Dotyanutsya do Tebya

7 Parte VI: Visi skauda


Notas iniciais
Enfim, cá estamos nós com a parte seis. Eu achei que o último capítulo que eu postei tinha sido a parte seis, aí fiquei feliz quando me disseram que foi a cinco. Um a mais até o fim... Odeio finais, só pra constar e_e

– Feliks! Feliks! Levante-se!

Toris gritava enquanto era puxado por Ivan para fora da casa que dividia com o polonês. Este estava caído no chão, de bruços, e nem mesmo se movia. E o lituano não sabia se ficava mais preocupado com o motivo por que ele não levantava ou com o fato de que nunca descobriria, já que estava sendo levado embora, certamente, para sempre. Sabia que não eram mais fortes e que as coisas não eram mais exatamente as mesmas entre os dois, mas queria acreditar e queria lutar, queria que Feliks lutasse também. Pelo amor que sabia que ainda tinham, precisavam lutar.

– Levante!

Então, o loiro finalmente ergueu a cabeça. Ele parecia zonzo, a princípio, e Toris imaginou ter visto algo como decepção, nos olhos dele. Mas ele finalmente o focalizou... e riu. Simplesmente riu na sua cara.

– Toris... Toris, você totalmente tinha que ver sua cara agora. Tá, tipo, muito engraçada. – e riu mais ainda, apoiando o queixo nas mãos e balançando os pés.

– Você vai me deixar ir assim? – inquiriu, batalhando contra a mágoa que surgia em seu peito. Sabia que Feliks era um tanto despreocupado, mas não imaginava que chegava àquela altura. Sentiu-se enganado e traído. Era como se todo o tempo que passaram juntos não significasse nada.

Ele deu de ombros, resignado. E deu um sorrisinho mais resignado ainda.

– Esqueça-o. Ele não se importa com você. – ouviu Ivan dizer sem se virar.

– Não é verdade... FELIKS! Venha me ajudar!

Mas o outro rolou sobre as costas no chão, ainda vendo-o partir e seus gritos foram morrendo na distância, junto com seu coração, a cada passo que dava.

– Toris... Toris... Toris...

O lituano abriu os olhos de repente e teria tido uma vertigem se não estivesse deitado. Ah, já faz tanto tempo. Por que ainda me dou ao trabalho de lembrar?, pensou, lentamente, deitado de bruços no chão do sótão. Ainda estava escuro do lado de fora, o combustível da lamparina ainda não havia acabado. Não devia ter dormido por muito tempo. Mas a questão era aquele sonho... Realmente não tinha motivo para desenterrar algo antigo assim.

– Você tava tendo um pesadelo?

– Acho que sim... – gemeu, fitando o rapaz que o acordara.

– Com o quê?

– Hn... Não lembro... – mentiu, sorrindo de leve. – É, não me lembro de nada.

Ficaram em silêncio por vários e vários minutos e mesmo que Toris tivesse fechado os olhos, sabia que estava sendo observado. Quando ele não dorme logo, só fica me encarando... Isso é tão estranho. Eu só queria ir embora e dormir na minha cama... Por que ele me faz ficar aqui, mas nunca diz, nem faz nada? Se fosse o Feliks, já teria me agarrado. O Sr. Ivan não é muito de contato físico quando não estamos... fazendo nada... mas mesmo assim, não me deixa ir embora… Não entendo isso.

Quando vivia com o polonês, sempre que acabavam, o rapaz deitava entre seus braços, com a cabeça em seu peito e geralmente ficava assim até acordarem de manhã. Já Ivan era o extremo oposto. E o moreno odiava admitir que passara a se sentir tão estranho com relação a isto. Estava confuso e já nem tinha mais defesas depois de tanto tempo desde que a relação física que tinham deixara de ser não-consensual. No fim, estava mesmo comparando o que “tinha” com Ivan com o que tivera com Feliks? Afundou o rosto no travesseiro, lembrando-se das coisas que fizera na outra noite, de como vinha agindo como uma verdadeira vadia para não sentir mais dor. Era só por isso mesmo?

Você não vale nada, Toris...

Para de falar essas coisas na minha cabeça, Feliks... Eu não ouço mais você.

Mas não sou eu. É você mesmo, besta.

– Toris? – Ivan puxou de leve o rabinho de cavalo agora quase desfeito em que o outro prendera o cabelo que ficava entrando na própria boca ou pregando em sua bochecha durante a noite; rabinho este que havia sobrevivido bravamente às intempéries. – Eu fiz isso em você?

