Notas iniciais
Finalmente ;)

Draco roía as unhas no sofá. Harry andava pela sala, de um lado para o outro. A campainha tocou e Harry parou de andar abruptamente. Ele foi até o sofá e segurou a mão de Draco.

—É hoje, você está pronto? – perguntou mordendo lábio, Draco assentiu – Você sabe, esse é só o primeiro, então não fique desapontado se não estiver lá, ok?

—Pare de me dar conselhos quando você está tão nervoso! – Draco sussurrou enquanto Harry abria porta.

Do outro lado havia um homem em seu impecável uniforme do ministério da magia.

—Sr. Malfoy? Sr. Potter? – ele perguntou, porque fora instruído a fazê-lo, não tinha como alguém no mundo bruxo desconhecer o herói, Harry Potter, ou a Draco Malfoy.

—Nós! – Draco falou sorrindo de orelha a orelha. Oh! Ele estava mais idiota do que no dia em Harry lhe pedira em casamento dez anos atrás!

—Certo. – o homem falou sério, ele estava se segurando para não pedir um autógrafo de Harry Potter! Merlin! Se ele conseguisse um para seu filhinho seria um sonho! – Vocês entenderam todo o procedimento? – ele perguntou, mas não esperou resposta – Eu irei acompanhá-los hoje, e se necessário, em outros dias também. Assim que vocês decidirem, eu finalizarei os detalhes e vocês poderão voltar pra casa com a criança de vocês.

Os dois assentiram. Merlin! Estavam estupidamente felizes! Eles acompanharam o homem do ministério, Davis Trecy, como dizia o crachá de identificação. As crianças bruxas ficavam em orfanatos comuns, embora o Ministério da Magia tivesse total consciência delas. Quando algum bruxo queria adotar uma criança, bastava pedir um acompanhante da seção de adoção, ele iria julgar se adoção era possível ao interessado, se fosse ele o acompanharia até o orfanato, alteraria os registros trouxas magicamente, e pronto! A criança deixava o lugar no mesmo dia.

Draco manteve a mão na de Harry durante todo o tempo. Por coincidência o primeiro orfanato que estavam visitando era o mesmo em que Tom Riddle tinha crescido. Eles entraram, o reboco das paredes estava descascado, e havia pontos de mofo no teto, não parecia um bom lugar para uma criança. Uma senhora de idade avançada e aparência severa os recebeu, ela perguntou asperamente o que queriam. Davis, que não era um homem paciente com pessoas grosseiras, a enfeitiçou na mesma hora, fazendo com que ela os levasse até as crianças.

Pelo menos o quarto de recreação parecia limpo! Ou pelo menos mais limpo do que a entrada. Draco analisou em volta as crianças espoletas que corriam e brincavam. Ele prendeu a respiração para o pequeno menino no canto da sala. Ele devia ter em torno de cinco anos, seu cabelo era muito preto, e as roupas pareciam grandes de mais. Draco queria ver seu rosto, mas ele estava de costas, ele observou o menino empilhar pequenos blocos de madeira e em seguida derrubá-los no chão, e recomeçar a empilhá-los.

—Harry... – a voz de Draco foi apenas um sopro, ele apertou a mão do marido, e então voltou a olhar para criança – Quem é aquele? – a pergunta não era exatamente para Harry, era para qualquer um que lhe pudesse dar a informação.

—Aquele? – a velha enfeitiçada perguntou com ar de desdém – Aquele é Fredrich! Menino insuportável... – ela não era a mesma mulher com quem Harry falara anos atrás, mas era parecida de mais com ela para seu conforto.

A velha continuou resmungando sobre o “demoniozinho”, mas Draco não ouviu nada do que ela disse, na verdade, seu cérebro tinha decidido ignorar a mulher totalmente a partir da primeira nota de desdém. Soltando a mão de Harry, Draco andou para o menininho hipnoticamente. Por algum motivo, a ideia de falar com aquela criança o deixava tão nervoso!

