Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
7 Família Malfoy
O Plano era simples e todos sabem que coisas simples dão certo. Tá legal, o plano não era tão simples assim, mas daria certo de qualquer jeito. Snape já havia avisado Narcisa que ela teria que sair da mansão e aparatar no largo Grimmauld. Tonks entraria pelo armário sumidouro discretamente, disfarçada de Macnair, caso precisasse trocar de forma ela era a única que podia fazer isso.
Lupin estava com Tonks em frente ao armário, Snape estava do outro lado. Só que Snape não iria ajudar Tonks, ele não podia prejudicar a posição de prestigio que tinha com Lorde das Trevas e Remus não podia ir até lá. Tonks estaria por conta própria, e isso o estava deixando nervoso.
—Como podem mandar uma criança fazer isso! – Lupin reclamou – Como você vai fazer isso sozinha?
—Eu cresci, Remus – ela suspirou – Faz um tempo que já sou adulta, e sou completamente capaz de completar uma missão simples como essa.
—Não é simples – ele bufou, ela era adulta, e é claro que era capaz, mas tinha medo de qualquer forma – Não os subestime, Dora!
—Não estou subestimando nada – ela sorriu – Invadir sem ser notada é minha especialidade. Agora não era Tonks falando, era Macnair – E aí, esqueci algo?
—Não, está perfeito – ele bateu no nariz horroroso, sabia que ela era capaz,tinha visto ela se preparar, mas mesmo assim... – Mas pergunte ao Snape para garantir.
—Pode deixar... – ela deu um beijo demorado na bochecha de Lupin antes de entrar no armário, o beijo foi longo o suficiente para deixá-lo nervoso. Quando a porta do armário se abriu quem estava em frente a Tonks era Snape – Tudo certo? – ela perguntou tentando imitar a voz e Macnair.
—Sim. – ele disse olhando-a de cima a baixo – Você sabe o que fazer, está sozinha a partir daqui. – ele falou seco, um perfeito espião sem sentimentos, Snape entrou no armário e fechou a porta.
Tonks suspirou. Owh! Valeu pela preocupação, Snape! Nem um “boa sorte”? É isso aí, Tonks, agora é só você e você mesma. Ela foi andando pelo caminho que já decorara, ela ia pelas sombras, só usaria o disfarce se fosse necessário, o melhor era não encontrar nenhum comensal. Ela chegou, graças a Merlin, ao calabouço sem nenhum incidente. Ela foi andando entre as celas, trouxas e bruxos a olhavam assustados. Ninfadora queria parar e tirar todos dali, mas sua missão era resgatar Lucio Malfoy. Ela abriu a cela dele usando as chaves que Snape lhe deu, ele se encolheu de medo. Covarde, Tonks pensou, mesmo que também tivesse medo caso passasse por tudo que Lucio passou.
—O Lorde chama – ela disse imitando a voz de Macnair, seria mais convincente se Malfoy ficasse realmente assustado. Ela quase desistiu da ideia quando ele veio tremendo em sua direção.
Mas no fim foi uma boa decisão, porque Belatriz estava na sala quando voltaram, e claro, ela não se manteve onde calada.
—Onde está indo, Macnair? – ela perguntou sorrindo.
—Ordens do Lorde – Tonks respondeu sorrindo sugestivamente.
—Bem, Lucio – ela suspirou teatralmente, virando-se na direção do loiro – Você está colhendo o que plantou.
Então, eles continuaram, Tonks andando calmamente e Malfoy seguindo-a com os ombros arriados. Assim que viraram no corredor que levava até o armário a garota suspirou aliviada. Cedo demais, porque Macnair, o verdadeiro, entrou no corredor. Lucio só deve tempo de olhar assustado antes de ser puxado pela mão por Tonks. Macnair correu atrás deles, lívido e lançando feitiços a torto e a direito, e Belatriz não demoraria a se juntar a ele.
—E aí, tio Lucio – Tonks disse sem folego.
—Ninfadora?! – ele falou surpreso sem deixar de correr, o que sua sobrinha renegada estava fazendo ali?
