—O que será que está acontecendo fora daqui? – Henry suspirou deitado no sofá, entediado ele contava as ranhuras do teto.

—Algo mais interessante do que está acontecendo aqui, suponho – Rasbatan murmurou, ele estava sentado no braço do sofá observando Henry.

Henry o olhou incrédulo – É mesmo? – ele perguntou debochado – Tipo lutas mortais e etc.?

—Não importa o que está acontecendo – Rasbatan murmurou – Qualquer coisa é mais interessante que nada.

—Não seja ridículo – Henry murmurou – Estamos seguros aqui.

—E se nos descobrirem, Henry? – ele se debruçou sobre ele, uma de suas sobrancelhas erguidas – Não teremos como nos defender. Pode ser que nos encontrem.

—Eu posso apostar que não vão! – Henry sentou-se tão rápido que se Rasbatan não tivesse se inclinado para trás os dois teriam batido as cabeças.

Henry parecia furioso, ele encarou Rasbatan por algum tempo. Sem mais nada a dizer e sem esperar uma resposta ele se levantou, mais chateado do que pensou que as palavras de Rasbatan o tinham deixado. De repente sentia muita vontade de ficar sozinho.

—Henry! – Rasbatan puxou seu pulso de leve – O que foi?

—Sai! – ele murmurou emburrado.

—Henry...? – Rasbatan chamou devagar, tocando o ombro dele – Você está com medo?

—Quero voltar para casa – ele respondeu quase sem voz.

Rasbatan o abraçou massageando lhe as costas – Você vai voltar, eu não estava falando sério... – Henry parecia tão novo... não... ele era muito novo. Rasbatan não podia se esquecer disso outra vez. Quando Henry soluçou, ele sentiu uma pontada de desespero – Nós vamos ficar bem – ele murmurou – você vai voltar para casa logo – e embora Rasbatan não tivesse vontade de deixar Henry, nunca quis tanto que fosse verdade.

O destino final de Severo e Harry era uma floresta. Apesar de estar tudo muito escuro e encoberto por névoa úmida, podiam ver a silhueta das árvores enormes e desfolhadas. A seus pés, o tapete espesso de folhas secas afundava sob o peso. O lugar refletia o gosto de Voldemort por campos de batalha sombrios. Talvez tivesse impressionado outra pessoa, mas não seu atual oponente. De trás de uma das árvores, Voldemort apareceu. Ele tinha um sorriso nos lábios, um que demonstrava perfeitamente seu estado de espirito no momento.

—Então, veio, Potter? – ele murmurou – O Herói de todos, não é mesmo?

—Não queria te desapontar – Harry deu um meio sorriso – Eu preciso ter o gosto de acabar com você.

—Que audácia... Harry Potter – ele cuspiu – Ousar falar assim comigo!

—Vá se ferrar – ele sorriu – Eu sempre quis dizer isso... vá se FERRAR! – repetiu com gosto, e então lançou o primeiro feitiço. Ele queria acabar com Voldemort, matá-lo por seus crimes, mas ele sabia que não adiantaria de nada fazer isso agora.

Voldemort desviou, puxando a varinha para revidar.

—Alarte Ascendare! – Harry gritou antes que o outro pudesse dizer qualquer coisa.

Mais uma vez Voldemort desviou e desta vez Voldemort revidou

—Avada Kedavra!

Desviando da luz verde rápida e graciosamente Harry se enfureceu. Mesmo sabendo que Voldemort tentaria matá-lo ele se irritou, muito. Depois de tudo que Voldemort tinha feito com ele... como... como podia tentar matar Harry.

—Crucio! – berrou antes que Voldemort pudesse pensar em outro feitiço.

No próximo segundo o Lord das Trevas se contorcia no chão. Ele sorria, aquilo não era dor de verdade. O Lord sentiu a mão de Severo apertando seu ombro, amparando-o.

—Eu cuido disso agora – Snape falou, mas não falava com Voldemort. Ele apertou o homem, trazendo seu corpo mais perto e retirou a varinha de suas mãos, ele podia ver que respiração do Lord estava descompassada, por mais que ele tentasse esconder. – Vá embora!

—Até parece! – o outro homem cruzou os braços e sorriu – Eu não confio em você no momento.

—Você não devia estar aqui, pra começo de conversa.

—O que fez você perceber? –ele levantou a sobrancelha em um gesto muito “Malfoy” – Achei que estava disfarçando bem.