O lituano sentiu um arrepio quando a mão grande e fria dele pousou em sua cabeça; então os dedos desceram e deslizaram pela extensão de uma das cicatrizes que tinha nas costas. Nem lembrava mais o motivo por que as ganhara, mas lembrava que fora algo bobo. Ivan estava tão bêbado naquele dia que não poupou forças para lhe punir. Disto recordava e era uma memória horrível, mas a existência daquelas cicatrizes já nem lhe vinha à mente. Apenas às vezes sentia a pele repuxar quando fazia algum movimento exagerado com os braços ou então sentia os relevos quando lavava as costas. Não que conseguisse simplesmente se esquecer de toda a dor pela qual já passara ali, mas não podia sofrer por todas as marcas que carregava na pele; não podia ficar remoendo tudo. Seu coração iria parar se o fizesse.

– Faz tempo. Eu nem me lembro mais disso, Sr. Ivan...

Talvez tenha visto-o enrugar a testa, como se ele tivesse se consternado com aquilo. Hah, impossível, Toris. Não sonha... Tentou focalizar o rosto dele, mas se sentia tão cansado que não conseguia. Acho que eu finalmente tô perdendo a razão... E foi com esse pensamento que acabou adormecendo novamente.

———

Na outra manhã, mal conseguia ficar acordado e de pé. Mas, pelo menos, a dor que sentia da base da coluna para baixo o ajudava a manter os olhos abertos. Esta mesma dor, porém, não o permitiu sentar e o fez ficar mais cansado. E assim se seguiu seu círculo vicioso, enquanto fazia os preparativos para o café junto aos outros dois bálticos. Até que lhe jogaram uma bomba repentinamente.

– Toris... onde você dormiu ontem? – perguntou Eduard, enquanto enxugava e organizava numa bandeja as xícaras que havia acabado de lavar. – Aliás, onde você dorme quando não passa a noite no quarto? Finalmente se deu bem com a kolkhoz fêmea?

– N-não é nada disso... Não diga isso, Eduard. – gaguejou o lituano, virando de costas para o fogão onde deixava ferver a água para o chá em uma chaleira. – Eu fico... por aí. Depende da noite – e não era mentira. – , mas geralmente eu não faço nada, só durmo... Na sala, ou na varanda, por exemplo. – e não era verdade.

– Na varanda? Nesse frio desgraçado...?

– Ué. Eduard chamou aquela garota de kolkhoz e você nem chiou... – Raivis arrumava os borschts, pães, frutas e tartes sobre outras duas badejas, sentado em um banco atrás do balcão, enquanto balançava os pés que quase não alcançavam o chão.

– E-eu só desisti de tentar fazer vocês verem que a Natalia não é nada disso que vocês falam...

– Toris, você reparou que nem fala sobre ela faz um tempo? – o estoniano colocou o pano sobre o balcão e cruzou os braços para encarar o moreno. – Foi por isso que eu pensei que você tinha conseguido alguma coisa com ela.

Por que eles tinham que tocar naquele assunto? Por que tinham que falar sobre isso? Por que quando estava tão confuso? Por que não sabia o que dizer? Não falava mais sobre ela mesmo? Bem, claro que não. Tinha tanta coisa na cabeça... Tinha, sim.

– O que isso tem a ver com qualquer coisa, Eduard?

– Nada. Esquece. – ele voltou à sua louca, com um sorrisinho zombeteiro no rosto.

– Bem, eu parei de falar porque vocês sempre falam coisas ruins sobre ela... e eu não gosto de ouvir isso. Mas... vocês estão enganados quando falam o que falam.

– É mesmo?

– Ela não é má... Ela só é um pouco... Ela se empolga quando... Ela...

– Pelo amor de Deus, Toris. Você nem sabe o que dizer... – o estoniano se virou novamente para o lituano, ainda sorrindo, e ele mal notou como era apenas escárnio e estava caindo direitinho na dele.

– Ahn... Hey, Toris... – Raivis interferiu e apontava para o fogão. – Acho que a água tá fervendo demais.

– Ai...

Toris quase derrubou a chaleira quando percebeu que o letão estava certo. A água na chaleira estava fumegando quando retirou o recipiente e o colocou sobre o balcão. Ah, que droga... Fez todo o processo de pôr a água no bule, depois retirou, pôs as ervas e despejou a água com cuidado para deixar em infusão, tudo isso sem trocar mais nenhuma palavra com Eduard sobre Natalia. Quando o chá estava coado e tudo estava em seus devidos lugares, levaram as bandejas para a sala de jantar, em silêncio.