Irritando-se com a tentativa da mulher de fazê-los escolher outra criança, Tracy acabou usando mais um feitiço para silenciá-la. Ele nunca tinha encontrado uma mulher tão insuportável em todos os anos que esteve trabalhando para o ministério.

Harry soltou uma risadinha, vendo a mulher mexer a boca freneticamente sem produzir nenhum som. – Acho que já escolhemos nossa criança, Sr. Tracy. – Harry falou observando Draco conversar com o garotinho.

—Oh... bem... – o homem parecia bastante desconfortável agora – É que ele não é bruxo... esse garotinho não consta no sistema do Ministério da Magia.

Harry engoliu em seco e tomou uma respiração profunda. Franzindo as sobrancelhas, com seu coração apertando-se no peito, ele olhou para Draco e a criança mais uma vez. Deixar Fredrich ali estava fora de cogitação.

Draco se aproximou do menino devagar, ele sorriu ao se abaixar na frente dele. Suas mãos estavam tremendo tanto!

—Oi – Ele disse, grato por sua voz sair mais firme do que esperava. Mas sentiu uma pontada de dor salpicada com desespero quando o menino o olhou com enormes olhos cinzas tristinhos e se encolheu em uma postura defensiva – Você é Fredrich, não é? – Draco perguntou determinado a não desistir. O garotinho era tão lindo, ele parecia tão indefeso que Draco sentia vontade de apertá-lo nos braços e dizer que tudo ficaria bem, mas ele era sensível o bastante para saber que o menino assustado precisava de tempo.

O menino assentiu, mas a postura defensiva se manteve. Sentindo-se mais tímido do que em qualquer outro momento de sua vida, Draco se encolheu.

—Você gosta de blocos? – ele perguntou apontando para um dos cubos que o menino estava empilhando e derrubando antes. Oh, Merlin! Sentia-se tão bobo! Ele estava desesperado para puxar assunto com o garotinho, mas não estava indo bem, e sabia disso!

—Sim – Fredrich respondeu, não era necessariamente verdade, ele só não tinha outra coisa pra fazer. Ele arriscou uma olhada em Draco antes de voltar a olhar as próprias mãos. O homem não parecia assustador, ele parecia bondoso e gentil, parecia um bom pai. – Pode perguntar. – Fredrich suspirou.

—Perguntar? – Draco franziu as sobrancelhas, confuso. Bem, se isso fosse uma abertura... ele aproveitaria.

—Sim. – ele levantou o rosto, e Draco olhou novamente para os olhos profundamente tristes e cinzentos – É Suzie, não é? Ela parece com você. – o menino passou a língua nos lábios, pensativo – ela gosta de pular corda, não gosta de bonecas, nem de salada. Ela adora pintar, se você perguntar sobre seus desenhos ela vai falar sobre eles com você.

—Quem é Suzie? – Draco perguntou, ele não tinha certeza sobre o que Fredrich estava falado, mas pelo menos tinha algum assunto.

—Aquela – Fredrich apontou para a menininha bonita e loira de maria-chiquinha – Não é ela, então? – Fredrich varreu a sala com olhar, perguntando-se quem seria escolhido – Quem você vai levar, afinal? – Perguntou desistindo.

—Levar? – Draco piscou confuso. Ele não podia acreditar nisso! Fredrich achava que ele estava buscando informação sobre as outras crianças! E o pior, ele agiu como se já houvessem feito isso, muitas vezes! – Eu... – Draco corou – Se você quiser... eu gostaria de levar você.

—Eu? – Fredrich riu – É sério, não precisa ficar com pena de mim nem nada. Eu sei que eu vou continuar aqui.

—Não vai, não! – Draco bufou, aproximando-se e segurando sua mão antes que sequer notasse o que estava fazendo – Eu não estou com pena! Vim falar com você porque queria falar com você! – Draco garantiu. Como alguém podia não querer Fredrich? – Eu e Harry queríamos adotar você, se quiser, é claro. – Draco corou, ele não devia ter falado tanto tão rápido. E se Fredrich dissesse não?

