Dotyanutsya do Tebya

6 Parte V: Волко́в боя́ться, в лес не ходи́ть – Volkov boyat'sa, v les ne khodit


Notas iniciais
I'm back, devochki e malchiki, se tiver algum guri por aí xD Muito obrigada pelos comentários, people do meu kokoro ♥ e... pessoas novas *u* Oláááá S2 Ah, eu não sei se disse antes, mas essa fic tem um panorama histórico forte. A trama central nem taaaanto, mas a base é mesmo a história da Rússia e da URSS desde o começo e vai ficar mais evidente nos próximos capítulos (acho). Se tu não entenderes muito de história, não faz mal, não afeta muito a compreensão xD Outra coisa. Eu não tinha notado, mas na página principal da fic diz que umas 9 pessoas acompanham, mas no meu negócio [?] de gerenciamento diz que são 16 lol Ah, rapaz... eu não tinha notado também o número de visualizações G_G é um número bonito... mas quando eu fui olhar o gráfico, eu vi que, das pessoas que visualizaram no dia da nota, menos da metade continuou a ler dsokpodskposdk quem manda não escrever uma fic feliz de UsUk, né? Infelizmente eu gosto do Rússia e de sangue G_G /hein? Okay, desisti de não falar muito, mas vamos ao que interessa...

Era tarde quando a nevasca que caía sobre Moscou deu indícios de que cessaria. Toris abraçou as sacolas de papel que trazia do mercado, torcendo para que reativassem os trens de uma vez porque gostaria de voltar logo. Estava congelando ali no banco da estação, por mais empacotado que estivesse. Seu nariz já estava insensível. Olhou para a direita e viu Raivis encolhido contra o braço de Eduard, ambos com as bochechas e a ponta do Nariz tão corados quanto o lituano acreditava estar. Estava até começando a ficar com medo de que o menor tivesse uma crise de hipotermia ali, porque ele tinha uma expressão muito sofrida no rosto, enquanto abraçava suas sacolas com força.

Sem pensar muito, deu a ele seu cachecol. O letão abriu os olhos e tentou dizer algo, mas não conseguiu porque seus dentes batiam demais, então apenas aceitou o que lhe era oferecido. Sorriu para ele, quase se arrependendo um pouco, porque começou a tremer também, mas se conformou com isso. Era adulto e sobreviveria. Os três bálticos haviam saído no início da tarde para comprar os ingredientes para as refeições do outro dia, por causa de uma nevasca anunciada para a manhã seguinte. A mesma, entretanto, decidira cair mais cedo e os prendera por cinco horas na estação, junto a milhares de pessoas que esperavam o trem ou simplesmente estavam por perto e precisavam de um lugar para se proteger.

Toris deixou seu olhar vagar pelo átrio até parar em duas crianças que brigavam um pouco mais adiante. Olhou em volta, até ver duas senhoras robustas com ares de proletariado sentadas próximas a eles. Ambas observavam, apáticas, os dois garotos que se engalfinhavam, até um de cabelos castanhos e olhos muito azuis empurrar o outro e ir correndo em direção às duas, agitando algo na mão esquerda.

Mamochka, mamochka. O Zhenya quebrou meu brinquedo!

– Mentira, tia Aleksandra. – o outro, que tinha os cabelos bem clarinhos, veio correndo atrás depois de se levantar aos tropeços. – É meu! Eu achei!

Então os dois começaram a gritar e se bater novamente até que uma delas, a quem eles se dirigiram, puxou o que parecia ser seu filho pelo braço e o afastou do outro, tomando o carrinho velho e quebrado de sua mão.

– Já chega, Dmitri. Vão arrumar outra coisa pra brincar! – empurrou-o para longe.

– Mas, tia... – o outro começou a protestar.

– Vão logo. – exclamou a outra mulher. – E não corram perto dos trilhos! Vão!

Eles foram, amuados, se olhando feio, porém, pouco tempo depois encontraram outras crianças e começaram a brincar de chutar uma ficha que encontraram em algum canto. Não demoraram muito a começarem a rir juntos, um para o outro. O próprio Toris teve vontade de rir disso. Como crianças esqueciam as rixas rápido.