Ela entrou no armário puxando Malfoy em sua direção e fechando a porta. A porta foi aberta um milésimo de segundo depois, por Lupin. Tonks pulou pra fora arrastando Lucio e lançou um feitiço de proteção.
—Dora... – Lupin chamou empalidecendo, ele chegou mais perto dela – Tem... sangue.
Ela olhou pras próprias roupas – Não é meu – murmurou virando para Lucio, ele estava dobrado sobre si mesmo, as mãos apoiadas nos joelhos.
—Chame Snape, Dora – Lupin falou, quando Tonks saiu correndo ele foi ate Lucio – Droga... – murmurou vendo sangue de mais.
—Eu... eu estou bem – ele falou com dificuldade – Não precisa se preocupar.
Felizmente Snape chegou, ele reconheceu o feitiço que atingiu Lucio e murmurou um contra feitiço algumas vezes, exausto, ele amparou Lucio com a ajuda de Lupin, levando-o até a enfermaria. Madame Pomfrey suspirou, Lucio ficaria bem, mas ela esperava não ver mais nenhum Malfoy machucado.
Agora Lucio estava encolhido na cama, ele não tirava Draco da cabeça, seu menino, seu bebê. Ele não havia percebido nada! Como podiam ter abusado de Draco por tanto tempo e ele não perceber nada! Ele abraçou a si mesmo, apertando seu estomago, enjoado, queria morrer.
—Será que podem nos dar um minuto? – Snape suspirou aproximando-se de Lucio. Ele esperou que todos saíssem para sentar ao lado dele e abraçá-lo.
—Meu filho... – Lucio murmurou se agarrando a Snape e chorando – Como eu pude deixar... – ele apertou Snape desesperado – eu... eu estava tão feliz por que ele não me procurou depois de sua volta... eu devia ter imaginado que ele iria atrás de Draco... – ele apertou Snape ainda mais, mas a dor não estava passando – Merlin... como eu pude não perceber? Como eu vou olhar para o meu filho agora?!
—Draco vai ficar bem – Snape acariciou o cabelo de Lucio – Ele tem Harry, você não tinha ninguém...
—Não importa! – ele sacudiu Snape, seu corpo tremia e seus olhos estavam vidrados – Meu menino... isso... isso não podia ter acontecido com ele!
—Ele está seguro, agora – Snape falou calmamente, mas por dentro estava tão nervoso quanto Lúcio – isso é tudo o que importa.
—Eu não posso viver sabendo que causei dor ao meu filho!
—Pode sim – Snape puxou o rosto dele encarando-o sério – Vai ter que conviver com isso! E eu não quero ver você pensando nisso que sei que está pensando, Lucio!
—Mas...
—Nada de “mas”! – Snape sacudiu-o, fazendo Lucio gemer de dor – Vai deixar Narcisa sozinha? Vai deixar Draco? Me deixar?! – ele perguntou largando-o de supetão e levantando-se – Já basta o que eu passei por você!
—Eu... me perdoe por isso... – Lucio olhou para as próprias mãos – Você sabe que te magoar nunca...
—Isso não foi culpa sua... – ele riu, uma risada rancorosa – eu nunca soube me apaixonar direito...
Lucio achou desnecessário dizer que ninguém sabia. Que era tudo uma questão de estar no momento certo na hora certa, e ele pedia a Merlin que isso acontecesse com Snape.
—Quer que eu chame Narcisa? – Snape perguntou respirando fundo.
—Não... – Lucio suspirou – não vou conseguir olhar para minha esposa agora.
—Quer que eu fique com você? – ele perguntou ainda de costas.
—Não... – Lucio murmurou encolhendo-se novamente – Pode ir destruir o seu quarto.
Então Snape foi, Lucio o conhecia muito bem, sabia que ele teria um ataque de fúria assim que estivesse seguro dos olhares de outras pessoas. Severo sabia que Lucio o amava, mas ele aprendera a amar Narcisa em algum momento de seu casamento, e então as chances do professor, que já eram escassas, se extinguiram. Lucio amava Snape, ele confiava em Snape e sabia que era amado de volta, que entre eles nunca haveria julgamento, mas ele não desejava Snape, sentia como se ele fosse um irmão.