—O que é isso, Severo? – Voldemort se manifestou, empurrando o homem e tentando alcançar a varinha – Eu ordeno que me solte! – ele gritou, Severo lhe lançou um olhar penalizado – Agora! – o Lord gritou de novo, sem querer acreditar que estava sendo traído.

—Cale a boca! – a voz de Harry soou – Ainda não percebeu? Severo está do lado da Ordem. – ele disse, satisfazendo-se ao ver o olhar de choque no rosto de Voldemort.

O Lord olhou para Severo antes de murmurar – Não é verdade... – sem muita convicção.

—É claro...

—Chega, Draco! – Severo puxou Voldemort ainda mais.

Os olhos de Harry foram revirados.

—Draco...? – Voldemort puxou a camisa de Severo, sentindo-se muito mais inseguro do que há dois segundos – Você contou para ele?

—Ele está do lado da ordem! – a voz de Harry falou, embora o tom de diversão por ver Voldemort cair fosse de Draco. – Aliás, Severo – Draco buscou o olhar do professor – Você não disse como me descobriu.

O homem deu de ombros – Um sonserino é sempre um sonserino – murmurou – Agora porque não nos deixa em paz?

—Não até ver a coisa beber a poção até a última gota.

Severo olhou para baixo, Voldemort tremia, os olhos arregalados, a mão ainda em sua camisa.

—Desculpe – ele murmurou puxando um frasco do bolso.

—Não! – Voldemort empurrou, tentando alcançar sua varinha, mas Severo o prendia fortemente – Não! – ele empurrou e empurrou sentindo seus olhos arderem – Não!

Severo se sentiu miserável ao empurrar o líquido dentro da boca de Voldemort e obrigá-lo a engolir. Voldemort se debateu o tempo todo, tentou cuspir, se afastar, fugir; mas finalmente a força de Severo o venceu e ele engoliu. Seu corpo sofreu um forte espasmo e ele caiu, fraco, sobre Snape. O Lord tentou se mexer, mas não conseguiu. Ele sentiu como se, muito lentamente, a vida estivesse sendo sugada de seu corpo. Não... não era apenas de seu corpo, ele se apavorou ao notar, os pedaços de alma que haviam sido guardados e escondidos também estavam sofrendo. Ele acreditou que fosse morrer. Ele podia sentir a energia sendo drenada, toda a sua energia. De repente ele teve mais um espasmo, e então tudo parou. Ele tornou-se uma massa trêmula e chorosa no colo de Snape.

—Vai ficar tudo bem – Severo murmurou – Eu prometo.

Sentindo-se pior ainda, Voldemort tentou empurrar Severo. Sem força seus braços nem se mexeram. Ele tentou falar algo, mas não conseguia emitir nada que não fossem soluços fracos. Só manter os olhos abertos já era esforço de mais.

Severo continuou acariciando Voldemort até que seus olhos se fechassem. Toda a magia havia sido drenada de seu corpo. Ele teve pesadelos horríveis, desta vez Severo estava neles, e não para lhe ajudar. Quando acordou, Severo não estava ali. Voldemort estava sozinho. Em Azkaban.

No momento em que Voldemort tinha seu segundo espasmo, Harry se encolheu sentindo um tremor estranho. Depois não sentiu mais nada, não, não apenas nada... era como se algo muito familiar o tivesse deixado. Ele temeu por Draco, e se algo tivesse acontecido? Harry se culparia pelo resto da vida. E se a sensação tivesse sido pressentimento? Uma revelação de que Draco estava em perigo? Harry levantou-se. Tinha que chegar até Draco.

Fazia pouco menos de uma hora que ele tinha sido estuporado. Harry simplesmente não conseguiu machucar Draco, agora pagava o preço. Se não tivesse hesitado, talvez Draco estivesse seguro.

Apenas alguns minutos atrás ele havia acordado, ainda meio tonto. Ele procurou por Draco, mas ele já tinha ido, procurou por sua varinha, mas ele a tinha levado, procurou uma saída, mas Draco tinha lançado fortes feitiços ao redor da casa. Harry se recusava a sentar e chorar, embora tivesse vontade de fazer exatamente isso.

Andava de um lado para o outro quando Draco abriu a porta, já em sua aparência real. Ao ouvir o barulho da porta Harry correu o mais rápido que pode, mas estacou assim que viu Draco. O sonserino estava parado na porta um tanto desajeitado. Ele olhou para Harry por algum tempo, mas tudo que este fazia era respirar, o peito se movendo para cima e para baixo, enquanto o olhava. Devagar Draco deu o primeiro passo até Harry, depois outro e mais outro, até estar bem a sua frente.

