Dprince

2 Fugindo da Floresta


—Ele fugiu? — perguntou o capitão um pouco desapontado. — Não era exatamente isso que eu queria...

—Senhor, — um dos guardas se aproximou — nosso homem já estão a três horas caminhando na floresta sem serem atacados, isso é o melhor que conseguimos em semanas. Essas crianças merecem o crédito!

—Certo! —concordou ele — Vocês três fizeram bem, e como recompensa eu estou disposto a revelar o motivo de ter os reunido aqui.

— Já era hora! — afirmou Hard com o pé engessado.

O capitão virou os olhos.

—Acontece que a meses atrás as criaturas começaram a agir de forma estranha!

—Igual a como o espírito verde estava agindo? — perguntou a menina.

—Exato! Criaturas pacíficas se tornaram ferozes e criaturas não pacíficas se tornaram monstros insaciáveis.

—Isso apenas nas redondezas? — perguntou o mago.

—Não, reinos vizinhos relataram o mesmo comportamento. Nós podemos confiar que pelo menos todo o continente está sofrendo como nós.

—Todo o continente?! — Hard ficou espantado.

—Exato! — respondeu o capitão.

—E é pra isso que você nos reuniu, para descobrir o que está acontecendo?

Ele confirmou com a cabeça.

—O plano inicial era mandar meus homens a essa jornada, mas eu precisava de todos eles para proteger o reino. Por isso o rei sugeriu procurar por guerreiros fora do exercício!

—E qual é nossa missão exatamente? — perguntou Rura ainda cheia de dúvidas.

—Viajar pelo continente, obter informações e relatar tudo ao rei.

—É uma jornada perigosa. — acrescentou Dann.

—Muito! — Confirmou o capitão — Quase todos os viajantes que saíram, não retornaram. Vocês acham que dão conta?

—Mas é claro que sim! — Hard tomou a frente — Você nos escolheu porque somos os melhores! E nós não vamos o desapontar!

—Perfeito! — o homem de bigode disse sorrindo — descansem hoje, amanhã vocês partem para a sua primeira cidade.

Os três concordaram com a cabeça em seguida o capitão deu as costas e partiu de volta para o reino.

—Senhor, — disse o guarda que estava por perto — é verdade? Estamos assim tão carentes por guerreiros que temos que enviar três adolescentes em uma missão?

—É claro que não!— respondeu ele cuspindo — Eu não vou enviar meus homens para uma missão suicida como essa, deixe os fracassados servirem de sacrifício!

No dia seguinte Dann e Rura estavam acordados antes mesmo do sol nascer. Apenas Hard continuava dormindo.

—Acorda! — gritou o mago entrando no quarto do espadachim.

O menino acordou em um pulo.

—O que foi?! — Ele gritou.

—Já estamos partindo! — Ele respondeu — Se você demorar demais vamos partir sem você.

—Diga que estarei lá em dez segundos!

Hard pulou da cama e correu para se trocar.

Mas demorou quase uma hora para o garoto aparecer trocado.

Dann nada disse, apenas bateu com a palma da mão na cabeça.

—Onde você estava? — perguntou a menina com mais paciência que o mago.

—Eu estava comendo e perdi o tempo... — o garoto abaixou a cabeça — desculpa!

Dann virou os olhos.

—Tanto faz, agora vamo ter que esperar por outra carroça.

Culpado Hard esfregou a cabeça.

Meia hora depois e uma carroça movida a manivela chegou. Os três montaram na engenhoca e partiram em viagem.

—O capitão não devia nós passar a nova missão? — perguntou Hard sem graça.

—Ele passou, — respondeu Dann — antes da primeira carroça passar.

—Quantas carroça perdemos? — perguntou o espadachim.

—Essa é a quarta!

—O capitão. — Rura se intrometeu cortando o assunto — Ele mandou atravessarmos a floresta em direção ao pântano.

—Ao pântano?— Hard estava confuso.

—Aparentemente o rei acha que o pântano esconde o segredo da revolta das feras, e é para lá que vamos investigar primeiro. — Dann explicou ainda com rancor.

—Certo, então vamo com tudo! — o menino responde com um sorriso calmo.

E por meia hora os jovens aventureiros trocaram olhares e conversas.

—Como vai a perna? — perguntou a arqueira preocupada.

—Vai bem! — Hard olhou para a perna engessada — Eu consigo andar normalmente, o único problema é que as vezes coça um pouco.

—Deveria tomar mais cuidado! — resmungou o mago.

—E você deveria aprender um feitiço que derrubasse árvores!

—Minha muralha salvou a sua vida!

—Você podia ter salvado a minha vida e acabado com a missão!

—Ora, seu ingrato!

—Ora, seu... tonto!

Rura ficou sem palavras assistindo os dois brigarem.

Foi quando a carroça parou de andar.

Na hora os três jovens terminaram de discutir.

— O que está acontecendo?! — perguntou o espadachim.

—Se acalma. — disse Rura.

Dann abriu a porta da carroça e de longe ele viu os homens que dirigiam a engenhoca correndo.

—Para onde eles estão indo?! —Hard começava a se desesperar.