Assim que Tonks e Lupin saíram da enfermaria, decidiram voltar para Grimmauld Place. Draco praticamente pulou em cima deles quando os viu perguntando sobre os seus pais.
—Eles vão passar um tempo em Hogwarts – Tonks sorriu pra ele – Mas os dois estão bem.
—Eu posso ir até lá? – Draco perguntou esperançoso, ele estava tão preocupado que nem lembrava que seria complicado entrar seu pai.
—Não – Tonks desfez o sorriso, esperava que Draco acreditasse – Não é seguro pra você sair daqui, seus pais vão vir logo, assim que... ficar provado que eles não estão mais do lado de Você-Sabe-Quem.
—Mas eu não tive que fazer nada disso – Draco reclamou preocupado.
—É porque você é namorado do Harry. – Lupin interrompeu – Precisa ser protegido.
Draco foi obrigado a aceitar as condições, mas conforme o tempo passava ele tinha mais certeza de que tudo era mentira, que seus pais não estavam bem. Harry já sabia da verdade, e tentava convencer Draco de que tudo estava bem e acalmá-lo, mas ele não era idiota, percebia que tinha algo errado. Quando Lucio estava prestes a ser liberado por Madame Pomfrey, Tonks chamou Harry pra ir a Hogwarts com ela, Draco tentou convencê-los de qualquer jeito a deixarem que fosse junto, mas Tonks disse que era um assunto de Dumbledore e Harry, e deixou-o ainda mais desconfiado. Nessa manhã Lucio tinha tentado se matar.
Harry chegou lá espumando de raiva, Lupin tentou se colocar no caminho dele, mas o moreno passou por ele como um furacão. Lucio estava deitado, branco como um papel, mas estava vivo. Harry o puxou pela gola da camisa e o soltou.
—Você enlouqueceu?! – sua voz estava perigosamente baixa enquanto olhava com raiva para o homem a sua frente – A culpa é sua! Tudo o que aconteceu com Draco é culpa sua! – ele apontou pra Lucio furioso – Você sabe o que aconteceria caso você tivesse morrido? Caso Draco saiba que você se machucou e que tentou se MATAR?! – Harry passou as mãos pelo rosto tentando se acamar, enquanto Tonks e Lupin assistiam ao show. Ele tremia de raiva, como contaria aquilo para Draco caso algo tivesse acontecido? – Ele ficaria se culpando... ele se culpa por tudo! Enquanto a culpa é absolutamente SUA! – Harry estava furioso, se Lucio não fosse pai de Draco, não precisaria tentar cometer suicídio, Harry o mataria de bom grado – Ele já tem problemas demais sem você, eu já tenho trabalho demais sem você... — Harry suspirou – Não me interessa se você quer se matar, eu não quero ver Draco sofrer! Então pare com a sua estupidez e...
—O que você pensa que está fazendo! – Snape entrou furioso na enfermaria, Harry se virou, pensando que as palavras eram pra ele, mas Snape olhava diretamente para Lucio, o loiro tinha os olhos úmidos – Eu saio em missão e VOCÊ tenta se MATAR?! – Snape estava bem mais assustador que Harry, e Lucio se encolheu – Vai tentar de novo? – ele perguntou suspirando, Lucio negou com um movimento de cabeça exagerado – Ótimo... – Snape foi até ele e o abraçou, aliviado por Lucio ainda estar ali, vivo. Ele tinha tomado todas as poções que Madame Pomfrey deixara na mesa de cabeceira, por sorte ela viu a tempo desintoxicá-lo. – Amanhã você e Narcisa vão para Grimmauld Place.
—Ela me odeia não é? – Lucio perguntou, sua esposa não tinha vindo vê-lo nem uma vez.
—Espero que saiba – Harry falou bravo – Que amanhã vão ter que brincar de família feliz, se odiando, ou não! – o moreno sair dali sem escutar a resposta de Snape, ele queria abraçar Draco, e dizer que seus pais chegariam no outro dia, assim ele ficaria mais calmo.