Harry tremeu, um soluço alto escapou de seus lábios e ele puxou Draco para perto, abraçando-o apertado. Tão, mais tão apertado que Draco fazia esforço para puxar o ar para os pulmões. Draco apertou Harry de volta, chorando feito um bebê.

—Achei que não fosse me perdoar – murmurou Draco – Achei que você iria ficar furioso...

—Eu estou furioso – Harry corrigiu sem afrouxar o abraço – Eu nunca fiquei tão apavorado na minha vida – ele beijou o pescoço de Draco com carinho – Mas estou feliz que esteja bem. E muito, muito aliviado.

Draco puxou o rosto de Harry para poder olhá-lo nos olhos – Você entende que eu precisava ir, não é? – ele estava mais do que feliz por Harry não estar bravo com ele, mas também queria que ele entendesse seus motivos, que não considerasse aquilo como uma traição. – Você sabe, não sabe?

—Eu sei – Harry sorriu e selou os lábios brevemente nos de Draco – Eu estava com medo – ele murmurou ainda sorrindo – mas agora... agora eu estou orgulhoso, você o enfrentou, Draco.

Sim. Ele tinha enfrentado. Ouvir em voz alta trouxe uma nova torrente de lágrimas, e Draco se agarrou a Harry esperando o conforto que sabia que viria.

—Eu até gritei com ele – Draco sussurrou, sua voz abafada contra o ombro de Harry.

—Draco... – Harry o apertou, sorrindo – Eu estou tão orgulhoso de ser seu futuro marido.

Draco finalmente riu – Eu te amo, Harry.

—Eu também te amo – Harry murmurou, apertando Draco ainda mais – Não sei o que faria se te perdesse.

Draco colou a testa na de Harry e fechou os olhos – Temos que voltar e contar a todos o que aconteceu? – perguntou em sussurros.

Harry movimentou a cabeça brevemente para um lado e para o outro – Não – sussurrou de volta – Deixa que Snape faz isso, eu preciso ficar assim com você um pouquinho mais.

Draco não precisava de mais nada, ele apertou Harry e se sentiu amado e seguro.

Enquanto isso, Severo sentia-se um lixo. Ele havia acabado de deixar Tom em Azkaban. Aquilo foi absurdamente difícil, talvez uma das coisas mais difíceis que já tivera que fazer. Quando chegou a Ordem, a primeira pessoa que viu foi Lupin. Pronto, não podia piorar, ele pensou, mas talvez Lupin tenha sido a melhor opção. Severo fez um relato conciso do que aconteceu e pediu a Remus que contasse aos outros, o lobisomem assentiu e deixou que Severo passasse por ele. Sem comemorações e sem parabéns, sem apertos de mão ou vivas.

Tão logo saiu dali, Severo trancou-se em seu quarto com suas poções. Ele passou os olhos pelos frascos de poção polissuco, claramente faltava um. Ele estava tão preocupado que nem notara o frasco a menos. Quando será que Draco o tirara dali? Agora, também... já não importava. Draco estava seguro, Voldemort em Azkaban, exatamente como tinha que ser.

Então por que sentia como se estivesse tudo errado? Ele não achava que Voldemort sobreviveria muito tempo em Azkaban, na verdade tinha certeza que ele não aguentaria. Mas ele não deveria se importar tanto, deveria estar feliz. Severo apertou as mãos contra o rosto. Ele sabia o que deveria pensar, mas tudo o que conseguia fazer era se culpar por ter abandonado Voldemort em Azkaban. Ele queria voltar lá e pegar Voldemort de volta. Droga! Ele devia estar tão assustado! Severo dizia a si mesmo que Voldemort merecia estar assustado.

Ele ainda estava nesse debate interno quando bateram a porta. Severo tentou se acalmar no caminho até a porta, mas não conseguiu. Ele apenas relaxou quando viu que quem batia era Dumbledore.

—Severo! – o velho exclamou, como se há muito tempo não se vissem e essa fosse uma cordial saudação. – Pensei que ajudaria na capturados outros comensais.

Snape buchinchou e abriu espaço para que Alvo entrasse no quarto.

—Estou um pouco surpreso de te ver aqui. – Dumbledore sorriu – Achei que iria fugir com Voldemort.

—Não é engraçado – Severo disse. Ele sentia culpa por ter deixado Voldemort em Azkaban, e ainda sentia culpa por sentir culpa. As piadinhas de Alvo não o faziam se sentir melhor. – Eu não queria deixa-lo lá.... Quão idiota eu sou por isso?