—Calma! O capitão explicou que isso iria acontecer. Ao sinal de perigo os transportadores iriam correr de volta para o reino. O rei já não podia mais arcar com perda de transportadores.

—E nós vamos ficar jogados no meio do nada?!

—Não, foi pra isso que ele me deu um mapa. — Rura puxou da bolsa um pedaço de pergaminho.

—Agora se vocês terminaram, eu vou precisar de ajuda! —Dann sussurrou imóvel.

Quando os dois desceram da carroça eles avistaram um urso encarando-os.

O urso era marrom escuro, suas presas e garras eram enormes, e nas costas do monstro cresciam arbustos e cogumelos.

—Um urso da mata? Aqui?! — Rura deu um passo à frente — Fiquem calmos, esse urso jamais atacaria um elfo!

Rura prendeu o cabelo para trás, expondo suas duas orelhas pontudas. Com cautela a menina anda para frente.

—Eu não sei se isso é uma boa ideia, — Hard segurava sua espada nervoso.

—Rura se lembra do espírito, essas criaturas não são mais pacíficas.

A menina ignorou os comentários e continuou avançando.

Foi quando o urso bufou e a menina parou no lugar.

—Isso não é bom! — ela disse sem tirar os olhos do inimigo. — Se afastem da carroça!

—O quê?! — perguntou Hard confuso.

Ele olhou para o lado e viu o mago andando para longe.

—Se afasta! — sussurrou Dann de maneira agressiva.

Hard engoliu um seco e lentamente saiu de perto da carroça.

O ambiente estava em silêncio, a jovem elfa não tirava os olhos do urso. O mago caminhou até encostar em uma árvore, ele não perdeu tempo e se escondeu atrás da árvore a usando como cobertura. Enquanto isso Hard aos poucos caminhava para trás.

—Vamos correr. — disse a menina.

E no mesmo segundo o urso deu as costas e partiu floresta a dentro.

—O que está acontecendo?! — perguntou Hard ainda mais confuso. — Para onde o bicho foi?!

—Ele fugiu, — explicou ela — e nós vamos também! Corram!

E de repente uma pedra de quase uma tonelada caiu em cima da carroça, a esmagando. Não houve o que pensar, os três adolescentes correram floresta a dentro.

—Rura, quem fez isso?! — perguntou Dann sem parar.

—O espírito verde, ele quer vingança!

—O urso te falou isso? — perguntou Hard.

—Claro que não, eu não falo com ursos!

Os três correram para dentro de uma caverna úmida.

—E agora? — perguntou o mago.

—Vamos ter que esperar. — respondeu ela — se sairmos agora o espírito nós encontrará.

Dann focou seus olhos cheios de ódio em Hard.

—Isso é culpa sua! — ele afirmou. — Se você tivesse saído mais cedo, agora estaríamos no pântano!

—Uou calma ae, eu sei que demorei, mas você não pode me culpa pelo ataque de um espírito...

—Ele está certo, Dann! Você não pode o culpa por isso.

—Não! — o mago fica mais e mais furioso — Eu estou cansado de você defender esse idiota! Estamos em uma missão séria e o capitão deixou esse garoto de rua participar!

—Garoto de rua? — sussurrou o espadachim.

—Não consegue nem disfarçar! — continuou ele embasado — essas suas roupas rasgadas, sua atitude! Como as pessoas vão nos levar a sério com um imbecil desses no nosso time?!

—Não pode ser! — disse a arqueira espantada — Hard olhe ali — a menina apontou o dedo para dentro da caverna, e lá parado no meio da escuridão estava um monstro pequeno roxo com bolas amarelas sobre a pele.

O monstro de longos braços mexia suas orelhas que mais pareciam antenas.

—Um comedor de sonhos?! — ela disse sem acreditar — por que ele está aqui, tão longe?

—O que essa criatura está fazendo? — perguntou Hard percebendo o movimento estranho que vinha da orelha do bicho.

—Cada comer de sonho é diferente, mas todos eles podem mexer com os sentimentos dos humanos. Um de nós deve ter sido alvo dele.

—É possível que ele esteja deixando alguém furioso? — Hard virou seus olhos para o mago.

—Pode ser! Nesse caso temos que derrubá-lo o mais rápido possível.

—Pode deixar! —E Hard correu até a criatura, bastou um golpe com sua espada para nocautear o comedor de sonho.

—Vamos ter que sair daqui! — a menina disse segurando no braço de Dann.

—Eu não me sinto bem! — ele afirmou.

—Mas e o espírito?

—Temos que despistá-lo.

Os três concordaram e saíram correndo da caverna. Passando pelas árvores altas eles seguiram sem olhar para trás.

—Eu não vou aguentar mais! — disse Dann ofegante.

—Temos que continuar antes que ele...

—Gente! — gritou Hard interrompendo a amiga.

Os três pararam de correr, porque a frente deles estava a mesma árvore gigante de antes.

—E agora? — perguntou o espadachim.

—Para trás! — respondeu o mago erguendo uma barreira entre eles e a árvore.

—Você, realmente, não tem outro feitiço? —perguntou Hard — algo com fogo, sabe!