Mas quando Harry lhe contou Draco não ficou mais calmo, ficou menos preocupado, mas bem mais nervoso. Ele não sabia como seria a reação de sua mãe, ou ainda pior, a de seu pai ao vê-lo agora que sabiam o que tinha acontecido. Draco passou o dia perto de Harry, ele estava nervoso com a aproximação do dia seguinte.
—Draco... – Harry suspirou, puxando o sonserino pra si – Vai dar tudo certo, pare de se preocupar... – Draco se aconchegou no abraço do namorado – Eu vou estar do seu lado, sempre, tá bom? – ele acariciou as costas de Draco – Agora diga pra mim que você não está mais se culpando pelo que aconteceu.
—Eu não estou – Draco falou, era mentira e Harry sabia disso – Não se preocupe comigo.
—Sei... – Harry suspirou beijando o pescoço de Draco – Sorri pra mim, então – pediu afastando-se para olhá-lo. Draco deu um sorriso tristonho – Péssimo! – Harry sorriu estalando um selinho em Draco – Acho que uns beijos podem resolver isso... – Harry sugeriu, Draco deu um sorriso de verdade, beijando o moreno, Harry adorava quando Draco tomava a iniciativa, era algo muito raro.
Draco continuava nervoso quando se deitaram, ele se mexia na cama, sem dormir e sem deixar Harry dormir. Harry tentou fazer Draco se acalmar o abraçando, mas o sonserino ficou parado apenas por cinco minutos antes de voltar a se mexer.
—O que foi, Draco? – Harry acariciou seu rosto com carinho – Você não vai conseguir dormir hoje, não é? – perguntou suspirando
—Não... – Draco murmurou com o rosto colado no peito de Harry – Eu estou ansioso demais.
—Então eu vou ficar acordado com você – Harry beijou os cabelos loiros, ele ainda se surpreendia com modo como ele e Draco ficaram próximos. Ele não saberia dizer exatamente quando começou a confiar em Draco, mas sabia que Draco confiava nele também. – O que você quer fazer?
—Não sei – Draco disse aproximando o rosto do de Harry devagar, ele tocou seus lábios e aprofundou o beijo carinhoso que terminou em sorrisos. – Eu podia ficar te beijando assim a noite toda... – ele acariciou o rosto de Harry – mas, eu não tenho certeza se é uma boa ideia...
Harry também não sabia se era uma boa ideia, ele não achava que conseguiria aguentar uma noite inteira só beijando Draco. Ele encheu Draco de beijinhos e se afastou, olhando-o nos olhos, com aquele sorriso carinhoso e íntimo, Draco correspondeu ao sorriso, envergonhado.
—Me conta alguma coisa que eu não sei sobre você – Harry pediu baixinho.
—Vamos fazer assim, então – Draco falou sorrindo – Você me conta alguma coisa que eu não sei, e dependendo do que for eu conto algo pra você...
—Muito esperto, Sr. Malfoy! – Harry riu beijando-o mais uma vez – Deixe me ver... Já sei, lembra a primeira vez que nos vimos? Na Madame Malkin?
—Lembro – Draco entrelaçou a mão na de Harry, ele lembrava que era um pestinha mimado, e o moreno devia ter lhe achado um idiota.
—A primeira coisa que pensei quando te vi... – Harry aproximou mais seu rosto do de Draco – Foi que era a pessoa mais bonita que eu já tinha visto. Agora é a sua vez.
—Eu não esperava por isso! É bom saber. – Draco sorriu – Quando pedi pra você ser meu amigo e você me disse não – Draco murmurou envergonhado – Eu chorei... mais tarde, porque eu queria muito que você fosse meu amigo.
Harry ficou bem surpreso com essa. Ele não pensou que Draco iria chorar, ele era tão arrogante na época. Aparentemente Draco era assim desde sempre, arrogante pra quem olha de longe, doce pra quem olha de perto.
—Agora você começa – Harry falou, esperando Draco falar algo.
