Dotyanutsya do Tebya

9 Parte VIII: Si Deus nobiscum quis contra nos


Notas iniciais
Eita que todo mundo tava esperando que estourasse a Terceira Guerra Mundial aqui, né? Rússia x Mundo. Motivo = quebraram minhas vodcas kolkolkolkolkokol -Q E que estourasse na cabeça do Toris, que é a Maria do Bairro lituana -q Culpa da vida, que fez a Lituânia ter uma história tão... tensa. Ah, falando em Lituânia, aqui nós temos outro “interlúdio” (que não é interlúdio, por definição) *risca*sópraprotelaredeixarvocêscuriosossobreoqueroloucomoEstônia*risca*. Só que dessa vez é sobre... ELE! MARIA TORIS DO BAIRRO LORINAITIS! E a bicha louca do Feliks, hue xD Me disseram que seria bacana fazer um retrospecto do Liet também e mesmo que a pessoa que disse isso não esteja mais nem tchun pra fic, achei uma boa ideia e trabalhei nela @_@ Espero que gostem do capítulo. Eu me esforcei muito pra fazer porque gosto bastante de Idade Média e queria fazer algo bacana. Mas não levem isso muito a sério, okay? Eu leio muito sobre História, mas ainda assim não me acho uma fonte segura G_G [Quero cursar história e estudar isso pra valer T-T]. Enfim, leiam e... não me matem depois de ler os diálogos, okay? Foram feitos com amor e esmero (?) dspokdpoksdpok Até as notas, pedaços do meu kokoro :D

Era o meio da noite quando dois pares de mãos bateram desesperadamente nos imensos portões de madeira que controlavam a entrada e a saída de Volans. Uma portinhola retangular se abriu e olhos castanhos encararam as duas pessoas que faziam todo o estardalhaço do lado de fora dos terrenos. O que o dono dos olhos castanhos encontrou consistia em duas figuras relativamente pequenas — que não passavam de seus 14 ou 15 anos —, trêmulas e esfarrapadas.

— A-ah, por obséquio, meu caro. Deixa-nos entrar. – gaguejou Toris, olhando para os lados, parecendo assustado. – N-nossas terras foram assaltadas e uma atroz desgraça se abateu sobre nós! Houve uma chacina! Nosso senhor foi assassinado! Nossa morada é distante, porém todos nos bateram os portões em nosso caminho até aqui. Por obséquio, não há sequer um pedaço de teto que nos acolha... Ajuda-nos.

O homem virou os olhos desconfiados para Feliks, que tremia, sem dizer uma palavra, apenas encarando o chão e segurando a rédea de seu cavalo, enquanto sangue escorria por sua testa suja de terra. Então ele voltou a olhar para Toris. A portinhola foi fechada e os portões foram abertos, o suficiente apenas para que os dois garotos, passassem para o lado de dentro com seus cavalos.

— Podereis permanecer nos estábulos. Passada a aurora, sereis escoltados ao soberano, caso ele deseje recebê-los. – o homem anunciou.

— És deveras bondoso, meu amigo. Deus o abençoará por esta ventura! – Toris segurou a frente das vestes do homem e, como um bom católico, agradeceu. – Não, Deus Todo-Poderoso age por intermédio de vós! Já és abençoado. Tens um espaço no reino dos céus...

— Cessa tua ladainha, fedelho imundo. – o homem afastou as mãos que o tocavam com um empurrão. – Vinde depressa, antes que o arrependimento me assome...

Após fecharem as portas, o guarda assentiu para outros três, que seguravam lanças de metal iguais à que ele mesmo segurava, e então fez um sinal para que o seguissem. Os caminhos estavam vazios, mas havia barraquinhas de comerciantes dando indícios de que uma pequena feira acontecera por ali mais cedo, como era de se esperar de qualquer reino daquele período. Nenhum dos dois prestava atenção naquilo, porém; nem mesmo quando receberam alguns olhares tortos dos cavaleiros com quem porventura cruzaram no caminho até as estrebarias. E não era para menos, pois Toris tinha a capa puída e imunda pendurada precariamente sobre os ombros, enquanto seu rosto e mãos eram marcados por cortes e hematomas, assim como Feliks, que havia puxado o capuz por sobre os cabelos para esconder seu estado.

O mais alto o olhou e lhe lançou um pequeno sorriso, mas ele apenas lhe respondeu balançando a cabeça negativamente. Então o lituano olhou para frente, para o guarda dos portões, até que finalmente chegaram aos estábulos sujos e fétidos. Mesmo que tivessem sido abandonados ali imediatamente, se arranjaram no palheiro da baia vazia. Feliks reclamou um pouco sobre o estado do local, mas Toris apenas riu e lhe entregou um pedaço de pão que guardava na bolsa e dormiram, sem trocar muitas palavras.

Pela manhã, Toris acordou com o sol batendo em seus olhos e um peso no peito. Este último constatou ser a cabeça de Feliks, que, em algum momento da noite, deitou sobre seu corpo. O moreno riu de leve, mas o acordou, pois precisavam estar a postos quando tivessem de falar com o rei. Observou enquanto o menor tirava a palha do próprio cabelo sonolentamente, ainda com toda a sujeira de antes e mais um pouco adquirida no palheiro. Ele precisava se lavar. Ambos precisavam.