—Você não é idiota – Dumbledore puxou um banquinho próximo e sentou-se – Você é mais gentil do que gosta de pensar, apenas isso.

—Claro, eu sou muito gentil – Severo debochou – Você veio aqui apenas para me dizer isso?

—É claro que não – Dumbledore levantou e apertou o ombro de Snape – As horcruxes perderam o poder, Voldemort é mortal agora. Isso foi o que vim dizer.

O rosto de Severo perdeu a cor – O ministério não pode saber – ele murmurou, antes que entendesse as reais implicações do que estava dizendo.

Desde o momento em que nasceu, Tom Riddle não havia feito nada de bom para outro ser humano, nem mesmo uma única vez. E antes que Snape aparecesse, nenhum ser humano havia feito algo bom para Tom Riddle. Antes de Severo, ele fora tratado como nada, e com o que aprendeu, tratou de sobreviver.

Agora, neste exato momento, alguém intercedia por ele. Alguém, finalmente, se importava. Encolhido em baixo da estreita cama de ferro, embrulhado em si mesmo, com frio, com medo, Voldemort não sabia nada disso. Ele pensava em Severo, lembrando-se de como ele parecia se importar. Lembrando-se de como confiou em Severo... Voldemort sempre soube que carinho não era de graça, perguntando-se como pode esquecer. Agora pagava o preço. Talvez tivesse valido a pena. Quando Severo apertou seu corpo contra o dele naquela coisa chamada abraço Voldemort sentiu... ele sentiu... não sabia exatamente o que, mas queria sentir de novo.

—Como você acha que ele está? – Severo enfiou as mãos nos fios com vontade de arrancá-los. Mas foi sem movê-las que esperou a reposta de Dumbledore.

—Muito mal, provavelmente – ele disse movendo os ombros em um gesto atípico nos sábios velhos, mas comum no velho sábio. – Você deveria ir checar. – ele sorriu.

Severo desenredou os dedos do cabelo e ajeitou a postura. Ele olhou Dumbledore nos olhos, era óbvio que Voldemort estava mal, mas não era isso que queria ouvir. Severo queria ouvir que Voldemort merecia estar lá, que estava errado se preocupar com ele, queria ouvir algo que o fizesse parar de querer buscar Voldemort em Azkaban, não um convite para ir até lá.

—Não está falando sério, está? – ele murmurou, o rosto outra vez apoiado nas mãos. – Não quero vê-lo... eu quero... – o que ele queria era se encolher em baixo as cobertas e chorar como um bebê, mas não achou que fosse algo que deveria dizer, então a frase apenas morreu.

Dumbledore se levantou e deu três tapinhas em seu ombro – Vou lhe arranjar uma visita. – ele disse como se fosse uma ótima notícia.

Apesar do que havia dito, Severo assentiu. Ele não queria ver Voldemort, tinha uma ideia do que iria encontrar em Azkaban... e essa ideia o assustava.

Snape levantou-se também, acompanhando Dumbledore até a porta – Você vai até quartel dos comensais?

Dumbledore confirmou. Severo foi com ele, havia algo importante que precisava fazer lá.

Você já deve ter adivinhado o que era o algo importante que Severo foi fazer. Só havia um motivo para querer voltar ao covil do Lorde: Nagini. Não queria deixá-la lá sozinha. Também poderia contar a Voldemort que ela estava bem quando se encontrassem, isso o faria se sentir melhor. Devia ser um idiota mesmo, já estava planejando o que iria falar para que Voldemort se sentisse melhor.

Nagini estava no antigo quarto de Voldemort, enrolada embaixo da cama, assustada. Quando ouviu a voz de Severo ela saiu de seu esconderijo, ela se manteve a uma distância segura, confiava em severo, mas ele havia saído com Voldemort, e agora Voldemort não estava ali.

—Nagini... ele está em Azkaban – Severo murmurou olhando os olhos amarelos hipnóticos – A culpa é minha, estou do lado da Ordem – a voz de Severo saiu estrangulada e chorosa.

Se não fosse pela voz, Nagini o teria matado, teria pulado em seu pescoço e enfiado as prezas. Mas a voz estava lá, cheia de dor, e Nagini sabia o que tinha visto, sabia que Severo se importava com Tom.

Ele pressionou os lábios fortemente, Nagini o encarava. Depois de dizer tudo aquilo, ela apenas o encarava, confiando que haveria uma explicação. Ele soluçou, os olhos embaçados. Quando a cobra se aproximou e tocou a face gelada em sua bochecha, Severo caiu no chão em prantos.

