Dprince
1 Floresta viva
Ao chegar, Hard sentou em um tronco de madeira que estava caído no chão. Do seu lado estava uma menina e um menino, os dois aparentavam ter a mesma idade que ele.
—Sejam bem vindos! —Um homem de trinta e poucos anos, e armadura vermelha radiante surgiu de trás de uma das árvores — Agora que todos estão aqui, podemos começar!
Hard corou ao notar que todos os presentes estavam o esperando. Se ao menos ele não tivesse chegado tão atrasado...
—Como vocês sabem, eu sou Theodoro de Cannor, o capitão do rei. E a partir de hoje serei o responsável por essa operação! —O homem de vermelho tinha cabelo escuro curto e um bigode pontudo, ele carregava com sigo uma espada guardada na bainha.
—Fui eu quem recrutei vocês três para essa importante missão! Cada um com o potencial necessário para esse time! — enquanto falava o homem começou a enrolar a ponta do bigode em seu dedo — E assumo que tenham muitas dúvidas ainda! — os três concordaram com a cabeça, cada um com intensidade diferente — Infelizmente não posso respondê-las ainda... A missão que vocês estão prestes a participar é extremamente sigilosa, por isso não posso revelar os detalhes de suas jornadas...
O capitão manteve o silêncio esperando que algum dos três o fizesse uma pergunta.
—Preciso testá-los! —ele continuou vendo que ninguém o perguntara — Para ter a certeza de que são dignos de tal responsabilidade!
—Testar? — a menina ao lado cochichou de forma insegura.
—E eu não preciso dizer que vocês três formaram um time!
Hard olhou para o lado os outros dois estavam de pé e cabeça erguida, o menino decidiu copiar a postura dos colegas.
—Permita-me os apresentá-los! — Assim Theodoro ergueu seu braço apontando para o primeiro menino —Este é Hard de..., — o general engoliu um seco — ...14 anos — ele disse tentando disfarçar com a idade o local onde nasceu — ele será o espadachim do grupo.
O garoto de cabelo escuro espetado deu um sorriso enquanto jogava sua espada para trás. Sua atitude moleca tirava a atenção de suas roupas sujas e rasgadas.
—Me desculpem pela pressa, mas nós estamos sem tempo — O homem então apontou dessa vez para a menina — Continuando, essa é Rura de Altaraecha, 14 anos. Essa será nossa arqueira.
Rura se encolheu, a menina de cabelo desarrumado não conseguia suportar ser o centro das atenções, envergonhada ela olhava para baixo esperando o capitão continuar.
—Por fim, — O velho apontou para o último menino — esse é Dann, do Polo Norte —E no mesmo segundo os dois adolescentes arregalaram os olhos, os dois estavam espantados de saberem que aquele menino vinha de tão longe — com seus 15 anos ele é nosso único mago.
O menino de olhos e cabelos roxos não demonstrou uma emoção sequer, ele vestia roupas peludas calorentas e mesmo estando em pleno meio dia aos 30°C, ele parecia não sentir nada.
—Sobre o teste, — o capitão bateu com a bainha de sua espada no chão — Existe um espírito da floresta que vem atacando os portões do fundo do reino. Eu preciso que vocês o cacém!
—Um espírito? — perguntou a menina.
—Sim, — continuou o velho, feliz por alguém ter participado da conversa — desde a última semana nossos homens têm sido atacados quando atravessam os portões.
—Os seus homens viram o espírito? — perguntou Rura.
—Não, todos eles foram atacados de maneiras diferentes. Nós supomos que fosse um espírito pela fúria que ele os atacou.
—Então vocês precisam de nós para descobrir e eliminar esse espírito? — Dann perguntou.
—Basicamente... — o capitão respondeu sem graça — Peguem o que precissarem, vocês partiram em uma hora!
—Considere feito... — Dann disse dando as costas e partindo.
Os outros dois continuaram parados sem reação.
—A-alguma pergunta? — o capitão perguntou sem graça.
Nenhuma das crianças respondeu.
—Certo! Boa sorte! — o velho disse enquanto virava e partia de volta ao reino.