— Estais despertos... – o homem da noite anterior entrou e parou à porta. – O rei vos ouvirá em seus aposentos. Vinde.

Levantaram-se depressa, espalmando a terra e a palha das roupas enquanto andavam, porque o homem já estava partindo. Correram atrás dele em direção a um aclive, então alcançaram o castelo por trás de altos muros de pedra. Em silêncio, os três percorreram todo o caminho adentrando a majestosa construção, até a derradeira parada, em frente a grandes e imponentes portas de madeira trabalhada. Ao serem abertas, elas revelaram um homem robusto de aparência solene e já de meia-idade sentado no trono real, ladeado por um rapazote loirinho de cabelos curtos, que estava de costas para a entrada. Toris e Feliks fizeram uma pequena reverência ao pararem atrás do guarda, no centro da sala.

— Cá estão os adventícios, alteza. – ele anunciou.

— Quem sois vós? – perguntou o rei.

— Chamo-me Feliks, majestade – ele se empertigou um pouco, engolindo sua fobia a estranhos, como fazia quando era necessário. – , terceiro filho do Lorde de Baranowski.

— Sou Toris, quarto filho do Lorde Vitikus. Ambos somos do ducado de Krainarius.

— Jamais dantes ouvira sobre tal paragem. – disse o monarca franzindo a testa. – Contais vossa história, Feliks e Toris de Krainarius.

— Krainarius é um pequeno ducado em terras distantes, meu senhor. – começou o moreno, com a voz um pouco trêmula. – Terrivelmente distantes. Às fronteiras da comarca Otomana. Sofremos um assalto violento por parte deles, alteza. Os bárbaros dizimaram nosso senhor junto à sua cavalaria e parte dos servos nos campos. Somos cavaleiros em treinamento, todavia ao contemplarmos a cavalaria do ducado imersa num mar de seu próprio sangue, evadimo-nos. Temos plena ciência de que desgraçamos nosso povo, contudo pretendemos tornamo-nos fortes. Pois, mostra misericórdia, meu rei. Provê-nos acolhida, em nome de Deus, nosso senhor... – colocou a mão direita no ombro esquerdo e apenas um joelho no chão. – Visto que já não há em quem depositarmos nossa lealdade e subserviência, juraremos lealdade a vós. Portentosos cavaleiros juramos tornarmo-nos em prol da defesa de vossas terras, mesmo que para tal percamos nossas vidas.

— Então sois nobres? – o soberano finalmente demonstrou interesse, ajeitando-se melhor no trono. Pareceu ser a única parte que ouviu de todo o discurso de Toris.

— Sim, senhor. – o garoto assentiu.

— Mostrai vossas patentes de nobreza.

Prontamente, ambos reviraram suas bolsas de couro surradas que traziam penduradas em alças que lhes atravessavam os tóraxes, então entregaram ao monarca um papel velho e amassado com suas patentes nele. Na carta havia seus brasões, nomes e suas descendências atestando seu sangue nobre. O rei os observou, então entregou ao rapaz loiro que havia se postado a sua direita.

— Permanecereis até o pôr-do-sol. – anunciou. – Caso vossas patentes sejam legitimadas pelo genealogista da corte, hão de lutar com meu cavaleiro de confiança. Caso por ele sejam sancionados, hão de receber treinamento como cavaleiros de Volans. Onde estais instalados?

— Nas estrebarias, meu senhor.

— Permanecerão por ora e ajudarão aos servos. Uma das criadas lhes proporcionará alimento.

Após se retirarem, uma das servas lhes fez a gentileza de esquentar a água e lhes conseguir roupas novas e limpas, que serviram, mesmo ficando grandes. Quando estavam limpos, receberam o café da manhã servido pela mesma serva doméstica. Em seguida, tiveram de ajudar limpando os estábulos e em outras tarefas menores até o meio da tarde quando foram dispensados para o teste com o treinador dos cavaleiros. Então a mocinha lhes conduziu aos gramados em uma das laterais do castelo.

— O rei virá com o instrutor dentro d‘alguns momentos. – disse, bastante solicita. – Por ora, aguardai aqui.

Toris a observou partir, então pegou uma das espadas no suporte. Era bonita, um pouco gasta, mas o fio parecia perfeito. O peso também era bom, apesar de não ser excelente — era um pouco mais pesada que o necessário. A empunhadura era estranha, mas nada que um pouco de prática não contornasse o problema. Virou-a e viu uma sombra estranha refletida na lâmina. Ainda teve tempo de se defender de um ataque surpresa de Feliks que havia retirado alguma das espadas dali com a sutileza de um gato andando sobre um muro.

— Calhorda, atacas-me pelas retaguardas. – forçou a espada contra a dele, formando uma cruz e retesando os músculos no esforço de evitar que ele o machucasse.

— Atenta a teus arredores, inerme. – Feliks riu se esquivando quando suas espadas deslizaram uma na outra. – Oponentes abrolham de inopino*. Noutra ocasião, poderias não usufruir da mesma ventura que de agora.

— Não me sujeito à sorte... mas à destreza.