—Eu vou resolver, Nagini – ele murmurou, agarrado as próprias pernas enquanto chorava feito bebê – Juro que vou dar um jeito nisso.

Ela apenas ficou olhando, querendo acreditar que aquilo era verdade.

Meia hora e uma longa discussão depois, Severo e Nagini estavam no quarto dele, na Ordem da Fênix. A longa discussão nada mais foi que uma conversa de vida ou morte, no caso a vida ou morte de Nagini. Severo tentava defender a cobra da melhor forma possível, escondendo-a atrás de si enquanto discutia com Alastor Moody. Olho-tonto achava que a cobra era uma espiã, o que bem podia ser verdade não fosse o estado em que Voldemort se encontrava. Os dois argumentavam aos berros na sala da Ordem, os outros membros a sua volta, prontos para interromper caso a briga se tornasse mais seria, mas nem um pouco dispostos a tomar partido. A discussão terminou apenas quando Harry e Draco, já tendo retornado e recebido o maior número de abraços possível, decidiram defender Nagini. Era melhor não deixá-la sozinha enquanto Alastor estivesse por ali.

Como se atravessar as celas de Azkaban já não fosse terrível o suficiente, Severo estava na terrível situação de ter Voldemort a sua frente, encolhido contra a parede, parecendo mais vulnerável do que em qualquer outro momento. Em qualquer outro momento Severo teria se aproximado, mas agora ele não sabia o que fazer, Voldemort devia o odiar. Não! Não devia odiá-lo, devia ter medo dele.

Severo se aproximou devagar, ele tocou o ombro de Voldemort devagar. Voldemort saltou para longe dele, o coração batendo tão forte que Severo conseguia ouvi-lo. Se aproximar silenciosamente não foi uma boa ideia.

—Eu não vou te machucar – Severo sussurrou se aproximando. Embora Voldemort não tivesse se movido Snape podia ver que ele continuava tão assustado quanto antes – Eu sei que fui eu que te trouxe pra cá, mas eu vou consertar as coisas, vou dar um jeito de te tirar daqui.

É claro, Voldemort não acreditou em uma só palavra. Ele não sabia o que levará Severo até Azkaban, mas tinha certeza de que nada seria como Severo dizia que seria.

A falta de reação de Voldemort deixava Severo nervoso. Ele puxou o homem pálido e gelado para perto de si, mesmo assim não obteve nenhuma reação, a única coisa que dizia a ele como Voldemort se sentia era o olhar apavorado em seu rosto. Era verdade que Tom estava apavorado, ele sabia que Severo não tinha a intenção de mantê-lo – sem dor, seguro, saudável? — ele não sabia qual a palavra exata, de qualquer jeito, sabia que nada de bom viria dessa visita. Mas o braço de Severo ao redor de seu corpo o reconfortava, mesmo depois de ter sido traído por ele ainda se sentia bem ao receber seu carinho. O quão idiota era por isso? Severo iria machucá-lo outra vez, e Voldemort deixaria. Era Azkaban, ele decidiu, com todos os malditos dementadores a sua volta é claro que ele se sentiria melhor não estando sozinho.

—Eu estou pensando em algo para tirar daqui – ele se afastou de Voldemort, olhando-o no rosto – Sei que não há nenhum motivo pra que confie em mim, mas sou a única chance que você tem de sobreviver – ele suspirou, Voldemort estava inquieto e Severo sabia que ele queria voltar a ser abraçado, Severo ficou feliz em saber que ainda havia um resquício da confiança que Voldemort tivera nele. – Você não pode dizer que as horcruxes foram destruías – Severo murmurou, depois disso puxou para perto novamente.

Voldemort assentiu e se recostou em Snape. Sentir o coração de Severo batendo o acalmou, era bom saber que não estava sozinho com os dementadores, ainda mais agora que... agora que não podia vê-los. Bem devagar, Tom passou os braços ao redor de Severo sem encostar, com medo de mais para encostar. Ele não queria que Severo percebesse, mas Severo percebeu, é claro que Severo percebeu os braços tremendo a centímetros de tocá-lo.

—Tudo bem... – Severo murmurou inacreditavelmente gentil. Ele não queria ser tão gentil, Voldemort tinha feito com que sofresse o suficiente, e se ele jamais tivesse se mostrado tão frágil Severo estaria satisfeito em conseguir sua vingança, na verdade ele deveria aproveitar o lado frágil de Voldemort para se vingar. Severo suspirou – Eu tenho que ir – ele soltou Voldemort devagar – Vai ficar tudo bem, ok? Eu vou voltar, entendeu?