—Você me quer? De verdade? – os olhos cheios de esperança do garotinho deixaram Draco emocionado como raramente ficava.

—É claro. – Draco sorriu – Eu e meu marido gostaríamos de te adotar – ele suspirou, mais aliviado por não ter sido rejeitado.

—Eu adoraria! – O garotinho sorriu – O sr. deve ser um pai muito legal.

—Você vai gostar e Harry também.

Draco estava empolgado, ele começou a fazer perguntas sobre o que Fredrich gostava ou não, falou sobre como era sua casa, como seria o quarto de Fredrich e como eram as pessoas que Fredrich iria conhecer. Draco discorreu tão apaixonadamente sobre Harry que quando este se juntou a eles os olhos do menininho brilharam.

—Oi! – Harry sorriu sentando-se ao lado do marido – Draco falou que vamos levar você para casa?

O menininho assentiu. Harry sorriu para ele, tinha que contar a Draco que o garotinho era trouxa antes que o levassem para casa, há muito tempo que sangue tinha deixado de ser um problema para Draco, mas Harry achava melhor lhe contar mesmo assim. Quando ele disse a Draco que precisavam conversar milhares de coisas passaram pela cabeça de Fredrich, mas de uma coisa ele tinha certeza, ele não sairia do orfanato com eles.

Fredrich estava completamente enganado. Harry ainda não tinha falado muito com ele, mas dava para perceber que o garoto era uma gracinha, ele queria Fredrich como filho tanto quanto Draco. Draco não dava a mínima se Fredrich era trouxa ou não, ele queria a criança e não pretendia deixa-lo ali nem mais um dia, sua única preocupação quando Harry lhe disse que o menino não era bruxo foi se teriam algum problema com a adoção, Draco ficou aliviado em saber que estava tudo certo.

—Harry... – Draco murmurou – Como vamos contar a ele que somos bruxos? – perguntou preocupado.

—Quando Hagrid me contou ficou tudo bem, e ele não foi nada sútil.

—Aposto que não – Draco fez uma carata – Mas eu não quero que ele se assuste, não quero que ele tenha medo de nós, e eu sei que os trouxas contam histórias sobre bruxas más! – sussurrou indignado.

Harry riu – Vamos contar quando chegarmos em casa. – Harry selou os lábios com os de Draco em um beijo rápido – Não acho que haja motivo para se preocupar.

—Ah, é, espertinho! Como é que vamos pra casa? – Draco rebateu, seu maior medo era que Harry dissesse algo como “metrô”, ele não sabia fazer nada de modo trouxa.

—Do mesmo modo que nós viemos – Harry teve que ir do olhar furioso que Draco lhe lançou – Eu sei que o carro é enfeitiçado, Fredrich vai adorar, depois explicamos o que aconteceu, ele não vai ficar com medo.

Draco suspirou e lançou a Harry um olhar preocupado – Espero que esteja certo.

Antes de irem Fredrich distribuiu suas roupas e brinquedos entre as crianças do orfanato já que Draco insistiu em comprar tudo novo. Ha não ser que ele tivesse algo especial que quisesse manter, Fredrich não tinha nada. Eles assinaram os papeis da adoção com Trecy, e uma rápida modificação nos registros do orfanato resolveu o resto. Draco e Harry agora eram pais. Eles mal podiam acreditar, enquanto viam Fredrich se maravilhar a cada manobra impossível que o carro fazia, que aquele era seu filho. Seu. Harry e Draco sabiam que fariam qualquer coisa pelo menino.

Harry e Draco esperaram as perguntas de Fredrich, mas durante toda viagem o menino apenas riu e se divertiu. Quando foram lhe explicar sobre seus poderes, descobriram que Fredrich era uma criança mais especial do que imaginaram e que não lhes julgaria pelo que já sabia sobre bruxos, mas pelo modo como o vinham tratando.