Avançaram um contra o outro, num duelo sério que durou tempo o suficiente para que o rei chegasse e os encontrassem suados e sujos de terra por causa de uma ou outra queda.

— Sem armadura ou sequer um hauberk!

— Levianos ou demasiado confiantes! Que sois? – continuou um homem que vinha atrás.

— A primeira instância, receio. Caso fôramos confiantes, teríamos perdido nossas vidas lutando contra os turco-otomanos, meu senhor. – Feliks resolveu falar.

— Não era caso de confiança, sim de conhecer vossas restrinjas. – o rei pareceu se admirar.

— Mostrai sem procrastinas de que são capazes. – o treinador bateu palmas. – Tu, dos cabelos doirados. Bota tua armadura e apropinqua-te. Sou o que testará vossas habilidades para entrar no treinamento da armada de Volans.

Ele olhou inseguro para Toris.

— Vai. – assentiu para ele. – Tens coragem, isso basta.

— Ajuda-me com a armadura?

Toris o ajudou. Feliks era um rapaz estranho, o moreno sabia disso. Conhecia o outro bem o bastante para saber o que aconteceria e que ele precisava de apenas um empurrãozinho. De fato, acertou. Feliks começou perdendo, caiu algumas vezes, perdeu o elmo. Então a espada do treinador lhe riscou o rosto e seu sangue começou a escorrer pela bochecha. O loiro apenas esfregou a mão para se certificar de que era aquilo mesmo, então avançou com ímpeto para cima do oponente, com um sorriso de quem aceita um desafio. O treinador teve trabalho para prosseguir com a mesma facilidade de antes, mal conseguiu se defender, e o rei pareceu encantado com a fúria de Feliks. Porém, no fim, o loiro foi vencido. Em seu turno, Toris deu menos trabalho e, embora tivesse demonstrado muita garra, também perdeu.

— Sedes promissores. Se sois escudeiros, imagino quão fortes seriam os cavaleiros de Krainarius. – o treinador assentiu com a cabeça, olhando para o rei.

— Demasiado. E pelejaram com honra contra os otomanos. – Toris limpou o suor do rosto com a própria camisa. – Vossa majestade tem ciência da fama dos otomanos, crápulas cruéis e sanguinários, sem dúvida, pois não?

— De fato. Contudo, em Volans, ireis tornar-vos dignos de pleitear os otomanos.

— Esperaremos ansiosos.

— Meu rei, confia em nós. Não o decepcionaremos.



O rei, pelo que observaram com o transcorrer dos dias, era um homem autoritário e extremista, do tipo que não tolerava uma ou outra atitude ou opinião e punia sem piedade. Bem como sabiam que ele apenas os acolhera com interesse em suas forças. Esta ciência tornou fácil para que Feliks e Toris não cultivassem laços de afeto com seu novo senhor. As únicas duas pessoas a quem se ligaram relativamente foram a criada, que lhes dava um pedaço de pão sempre que achava que eles sentiam fome; e o filho do rei. Pela proximidade de idade, Feliks e Toris começaram a treinar com ele, um garoto de 12 anos, por ideia do próprio monarca. Ensinaram-lhes alguns movimentos, algumas defesas, nada muito elaborado, mas algo com que pudessem passar o tempo quando eles mesmos não estavam treinando. E o rapazote passou a admirar Toris e Feliks como se fossem treinadores, de fato; entretanto, não fazia a mínima ideia de que os dois buscavam a maior distância emocional possível por motivos nada nobres.

— Hm... Cá estou, a desperdiçar em vão esta divina formosura minha... Um dia a mais a padecer neste inferno e, Deus me ajude... – entediado, Feliks pulou do cavalo, a cota de malha de ferro retinindo. – Pois... pergunto-me acaso se verão cedo... nossos homens.

— Sê paciente, Feliks. De nada serve o teu queixar... – murmurou Toris, que não estava mais feliz que o loiro por estarem há um mês servindo àquele rei. – O disfarce finda hoje. Hemos de aguard... Não. Escutai. Ouves o som de cascos? Hão de ser eles.

Ergueram as cabeças, atentos aos sons de equinos, então viram cavaleiros de túnicas vermelhas e azuis, que desaceleravam a galopada à medida que se aproximavam dos dois rapazes. As túnicas exibiam os brasões do Reino da Polônia e do Grão-Ducado da Lituânia. Fizeram sinais para que eles descessem dos cavalos e eles o fizeram, amarrando-os por entre as árvores.

— Manchai nosso nome com esta túnica. – um dos cavaleiros resmungou.

— Mordei vossa língua, pois reconheces nossos ensejos. Ensejos tais que sobrepõe nosso querer. – Feliks apontou para a própria roupa com o brasão de Volans.

— Tudo nos conformes? – perguntou o cavaleiro mais experiente entre os recém-chegados, se adiantando e acabando com os olhares furiosos entre os dois.

— Sim. Aguardai... – sussurrou Feliks. – Num instante, adiantaremos o plano e aliciaremos os cavaleiros de Volans até onde de tocaia estareis. Revisemos o estratagema.

