Notas iniciais
Bem, pessoal, o nome dos capítulos são definidos por quem está digamos "narrando" a história, o personagem no qual ela está focada no momento. Enfim, vocês verão.A única maneira de saber qual rumo a história pode levar é recebendo opiniões alheias, ou seja, comentários são totalmente bem vindos.Boa leitura.

As pessoas que eu deveria amar, eu odeio. E as que deveria odiar... – Stonem

Não importava o quanto tentava, Cookie – que na verdade se chamava Charlotte – não conseguia prestar atenção naquela aula. Nem na maioria das outras.

Olhou em volta da sala pela décima vez naquela manhã, observando as carteiras vazias assim como as paredes e todo o lugar. Não fisicamente, na verdade todos os alunos haviam comparecido e estavam lá com os olhos grudados no quadro negro, também lotado, ou simplesmente fazendo anotações em seus cadernos, uma minoria dormindo; E ainda assim, o lugar era completamente vazio, fazendo com que ela só conseguisse continuar a se perguntar o que estaria fazendo ali.

O fato era que Charlie não gostava daquele lugar. Acordar cedo para estudar as mesmas coisas de sempre, ou só acordar cedo.

Girou o lápis na mesa continuamente, recebendo olhares irritados dos alunos que sentavam perto.

Perguntou-se por que não havia um jeito fácil para se tornar anatomista. Por que não poderia passar para a parte importante e parar com a embromação?

Ela jurava que assim que começasse a faculdade estaria mexendo em cérebros ou coisas assim, não tentando deixar ao menos o braço em cima da mesa minúscula sem que ele rolasse para fora. Frustração definia as semanas seguintes ao início das aulas.

Olhou para o relógio; ainda faltavam duas horas para que ela pudesse voltar à sua casa. Duas aulas de matemática. Seguidas. Será que alguém poderia matá-la agora mesmo?

Talvez se dormisse um pouco o tempo passasse mais rápido. Poderia aproveitar já que sentava no fundo da sala – os professores não ligavam muito para os que sentavam ali por motivos típicos. Mas, ela podia jurar, no começo do ano estava realmente pensando em se esforçar. O problema é que ela chegou atrasada e aquele foi o lugar que restou. O que mais poderia ter feito?!

Começou a pensar em coisas aleatórias e cantar asleep silenciosamente, logo adormeceu com o rosto entre as mãos apoiadas na carteira. Sempre funcionava.

Acordou com o sinal que marcava o início da última aula. Ela já havia sobrevivido a uma inteira de matemática! Inconsciente, mas presente de qualquer forma, e isso era o que importava. Sorriu com esse pensamento e pegou no sono novamente.

É realmente difícil acordar seis horas da manhã tendo apenas quatro horas de sono. Se vocês querem julgá-la, façam isso por ela ter ido dormir às duas da manhã – aquela situação chata quando a pessoa abre mão do sono, mas não do happy hour.

Ela só precisava agüentar isso por uma semana ou duas. É uma droga não estar mais na escola e entrar de férias depois dos outros. Principalmente quando os outros sequer fazem algo de que precisem tirar férias. Certo, era injusto pensar isso, a escola foi um saco pra ela também.

O sinal tocou novamente e dessa vez foi pra valer. Cookie bocejou, pegou o material e saiu da sala. Caminhou até a rua, sonolenta e dormiu também no ônibus.

E, adivinhem só o que ela fez quando chegou em casa? Eu imagino que vocês saibam.

– Cookie – chamou o pai da garota enquanto a cutucava, a fim de acordá-la – nós vamos sair o.k.? Sua mãe e eu. Vamos a uma viagem de negócios, voltaremos logo.

– O quê? – disse Cookie enquanto esfregava os olhos, ainda sonolenta – Oh, novidade.

– Não seja chata. – ele beijou sua testa, despedindo-se – Sentiremos sua falta, comporte-se.

– Claro – Ela revirou os olhos. – Certo, tchau. Diga obrigada à mamãe, por ter vindo se despedir e tudo mais.

– Não fale assim. – ele dirigiu um olhar duro a ela. Ou pelo menos tentou. – Ela está arrumando nossas malas, não podia vir agora.

– Sim, ocupada demais, outra novidade. Aproveitando a oportunidade, aqui vai outra, vocês sabiam que a poluição está acabando com a camada de ozônio?