Fredrich era o menino mais doce que poderia existir. Ele conquistou a todos com quem encontrou em contato, o que incluía toda a família Weasley e os pais de Draco. Fred e Jorge se autonomearam babás oficiais, eles adoravam Fredrich tanto quanto o menino os adorava, embora Snape também tenha sido muito especial na vida do menino.

Mas o que Fredrich mais gostava era passar tempo com os pais. Harry e Draco eram muito gratos por terem encontrado Fredrich, e o menininho era grato por ter sido encontrado. Ele sempre soube que era trouxa e seus pais sempre lhe disseram que isso não era problema, que não havia nada de errado em ser trouxa, mas Fredrich queria desesperadamente pertencer ao mundo bruxo, ele lia sobre feitiços, poções, história da magia, qualquer livro bruxo que colocasse a mão era interessante; com o tempo passando, ele tinha cada vez mais certeza de que sua magia não iria se manifestar, mas ele queria desesperadamente ir para Hogwarts.

Quando sua carta não chegou ele chorou por meses, até uma visita de Snape, quando o professor lhe colocou sob sua tutela e lhe ensinou a arte do preparo de poções. Fredrich era muito bom nisso, e aos quinze anos fez sua primeira visita a Hogwarts, como auxiliar de Snape. Depois disso, Harry e Draco param de tentar integrá-lo ao mundo trouxa, embora tivessem suas preocupações. O mundo podia estar mudando, mas por melhor que fosse, um trouxa não viraria um professor de Hogwarts.

Às vezes Fredrich visitava Snape em casa, Draco sempre ficava furioso, e, apenas muito depois, Fredrich descobriria que era por causa do homem feio e triste que ele algumas vezes vislumbrava. O homem parecia sempre estar a beira do choro e, se não fosse por seu jeito tão triste, a aparência horrível o teria assustado. Não era como se o tivesse visto muitas vezes, ele sempre saia correndo ao menor sinal de qualquer um que não fosse Severo. Mas um dia, já mais velho e encaminhado na vida, Fredrich não viu mais nem o menos sinal do homenzinho. Severo morreu alguns meses depois.

Mas bem antes que Severo morresse, ele ajudou Fredrich a abrir uma loja de poções, e usou seu nome para torná-la famosa. Fredrich fazia todas as poções e podia ajudar um cliente a escolher qualquer ingrediente. Não importa, todos sempre perguntam por Snape. A não ser esse homem, marido de um amigo de Severo e alguns outros trouxas, mas é raro trouxas aparecerem por ali.

Depois da morte de Severo a loja perdeu muitos clientes, mas o talento de Fredrich em criar novas poções e melhorar antigas conquistou alguns fregueses. A loja era o orgulho de Frecrich. E ele era orgulho dos pais.

Agora que tinha poucos clientes e tempo sobrando, escreveu um livro de poções. Ele queria ajudaras pessoas. Transmitir seu conhecimento. O livro virou motivo de riso, poucas cópias haviam sido vendidas, e ele sabia muito bem que seus pais compraram a maioria, eles o amavam demais para deixar que se decepcionassem. Mas não puderam evitar que o livro caísse no esquecimento.

Harry e Draco evitaram tocar no assunto do livro e tentaram animar seu filho de todas as formas possíveis, só para perceber que quando Fredrich dizia “está tudo bem”, estava tudo bem mesmo. Ele tinha sua loja e teve uma vida pacata, mantendo-a até muito depois de perder os pais para a velhice.

Anos depois de sua morte, o livro de Fredrich foi encontrado e ele se juntou a seus pais e aos outros que estão nas figurinhas douradas dos sapos de chocolate.

Ele já estava morto quando finalmente foi aceito pelo mundo bruxo.

FIM

Notas finais
O primeiro pedido a ficar pronto foi: FredXJorge(com lemon):http://fanfiction.com.br/historia/440573/Fotografia_Comprometedora/ Espero que gostem! LuciusXHarry está quase pronto!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!