Toris repassou a estratégia que haviam planejado em suas terras, antes de partirem para Volans, com as devidas correções agora que conheciam o estilo e a rotina dos cavaleiros de Volans. Não sentiam o mínimo de vergonha ou remorso por traírem aquele a quem juraram lealdade por último, porque o fizeram falsamente, ainda sob o juramento de lealdade para com seu próprio monarca, o rei da Polônia e grão-duque da Lituânia.

— Hemos de regressar, Toris. – Feliks olhou em direção ao castelo. – Antes de darem por nossa ausência.

— Homens, não baixai a guarda um instante.

— Sim, senhor.

Voltaram ao castelo, montados em seus cavalos, cumprimentando as pessoas no caminho, como faziam todos os dias, como se nada houvesse acontecido. Inspirados na lenda de Troia, entraram no reino de Volans como se fossem inofensivos aspirantes a cavaleiros de uma terra desgraçada por um ataque de bárbaros. Apesar da dificuldade, principalmente de vencer seu orgulho, camuflaram sua força de cavaleiros ordenados e perdiam de propósito nas lutas, fingindo ser meros escudeiros, filhos de Lordes desimportantes, que não existiam de fato e nascidos em uma terra insignificante e fictícia. Tudo isso numa missão em nome do rei da Polônia, ordem a qual cumpririam mesmo que custasse suas vidas.

— Feliks! Toris! Vinde ligeiros! A caçada está a iniciar! – gritou alguém junto a um grupo que ia-se em direção à entrada do castelo.

Partiram em uma caçada com cachorros nas florestas do reino — aquela era a diversão daqueles homens. Apenas os dois e mais um rapaz eram novatos do treinamento, que iam como escudeiros, enquanto os outros, cerca de quarenta homens, eram cavaleiros e os últimos integrantes era o rei e o príncipe. Foram adentrando a floresta, até que Feliks lançou a Toris um olhar significativo. Sabiam que estavam próximos ao local combinado. Com jeito, conseguiram desviar o curso ligeiramente pela esquerda, ao mesmo tempo em que se aproximavam do rei, quebrando a formação tática em que andavam, até serem cercados pelos homens da Polônia e da Lituânia. Imediatamente Feliks e Toris colocaram suas espadas no pescoço e nas costas do rei.

— Um movimento e esta lâmina atravessará a garganta real de vossa majestade. – Feliks disse em voz alta.

— Perfídia!

— Surpresa. – Feliks sorriu, levantou a espada. – Eis um motim, meu senhor. E estes sois vós perdendo.

Os cavaleiros do rei não hesitaram em tentar atacar Feliks, mas os homens da Polônia se adiantaram e travaram uma batalha feroz contra eles. O loiro desviou de muitas espadas, aproveitando-se de seu tamanho e partiu para cima do rei, junto a Toris. Os três pularam do cavalo, engatando um duelo a cinco, porque dois dos homens do rei uniram-se a ele. Feliks suspirou chateado e sorrateiramente conduziu o rei para mais longe dos dois, deixando Toris se ocupar com eles, porque juntos talvez equivalessem a uma luta com o rei. Possivelmente. O monarca, porém, era bom no ataque e na defesa, por isso, o menor até começou a se divertir. Fazia tempo que não enfrentava ninguém forte que não custasse dois ou três ataques para cair.

Via um esgar de fúria no rosto do oponente. Não sabia dizer o que mais o enfurecia, se era a traição ou o fato de que estava lutando de igual para igual com um rapazote que não passava dos 14 anos, mal sabendo que aquele era um dos maiores cavaleiros do centro da Europa. Feliks, por sua vez, não se importava com o que ele pensava ou sabia. Queria lutar e vencer. Aquele bônus estava sendo interessante, mas um golpe mais forte no meio de seu peito — tão rápido que não conseguiu bloquear com o escudo — o derrubou e o fez bater a cabeça. Foi apenas o que custou para que perdesse a paciência. O rei segurou a espada com as duas mãos e a fez descer cortando o ar, mas Feliks rolou para o lado, ainda com a espada em mãos, vendo a arma inimiga cravar-se na terra. A questão foi que sentiu sua armadura se danificar e não gostou nada disso.

— Infortúnio dos infernos... – resmungou, levantando.

Levantou-se, passando por baixo do braço do rei e o atacando por trás dos joelhos, na parte em que a armadura não protegia. Então ele caiu, gritando e começando a sangrar. Feliks pôs o pé nas costas dele e encostou a espada no pescoço descoberto porque o ataque surpresa não dera tempo para ninguém pôr seu elmo.

— Ora, pois findemos já a penúria. Não te atrevas a tentar chalaças ou chorarás rios de arrependimento sob o fio de nossas espadas, ouvirdes? Não implorais pela vida. Não, nem abras a boca, pois agora me acomete uma cefaleia tal que não quererdes sofrer minha desforra no couro.

— Que ousadia é essa?

Feliks olhou em volta e viu apenas poucos cavaleiros do rei de pé. Viu Toris se aproximando, trazendo príncipe que se debatia, enquanto o rei gritava:

— Eu vos acolhi e assaltam-me de supetão, poltrões!