Tom assentiu, não que acreditasse inteiramente, mas uma promessa era melhor do que nada. Ele permaneceu no chão quando Severo se levantou, e foi do chão que ele viu Severo deixar a cela. Assim que Severo saiu qualquer vestígio de esperança que tivesse de que Severo iria voltar, de que iria sobreviver, desapareceu. Tudo o que sabia era que estava em lugar frio, escuro e assustador, cheio de dementadores e que Snape não tinha nenhum motivo para voltar lá. Voldemort voltou a se enroscar no canto.

Draco não disfarçava seu descontentamento, sentado ao pé da cama, ele olhava para Harry com os olhos apertados... e bufando de vez em quando.

—Pode me lembrar por que essa coisa está aqui? – ele perguntou a Harry.

—Snape não quis deixar ela sozinha – Harry disse, fazendo questão de lembrar a Draco que Nagini não era uma coisa.

Para total desagrado de Draco, não só Nagini estava no quarto deles, como Harry estava mantendo uma conversa com ela e deixando Draco totalmente de fora. Draco trocou de posição na cama fazendo o máximo de barulho que conseguia. Harry riu de sua tentativa de chamar atenção, mas foi até ele.

—Você está querendo atenção, Draco? – Harry perguntou apertando o nariz que Draco tinha torcido para ele.

—Não! – ele disse, as sobrancelhas arqueadas e o nariz empinado em sua melhor expressão de indignação.

Harry sorriu:

—Então você não deveria fazer tanto barulho. – Harry beijou-o devagar – Agora eu quero atenção.

Draco virou o rosto para ver se Nagini estava prestando atenção, a cobra parecia totalmente desinteressada, então ele beijou Harry.

—Eu te amo, Draco – Harry suspirou, beijando-lhe o pescoço.

Draco lançou outro olhar para Nagini – Eu também – ele sussurrou, sem querer que ela escutasse.

Divertindo-se com a reação de Draco, Harry riu e o beijou mais uma vez, e outra, e mais outra. Foi aí que Severo entrou.

—Por Merlin! – ele disse áspero – Será que não conseguem manter as mãos longe um do outro por cinco minutos?

—Você demorou mais do que cinco minutos – Harry respondeu.

—E por que você entrou sem bater? – Draco o encarou emburrado, ele não gostou de ser flagrado naquela situação com Harry, por mais que eles estivessem apenas trocando alguns beijinhos.

Severo apontou para Nagini que já estava rastejando em sua direção – Não achei que fariam algo com ela aqui – ele resmungou.

—Não estávamos fazendo nada demais – Harry respondeu, mas Draco ficou ainda mais envergonhado.

—Então eu estava certo – Severo respondeu, fechando a porta com Nagini já totalmente enrolada em seu corpo.

Rasbatan e Henry ainda estavam na cabana que servia de esconderijo. Essa manhã Henry havia aberto algumas caixas que encontrara em um dos quartos, havia todo o tipo de coisa dentro delas, o que lhes distrairia por algum tempo. Algumas das caixas estavam recheadas com livros, livros que tinham títulos que Henry jamais ouvira falar. Eram livros bruxos, claro, e Henry ficou bastante interessado. Agora ele e Rasbatan estavam no sofá, Henry estava sentando no sofá lendo um livro de poções para estudantes do quinto ano, Rasbatan estava deitado usando as pernas de Henry como travesseiro, e eventualmente explicava algo que Henry não entendera.

—O que será que está acontecendo fora daqui? – Henry suspirou.

Rasbatan sorriu, Henry perguntava isso quase todos os dias. Henry queria tanto voltar para casa, Rasbatan soube disso no dia em que o fez chorar, agora ele era bem mais cuidadoso com as palavras e ele sabia que dizer que não estava com nenhum pouco de pressa para sair dali não era a coisa certa.

—Não seria engraçado se a guerra acabasse e esquecessem da gente aqui?

—Acho que seria muita irresponsabilidade – Henry murmurou torcendo os lábios – Mas acho que seria engraçado... de certa forma – ele deu um pequeno sorriso.

—Henry... – Rasbatan suspirou – Você odiaria muito se realmente nos esquecessem aqui?

Henry pensou por um momento, ele não entendia o motivo da pergunta, quer dizer, é claro que ele odiaria ser esquecido ali, trancado naquele lugar.

—Eu... acho que sim... – ele murmurou – Quer dizer... não tem como gostar de ficar aqui, não é?

