eu não posso namorar um lobisomem?
—De novo, Ninfadora?! – Lupin suspirou, ele quase sorriu ao vê-la torcer o nariz quando ele a chamou pelo nome – Eu sou muito velho pra você, e não sou ex-lobisomem, apenas lobisomem.
—Eu gosto de você desse jeito, idiota – ela falou largando o prato na pia e saindo dali bufando.
Fale com o autor