—Eu... – Draco mordeu o lábio pensando em algo sobre si mesmo que Harry não soubesse ainda, ele se lembrou de algo, mas era muito constrangedor – Antes... antes de você me ajudar... – Draco pigarreou, seu rosto estava muito vermelho, Harry sabia que ele estava corado apesar de não poder ver seu rosto no escuro. – eu... uma vez... tive um sonho com você...
—Um sonho? – Harry perguntou bem interessado – Que tipo de sonho?
—No ano passado... – ele murmurou – Eu estava com muita raiva de você, porque eu tive um sonho em que nós fazíamos... bem, nós fazíamos – ele disse desviando o olhar – E eu pensei que você tinha me azarado ou me dado algum tipo de poção.
—Sério? – Harry perguntou sorrindo, orgulhoso de si mesmo.
—Foi só uma vez! – Draco resmungou.
—Mas se você sonhou é porque andou interessado. – Harry sorria olhando a cara emburrada de Draco, mas algo aconteceu, porque de repente seu sorriso se contorceu em uma careta de dor e ele se encolheu.
—Harry! – Draco chamou preocupado – O que está acontecendo? – ele abraçou o grifinório, Harry passou os braços ao redor de Draco, agradecido pelo apoio. A dor passou, e Harry relaxou os músculos contra a cama com um suspiro – Tudo bem? – Draco perguntou fazendo carinho no rosto do moreno.
—Tudo... – ele murmurou com a voz cansada – Acho que Voldemort tem um plano, ele estava muito... animado. – Harry viu Draco arregalar os olhos – Nós temos uma conexão – Harry suspirou e se encolheu contra o peito de do sonserino.
Draco começou a acariciar Harry, ver o moreno assim, encolhido contra seu peito, era doloroso. Ele beijou Harry em todos os lugares que alcançou querendo acalmá-lo. Harry sorriu, beijando Draco de volta, era bom ter Draco pra proteger e ser protegido. Ele puxou o rosto de Draco pra si, beijando-o mais profundamente.
—Você está bem mesmo? – Draco perguntou entrelaçando uma mão com a de Harry, ele assentiu sorrindo – Que bom — ele murmurou – Porque é sua vez de dizer algo, e eu espero que seja algo bem embaraçoso!
Harry riu, beijando a ponta do nariz de Draco – Eu não tenho nada embaraçoso – ele falou – Mas tenho algo que deve ser do seu interesse.
—O que é? – Draco revirou os olhos.
—Eu conheci um garoto lindo – ele disse, vendo o sonserino arregalar os olhos – Ele é doce, mimado, um pouco egocêntrico... – Harry sorriu, dando um selinho em Draco e mordendo o lábio nervosamente – e eu... eu estou... – ele respirou fundo, não pensou que seria tão difícil de dizer, mas agora que havia começado, iria até o fim – eu estou completamente apaixonado por ele – Harry soltou de uma vez, vendo a respiração de Draco acelerar e suas bochechas corarem – Eu te amo, Draco.
—Tem certeza? – Draco arfou, Harry assentiu – Mesmo? – ele perguntou abrindo um sorriso tímido, Harry assentiu novamente.
Draco sentiu seu corpo tremer, ele esticou as mãos em direção a Harry, abraçando-o devagar. A reação surpreendeu Harry, Draco parecia tão feliz, abraçado a ele, sorrindo com lágrimas nos olhos; quem diria que Harry estava com tanto medo de ser rejeitado.
—Eu não acredito que vou dizer isso... – murmurou o sonserino – Mas eu também te amo – ele confessou tão baixo que Harry quase não ouviu.
Harry também sentiu seu corpo tremer. Draco o encarava, corado e sorrindo, o loiro era uma visão... e amava o amava! O moreno mal podia acreditar, ele beijou boca, olhos, testa, todos os lugares no rosto de Draco que pode alcançar. O sonserino retribuiu, pousando os lábios nos de Harry e tornando o beijo mais profundo.
O grifinório terminou o beijo selando seus lábios com os de Draco algumas vezes, impedindo que a carícia se tornasse mais quente. Harry ajeitou Draco sobre seu peito, fechando os olhos, se acalmando. O sonserino também fechou os olhos, e sob o carinho de Harry, ele finalmente adormeceu.