– Olha só... E tem gente que briga por causa de moleques. Imagina se nós duas brigássemos por isso... – ela balançou o carrinho, ainda observando os dois garotos.

– Nós brigamos e ficamos sem nos falar pra sempre, enquanto eles, em quinze minutos, nem lembram mais que estavam se socando antes.

– Crianças são crianças...

E... por que isso lhe deu um sentimento de déjà vu?

Apenas conseguiram chegar quando já estava muito escuro. Organizaram as compras de qualquer jeito na despensa e foram para seus respectivos lados. Tudo o que Toris queria era poder se aquecer. Se bem que logo iria se aquecer mesmo... Através da janela de seu quarto, Toris observou Raivis e Eduard, que andavam empacotados pelo jardim cheio de neve em direção à entrada da casa. Eles haviam saído por algum tempo e agora voltavam, fazendo idiotices de namorados, como jogar neve um no outro, rir e tocar as mãos de leve para então olharem em volta e trocarem um beijo rápido no escuro da noite.

O lituano suspirou, fechando as cortinas e então olhando o relógio. Ivan o havia chamado ao sótão à meia noite e ainda faltavam alguns minutos. Notou, quase com um riso desesperado, que não tinha mais tanto medo. O motivo era por que já sabia exatamente o que esperar. E Ivan não era mais tão ruim consigo. Não lhe batia havia meses, desde que fugira. Aos outros, ele ainda castigava e batia quando lhe contrariavam, como sempre, mas não ficava mais tão bêbado a ponto de perder o controle. Pelo menos, Toris podia sobreviver assim. Qualquer pouca coisa era muita coisa para alguém que só conhecia a dor.

À meia noite, rumou silenciosamente para as escadas do sótão, ao encontro do russo. Uma luz fraca escapava pelo espaço entre a porta e o chão. Toris bateu na porta, recebendo permissão para entrar. O recém-chegado deixou escapar uma pequena exclamação de surpresa ao ver que sobre o tapete havia uma caminha improvisada com edredons e travesseiros sobre um dos tapetes. Geralmente era de qualquer jeito e em qualquer lugar. Foi tomado por uma sensação estranha ao ver aquela cena.

As sombras geradas por uma lamparina sobre a mesa apenas o deixaram menos consciente do frio e mais consciente de si e de Ivan se aproximando devagar, até parar próximo o suficiente para fazer as roupas de Toris deslizarem pelos ombros e pelas penas magras, antes de conduzi-lo até o emaranhado de seda vermelha sobre o chão. (N/A: Socialista hoje, socialista amanhã, socialista até nessas horas hue 8D gomenasai mesmo, ima autora wa cometer harakiri.)

Deitaram-se, e Ivan imediatamente subiu sobre seu corpo, beijando-o. Um beijo forte, molhado, ruidoso e, acima de tudo, demorado, como se não tocasse Toris havia muito tempo. Foi um beijo com um gosto estranho de desejo genuíno. A língua dele invadiu a boca do menor, explorando, brincando com a sua; o moreno até correspondeu timidamente, mas a esta altura, ambos estavam a ponto de sufocar.

– Eu... não vou... fugir... Sr. Ivan... – ofegou quando se afastaram para respirar; teve medo de que ele acabasse quebrando suas costelas outra vez na agonia. – Acame-se.

– É... que eu senti... sua falta... Toris... – ele admitiu, enquanto enterrava o rosto no pescoço do rapaz sob seu corpo, chupando e mordendo o local.

– Mas... nós fizemos... hoje de manhã... no seu escritório... Não lembra?

– Sim, mas... eu quero você o tempo todo. Eu preciso de você o tempo todo.

O rosto de Toris ficou impossivelmente rubro. Como ele jogava uma dessas com uma expressão tão séria e olhando-o nos olhos ainda por cima? Como? Como ele conseguia? Será que ele não se lembrava das coisas que fazia? Ou ele era mesmo como aquelas crianças que vira na estação? O que será que se passava por aquela mente? Mas, e se... se deixasse levar? Só um pouco... E se... apenas hoje... E se apenas esta noite, eu fingir que não odeio tudo? Lutar era cansativo, então havia parado. Mas aceitar e deixar que ele fizesse o que queria, não era muito melhor. E, sinceramente, se tivesse que tentar entender, resistir ou simplesmente esperar que acabasse travar aquela luta silenciosa consigo mesmo mais vezes — , tentaria tomar veneno pela terceira vez na vida. Será que eu consigo fingir que há nem que seja um pouco de amor nisso?, pensou, desesperado. Se ele for como aquelas crianças, ele não vai querer me machucar.