— Não nos proporcionaste abrigo pela imaculada benevolência em vosso coração. – Toris respondeu baixo, fazendo o príncipe se ajoelhar. – Vosso interesse foi excepcionalmente desperto pela força que lhe proporcionaríamos, meu senhor. Subjugaste-nos como se fôramos meros servos, quando tinhas plena consciência de que éramos cavaleiros, nobres como tu.

— Vós não éreis cavaleiros. Éreis apenas aprendizes.

— De fato, desconhecias nossa verdade. – Feliks afastou o cabelo que pregava na testa. – Irrelevante, contudo. Apesar da idade julgada insuficiente, somos cavaleiros ordenados. Não vingamos trinta e sete dias de servidão, todavia desforramos a morte do herdeiro de nossas terras. Sangue se lavará com sangue.

— Desconheço vossa suposta verdade.

— Pois nosso senhor recorda perfeitamente de tuas ações. – o moreno declarou, a espada apontada para o meio do peito do príncipe. – Não somos de nenhuma Krainarius, pois tal terra não existe. Assim como não há Lorde de Baranowski algum, muito menos Lorde de Vitikus.

— Mas o genealogista da corte... – o rei pareceu confuso.

— Intimidações e ouro tornam um homem a imagem da subserviência... Se dissermos nossos nomes, entenderás. Chamo-me Feliks da Polônia e ele é Toris da Lituânia.

— Do Reino da Polônia e do Grão-Ducado da Lituânia...? Mas isso já faz tempo...

— Cedo ou tarde, o que vai, retorna, meu senhor. Meu rei nunca olvidou vossa perfídia. – Feliks riu. – Porém, basta desta conversa.

O rei se agitou sob a bota de Feliks, mas este apenas pressionou a lâmina da espada contra a pele do pescoço.

— Aquieta-te. – Toris disse, firme.

Se ele tivesse alternativa, não viveria sua vida daquele modo; não era frio como Feliks a ponto de não se importar com as pessoas de quem tiravam as vidas, mas era seu trabalho. Ambos haviam assumido um compromisso perante o rei e, uma vez vassalo, não se pode escolher os serviços. De fato, até agradeceria se o rei houvesse seguido sua sugestão de não trazer o filho. Detestava tirar vidas inocentes. Gostaria de deixar o príncipe ir, mesmo consciente de que ele lhes procuraria para tirar sua desforra mais tarde. Esperaria. Porém Feliks nunca aceitaria.

Olhou para o garoto, que o encarava com um ódio que imaginou que nunca mais veria na vida no futuro. Imaginava o quão traído ele deveria se sentir no momento. Ossos do ofício, pensou, suspirando, enquanto Feliks se postava ao seu lado.

— À vontade para fazer as honras... – ele murmurou.

Toris assentiu e disse:

— Que Deus perdoe os vossos pecados.

Assim como os meus...

Cortaram os pescoços de ambos, primeiro o do príncipe, depois o do rei.

Seus cavaleiros começaram a se aproximar, após terem vencido todos os outros cavaleiros, enquanto recolhiam os pertences do rei, os quais entregariam ao seu rei como prova da missa cumprida. Guardaram tudo em uma pequena caixa que os cavaleiros haviam trazido e atrelaram à sela do cavalo de Toris.

— Cabrão... – resmungou o loiro, esfregando o metal que revestia seu tórax. – Fendeu minha armadura...

— Não te preocupes com pormenores, Feliks. Regressemos, sim?

Sem muito a declarar, Feliks apenas subiu em seu cavalo, então começaram a avançar em direção ao seu reino, ao norte de onde estavam. Comemoravam a vitória com ovações aos seus estrategistas, Feliks e Toris.

A união entre os dois era famosa em todo o mundo conhecido por ser invencível mesmo em desvantagem numérica. Enquanto avançava, Toris pensava. Podia dar os louros àqueles cavaleiros inimigos por lutarem com toda a dignidade até o fim, mas, como era de se esperar, todos sucumbiram às suas espadas guiadas por sua estratégia.

— Que será de nós agora, meus senhores? – um dos cavaleiros perguntou, se aproximando de ambos, que lideravam a cavalaria.

— Regressaremos ao reino, não? – Feliks, que estava logo atrás de Toris, respondeu desinteressado. – É necessário levar as provas ao rei.

— Meus caros, ouvirdes acerca de certo torneio nas terras do marquesado de Arlovski? – o cavaleiro deu um sorriso ladino.

— Torneio? Pelo quê? – perguntou Toris, interessado.

— Quinhentas moedas de ouro. Deveras pouco, de fato, mas vêm a calhar. – ele respondeu rindo para os outros cavaleiros.

— Não que nos seja necessário... – o homem à direita de Toris comentou no mesmo tom do primeiro. – Mas torneio nunca há de se fazer excesso...

— E um quinhão de ouro jamais será malquisto!

Os cavaleiros riam animados até que Feliks passou à frente de Toris, que liderava a cavalaria.

— Ah, não. Torneios avariam as minhas unhas... – franziu o nariz para os rapazes.

— Não digas tolices, Feliks. Vossas unhas já se encontram num estado deveras lastimável. Ademais, fala-o, entretanto, teu nome sempre encabeça as listas de inscrição. – o moreno balançou a cabeça. – Pois vamos e veremos quem tomará a dianteira desta vez. – puxou as rédeas do cavalo e logo estava na frente novamente.



