Down on love parte 1

2 Carry on my wayward son


Notas iniciais
O capítulo ficou um pouco grande. Mas espero que gostem.

Dean pega sua arma, veste sua jaqueta de couro, pega as chaves do Impala e saem. Em todo o caminho até a escola Dean cantava e xingava os outros motoristas que o ultrapassavam, enquanto Sam olhava o histórico de assassinatos ocorridos naquela mesma escola procurando algum parentesco, alguma coincidência.

Sam: Dean, qual é, abaixa mais isso aí – ele fala abaixando a pasta e olhando a estrada à frente.

Dean: Você já olhou isso aí um trilhão de vezes, curte um pouco, irmãozinho, mesmo que o papel de idoso lhe caia muito bem.

Sam: Idoso? Você está escutando música em fita cassete. Isso é muito ultrapassado.

Dean: Não sabia que música tinha data de validade.

Sam revira os olhos e volta a olhar os papeis, trocando-os constantemente.

Sam: Tudo mudou nessa escola, inclusive o diretor, não entendo o que pode ser.

Dean: Continuo no palpite de shtriga... Mas também pode ser um espírito maligno que morreu ali há muitos anos – ele fala entortando um bico e dando de ombros.

Sam: É um bom palpite, vamos deixar em fila.

Dean: Fila? – Dean olha para Sam com uma sobrancelha levantada – você está tão gay.

Sam respira pesado voltando a concentrar-se apenas em seus papeis. Alguns minutos depois Dean estaciona o carro em uma rua antes da escola, descem e se trocam ali mesmo na rua já que não havia qualquer movimento.

Dean: A gente tem mesmo que entrar aí?

Sam: Você está com medo?

Dean: Claro que não, só que... Escola... Crianças...

Sam: Dean, você tem trauma de coisas que te lembram do passado?

Dean: Não... Quer dizer... Ah, cala a boca. Vamos logo.

Sam: Eu me sinto ridículo – Sam fala segurando na barra da camisa azul.

Dean: Você está ridículo, mas esse disfarce está bem melhor.

Sam: E não era você que sempre queria ser o federal gostosão?

Dean: Vai dizer que eu não estou gostosão agora?

Sam olha para Dean da cabeça aos pés e nega com a cabeça.

Dean: Eu pensei Sammy, os federais estão aí, não to a fim de dar satisfação a eles. E o Bobby disse que não ligássemos pra ele.

Sam: Ele ainda está atrás daquele wendigo na Filadélfia?

Dean: Sim, ele tinha escapado da última vez, então agora o Bobby decidiu ir atrás dele.

Sam: Isso não é um pouco perigoso?

Dean: Sammy é o Bobby.

Sam: E daí? Sabemos a força de um wendigo.

Dean: E o Bobby também, ele não é mais uma criança, e deixou de ser já faz um bom tempo.

Sam: Se ele estiver em perigo, ele liga.

Dean: Claro, ele vai ligar “licença, criatura demoníaca babaca, será que posso ligar pra uns caçadores vir me resgatar?” muito bom, cérebro pensante.

Sam: Você entendeu o que eu quis dizer – ele faz bico e levanta uma sobrancelha.

Dean suspira olhando para a fachada da escola, uma mão na cintura e a outra coçando a nuca.

Dean: Vamos entrar logo, essa coisa já está no fazendo perder o foco principal.

Vestidos de faxineiros, Sam e Dean entram no colégio tentando não chamar muita atenção e indo até onde os federais estavam para “limpar” a sala. Eles abrem a porta com cautela, e começa a colocar no lugar uns livros que estavam caídos, e uns deques que estavam fora de lugar, à sala era um laboratório de química. Tinha marcas de sangue e de violência física, mas nada que indicasse o suspeito do crime.

Dean sussurra para Sam tentando emitir o menor barulho possível.

Dean: Sam, isso não parece rastros de uma shtriga.

Sam: Realmente, então pode mesmo ser o espírito maligno – ele fala dando de ombros e abaixando-se para analisar uns respingos de sangue.

Dean: Não vamos dizer o que é ou o que não é ainda não temos pistas necessárias mesmo.

Valentina: Ei! O que vocês estão fazendo aqui na cena do crime? – Valentina vira-se e cruza os braços na frente do corpo

Sam levanta com pressa e engole em seco tentando controlar olhar para o corpo bem esculpido da agente.

Dean: Não tá vendo não? – ele fala mostrando-lhe o espanador que tinha em mãos. Sam cutuca Dean com o cotovelo reprovando-o.

Sam: Somos os novos faxineiros, Srta...?

Valentina: Chevalier. Vocês não podem invadir a cena de um crime.

Dean: Não invadimos. Estamos limpando.

Cassie: Muito pior, Sr...?

Dean: Rupert. Rupert Rose.