Àquela altura, a boca do russo estava intercalando entre um mamilo e outro, enquanto o arranhava onde alcançava e puxava seu cabelo de leve. Toris se decidiu e o afastou delicadamente para terminar de tirar suas próprias roupas. Ficou de joelhos sobre o colchão, com as pernas dele entre as suas, quase completamente nu em frente ao outro. Assim, devagar, o lituano pôde pensar com calma e corar um pouco ao ter o corpo exposto e analisado como estava sendo. O olhar de Ivan era mesmo como o de uma criança que descobria um mundo novo e isso desconsertou ao lituano, então preferiu não olhar para ele, enquanto abria as calças verde-escuras que ele usava e ia abaixando-a junto à roupa íntima.

Ivan estendeu a mão e passou os dedos pelas curvas do peito, do abdômen, da cintura, pelas cicatrizes que Toris vinha acumulando ao longo de seus poucos anos, que lhe valiam como séculos. Então ele se inclinou e colou os lábios naquela pele, beijando, lambendo, mordiscando, deixando marcas que permaneceriam por dias junto às de outras vezes. O moreno sentiu-se arrepiar, mesmo que o que começasse a sentir fosse calor. O russo já mostrava sinais de excitação, e isso apenas fez Toris suspirar resignado, quando sentou no colo dele.

Acariciou o sexo alheio com uma mão, enquanto a outra parou no meio do peito dele, mantendo-o a certa distância. Ainda assim, ele o puxou para perto, e Toris apenas soltou um gemido de surpresa, sentindo uma pontada de dor quando o tórax colidiu com o dele. Arrepios de nojo atravessaram seu corpo, mais de si mesmo que qualquer coisa, porque estava se vendendo por proteção. Já havia sido um guerreiro forte um dia, porém agora envergonharia seu eu do passado. Ridículo, Toris, sua vadia...

Ivan, sem saber, calou aquela voz com um beijo cheio de língua e vontade, surpreendendo ao lituano. Não que Ivan não soubesse beijar e sabia mas aquele foi o beijo mais intenso, forte e menos desesperado entre eles; quase fez Toris esquecer que o odiava, porque, além disso, uma mão dele começou a acariciar sua cabeça, mesmo que de um modo meio indelicado. Era o jeito dele.

Carinho... Nem lembrava mais qual era a sensação disso. O pré-gozo começou a escorrer por entre os dedos do moreno, enquanto ele sentia que o russo ficava mais ereto. Seu corpo respondia também, traindo sua raiva de anos, e o som da traição saía por sua garganta em forma de arquejos lânguidos. A outra mão de Ivan, que estava em seu quadril, foi parar em seu membro, fazendo o mesmo que Toris fazia. Acariciando, provocando.

– Ah! – separou os lábios dos dele com a surpresa, então o olhou.

– Você gosta? – o mais velho sorria, quase travesso.

– Hn... Sr. Ivan...

– Gosta?

Beijou-o novamente para não ter que responder; usou a língua na tentativa de travar uma singela luta com a dele, porque apenas nisso poderia lutar como igual. Esfregou o quadril no dele, aproveitando para levar uma de suas mãos ao meio de suas próprias nádegas por trás; aproveitou também que estava com os dedos sujos com o líquido seminal e fez seu dedo deslizar para dentro, no intuito de se preparar para a invasão que viria.

Estava estranhamente relaxado (ou conformado, seria melhor) e isso facilitou o processo. Logo, tocou a mão grande do russo, afastando-a de sua ereção e subiu um pouco o corpo para poder ficar na direção certa. Ivan ajudou, segurando seu membro pela base, quando Toris afastou as nádegas. Começou a deslizar para baixo, sentindo a invasão, mas consideravelmente menos que de costume. Podia suportar. Vadia, vadia, vadia... Segurou os ombros de Ivan, em busca de apoio e ouviu em sua mente por um instante fugaz, antes de seus pensamentos começarem a ficar desconexos: quem diria que você iria usar o que aprendeu com o homem que amava pra satisfazer a um que você odeia... Tudo por que você virou uma vadia covarde... Uma puta...