Sir Feliks da Polônia. Filho do Lord de Łukasiewicz.

Cabeças se viraram e um silêncio sepulcral caiu à volta deles quando ouviram o escudeiro proferir aquele nome. Feliks apenas ignorou e depositou sua certidão de nobreza — desta vez, legítimo — sobre a mesa de inscrição. Toris se adiantou depois que Feliks se afastou e também pôs sua certidão sobre a mesa. Havia perdido na corrida, como de costume, então não estava muito satisfeito, mas podia lidar com isso.

Sir Toris da Lituânia. Filho do Lord de Lorinaitis. – anunciou o escudeiro mais uma vez.

Mais sete dos cavaleiros de sua armada se inscreveram depois, enquanto os seus escudeiros aguardavam. Apenas três foram aceitos por haver uma cota e restrições quanto ao mínimo de descendência nobre (cinco gerações). Destes, apenas Toris e Feliks participariam das justas; os outros se inscreveram em modalidades distintas, assim como nas apresentações de abertura do torneio. Um grupo fora mandado de volta ao reino para entregar a prova do cumprimento de sua missão com o rei de Volans.

Quando o escudeiro anunciou o nome de Toris e suas modalidades, as pessoas se entreolharam. Era sempre assim, e não conseguiria negar que esquecia sua competição unilateral com Feliks, unicamente para sentir um prazer e um orgulho imensos no fundo do peito ao ver a reação que seus nomes causavam aos outros. As rivalidades não existiam quando lutavam juntos. Eram uma unidade, uma unidade que assombrava e/ou aterrorizava a todos que cruzavam seus caminhos.

— Muito bem... Estais inscritos, cavaleiros. – o homem do meio disse, após escrever algo em sua prancheta e recolher os brasões que haviam depositado sobre a mesa.

Ele ainda lhes deu algumas instruções sobre os alojamentos dos cavaleiros, que ficava dentro do castelo do marquês, então todos seguiram para suas acomodações.

— De quem se tratam as ilustres figuras? – alguém cochichou bem baixinho.

— Tão somente os líderes cavalarianos mais fortes destas bandas. Aqueles os quais derrubaram a cavalaria teutônica.



Inscreveram-se quando faltavam três dias para o início do torneio. Nos banquetes que o antecederam, Feliks e Toris foram o centro das conversas muitas e muitas vezes. As crianças do marquesado se amontoavam ao redor deles e de seus cavaleiros para ouvirem suas histórias, mesmo as inventadas sobre os dragões e outras criaturas fantásticas. Mas a que gostavam mesmo (e aí até os adultos se juntavam para ouvir), era a história da luta contra os teutônicos. Amavam ouvir sobre a vantagem dos oponentes, sobre a força do líder deles, Gilbert Beilschmidt. Amavam ouvir sobre cada detalhe da luta, sobretudo, adoravam a parte sobre como venceram. Era quando Toris se sentia especial e admirado.

— Ora, pois desta forma ireis afugentar a todos os outros cavaleiros. – disse o marquês de Arlovski. – Quem terá bravura para enfrentar aqueles os quais subjugaram a temível Ordem Teutônica?

— Nos torneios não se intenta ferir, então não há o que temer. Nosso jogo é honrado. – Toris declarou, com um sorriso simpático.

— Fale por ti. Não há honra na guerra. – disse Feliks, arrancando um riso dos presentes.

— O contexto todo, exacerbas e destorces... Não se trata de uma querela, mas de uma competição amistosa. Não vejas tu, os oponentes como inimigos... – o moreno se incomodou com a colocação do outro. Não gostava que distorcessem as coisas assim.

— Complacência acima de tudo, pois não? – Feliks sorriu com desdém.

— Surpreendi-me ao conhecer-vos, confesso. – interrompeu o marquês, sem perceber a briga ideológica que os olhares de ambos travavam. – Perdoem minha rudeza... ambos têm tão poucas primaveras. Não têm porte de cavaleiro.

— De fato, costumam nos subestimar por isso. Amanhã, entretanto, vereis como os sentidos logram a percepção, meu senhor, ao fazer-vos crer que a culminância da vitória em campo de batalha consiste em primaveras, força e porte.

Feliks esfregava o joelho no de Toris, que quase riu, porque entendeu que aquele era o modo dele de lidar com a ansiedade que sentia por estar no meio de tantos estranhos.

— Dizes porquanto que vós lutais com a cabeça? – o marquês pareceu achar aquele comentário hilário.

— Exato. – o loiro friccionou a perna com mais força. – De fato, guardai vossas especulações ao momento do torneio. Vereis de que falamos.

A mente do público, entretanto, era a mesma da corte do Marquês de Arlovski. Quando chamaram Feliks para a arena nas justas, três dias mais tarde, a reação de algumas pessoas foi de incredulidade ao verem que aquele rapaz de aparência até frágil era o dono de toda a fama que tinha seu nome. Ao lado da arquibancada, esperando sua vez, estava Toris e de lá pôde ouvir um homem em meio aos populares exclamar contrafeito:

— Impossível! É tão mirrado... Pois deve ter uma cavalaria extraordinária. É a única justificativa para um líder de porte delicado assim.