—E correr o risco de incendiar a floresta com nós três juntos?

—Ok, talvez não seja uma boa ideia...

—Cuidado! — gritou a menina quando a furiosa árvore derrubou a barreira em cima dos três.

Por sorte Dann foi capaz de proteger os companheiros com um de seus feitiços de ar.

Mas a criatura não parou, ela lançou seu pé com força no chão lançando os três para trás.

—Droga! — o mago reclamava depois de ser arremessado — como não vi esse ataque?

—Ela está mais rápida!— explicou Rura — o que vamos fazer?

E no mesmo segundo a árvore lançou seus sipos em direção a elfa. A menina não teve tempo de puxar uma flecha sequer. Ela teria sido morta, se não fosse Hard.

O menina avanço na frente da elfa e com sua grande espada ele fatiou os sipos.

—Já chega! — disse ele furioso — isso acaba agora!

—Você está louco! — gritou o mago sem confiança — Você vai morrer!

—Eu posso ser um menino de rua! — ele respondeu — Mas se tem algo que eu sei fazer é lutar!

E o espadachim saiu correndo em direção a criatura.

—Ele vai acabar morto! — Dann comentou a amiga.

—Tenha um pouco de fé. — ela respondeu.

Enquanto isso Hard avançava com fúria. Ele segurava firme sua espada, e ao chegar perto do lento monstro ele desferiu seu golpe no joelho da árvore, e mais uma vez a criatura cai para a esquerda. Mas Hard não parou, o menino virou e seguiu reto até a outra perna onde desferiu mais um golpe, dessa vez deixando o monstro de joelhos.

—É o fim! — ele gritou correndo em direção a luz verde. O menino estava pronto para dar o golpe final, mas a árvore não iria desistir. Furiosa o monstro jogou seu braço em cima de Hard, porém no último segundo outra barreira surgiu segurando o braço da criatura e salvando o menino.

—Anda logo! — Dann gritava fazendo força.

O espadachim continuou reto em caminho ao centro da árvore. Mas o monstro era ardiloso ele empurrou seu braço esquerdo em direção ao menino.

Hard pensou em parar, mas no último segundo uma flecha, seguida de um raio de luz amarelo, passou com tanta força que levou o braço do monstro.

—Hard, vai! — gritou Rura que estava exausta, seu último ataque drenou toda sua energia.

Por fim o espadachim não se segurou, ao chegar perto da árvore. O garoto jogou sua espada e apenas a parou quando a árvore estava dividida em dois.

Logo em seguida, um grande brilho verde surgiu, cegando temporariamente os três aventureiros.

Hard acordou esfregando seus olhos. A intensa luz verde deixou a cabeça do rapaz dolorida.

O menino olhou para os lados ainda enxergando borrado, já estava de noite, e o garoto não estava mais na floresta. Ele estava em um campo e na sua frente uma fogueira o aquecia.

— Finalmente acordou.— disse Rura que estava a esquerda do garoto, sentada em um tronco.

—O que aconteceu?— Hard olhou para a menina e viu em seus braços uma pequena e cabeçuda criatura verde. O pequeno parecia estar queimando em uma brasa verde, mas Hard logo percebeu que o pequeno era a brasa. — Essa coisa é..?

—O espírito verde! —ela o interrompeu — ele está mais calmo agora.

—Tem certeza que ele não vai acordar e...

—Os espíritos são pacíficos. Não tem porquê ter medo.

Apesar de suas palavras o espadachim ainda se sentia desconfortável.

—Onde estamos?

—Nós o carregamos para fora da floresta, estamos na trilha para o pântano. — disse Dann surgindo de trás.

—Ahm, certo... — respondeu Hard ressentido.

Dann respirou fundo.

—Escuta, — ele disse — eu não queria ter falado aquelas coisa, me desculpa.

—Tudo bem, de boa! — o menino se levantando e bateu em suas calças, para tirar a poeira — Vocês não é o primeiro a gritar comigo, e provavelmente não vai ser o último!

—Tem certeza que não está chateado?— Rura ouvia o amigo mas sentia que ele não falava a verdade.

—Eu estou ótimo, ok! — o menino da um sorriso forçado — Eu só preciso comer alguma coisa!

—Recolhemos algumas frutas da floresta, elas estão todas na cesta! — Dann aponta para um cesta que estava a poucos metros de distância.

—Perfeito! — o menino responde correndo para comer.

—Como pode ele estar tão calmo? — pergunta Rura confusa.

Enquanto isso o espadachim degustava suas frutas a metros de distância sem ouvir a conversa dos amigos.

—Há, eu conheço o tipo dele! — respondeu Dann dando de ombros — Típico bobo da corte, a vida para ele é uma piada! Ele não se chatearia com uma coisa tão besta como aquela!

—Eu não acho que isso seja verdade...

—Olha para ele! — o mago aponta para Hard — Ele está ótimo, além do mais, ele disse que não se importa então...

—Mas...

—Sem mas! A noite foi longa vai ser melhor se todos formos dormir!

Rura abaixa a cabeça.

—Talvez você esteja certo...