Desceu o corpo com tudo, deixando escapar um gemido profundo e abafado por seus lábios trancados, mal ouvindo o gemido solto de Ivan. Não queria saber, então não se deu tempo para se acostumar porque não queria dar margem àqueles pensamentos. Seu autoflagelamento viria depois, quando estivesse só. Por isso, começou a se movimentar contra o corpo do outro, enquanto ele se movimentava em direção ao seu, gemendo alto com cada impacto.

As mãos de Ivan nunca deixaram de passear por seu corpo, explorando, experimentando todos os lugares, numa tentativa inconsciente de conhecer seus pontos sensíveis. Eram mãos frias, que contrastavam com o calor da pele do menor, fazendo-o tremer e se arrepiar mais ainda. Nem percebia como não conseguia olhá-lo nos olhos. Tinha medo de se ver refletido ali, tão sujo e covarde como se sentia.

– Sr... Ivan...

Abriu mais as pernas, inclinando o corpo para trás, sentindo-o entrar mais fundo. Tão fundo como nunca. Preenchendo-o. Arrancando palavras incoerentes de seus lábios. Ele alcançou aquele lugar que mesmo que sempre alcançasse, nem sempre conseguia estimular, mas, naquela vez, Toris sentiu rápido e apenas isso quase o fez chegar ao seu clímax. Juntou um pouco de coragem e o encarou quando ele colocou uma mecha de seu cabelo comprido atrás da orelha. Ele sorriu, com a respiração entrecortada.

Monstros sorriam de verdade? Que engraçado...

Levantou do colo do outro rapaz, ouvindo um protesto, mas logo sentou de costas, recomeçado o processo de sobe e desce e vai e vem. Mesmo que as pernas doessem e estivessem ficando fracas, não parou. Queria se acabar, destruir a si mesmo... Ouviu seu nome na boca do outro, junto com a sensação de uma mão em sua ereção e a outra puxando seu cabelo para que ele pudesse alcançar sua boca. A pressão da falta do fôlego doía em seu peito e ela apenas aumentou, quando enfim a familiar sensação de aperto no estômago chegou. Deixou seu corpo se levar; entregou-se totalmente.

– Sr. Ivan... eu... vou... Ahn... Eu posso?

– Não... precisa... pedir isso.

Mal o ouviu e enterrou os calcanhares no colchão quando seu orgasmo veio e arrebatou sua consciência. Ivan precisou segurá-lo pela cintura para que permanecesse onde estava até que alcançou o clímax também, preenchendo o interior de Toris com seu sêmen.

O lituano deixou o corpo desabar na cama, ao lado do corpo do russo, que virou o rosto para olhá-lo. Ele estava suado, vermelho e feliz, como não se lembrava de já tê-lo visto. Imaginou se o coração dele batia acelerado como o seu. A julgar pela respiração, a resposta era sim. Bem, não importava. O moreno fechou os olhos, pronto para se deixar envolver pelo poder de Orfeu e esperava que ele viesse logo porque não queria pensar no que havia acabado de fazer. Mas sua paz não viria cedo. Sentiu as mãos de Ivan alcançarem suas coxas, afastando-as para se postar entre elas. Como tinha que ser, ele não sabia o que era não assumir o controle mais cedo ou mais tarde. E não o deixou dormir durante toda a noite.



Toris chegou a se sentir mal uma ou duas vezes, após a resolução de fingir que gostava do que lhe acontecia. Por um tempo, ainda ouviu aquela voz em sua mente o acusando de coisas terríveis e imaginou como os outros 13 habitantes daquela casa reagiriam se soubessem. Será que o chamariam de traidor? Não que importasse, porque, de um modo ou de outro, a maioria se virava para salvar sua pele, como os que faziam as rondas na propriedade, dedurando quem tentasse fugir. Mas, aos poucos, parou de se importar com qualquer dessas coisas. Afinal, o que fazia não machucava ninguém além de si mesmo. Entretanto, por mais que não quisesse deixar a chama em seu peito apagar, estava realmente ficando cansado de sentir.