Sam olha pra Dean semicerrando os olhos pela escolha do sobrenome que seria rapidamente reconhecido para qualquer fã de rock, em especial Guns n’ Roses. Ele volta a olhar para as federais.

Sam: Bill.

Dean: Reed. Bill Reed.

Sam: É... Bill Reed – ele volta a olhar para Dean fuzilando-o apenas com o olhar — Desculpa atrapalhar a investigação de vocês.

Dean: Vocês não são muito novas para serem federais?

Dean olha para Valentina com um sorrisinho de canto sexy. Valentina revira os olhos e suspira cansada.

Valentina: E vocês não são muito intrometidos para simples faxineiros?

Sam: Desculpem o meu irmão. Ele sempre foi muito desobediente.

Cassie: São irmãos? – ela olha para os dois tentando encontrar alguma semelhança e esconde o sorriso por não ter encontrado nenhuma.

Dean: Sim, somos. E qualquer coisa nos chamem, gracinhas.

Cassie: Realmente não precisaremos da sua ajuda. Agora por favor – ela aponta para a porta com o indicador mostrando sua unha pintada de marrom — saiam.

Sam vai empurrando Dean até a porta impedindo-o de falar alguma besteira.

Sam: Elas são federais de verdade, vai querer arranjar confusão com elas?

Dean: Na verdade elas não resistiram ao meu charme – ele ajeita a gola da camiseta de mangas azul.

Sam: Você está com um bigode e uma barriga falsa de grávida.

Dean: Não é barriga de grávida. Foi efeito do álcool.

Sam: Então você sabe como vai ficar daqui a alguns anos.

Dean: Gracinha – Dean joga o espanador e a vassoura de lado — fazemos assim, entramos quando elas saírem.

Sam: E o que fazemos nesse tempo?

Dean: Que tal: flertar com umas líderes de torcida? – ele sorri mostrando seus lindos dentes brancos.

Sam: Você tem bigode e barriga de grávida, vai mesmo querer ser o novo maníaco-pedófilo de Cambridge?

Dean: Você sempre estragando meu barato. Então, você fica por aqui e eu vou ver se tem vestígios de alguma dessas aberrações com o EMF.

Sam suspira cansado, mas concorda com Dean sem querer arrumar confusão.

Sam: O.K., mas não demore...

Dean sai com seu EMF olhando descaradamente para as pernas das estudantes enquanto elas o olham com repúdio. Sam continua na porta do laboratório esperando a saída das federais. Após vinte e cinco minutos elas saem.

Cassie: Você ainda está aqui?

Sam: Eu trabalho aqui.

Valentina: Diga a seu irmãozinho para ficar bem longe dessa sala – ela aponta para a sala em suas costas — e você também. Vamos Cassie, ainda temos outro caso.

Assim que elas ganham distância Sam pega o celular e liga para Dean.

Sam: Alô, Dean? Elas acabaram de sair, vem logo, já estou na sala e isso aqui ta uma bagunça.

Dean entra na sala fechando a porta e guardando o EMF no bolso da jaqueta.

Dean: E ai, Sammy, encontrou alguma coisa?

Sam: Não, só o sangue da vítima, muitos papeis e uma peruca grisalha.

Dean: Então já sabemos que o suspeito é careca.

Sam: Careca? – ele levanta uma sobrancelha — Dean, não é hora para brincadeiras. Essa é a sala do laboratório de química, vai ver o professor é careca, isso não faz dele um suspeito.

Dean: Você sempre defendendo os pobres e oprimidos. Não tem nada aqui que possa nos ajudar. Temos que ir ao necrotério, ver o corpo e saber com o que estamos enfrentando.

Sam: Você não acha que as federais vão estar lá?

Dean: Tenho certeza que elas foram para lá agora, então damos uma volta na cidade e vamos ao necrotério.

Duas horas depois...

Sam: Como assim não tem corpo?

Médico: Foi o que lhes disse, não há um corpo.

Dean: Explique melhor.

Médico: O que chegou aqui foram restos, restos completamente destroçados. Como se a vítima tivesse sido devorada por um lobo selvagem.

Dean: Podemos dar uma olhada?

Médico: Tem certeza?

Dean: Sim.

Médico: Os últimos federais que estiveram aqui não quiseram ver o corpo. Vocês são bem... Corajosos.

Dean: Estamos acostumados com isso, certamente eles eram novatos.

Médico: Sim, deveria ser – ele abre a gaveta onde fica guardado o corpo — Aqui está.

Sam: Ugh – ele aperta os lábios e desvia o olhar daquela pequena gaveta — praticamente só restaram-lhe os ossos.

Dean: Que lobinho faminto, hein.

Médico: Demais. Não ficou um músculo.