Delicado. Toris riu. Tinha certeza de que um ou outro comentário chegava aos ouvidos de Feliks, mas ele apenas respondia com um sorriso ligeiramente enviesado, como se dissesse "aguarde e verá".

E, de fato, calou muitas bocas ao derrubar seu oponente com apenas um golpe. E sua colocação, ao voltar para o lado de Toris, não traía sua personalidade:

— Homessa. Minha unha lascou na quina...

— Unhas crescem, Feliks.

— Pois estou enfezado.

— Toris do Grão-Ducado da Lituânia. Filho do Lorde de Lorinaitis. – a voz do anunciante ressoou.

— Bem, é chegada minha hora.

— Lutai como um dos nossos. Honrai nosso nome. – o sorriso enviesado voltou aos lábios do loiro.

— Sempre. – bateu com o escudo no escudo de Feliks.

Não houve mais desdém quando Toris entrou, mesmo que não tivesse um porte muito mais cavalheiresco que o polonês. E não foi diferente de Feliks. Não precisou das três lanças, pois a sua colidiu contra a armadura do oponente e o derrubou na primeira tentativa.

No banquete, mais de uma vez foram o centro das atenções.

— Pois ambos cativaram meu respeito, admiração e minhas mais sinceras escusas pelos comentários a respeito de seus portes. – declarou o marquês de Arlovski.

— Coisa alguma foi registrada em nossas memórias e corações, senhor marquês. – Toris sorriu, com cortesia.

— Pois quisera eu dar a mão de minha filha a um belo cavaleiro como vós quando chegar à idade certa.

— Onde está vossa filha?

— Não tenho. – ele pareceu chateado, mas sorriu repentinamente. – Entretanto, há uma sobrinha minha que é como se fosse minha progênie. Ela virá para cá a tempo de prestigiar-vos na final do torneio.

— Será uma honra.

Ainda se prolongaram um pouco no banquete, até Feliks dizer que voltaria aos seus aposentos. Como costumava fazer quando não estavam no castelo em Varsóvia, Toris ainda demorou um pouco para voltar, para não parecer estranho voltarem juntos. E, ao invés de ir para seu quarto, esgueirou-se para o do loiro; entretanto, parou atônito à porta.

— Feliks, e estes trajes...? – perguntou.

Ele estava sentado em frente à penteadeira, trajando um vestido cor-de-vinho de veludo e seda, com bordados dourados e uma tiara na cabeça.

— Emprestei da marquesa escondido. Ora, não te aprazem...? – Feliks virou fazendo uma expressão dramática.

— Não és mulher... – Toris se aproximou dele, sem pensar, como se quisesse se certificar de que não era uma alucinação. – Por que... te enfeitas com isto e... tens carmim nos lábios?

— Que mal há? – ele levantou e girou, fazendo a barra do vestido rodopiar. Olhando assim, ele realmente se assemelhava a uma mulher.

— É profanação...

— Então... delatar-me-ás? – o loiro parou e se aproximou do maior, sorrindo provocante. – Creio que se fizeres deste o caso, delatarias a ti mesmo por pederastia e sodomia?

Toris tentou se afastar um pouco, mas suas pernas não permitiram. Estava tão preso no olhar de Feliks, que parecia hipnotizado. Mal se percebeu sendo acuado até a cama.

— Não me desejais... – ele fez uma expressão amuada. – Lastimo.

— Já não é heresia o suficiente deitar contigo consciente de que és homem e eu também o sou? Não peques mais e não faças este gajo se afundar mais ainda na perdição...

— Vieste aqui a teu bel-prazer e ainda... teu medo sobrepõe tua bravura...? Não me amas... então deixa-me em paz... – ele virou o rosto.

— Que dizes? Sabes que... tal asserção é uma falácia... Não te amar... – Toris murmurou, angustiado. – Contudo... toda chance em que me tomas, a culpa me acomete por completo.

— Pois livres teu coração de todos os pesares, Toris. – de repente, Feliks voltou a sorrir e pegou a mão do mais alto. – Deus há de nos perdoar por nossos sentimentos...

— Crês em tuas palavras?

— Se não as cresse, não as diria. Anda, recosta-te.

O loiro o compeliu com delicadeza para deitar na cama e Toris apenas deixou, porque... como haveria de não deixar? Quando estavam a sós e sem a pressão de realizarem alguma missão para o rei, ele era outra pessoa. Era uma pessoa que apenas Toris conhecia, porque o moreno era o único em quem o loiro confiava o bastante para tal. Ele sorria e era tão doce, tão Feliks, tão seu e o próprio Toris era tão dele.

Na penumbra do quarto, observou-o levantar a saia do vestido junto com as anáguas e subir no colchão com os pés descalços se postando um de cada lado de seu corpo. Aceitou a culpa cristã que era sua companheira fiel de todos os dias. Como poderia resistir a ele? Como poderia resistir àqueles olhos que pareciam querer arrancar de dentro de sua alma seus desejos mais devassos?