Rasbatan deu um sorrio triste – Acho que você tem razão. – comentou chateado.

Henry sorriu, agora ele havia entendido a pergunta, Rasbatan não queria saber se ele queria voltar para casa logo, o que Rasbatan queria saber era se Henry estava com pressa para deixá-lo.

—Você não está louco para ir para sair daqui? – perguntou a Rasbatan, decidindo se divertir um pouco. – Eu não vejo a hora de voltar – ele sussurrou observando as reações de Rasbatan.

Rasbatan gostaria de ter escutado algo diferente, mas ele não esperava nada diferente. Era obvio que Henry queria sair dali, por que ele iria querer ficar? Rasbatan queria ficar, Henry o divertia. Ele começou a sentir-se desconfortável, tentou levantar, mas Henry o empurrou de volta.

—Rasbatan? – Henry chamou, um pouco arrependido do que tinha dito, Rasbatan parecia tão triste, mas de certa forma saber que Rasbatan se importava com ele o deixava tão feliz. – Quando sairmos daqui você pode me emprestar alguns dos seus livros? E... se não estiver muito ocupado poderia me ajudar a entendê-los?

—Claro – ele sorriu – Se você não quisesse mais me ver, eu iria preferir que tivessem nos esquecido aqui, só para poder passar mais tempo com você.

—Eu quero te ver – ele sorriu, bagunçando o cabelo de Rasbatan – E ninguém vai nos esquecer aqui.

—Logo vamos descobrir, alguém deve nos trazer suprimentos em dois dias.

Dois dias depois que Rasbatan e Henry tiveram tal conversa, os membros da Ordem jantavam sem se lembrar de Rasbatan ou Henry, aquele era um jantar muito especial. Todos os membros estavam ali, exceto Severo. Era um jantar de despedida, com Voldemort e a maioria dos Comensais da Morte presos, o Ministro de volta e a ação dos aurores, a Ordem da Fênix era desnecessária. Uma ocasião feliz para a maioria, mas Severo não via motivo para comemorar, por isso se absteve de participar.

A sede da Ordem, a casa que fora de Sirius, agora era de Harry, ele poderia viver ali com Draco se assim desejasse. Harry tinha sentimentos diversos pela casa dos Black, ele não tinha certeza se gostaria de ficar ali, por agora, ele ficaria, e permitiu que os outros membros da Ordem ficassem caso não tivessem nenhum lugar para ir. Os pais de Draco ficariam, mesmo que sobrassem poucos Comensais livres, os Malfoy sabiam de mais, e alguém poderia tentar matá-los por isso, quando fosse seguro o suficiente eles voltariam para a Mansão Malfoy. Fred e Jorge também decidiram ficar, mas Molly soube como dissuadi-los da ideia. Ninguém mais demonstrou interesse em permanecer, a guerra estava acabada e todos estavam ansiosos para voltar para suas próprias casas, para retomar suas vidas.

Harry e Draco, é claro, ficariam juntos, e seja qual fosse o lugar que decidissem morar, decidiriam juntos. No fim, Narcisa se ofereceu para recolocar o nome de Sirius na árvore dos Black, mas Harry recusou, eles o haviam desprezado, e Harry não gostaria de ter o nome de seu padrinho ligado àquela família... nem o de Draco, ele não podia deixar de pensar, ou seu próprio nome. Draco e Harry decidiram que se conseguissem tirar todos os vestígios de arte das trevas da casa, eles a fariam seu lar, caso contrario iriam embora. Lucio e Narcisa se ofereceram para ajudar prontamente.

Harry não pode deixar de sorrir, tudo parecia um sonho. Rony e Hermione estavam ao seu lado, as mãos dadas por baixo da mesa, vez outra eles sussurravam um pra o outro, Tonks mudava sua aparência para fazer uma ou outra imitação, e fez todos gargalharem quando olhou para Lupin com a aparência do primeiro e lhe pediu um beijo.

—Que nojo, Remus! – Tonks murmurou para ele, de volta a sua forma natural, a barriga já aparecendo.

Lupin corou – Isso é porque eu te amo independente da sua forma, Ninfadora – disse, e quando todos, menos Moody, suspiraram ou sorriram diante do comentário ela corou, ela não conseguiu rebater com nenhum comentário espirituoso, e nem mesmo se zangou por Lupin tê-la chamado nome.