Pela manhã, Harry estava ao seu lado na cama, acordado, olhando-o, e como era comum, seu braço envolvia protetoramente a cintura de Draco. A noite foi inquieta, a troca de carinhos fez Draco sonhar mais uma vez com Harry, e acabou gemendo o nome do moreno várias vezes. Ele acordou de supetão, suado e excitado; remexendo-se inquieto nos braços de Harry, envergonhando-se ao notar sua situação.
—Bom dia! – Harry disse sorrindo docilmente – Acho melhor você tomar um banho.
Harry usou um tom tão calmo, que fez o sonserino ficar ainda mais corado. Ele levantou desapontado, esperava que Harry estivesse pelo menos nervoso, quem sabe excitado... Mas Harry estava absurdamente tranquilo. Ah, se Draco soubesse o quanto fora excitante pra ele ouvir seu nome pronunciado em gemidos! Dolorosamente excitante, quase perdeu o controle; ao ponto de ter que ir se aliviar antes que resolvesse acordar Draco e... bem, fazer o que não devia, pelo menos não por enquanto.
Mais calmo, Harry pediu a Mostro que preparasse o café-da-manhã pra ele e Draco e levasse no quarto. Lucio e Narcisa já haviam chegado, e Harry sabia que Draco precisava de um tempo antes de vê-los. Ele suspirou, esperando o loirinho para comerem juntos. Draco estava demorando no banho. Harry pensou que o sonserino estava tentando se acalmar com o banho, mas quando ele saiu de lá com os olhos vermelhos, o grifinório soube que ele havia chorado.
—O que foi, Amor? – perguntou vendo Draco andar até a cama devagar e sentar-se na ponta da cama mais distante de Harry. Será que o sonserino tinha ficado com vergonha de sua excitação a ponto de chorar? Isso não faria sentido, afinal situações como aquela já tinham acontecido antes.
—Não é nada... – o sonserino murmurou encolhido.
—Então vem aqui... – Harry chamou o sonserino pra sentar em seu colo, sem acreditar por um segundo sequer que “não era nada”. Draco hesitou, olhando pra Harry com uma expressão que ele não soube definir, algo entre triste e temeroso –Vem cá – chamou de novo, e dessa vez Draco veio, desconfiado, sentando-se em seu colo, deixando que os braços de Harry o envolvessem – Não vai me dizer por que estava chorando?
—Eu não estava... – murmurou.
Harry achou melhor deixar esse assunto morrer, pelo menos por enquanto.
—Seus pais estão aí – Harry suspirou mexendo distraidamente nos fios loiros.
—Eu sei – Draco suspirou – Não quero vê-los agora... – ele murmurou – estou com saudades, mas...
—Tudo bem – Harry interrompeu, olhando-o com extremo carinho– Por isso eu pedi o café-da-manhã no quarto, assim você tem mais tempo para se preparar.
Eles tomaram café no quarto, quando chegou a hora do almoço Draco ainda não tinha coragem de encarar os pais, ainda mais na frente de todos os membros da Ordem que estavam na casa, Harry pediu o almoço no quarto também, Monstro trouxe tanta comida que Harry duvidava que outros lá embaixo estivessem tendo um almoço tão farto. Ele se sentia agradecido pelo elfo doméstico ter simpatizado com Draco.
Mas Draco não podia se esconder pra sempre. Seus pais estavam lá embaixo, ansiosos para vê-lo, e de certa forma, ele também estava ansioso. Quando finalmente tomou coragem de sair do quarto, Harry estava ao seu lado, segurando sua mão. Enquanto descia a escada, ele pode ouvir as vozes dos pais vindas da sala de estar, estancou, sua respiração acelerando.
—O que foi, Draco? – Harry apertou a mão dele.
Ele não respondeu, apenas olhou para Harry com olhos arregalados que estavam se enchendo de lágrimas. O sonserino soltou a mão de Harry, subindo alguns degraus devagar, ele virou pra trás, sem saber se voltava para o quarto ou seguia para a sala. Harry acabou com suas duvidas, abraçando-o e mantendo-o no mesmo lugar.