– Deixe disso Charlie. – ele disse. Depois suspirou e continuou – Ela precisa se organizar, Cooks. Nos organizar.

– Como se eu não soubesse. Certo, boa viagem. Vou voltar a dormir. – ela puxou o cobertor.

– É sério, não fique assim. – ele disse, mas a garota o ignorou. – Certo. Então, diga a Julie que eu mandei um beijo.

Cookie virou-se e cobriu a cabeça até que o pai saísse o que, como de costume, não demorou nem um pouco.

Ela ficou aproximadamente meia hora deitada, mas completamente acordada. Droga, pai, pensou ela.

Então, depois de levantar e arrumar-se, desceu para tomar seu café da manhã. De novo.

Seus pais já haviam saído então Sue, a empregada que na verdade se chamava Susie e mais era uma hóspede-vip/amiga-realmente-próxima-de-família que empregada a recebeu com um “Bom dia”.

– Bom dia luz do dia – respondeu Cookie.

Ela pediu para que Sue a preparasse um sanduíche e a senhora assentiu. Alguns minutos depois, colocou o X-Bacon no prato dela; primeiro um fatia de pão de fôrma sem casca, em cima, tiras de bacon frito, queijo cheddar derretido, uma folha de alface, duas rodelas de tomate, mais queijo, mais bacon, bacon, bacon e uma última camada de bacon prensados sob outra fatia de pão sem casca, tudo devidamente grelhado na sanduicheira.

Ninguém sabia como essa garota continuava magra comendo daquela maneira.

– Cara, isso estava divino – disse quando terminou. Ela pulou do banco, colocou o prato na lava-louças e beijou a bochecha de Sue, que sorriu. Cookie sorriu também e disse – Obrigada.

Depois, deu a volta no balcão, abriu a porta de correr transparente e sentou-se no sofá.

Não havia muita coisa legal passando. Jornal, filme meloso, jornal, filme antigo de tiroteio – não fazia seu tipo –, canal de ofertas, jornal, canal de leilão de vacas?

Cookie olhou para o relógio e eram 17hrs. Antigamente, a essa hora estava passando os seriados de fim de tarde, os desenhos maneiros, até alguns filmes bacanas, por exemplo. Mas tudo estava um pouco, huh, diferente agora, e ela percebeu que havia passado algum tempo sem assistir TV. Bastante tempo.

Com essa programação nada legal, resolveu seguir seus costumes e subiu a escada de mármore correndo – o que faz um barulho imenso, mas também emagrece – e começou a se arrumar.

Colocou seu vestido amarelo de alça, a barra acima do joelho, secou o cabelo e calçou sua sapatilha preta com laço.

Deu uma última olhada no espelho, os cabelos – que iam até a metade das costas – com luzes quase douradas misturadas ao resto loiro escuro, lisos da raiz até os ombros e cachos longos formados por grandes quantidades de mechas a partir daí. Depois, observou o quarto antes de sair; a cama com roupas penduradas na cabeceira rosa e branca, o tapete preto felpudo que cobria todo o piso do quarto quase totalmente preenchido com livros e CDs, seguros e bem cuidados, afinal, o tapete era felpudo. Ela arrumaria suas prateleiras e tudo ficaria ok.

Fechou a porta e desceu a escada de dois em dois degraus. Quem via poderia compará-la a uma bailarina talvez, não posso dizer o mesmo de quem escutava. Provavelmente um cavalo. Sem ofensas, claro.

Em falta de lugares para ir, tente a casa da Julie. A chave reserva fica debaixo do tapete, e, pois é, ninguém pensa em procurar lá. Aquele velho truque do “tão óbvio que perde a evidência”.

Cookie abriu o portão menor e entrou na garagem, onde não havia carro – o que significava que o tio Raul não estava lá.

Ela abriu a porta e procurou alguém pela sala, quartos, cozinha; nada.

Subiu as escadas e chegou ao segundo andar, onde encontrou Rose, mãe de Julie, assistindo TV. Depois de caminhar até o sofá onde ela estava e ficar atrás dele Cookie disse “Oi tia!” e a mulher se assustou.

– Oi querida – disse rindo, com a mão no lado esquerdo do peito.

– Eu não quis te assustar, perdão – ela riu também. – Como estão as coisas?