Sam: O.K., isso basta – ele empurra um pouco a gaveta com força o que faz com que ela emita um som agudo ecoando por toda a sala — vamos falar com o possível suspeito. Vamos.

Eles saem da sala e voltam para o impala. Dean dá a partida e olha intrigado para Sam.

Dean: O que acha? Lobisomem?

Sam: Pode ser. Também pode ser um leviatã.

Dean: Leviatã. Claro – ele estala os dedos – como não pensamos nisso antes? O monstro que ocupou o corpo do professor de química e então devorou o aluno no final da aula.

Sam levanta uma sobrancelha.

Dean: O quê? Já temos experiência o bastante pra que eu também possa definir o desfecho de um caso.

Sam: Então está certo, leviatã. Só temos que encontrar o professor de química.

Dean: Isso não é difícil. Enquanto andava pela escola entrei na sala da diretoria e achei o histórico do nosso professor demoníaco.

Dean entrega uma pasta a Sam.

Sam: Aqui diz que ele trabalhou em Pittsburgh, Nova Jersey e Portland foi à última cidade que ele esteve – fala ele passando as páginas – é um professor de nome.

Dean: Ele está aqui em Cambridge há um ano.

Sam: Você acha mesmo que ele é suspeito?

Dean: Eu tenho certeza. Já me enganei alguma vez? – Sam faz como se fosse falar e Dean o interrompe levando a mão ao ar – não precisa dizer, foi uma pergunta retórica... Aqui, essa é a casa do leviatã.

Sam: Bonita casa, bem... ahn... clássica.

Dean: Típico de leviatã.

Sam: Desde quando você entende tanto de leviatã?

Dean: Google.

Sam revira os olhos e sai do carro. Dean o acompanha. Assim que chegam a porta ela abre e um homem de aparentemente trinta e três anos, careca com uns poucos fios grisalhos, barba por fazer e vestindo jeans, sapato social e camiseta de botão aparece.

Dean: E agora o senhor é vidente, é?

Professor: Ahn? – ele franzo o cenho alternando o olhar entre Dean e Sam — Oh, não, não – levanta as sobrancelhas entendendo o que ele quis dizer — é que eu já estava de saída.

Sam mostra seu “distintivo”.

Sam: FBI, precisamos do seu depoimento.

Dean: E não, não pode ficar para depois.

O homem olha além de Sam e Dean e levanta as sobrancelhas com espanto.

Prof.: Mais federais? Eu não fiz nada de errado.

Dean olha para trás e vê as mesmas federais que estavam na escola, engole seco e fica com a postura ereta tentando passar confiança.

Valentina: Quem são vocês? – ela os olha da cabeça aos pés analisando-os.

Dean: Nós que perguntamos isso, afinal estamos aqui primeiro.

Cassie: Cassie e Valentina Chevalier e vocês?

Dean: Mark Page.

Sam: John Plant.

Valentina: Então estão nesse caso? – Ela fala semicerrando os olhos trocando o olhar entre Dean e Sam, coçando o queixo analisando a situação.

Dean: Sim, esse caso é exclusivamente nosso – ele vira o rosto sem mais discussões – então caiam fora.

Sam olha pra Dean e repreende-o com o olhar, massageando de leve suas têmporas.

Valentina: O.K., Sr. Page... Então que tal nos encontrarmos mais tarde – ela dá um passo à frente de Dean – para quem sabe – ela agora mexe na gravata dele como se estivesse fora do lugar – conversarmos um pouco – uma piscadela e ela o sente em suas mãos.

Dean sorri abertamente passando a mão no terno.

Dean: Eu acho uma boa e você John?

Sam: Ahn... Mark, nós não...

Dean: Vamos... Estaremos lá... No bar local às sete.

Valentina: Marcado. Vamos, Cassie.

Elas voltam ao carro dando uma última olhada para trás enquanto observa o sorriso de Dean.

Cassie: Você está louca? Marcando encontro enquanto temos dois casos nas mãos? – Cassie fala arregalando os olhos e levantando as mãos.

Valentina: Primeiro: nosso único e exclusivo caso é o dos Winchester. Segundo: Plant e Page.

Cassie: Isso não é hora pra rock – ela revira os olhos deitando mais no encosto do banco do carro.

Valentina: Não é rock. É Dean e Sam.

Cassie: Os Winchester? Eu sei, é o nosso caso.

Valentina: Não, sua lerda. Quer dizer, sim, sim. Mark Page e John Plant é Dean e Sam Winchester.

Cassie: Ai meu Deus! – ela pisca os olhos freneticamente e estala os dedos – é mesmo! Então vamos encontrar com eles e prende-los. Que fácil – ela sorri embasbacada.

Valentina: Correção: vamos seduzi-los, dopá-los e trazê-los para o carro.

Cassie: Isso vai ser fácil...