—Senhor? — disse um dos guardas o alcançando — Você tem certeza que esses garotos estão hábitos para a missão.
—Se tivermos sorte... —o capitão engoliu um seco — esses garotos vão morrer antes do anoitecer.
Era quase meio dia. Os três adolescentes caminhavam dentre a floresta que supostamente abrigava o espírito.
—Vocês tem alguma ideia do que vamos enfrentar? — disse a menina assustada.
—Não! — respondeu Hard com os braços para trás.
Dann encarou a garota com seus olhos frios.
—Vocês elfos não conseguem sentir o que a floresta sente? Porque não descobre o que vive aqui?
—Não é assim que funciona...
—Pera! — Hard cortou a menina — Você é um elfo?!
A menina esbugalhou os olhos, como se estivesse com medo.
—É claro que ela é um elfo imbecil! Olha as roupas dela! Típica camuflagem élfica!
A menina usava um conjunto tomara que cai e mini saia, verde cor de folha.
—Qualquer um podia usar essas roupas, engomadinho! É só passar no alfaiate, ele deve ter uns 4 pares desses.
—É gênio? Enquanto ao arco. Feito de madeira élfica.
—Isso é uma madeira comum!
—Claro que não seu idiota!
Enquanto os dois discutiam a menina lentamente puxava seu cabelo para trás da orelha.
E no segundo seguinte os dois param de falar.
—Orelha pontuda! — disse Hard surpreso — Você é mesmo um elfo!
—Eu.. — a menina olhava para baixo — Eu não gosto de revelar que sou um elfo... Não para humanos.
O menino de cabelo escuro e espetado ficou confuso.
—Por que não?! Elfos são incríveis! Vocês são tipos os donos da floresta!
—É porque humanos caçam elfos. — Dann disse sem emoção.
Hard arregalou os olhos surpreso.
—Humanos fazem o quê?...
—Já chega!— a menina afirmou tampando a orelha com cabelo. — nós estamos aqui a missão, se comprometam!
—É verdade, —concordou o mago —além do mais, se fôssemos discutir algo, discutiriamos sobre o fato do capitão não ter citado a cidade natal de Hard.
—Eu o que... —o garoto gaguejou, mas antes que pudesse bolar uma resposta um som agudo veio de longe.
—O que foi isso? —perguntou Dann.
—Nada bom! —respondeu a arqueira.
E de longe uma criatura surgiu entre as árvores.
O monstro era um cogumelo enorme com raízes que simulavam suas pernas e braços.
—O que é isso? — perguntou o mago.
Quase no segundo seguinte Hard pulou em cima da criatura a atingindo com sua espada.
—Só isso? — ele disse vendo a derrota do cogumelo — eu esperava mais do monstro que atacou os homens do rei.
—Ele não está sozinho! — o mago apontou para trás do espadachim.
E de longe inúmeros cogumelos corriam em suas direções.
Dann sacou seu cajado de suas costas e se colocou em posição de combate.
Rura sacou duas flechas de seu Aljava e engatilhou seu arco.
—Não baixem a guarda! —ela gritou —É um espírito verde! —Ela afirmou.
E de repente as árvores e arbustos da floresta começaram a chacoalhar.
—O que é um espírito verde? —perguntou o mago.
—É uma criatura que vaga na floresta controlando as flores e árvores.
—E por que tem cogumelos correndo em nossa direção? —perguntou Hard assustado.
—Quando um espírito verde se sente confrontado ele usa a floresta para o defender.
—O que fazemos? —perguntou Dann.
—Abram o caminho! Eu vou atrás de acalmar o espírito.
E não foi necessário repetir para Hard correr na frente.
Empunhando sua espada de duas mãos o garoto se movia como se estivesse dançando.
—Ele é bom... —Dann cochichou para si.
—Me de cobertura! — disse a menina saindo entre as árvores.
O mago segurou o cajado com as duas mão e fez a terra engolir de volta os cogumelos.
Enquanto isso o espadachim seguia na frente fatiando os arbustos que via na frente.
Mas antes que pudesse avançar mais, o garoto foi jogado para trás por um galho.