– Tudo muito bem por aqui. – falou, conservando o largo sorriso – E com você? Como estão os seus pais?

Cookie revirou os olhos

– Bem, meus pais estão viajando, pra variar – então suavizou a expressão – mas eu estou bem. E o tio?

– Saiu com o Ben. Sinto muito pelos seus pais – Rose fez uma careta triste.

– Ah, tudo bem. É aquele velho papo de “eles fazem o que é preciso” e bla bla bla. Não que eu acredite nisso. – Cookie deu de ombros e olhou ao redor – Tia, vou bater um papo com Julie o.k.? Logo depois de acordá-la.

Ela riu

– Certo. Boa sorte com isso.

Cookie sorriu e andou até o quarto, onde viu a menina deitada. Tinha um sorriso brincalhão no rosto enquanto uma idéia passava por sua mente. Sabia que a amiga ficaria mau humor, mas, quando ela não ficava?

Suave e silenciosamente, tirou as sapatilhas e subiu na cama, depois começou a pular ao lado da menina – que já estava na ponta, então caiu.

– Acorda Mané. – Disse sorrindo, olhando ainda em pé na cama a garota que estava no chão mexendo na cabeça com a mão.

– Você – disse ela com raiva um pouco antes de jogar o travesseiro que havia caído com ela em Cookie e errar – Você é uma pessoa horrível.

– Sim, claro, mas sabe o que não é horrível? Arrumar o quarto de vez em quando. Uh, isso é legal! – respondeu sorrindo.

– Tem alguém que acabou de freqüentar o último dia do colegial aqui, nem dormir eu posso mais?!

– É lindinha, tem alguém aqui que voltou da faculdade e brigou com os pais assim que acordou. Adivinhe, essa sou eu!

– Oh, Cooks, de novo? – a expressão da amiga suavizou. Isso sempre funcionava, pensou Cookie, que riu.

– Sim. Mas sem problemas, eles já foram embora de novo. – ela se sentou na cama. – Mas e aí, menina que acabou o colégio, como foi o último dia?

Então Julie começou a falar sobre como o dia dela havia sido uma droga. E Cookie concordou, já que o dela também havia sido assim. “Nossa vida deveria estar dessa maneira nos dias mais legais dela?” perguntou. Mas a amiga não soube como responder. O ano vinha sendo difícil para ambas, o problema é que Cookie estava acostumada, já Julie...

Veja bem, ela mudou de escola pela primeira vez desde, vejamos, sempre. Todos os amigos ficaram lá, mas, ora, tudo bem, nós conseguimos alguns novos, certo? Errado. Ela pode ter conseguido alguns amigos muito bons que foram esquecidos depois de também ter conseguido uma ruim e levado um soco dela. Nada legal.

Então ela mudou e a nova nova escola dela era uma droga também. Então ela conheceu Cassie e ainda tinha Cookie, Amanda, Fred, Adam, e Mike – os amigos não esquecidos da segunda escola que também eram amigos de Cookie– e Natalie, Nathanniel, e Tori – amigos da primeira escola. E também não precisava de muitos mais.

De qualquer forma, era a última semana de novembro, o que significava que logo seria dezembro – para quem não sabe a ordem dos meses – e com ele o natal e mais um ano, o que era ótimo.

E para tentar compensar um começo de dia péssimo, Cookie lembrou que mais tarde haveria uma festa e sugeriu que a amiga fosse com ela.

– Eu vou ter que te carregar até a sua casa como da última vez? – perguntou Julie.

Cookie sorriu e disse:

– Não! Pra isso eu vou levar a Amanda.

– Então tá legal. – ela abaixou os olhos rapidamente – Cooks, tem algum problema se eu dormir na sua casa hoje? Meus pais estão um saco.

Ela olhou para a menina com os olhos semi-serrados e disse “Você está perguntando? Sério? Cara, eu dormiria aqui se meus pais não viajassem sempre que são um saco. Acho que você sabe que eu não pediria nem nada.

Julie riu e assentiu agradecendo. Então ela percebeu que estava no chão e sua expressão ficou séria novamente.

– Se em algum dia você decidir fazer isso de novo – ela apontou pra cama e fez uma pausa –... Cara, não faça. Sério.