Até mesmo os gêmeos sorriram. E eles nem estavam no melhor dos humores, Molly havia colocado Gina entre eles, e embora eles estivessem adorando importunar a irmã, que estava emburrada de braços cruzados, eles realmente gostariam de sentar lado a lado nesse jantar, era a primeira vez que sentiam que tudo estava realmente acabado, que agora teriam paz, e gostariam de dividir isso um com o outro. Gina sabia disso, e se não fosse levar alguns puxões de orelha caso fizesse, ela teria trocado de lugar com um deles.

Quando Harry olhou para Draco viu que ele também sorria. Draco olhou para Harry e suspirou, seu sorriso morrendo. Ele se encostou ao ombro de Harry:

—Quero ver Severo – murmurou.

Harry segurou sua mão e apertou-a. Severo provavelmente precisava ver Draco, Harry não sabia exatamente qual a relação que Snape tinha com Voldemort, mas sabia que ele se importava com a opinião de Draco.

—Vai lá – Harry murmurou, e puxou Draco para um beijo. Assim que Draco levantou, Harry virou o rosto para cima, um beijo não era suficiente, Draco sorriu ao selar os lábios rapidamente.

No caminho até o quarto de Snape, o animo que o beijo de Harry tinha lhe dado desapareceu. Ele teve que bater na porta várias vezes antes que Severo a abrisse, ele abriu apenas porque era Draco, e ele estava insistindo muito. O s olhos de Severo estavam vermelhos e inchados, ele estivera chorando, a ideia era absurda para Draco.

—Severo... – ele murmurou entrando no quarto – Eu... – Draco não conseguia pensar em nada descente para dizer, ele nem sabia por que tinha decidido ir até ali, mas estava feliz por tê-lo feito. – Você está chorando por causa daquela coisa? – Draco sabia que sim, mas a confirmação no olhar de Severo foi dolorosa – Eu não ligo se você salvá-lo – Draco mentiu – Quer dizer, eu tenho certeza que eu estaria mais seguro se você estivesse tomando conta daquela coisa do que os dementadores, além disso, ele não é perigoso e... contanto que eu nunca mais o veja na minha frente, pouco me importa onde ele está – Draco suspirou, dando alguns tapinhas no ombro de Snape – Só faço o que você tem que fazer e pare de choramingar.

Severo encarou Draco sem conseguir acreditar no que tinha escutado.

—Bom... – Draco sorriu, embora estivesse constrangido – Eu vou indo agora...

Draco se virou e começou e foi rapidamente até a porta. Ele só parou porque a voz de Severo interrompeu seus passos.

—Obrigado – ele murmurou.

Sem conseguir fazer mais nada, Draco apenas assentiu. Ele precisou parar para respirara do lado de fora do quarto, digerindo o que ele tinha acabado de dizer, sem saber como fora capaz, assim que conseguiu ele voltou a andar a passos rápidos, só havia uma pessoa com quem queria estar: Harry. Draco parou na porta da sala, ele esperava que Harry o visse, mas Harry estava de costas para porta. Draco não queria entrar e deixar os outros preocupados. Felizmente um dos gêmeos o viu — ele achava que Fred, mas não podia ter certeza – e chamou Harry.

Harry se levantou imediatamente, indo até Draco, preocupado com ele. Draco tremia. Ele se atirou nos braços de Harry, apertando-o com força. Harry apertou-o de volta, guiando para o andar de cima, para o quarto deles, sem soltá-lo, sem perguntar o que havia acontecido, apenas deixando que Draco choramingasse em seu pescoço e murmurando palavras doces. E Draco soube que tudo ficaria bem.

Notas finais
Gente, eu sei que demorou, sinto muito por isso. Na verdade, ainda falta revisar o cap, ver se não falta nada. Eu estou sentindo que esqueci de alguma coisa, mas não sei o quê.

Bom, esse é o cap final, agora só epílogo e extras. Espero que tenham gostado do final.

E, muito importante, como eu demorei tanto eu estava pensando numa maneira de compensar vocês, eu sei como é chato ficar esperando capítulo de uma fic. A única coisa que eu consegui pensar foi em compensar escrevendo.
Eu não sei se alguém lê as notas, mas a proposta é a seguinte:
Quem tiver um casal que não é muito frequente em fics, que seja díficil de achar algo sobre, pede para eu escever uma fic sobre o tal casal nos comentários. Não precisa ser de Harry Potter, mas se eu não conhecer o casal, não vou escrever. Ah... eu tbm não prometo que vou escrever todos, ok? E serão histórinhas curtas, talvez tenham mais de um cap., mas não serão muito longas, não.

Espero que alguém peça alguma coisa! hehe
Assim me sinto menos culpada.
Beijos, até o epílogo