— Não pondera, Toris, sinta. Sinta-me. – ele sentou, sendo rodeado por um mar de tecido cor de vinho, e se inclinou para beijá-lo. De algum modo, logo ele estava entre as pernas do maior, depois de livrá-lo de sua túnica, suas calças, suas ceroulas, deixando-o completamente sem roupas. Então o loiro também tirou as ceroulas. Apenas isto.

— Dispa-se também... Feliks.

— Não. – ele sorriu de cima, afastando as pernas de Toris. – Penso qual será a sensação de ser tomado por uma mulher...

— Não diga asneiras...

— Não são asneiras. Usa tua inventividade... – ele pegou as mãos de Toris e as levou ao seu peito liso. – Imagina que cá há seios... Hm? Que tal?

— Se és uma mulher... Deixa-me tomar teu corpo. Ao menos uma vez. – o moreno arriscou.

Feliks riu, zombeteiro.

— Cala-te, Toris. Tens de aprender quem é o teu senhor.

Notas finais
Si Deus nobiscum quis contra nos: se Deus está conosco, quem estará contra nós? [Era o lema da República das Duas Nações] —____________________________ Ufa. Caraca, que capítulo imenso. Ainda estão por aqui? Sinto que perdi todas as minhas leitoras com o combo de hiatus + capítulo estranho... Mas eu gostei de escrever, apesar de o Rússia não aparecer e de eu ter que ter escrito sobre o Polônia xD Eu já devo ter dito que não gosto dele com o Liet, né? xD É só estudar um pouco da história da Lituânia pra ver que ela não têm motivo pra ter uma boa relação com a Polônia hoje em dia. Uma vez eu conversei com uma polonesa e ela me disse que os lituanos odeiam os poloneses (se bem que eles não parecem gostar de quase ninguém ‘-‘). Mas enfim, vamos às notas cavernosas. Notas: [Linguagem] A linguagem afrescalhada é meramente capricho da autora, porque ela achou que combinaria com o ar medieval da parada. Desculpa se ficou difícil de ler T-T [Volans e Krainarius] São dois feudos que nunca existiram mesmo (Volans é até o nome de uma constelação). Os nomes eu tirei de um joguinho medieval que eu jogo T-T Apesar de que já era a Idade Moderna (entenderás na próxima parte das notas), os feudos de verdade ainda existiam em meados do século XIX. Por exemplo, nos primeiras décadas de 1800, os últimos feudos do Sacro Império Romano-Germânico estavam dizendo adeus à luz do dia. [União Polaco-Lituana] A história da União Polaco-Lituana (na minha) cabeça, se divide em três e aconteceu bem na transição da Idade Média (feudalismo!!) pra Idade Moderna (primórdios da sociedade capitalista). Aqui, eu retratei a segunda parte e vou retratar as outras no próximo capítulo. A primeira vai de meados do século XIV a meados do século XVI e foi marcada por uma série de acordos entre os dois países (note que na época não se usava esse termo “países” porque essa noção de Estado só foi consolidada na Idade Moderna; a Polônia e a Lituânia eram só regiões, por isso eu não vou usar termos como “lituano” e “polonês”. Em 1569, aconteceu a união de fato das duas (agora) nações na República das Duas Nações. A segunda parte, da segunda metade do século XVI (1569, mais especificamente) até o meio do século XVII, foi a era dourada da República, que foi o que eu precariamente retratei aqui. A terceira parte foi da metade final do século XVII ao fim do século XVIII (1791, pra ser exata), em que os polaco-lituanos começaram a levar porrada de todo mundo nos entornos. Ah, depois do primeiro acordo da União, o cargo de rei da Polônia e de grão-duque da Lituânia passaram a ser de uma só pessoa. Assim como Dom Pedro I foi nosso imperador e rei de Portugal numa época do Reinado I. [Cavaleiros, nobres e torneios] Em muitos locais, apenas os nobres podiam se tornar cavaleiros. Na sociedade medieval, só o primeiro filho herdava as terras do pai, então os outros geralmente entravam pra igreja ou viravam cavaleiros. Como eles ficavam zanzando por aí e não tinham muito que fazer da vida, a diversão deles era inventar historinhas pra contar quando chegassem em algum outro feudo; por isso existem muitas lendas de grifos, dragões e seres fantásticos que datam da Idade Média. Outra diversão eram os torneios, que eram bem parecidos com o que eu descrevi; alguns tinham essa história de exigir patentes de nobreza (que eu não achei o termo certo, desculpa. Em inglês, eles se chamam “patentes of nobility”, mas não sei se tem equivalente em português). Outra questão sobre os cavaleiros é que eles começam a treinar aos 7 anos, viram escudeiros aos 14 e se “formam” como cavaleiros aos 21. Com o Toris e o Feliks foi diferente porque o tempo pra ninguém nessa fic passa como passa pra nós. Todo mundo nasceu na Idade Média e é jovem na Idade Contemporânea /tiro 8D hahahaha Se eu esqueci algo, boto nas notas do outro capítulo. Tô com sono T-T Nem creio que terminei TOT Queria descrever mais, mas ia dar uma nova fic só sobre a União Polaco-Lituana se eu escrevesse tudo o que eu queria T-T Comentem, por favor.