Cookie riu e fez uma careta, como se dissesse “Uh, que medo” e isso pareceu ter deixado a garota mais nervosa, o que de fato a deixou com um pouco de medo, mas não por muito tempo porque ela lembrou que Julie tinha 1,53cm.

Ela levantou e acendeu a luz, então Cookie conseguiu vê-la direito.

Os cabelos negros desgrenhados, a pele clara agora com manchas vermelhas devido ao movimento involuntário que ela provoca enquanto dorme – e ao fato de que a pele dela é tão branca que praticamente brilha no escuro, então qualquer coisa a marca –, olheiras embaixo dos olhos castanho-mega-claros – provavelmente porque Julie também dormia duas/três da manhã devido a seus problemas com insônia –, o moletom cinza que tinha “Knicks Basketball” escrito em azul e era grande demais para seu corpo com a abertura da gola pendendo para o braço esquerdo, e mangas mais longas que o short que tinha quatro dedos de comprimento à mostra e terminava no meio das coxas.

Ela esfregou os olhos por causa da luz e então piscou duas vezes. Arrastou-se até a cômoda ao lado da cama, pegou seus óculos, bocejou, levando a mão até a boca para cobri-la e foi até o banheiro.

Cookie riu lembrando-se de como havia sido derrubar a amiga – esperando fazê-lo mais vezes –, desceu da cama e arrumou os lençóis, dobrando as cobertas e guardando-as na última parte do guarda-roupa olhando da esquerda para a direita, que era onde elas usualmente ficavam.

Pegou também as botas e tênis espalhados pelo chão e guardou na sapateira, fez o mesmo com os livros e a prateleira acima de sua cama. Até agora ela havia encontrado uma coturno preta, um all-star cano alto vermelho e os livros “Anne Frank’s Diary”, “The boy in the striped pyjamas”, “Hiding Edith” e “A Lucky Child” o que a fazia indagar o quanto Julie gostava de ler sobre histórias de crianças no holocausto, coisa que ela já sabia só de ver o quanto a amiga chorava – muito – sempre que assistia La vita è bella ou qualquer filme do gênero. A garota era totalmente anti-Hitler. Falava dele como se quisesse revive-lo e fazê-lo passar por tudo o que ele impôs aos mais fracos para depois morrer de fato, o que era cruel, mas justo. Na verdade ela era contra qualquer tipo de injustiça, algo que complicava um bocado de coisas e sempre provocava muitas brigas. Uma pena. De qualquer forma, Cookie admirava isso nela. Era tipo uma defensora dos desamparados. Tipo Robin Hood, mas menos ladra e com roupas mais modernas.

Quando saiu do banheiro os cabelos estavam penteados, mesmo que não fizesse muita diferença já que o corte era desfiado, estilo Joan Jett, o que combinava muito com ela. Com os óculos wayfarer pretos de grau também.

Julie não era do tipo que levantava e ia se arrumar. Geralmente só escovava os dentes. E mesmo em geral, não usava maquiagem. As bochechas já tinham um blush natural que a deixava parecendo uma boneca de porcelana punk.

De qualquer forma, isso era bem útil. Ela levava trinta minutos para se arrumar para qualquer coisa. Desde que soubesse onde as roupas estavam, claro.

Soltou um “Uau” ao ver o quarto arrumado, depois agradeceu. Cookie deu um sorrisinho e disse que não havia de quê, e que era divertido já que Sue sempre arrumava o dela – mesmo que ela não pedisse.

Julie preparou seu macarrão instantâneo de legumes – sim, ela também era vegetariana – e sentou-se no sofá em que sua mãe estava antes.

– Por que não passa essas coisas legais quando eu estou assistindo? – perguntou para a amiga, se referindo à série que passava quando a amiga ligou a tevê.

– Bem, porque essa é a minha série favorita e eu só ligo isso quando sei que está passando. Você pode tentar decorar os horários. Ou, você sabe, sair de casa e ter uma vida. Eu não consegui isso ainda. – Julie respondeu.

Cookie riu.