Dean: Então, senhor, nos fale do seu ex-aluno morto – Dean batuca a ponta da caneta em seu bloquinho de anotações.

Prof.: O que quer que eu diga? Ele era um bom aluno, notas altas, muito interessado, não bagunçava. Todos o adoravam – o professor dá de ombros sem ter muito o que revelar.

Sam: Por que alguém iria querer machuca-lo?

Prof.: Algum maníaco, talvez? Não vejo outra explicação. Por que estou sendo interrogado afinal? – ele inclina seu corpo um pouco mais para frente, apoiando o cotovelo nos joelhos e entrelaçando as mãos.

Dean: Porque ele foi morto em sua sala de aula.

Prof.: Mas eu não estava nela – agora ele abre um pouco os braços na defensiva – detetives, eu devo ir agora, tenho que assistir a apresentação de balé da minha filha.

Sam: O.K. – eles levantam e apertam a mão do professor de química – então muito obrigado senhor Stuart.

Dean: Qualquer coisa voltaremos aqui.

Prof.: Tudo bem – ele os leva até a porta e segue em direção a seu carro.

O professor dá a partida no carro e segue em direção ao norte.

Dean: Culpado?

Sam: Não sei, ele parece ser uma boa pessoa e não aparentava ser um leviatã.

Dean: Por quê?

Sam: Tinha um vidrinho com uma substância chamada “bórax” na sua estante. Bórax queima a pele de um leviatã, por que ele teria algo que o colocasse em risco?

Dean: Vai ver ele tá vivendo a vida adoidado.

Sam: Dean...

Dean: Então ele pode ser outro. Um metamorfo?

Sam: Eu acho que ele não é suspeito.

Dean: Então sem leviatã e sem professor de química – Dean conta nos dedos – temos que voltar naquela escola depois, tem algo ali – agora ele bate palmas lembrando-se do compromisso – mas agora vamos ao encontro das federais gatas.

Sam: Ainda acho isso uma péssima ideia.

Dean: Qual é Sammy? – eles entram no carro e Dean da à partida – vamos curtir um pouquinho, e qualquer coisa ligamos pro Bobby.

Sam: Se algo der errado, a culpa é sua e depois não diga que não avisei.

Dean: Relaxa princesa...

Seis horas mais tarde...

Sam: Onde estamos?

Cassie: No nosso quarto, John – ela fala o nome “John” de uma forma cínica.

Sam: O que vocês fizeram conosco?

Valentina: O dopamos – diz ela terminando de apertar o nó da corda que prende Dean na cadeira – que tal? E esse seu irmão que não acorda?

Cassie: Eu disse que você colocou uma porção maior pra ele.

Sam: O que vocês fizeram com meu irmão?

Valentina: Dá pra calar a boca?

Sam: Quem são vocês?

Cassie: Nós que fazemos as perguntas. Quem é você?

Sam: Policial... Policial federal – sua voz é de desespero enquanto algumas gotas de suor escorrem pelo seu rosto.

Valentina: Vai continuar insistindo nisso? Fala logo a verdade.

Sam suspira pesado abaixando a cabeça, rendido.

Sam: O.K., eu digo... Sou o Sam, Sam Winchester, do Kansas. Por que nos prenderam?

Valentina: Sam Winchester – Valentina anda pelo quarto fazendo barulho com os saltos do sapato – você é suspeito... E esse seu irmão aí – aponta para Dean com o olhar – hmph, já é mais que acusado.

Dean começa a acordar, ele, assim como Sam, está com os braços para trás amarrado na cadeira.

Dean: Vadias, o que fizeram comigo?

Valentina dá-lhe uma tapa no rosto deixando uma marca vermelha.

Dean: malditas – Dean morde o lábio respirando pesado.

Sam: Dean, nós estamos presos.

Dean: Pelo menos são gostosas.

Sam: Eu disse pra não irmos nesse encontro, mas você não pode ver uma mulher.

Dean: Calma aí, Sam, tem que ter algo errado. Não sou suspeito.

Valentina: Roubos, assassinato, falsificação ideológica – ela se aproxima mais de seu rosto – você realmente não é suspeito.

Dean: Os policiais limparam minha ficha.

Cassie: Desde a sua falsa morte? Dean, alguns continuaram te investigando e você agora foi pego. Vocês parecem mais caçadores de recompensa, quanto ganham pelo serviço?

Sam: Que serviço?

Cassie: Matar pessoas.

Sam: Mas... Não matamos ninguém.

Cassie: Não é o que consta nos relatos policiais – ela fala apontando para a folha em sua mão.

Valentina: Tarde demais, Winchester. Sua vida de caçadas acabou.

“Carry on my wayward son, there'll be peace when you are done, lay your weary head to rest, don't you cry no more.”