—Quer voltar lá pra cima? – o moreno perguntou apertando Draco nos braços.
O sonserino negou com um movimento leve de cabeça, agarrado em Harry – Acho melhor fazer isso logo... – ele murmurou.
—Tem certeza? – Harry usou os lábios para secar as lágrimas do sonserino, o que fez Draco sorrir de leve e assentir. Então Harry entrelaçou sua mão na dele – Pronto? – Draco assentiu mais uma vez, e Harry entrou na sala, com o sonserino escondendo-se atrás de si.
Narcisa foi a primeira a ver os dois chegarem, ela estava de frente para eles e trancou a respiração, as lágrimas vieram rápidas aos seus olhos, ela se levantou correndo na direção do filho. O pai de Draco virou o rosto em sua direção, ele ficou parado, tremendo sem reação.
—Meu filho... – Narcisa abraçou-o, apertando-o entre os braços – Por que você não me disse...? – ela perguntou com medo, Draco começou a chorar novamente.
—Eu não podia... – ele murmurou chorando no ombro da mãe.
Harry se remexeu, desconfortável. Tinha vontade de tirar Draco dali e enchê-lo de beijos, até que parasse de chorar. Tinha vontade de arrancá-lo dos braços de Narcisa. Como ela podia fazer uma pergunta dessas? Já era bastante difícil para o sonserino sem que alguém o fizesse sentir ainda mais culpa.
—Você está bem, não está? – ela perguntou se afastando para checar com os próprios olhos.
—Estou – ele sorriu em meio às lágrimas – Eu senti sua falta, mãe.
—Eu também... – ela sorriu, soluçando emocionado. Narcisa encarou Harry por um momento – Obrigada – ela murmurou – Obrigada por cuidar de Draco. – Harry apenas assentiu.
O pai de Draco saiu de seu transe e se aproximou devagar, ele temia uma rejeição. Lucio chegou a erguer o braço para tocar Draco, mas hesitou, engolindo em seco. Olhando para ele, odiando a si mesmo por não ter sido capaz de protegê-lo e feliz por ele estar bem.
—Filho... – ele decidiu por chamá-lo mantendo uma distância segura.
Draco virou-se pra ele na mesma hora, chorando desesperadamente ele se atirou nos braços do pai. Lucio queria pedir perdão, mas ele tinha medo da resposta. Draco queria perdoar, ele não culpava seu pai por nada, mas não conseguiria falar isso a ele.
—Eu te amo, filho – ele murmurou apertando Draco nos braços com toda a força. Potter disse que tudo era sua culpa, e ele estava absolutamente certo, o um pai deve sofrer para proteger um filho e não o contrario, nunca o contrário.
—Eu também... – isso era algo que ele podia responder, ele sorriu enxugando as lágrimas – Agora tudo vai ficar bem. – ele disse, e esse era o seu jeito de dizer que seu pai não tinha culpa.
Harry permaneceu na sala até ter certeza de que Draco ficaria bem, mas aquela era uma conversa de família, e estava se sentindo um intruso. Ele saiu da sala, mas não sem antes dar um beijo em Draco, profundo o suficiente para fazer todos os presentes corarem. E enquanto Draco aproveitava para passar um tempo com sua família, Harry sabia muito bem onde passar um tempo: Hogwarts.
Ele foi pra lá com ajuda de Lupin, direto para sala de Dumbledore. O diretor sabia muito bem o que ele queria, e logo mandou chamar Rony e Hermione, dando-lhes o dia de folga e uma sala para que pudessem conversar sem correrem o risco de serem ouvidos ou de alguém perceber que havia dois Harrys em Hogwarts.
Os três passaram o dia conversando de tudo um pouco. Hermione fez questão de citar cada matéria que Harry estava perdendo, e embora tivesse certeza que Draco estivesse estudando mesmo longe da sala de aula, ela lembrou que Harry devia se esforçar para acompanhar. Rony contou sobre o quadribol, que Gina o substituíra no papel de apanhadora, e que ela não era tão boa quanto Harry. Eles continuaram conversando amenidades até Hermione soltar um suspiro.