Então, F.R.I.E.N.D.S é uma série sobre seis amigos com diferentes perfis – a mimadinha que sai das asas do pai e começa a conquistar suas coisas sozinha, o cara que usa humor como forma de defesa e para superar o fato de que seus pais se separaram porque o pai virou drag Queen e teve um caso com o mordomo, a garota que foi abandonada pelo pai e começou a morar na rua depois de a mãe ter se suicidado e pegou hepatite depois de um cafetão ter cuspido na sua boca e que também tem uma irmã gêmea que faz filmes pornôs, enfim, nada muito fora do comum –, eles passam por todas essas dificuldades da vida juntos, dando apoio um ao outro. Também tinha uma música de abertura ótima do The Rembrandts, chamada I’ll be there for you. A propósito, era essa a série que elas estavam assistindo.

Quando acabou, Julie apertou um botão mágico que abriu um painel com toda a programação da grade de canais e depois de ir e voltar por todos ao menos duas vezes ela escolheu um onde estava tocando algumas músicas seguindo uma playlist que os espectadores haviam escolhido. Espere, quando Cookie havia visto algo assim antes? Oh, certo, quando usavam o rádio.

Passaram-se alguns minutos de silencio já que a música era muito ruim até que Julie disse:

– Você não tem muito que fazer hoje, tem? Digo, com exceção da festa.

– Na verdade – Cookie respondeu sorrindo – não.

A garota riu e sugeriu então que fossem tomar um sorvete. Ela assentiu e Julie foi para o quarto de arrumar. Algum tempo depois, Cookie percebeu que realmente não tinha o que fazer e foi pra lá também.

Quando entrou, a amiga já havia trocado o short do pijama por outro jeans rasgado e com spikes do lado, barra desfiada e bolsos rasgados de propósito – ela mesma havia feito depois de tê-lo rasgado sem querer em uma festa.

Depois de abrir a janela e ver uma ameaça de sol – o que só significava que não estaria tão frio como de costume – trocou o moletom dos Knicks por uma blusa regata preta que tinha “Pow” escrito comicamente e sua camisa jeans que não era tão fina quanto às outras.

Para finalizar, colocou seu par de meias mais bonito, que no caso era uma com a princesa Cinderela desenhada e ia até um pouco acima do tornozelo, coisa que infelizmente o mundo jamais saberia já que por cima ela calçou sua coturno preta e a cobriu apesar de ter uma parte da borda do cano dobrada, mostrando seu interior xadrez.

– Adorei as meias – comentou Cookie.

Julie sorriu e disse:

– Qualquer dia eu te dou um par de presente.

Elas riram e desceram as escadas. Apesar de Julie ter tido de subi-las novamente para pegar o celular que ela percebeu ter esquecido quando viu que seu fone estava conectado em, bem, nada.

Corrigindo este incidente, abriram o portão e saíram andando rua acima, cumprimentando o mecânico Joe e tentando não morrer subindo o restante. Sedentarismo realmente é uma doença séria, amigos.

Depois de subir a ladeira imensa, ofegantes, viraram a rua e chegaram à sorveteria que não tinha um nome – não que elas soubessem – por isso era só chamada de sorveteria mesmo.

Sendo uma boa fã de Percy Jackson e levando em conta que era realmente delicioso, Julie pegou um mega sundae do sabor “Céu Azul” e Cookie, gostando de sorvete, escolheu um Milk-shake de cereja que também era muito bom – isso e também porque vinha com chantilly e uma cereja no topo.

Depois que ambas haviam se acomodado em uma mesa perto da máquina de bebidas e também do balcão de doces – acessibilidade é tudo – Julie disse:

– Então, que horas é a festa hoje afinal?

– Ah, certo – disse Cookie enquanto bebia seu sorvete – Dez em ponto.

– E quem vai?

Cookie assumiu um tom sério ao dizer a lista de quem as acompanhariam, como se aquilo fosse uma lista de convocação para a faculdade ou algo assim.

Embora Julie tenha ficado feliz por saber que Amanda estaria lá para carregar Charlie, ela parecia se perguntar quem carregaria Jeff, Fred, Liz, Damien, a própria Amanda, etc. Cookie se perguntava o mesmo na verdade.

Notas finais
Bom, o que eu posso dizer é que tenho o segundo capítulo em mãos e acho que vale a pena lê-lo.Espero que gostem, caras. Obrigada por lerem. Obs: A propósito, a citação do começo é da Effy Stonem, de Skins. Obs²: Meu nome não é Joseph Tribbiani, eu nem sou um cara na verdade, mas esse é um personagem maravilhoso da série Friends. Obs³: Isso é tudo, até logo.