Foi então que, em um dos dias monocromáticos e cheios de neve que se seguiram na vida de Toris, algo mais estranho que o normal aconteceu: Ivan o encontrou varrendo as folhas secas do quintal sozinho e o puxou para as brenhas das árvores, ignorando um “não, por favor” que acabou escapando como não acontecia havia algum tempo. Nada de diferente do usual, não fosse a felicidade em seu rosto — o que fez Toris estranhar um pouco. Ele encostou o mais novo contra uma árvore, beijando-o longa e desesperadamente. Desta vez, havia uma urgência, praticamente uma necessidade, de algo que Toris não entendeu e foi isso que fez o russo quase arrebentar os botões de sua roupa na agonia de tirá-las de uma vez.

– A-aqui? – gaguejou, surpreso, arregalando os olhos um pouco e sentindo calor na face ao olhar em volta, inconscientemente, como se esperasse encontrar alguém no meio da floresta, observando-os.

Fitou o rosto dele, desesperado, porém até se esqueceu disso momentaneamente. Era a primeira vez que o via fazia algum tempo porque ele andava trabalhando até não poder mais. Ivan estava um pouco pálido e havia olheiras sob as orbes violáceas. Fazia tempo que não o via abatido assim. Mas ele ainda tinha olhos brilhantes. E Toris achava que nunca conheceria homem tão estranho quanto Feliks, mas Ivan o superava não como homem, mas como ser humano.

– Ninguém vai ver. – murmurou o russo, abrindo o zíper das calças de Toris, mas não as abaixou; apenas parou, olhando-o nos olhos verdes, com o corpo vestido colado ao do lituano, cujo tórax dolorido e inquieto pela respiração acelerada estava exposto ao ar frio de Moscou. De algum modo, o contato de sua pele com a roupa de Ivan o deixou arrepiado. – Ti takoi krasivyi, Toris. Sabia?

– Qu...?

Havia ouvido direito? Havia entendido direito? Entendia bem russo pelos anos naquela casa; apenas não conseguiu crer em seus ouvidos. Era um... elogio? Ele não estava bêbado... Se bem que quando estava bêbado, ele batia. Então, o que era aquilo?

– Eu gosto de tocar seu cabelo... – os dedos dele mergulharam nos fios castanhos compridos e Toris mal conteve um arrepio pela surpresa e pelo costume de sentir medo daquele toque. – Gosto de como você é calmo... e como sempre foi paciente com todo mundo... Gosto do seu cheiro... – ele aproximou o nariz do pescoço do menor, que quase entrou em pânico porque estava realmente ouvindo aquelas palavras. – Gosto do seu sorriso, porque é especial como... sentir o sol do verão em Leningrado depois de uma noite fria na Sibéria... Quando vejo, sinto uma coisa quente e engraçada bem aqui. – ele pôs a mão de Toris em seu peito. – É uma coisa boa. Só não sei o que é...

– O... o que você tem hoje? – murmurou muito baixo, tanto que ele não ouviu.

Será que ele estava doente e delirando? Tocou discretamente o braço dele, mas a temperatura parecia normal. Então sentiu o rosto esquentar novamente e encarou o chão. Nunca havia sido elogiado na vida. Nunca mesmo. Nem quando vivia com Feliks. Ouvir algo assim, então, mesmo que fosse do kolkhoz maldito... mexeu com algo dentro de si... Espera... desse jeito estou baixando a guarda... Não posso me deixar levar e confiar nele... Pôs as mãos no peito dele e virou o rosto.

– Eu... machuquei você agora?

Toris levantou o olhar para ele, tentando entender que raios se passava naquela cabeça. Chega de me deixar confuso, por favor! Eu não sei nem o que pensar... Mas sua resposta foi apenas um:

– N-não... – respondeu. – Não machucou.

Ivan simplesmente sorriu de leve ao ouvir isso, continuando a despi-lo das calças.