—O que está te incomodando, afinal? Ela perguntou, decidindo ir direto ao assunto.
—As horcruxes – ele murmurou – Eu sei que tenho que ir atrás delas, mas eu realmente não quero deixar Draco sozinho – pelo menos, não queria deixa-lo enquanto o sonserino estava tão frágil.
—Você não tem que buscar as horcruxes agora – Hermione lembrou – Professor Dumbledore está procurando por elas. – falou a bruxinha tranquilamente – Você nem sabe quanto tempo ele vai demorar pra achar, e também... –ela fez uma pausa dramática – Você está esquecendo algo muito importante! Você não está sozinho, Harry, eu e Rony estamos com você.
Mesmo desse modo, mesmo que pudessem revezar na busca das horcruxes, mesmo que ainda passasse um bom tempo perto de Draco, ele queria passar todo o tempo perto de Draco. Mesmo que Rony e Hermione nunca deixassem Draco sozinho, e os pais de Draco também ficassem sempre junto com ele, Harry não confiava em ninguém além de si mesmo para ficar com o sonserino. Ele sabia que embora fragilizado, Draco não era totalmente dependente dele, sabia que Draco podia fazer as coisas sozinho, mas Harry não tinha certeza de como ficaria longe dele. Provavelmente; sua consciência respondeu, ficaria pensando em Draco todas as horas, minutos e segundos de todos os dias.
Harry não voltou a tocar nesse assunto com os amigos, sabia que quando a hora chegasse teria que ir, e seria para o bem de Draco também. Ele aproveitou o dia para conversar com Hermione e Rony sobre todos os assuntos, às vezes desejava que eles também fossem para Grimmauld Place. Ele planejara ficar conversando durante a tarde, mas perdeu a hora. Quando abriu a porta do quarto, entrando pé-ante-pé, Draco dormia enrolado na cama, Harry teve ainda mais certeza de que não poderia deixa-lo ao ver que ele dormia abraçado em sua camiseta. O moreno sorriu, fazendo uma leve caricia nos cabelos loiros. Ele trocou de roupa antes de deitar atrás de Draco, passando o braço por sua cintura.
—Você demorou... – o sonserino murmurou, virando-se manhoso e ajeitando-se no abraço de Harry, se não estivesse tão sonolento ele teria ficado com vergonha por ter sido pego dormindo agarrado à roupa de Harry. – Eu fiquei preocupado.
—Me desculpe, amor – ele disse depositando um beijo na testa de Draco.
—Tudo bem... – murmurou, trocando a camisa que segurava pelo verdadeiro Harry.
O grifinório ainda demorou a dormir, pensando sobre a caça as horcruxes. Ele olhava para Draco dormindo sobre si, ele parecia uma anjo enquanto não fazia nenhuma observação ferina, Harry jamais entenderia como alguém podia fazer mal a ele.
Ele suspirou, sem sono. As coisas estavam melhorando, Draco estava seguro, seus pais estavam seguros, Draco estava se dando bem Rony e Hermione e mantendo relações cordiais com o resto da Ordem, Harry sabia que ele ainda se sentia um pouco transtornado em relação aos pais, mas sua relação aos poucos retornaria ao que era antes. Tudo estava bem, mas Harry não estava calmo, ninguém poderia alcançar Draco onde ele estava agora, mas mesmo assim Harry não se sentia calmo.
Notas finais
Eu não fiquei satisfeita com o resultado e não quero que aconteça o mesmo com o próximo capítulo. Acho, sinceramente, que quem acompanha a fic tem o direito de ficar furioso,mas eu prefiro que fiquem furiosos do que ter que assistir a qualidade dos capítulos decaindo.
Eu sei que não sou uma "super escritora", e se não puder dedicar tempo o suficiente aos capítulos, o resultado será catastrófico.
Espero que entendam que eu faço isso para manter a qualidade da fic em um nível aceitável.
Desculpem por isso D:
Beijos, até julho.
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