Rura correu para socorrer o amigo.
—Você está bem? — ela perguntou.
—O que é essa coisa?! — Ele respondeu se levantando.
A frente dos dois estava uma grande árvore com 3 metros de altura, a árvore tinha galhos grossos que simulavam seus braços e perdas. E seu tronco tinha um grande buraco que brilhava verde.
—Aquela luz! — A menina apontou para o centro da árvore — O espírito está escondido ali.
—Cuidado! — gritou Dann que estava a uma distância favorável.
De repente a grande árvore jogou seu braço no chão, perto dos dois adolescentes, arremessando eles para trás.
Dann corre em direção a Rura.
—Você está bem? — ele pergunta.
—Estou, mas enquanto ao Hard?
Os dois viram a cabeça para onde estava o espadachim. E quando eles se dão conta o menino estava cercado por uma piscina de sangue.
—Droga... — o garoto cochicha olhando para sua perna esquerda que tinha uma ferida exposta.
Enquanto isso a grande árvore começa a se aproximar.
—Temos que ajudar ele! — diz Rura desesperada.
—Vamos destruir essa árvore primeiro! — Dann afirma.
—Não podemos deixar Hard para trás...
—Ele está ferido, vai nos atrasar temos que acabar com isso o mais rápido possível.
A menina encara o amigo que estava se arrastando no chão.
—Faça o que você quiser! — Ela diz enquanto corre para ajudar.
Hard aperta o ferimento com as mãos tentando parar o fluxo do sangue.
—Isso não vai resolver! —diz Rura se aproximando.
—O que você está fazendo aqui?
—O que você acha que estou fazendo? — a menina agarra alguns galhos e cipós das árvores e amara eles no ferimento do amigo.
—Mas enquanto a missão?
—O que tem ela? — ela pergunta finalizando o curativo. — Sua saúde é mais importante que uma árvore estúpida.
Hard esbugalhados os olhos, aquela era a primeira vez que alguém o tratava como não descartável.
Mas a surpresa de Hard apenas aumentou quando ele viu nas costas de Rura a grande árvore com seus braços de galhos pronto para esmaga-lo.
—Rura atrás de você! — Ele gritou, mas era tarde demais. A menina nada pode fazer além de olhar para trás e rezar para o melhor.
Mas foi no último segundo que uma muralha se ergueu segurando o braço da árvore impedindo-a de atacar.
Quando Hard olhou para o lado Dann segurava com força seu cajado.
—Rura-a, — ele disse fazendo força para manter a muralha de pé — acaba logo com isso...
A menina não pensou duas vezes ela deu a volta na muralha e lançou sua flecha direto no coração da besta, porém a besta agiu rápido o bastante para parar a flecha com seu outro braço.
—Preciso de um tiro limpo! — Ela gritou.
—Eu estou dando o meu melhor aqui! — gritou Dann colocando mais força no cajado.
—Deixa comigo! — Hard mancando passou pela muralha e correu em direção a árvore.
O menino segurou sua espada e com toda a sua força ele atravessou o pé direito do monstro todo de uma vez.
A criatura perdeu o equilíbrio e caiu para esquerda, mas a muralha segurou seu braço direito, deixando seu tronco exposto, perfeito para um tiro certeiro.
—Agora! —gritou Dann começando a suar.
Rura puxou a flecha o máximo que podia no arco. Ela mirou bem e lançou a flecha com toda a sua fé.
A flecha voou e caiu no centro da luz verde, apagando-a no mesmo segundo.
—Conseguimos! — Hard abriu um sorriso de orelha a orelha.
—Não, o espírito fugiu. — Respondeu Rura e no mesmo segundo o sorriso de Hard caiu. — Isso é estranho...
—Por quê? Espírito verdes não costumam fugir?
—Não, eles fogem o tempo todo! É estranho ele ter nos atacar. Os espíritos são altamente amigáveis...
—Isso não foi nada amigável! — Hard apontou para o ferimento.
—Então o que fez ele tentar nos matar? — perguntou Dann.
—Eu não sei, — respondeu ela com uma cara confusa — eu nunca vi isso antes...
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