Estava frio, absurdamente frio. Toris começou a tremer quando ele tirou um lado de seu sapato para livrá-lo de suas calças de vez, obrigando-o a pisar na neve congelante. Mal sentiu quando o casaco bege de Ivan estava em volta de seu corpo. Já havia parado de se importar e de sentir culpa, mas o nojo, que nunca ia embora, estava ali, arranhando-o por dentro como sempre. Porém, aquele “algo diferente” em Ivan não era sua imaginação... talvez tenha sido a mudança nos fatores habituais da situação, mas Toris sentiu-se tão instável que este "algo" fez o nojo amainar um pouco.

Lembrava-se de ter tido os lábios tomados novamente e de ter cerrado as mãos, que haviam permanecido no peito dele, mas qualquer ordem de empurrar se perdeu no caminho do cérebro aos dedos. O russo começou a tremer bem sutilmente quando baixou as próprias calças no meio da floresta, então, na tentativa inconsciente de abrigá-lo do frio, os braços de Toris o envolveram, pela primeira vez. E ele nem quis pensar sobre isso.

Ivan forçou o mais novo contra a árvore, puxando as pernas dele para sua cintura de modo que seus pés não tocavam mais o gelo e seu único apoio era o tronco da árvore. E ele, Toris, não entendeu por que o maior, apesar de praticamente tê-lo arrastado até ali e praticamente ter rasgado suas roupas, não estava sendo bruto como era quando assumia o controle. Pela primeira vez. E foi realmente, um dia de primeiras vezes, mas o lituano preferiu não pensar muito, porque foi a primeira vez que, mesmo que pouco, sentiu algo diferente das coisas ruins de sempre. E isso parecia péssimo.

Assim, Toris Lorinaitis realmente preferiu ignorar como passou a sentir o corpo todo febril de vergonha e... outra coisa, a qual não sabia nominar, nas vezes posteriores em que foi de Ivan. Preferiu não formar opinião sobre como o russo gradativamente começou a atender quando pedia para que fosse mais devagar, ou que até começou a querer que ele fosse mais rápido às vezes, mesmo que doesse um pouco, e como não se importou que, mesmo que ele passasse o dia todo trabalhando, a frequência da procura houvesse aumentado nas brechas da agenda dele, e em lugares cada vez mais estranhos.

Realmente preferiu deixar estar.

Notas finais
Volkov boyat'as, v les ne khodit: se você teme os lobos, não entre na floresta. Mamochka/mama: são dois modos de dizer mãe; mamochka é mais infantil. Ti takoi krasivyi: você é tão bonito. _____________________ Ai, ai, Toris... Vê lá no que tu tá te metendo, guri... cuidado com o lobo. E... dessa vez, não teve porrada e gente sangrando dsopkdspokd 8D victory, aaaaw yiss o/ Agora a parte mais legal :D ou não -q Sobre o tomar veneno pela terceira vez, é porque a Lituânia é o país que mais registra suicídio no mundo. Os outros da lista dos 10 são, em grande parte, ex-socialistas. Mas, você aí, capitalista, não pense que é porque o socialismo não presta e por isso levou todos eles a um caos social. O marxismo é lindo na teoria. Acontece que os líderes capitalistas, junto ao infortúnio que foi a morte do Lenin logo depois que os bolcheviques assumiram o poder da Rússia, mais um “socialista” genocida filho de uma vaca chamado Stalin, mais um (desculpa, mas é verdade) covarde chamado Trotski destruíram toda e qualquer possibilidade de se executar o marxismo como se deveria, então o mundo só conheceu um socialismo torto e nunca conheceu de fato essa coisa linda que é o estágio final do marxismo – o comunismo. /marxista revoltada mode off Sobre o Liet ter sido um guerreiro forte é por que, não é o foco da história que se estuda na escola, mas por volta dos séculos XIV a XVI, a Lituânia junto com a Polônia na união Polaco-Lituana, formavam um dos impérios mais poderosos do mundo, tanto que eles até invadiram a Rússia e tal. Na casa do Rússia tem mais 13 habitantes, porque a URSS era formada por 15 países, contando com a Rússia e a Lituânia. (Na verdade, foram 15 quando ela se separou, porque quando a URSS foi formada, eram 11; um dos países, a Federação da Transcaucásia, foi dividida e faz parte de 5 países hoje). Leningrado é a atual St. Petersburgo que mudou de nome durante a existência da URSS. Tia Jules é cultura, my povo /shot Agora... amo comentários, okay? /partiu e.e