Os outros bálticos apenas deixaram as suas sobre a mesa e partiram o mais rápido possível, relegando para o mais velho o trabalho de arrumar sozinho. Malditos..., pensou o único moreno dos três num tom mais chateado que qualquer coisa, ao invés de enraivecido. Enquanto organizava tudo, Ivan chegou com o sorriso de sempre e sentou-se à cabeceira da mesa. Toris sentiu uma batida agoniada dentro do peito. Apressou-se em terminar o que fazia para poder correr de volta à cozinha de uma vez, porém seus planos foram frustrados.

– Você não quer sentar aqui hoje? – Ivan perguntou como se fosse a coisa mais natural do mundo.

– A-aqui? C-com você? – Toris ainda conseguia se assustar com as ideias dele. – Aa-ah, eu sou apenas um servo, Sr. Ivan. Não devo... Ah, tudo bem.

Ele ainda tinha um sorriso estranho no rosto. E o lituano não soube se era um pedido ou uma ordem, então, por via das dúvidas, acatou, sentando-se próximo ao russo.

– Sente-se lá do outro lado.

– Mas... sr. Ivan...

– Senta do outro lado.

Levantou-se, sentindo-se tremer um pouco, e sentou do outro lado da longa mesa. Não entendo você, sr. Ivan... Mesmo. Entretanto, finalmente as coisas estavam relativamente calmas nos últimos tempos e não seria Toris quem o irritaria a troco de nada. Apenas esperou que ninguém entrasse ali, porque não queria mal-entendidos. Mal-entendidos... bem, isso não seria verdade, dependendo de como você vê nossa situação, mas... Interrompeu o próprio pensamento balançando a cabeça, enfim servindo-se de chá e pão de centeio com manteiga e salsicha.

– Nossa, como esse chá tá quente... – o loiro comentou encarando sua xícara de onde ainda saía vapor.

– Hm... perdão, eu deixei a água ferver muito...

Foi quando a porta se abriu e Natalia entrou, seguida de perto por Yekaterina. A bielorrussa arrumava o avental de cabeça baixa, por esse motivo não viu a cena de primeira, mas quando percebeu Toris ali, parou atônita imediatamente.

– O-o que... – ela gaguejou, incrédula. – O que esse kakashka faz no meu lugar?

– Natalia...

Ela parecia estar vendo tudo vermelho. Um rubor de raiva lhe subiu pelas bochechas enquanto olhava de Ivan a Toris, furiosa. Deu alguns passos em direção à mesa, enquanto Yekaterina permanecia parada à porta, sem entender nada.

– O que ele faz aí?

Eu disse pra ele sentar... – o russo começou a responder, porém foi interrompido.

– No meu lugar? Como você se atreveu, brat?!

– Sente em outro lugar, querida. – tentou apaziguar a ucraniana, esticando a mão para tocar o ombro da irmã adotiva. – Todos os outros assentos estão vagos...

– Mas esse é o meu lugar! – a mais nova deu um tapa na mão antes que encostasse nela e avançou em direção a Toris. – Na ponta oposta ao meu brat! Esse lugar é meu lugar, está ouvindo?!

– Vou sair. Perdão, Natalia...

– Você só serve pra atrapalhar minha vida com essa cara de sonso, pedik maldito e ladrão. Por que não some?

Então antes que Toris pudesse sequer se levantar ou sequer fazer qualquer coisa, ela pegou sua xícara sobre a mesa e jogou o conteúdo no lituano. E o rapaz apenas conseguiu fechar os olhos e levantar as mãos antes de sentir o líquido queimando em sua pele. Posteriormente, tinha lembranças vagas de ainda ouvir Ivan e Natalia discutindo enquanto corria para cozinha, mas quando enfiou o rosto e as mãos sob a água corrente da pia, não ouviu, nem viu mais nada.

Nunca saberia explicar como acabou no quarto que dividia com os outros bálticos, com toalhas frias no rosto, enquanto eles estavam ao lado, apreensivos, fitando-o. Aquilo doía e ardia horrivelmente, mas ficava agradecido porque o chá não havia caído em seus olhos.

– Toris... você tá me ouvindo? – era o letão, que agora sentava ao seu lado. – Como você tá?

– Dói, mas... – sua voz saiu fraquinha. – tudo bem. Não tava tão quente.

– Como não? – exclamou Eduard, indignado. – Você até desmaiou.

– Não parecia tão quente assim... Eu tô bem. – sorriu fraquinho, embora sentisse como se debaixo de sua pele queimasse e latejasse.

– Você tem sorte porque não parece que vai formar bolha no seu rosto. Só nas mãos provavelmente... – ele suspirou, parecendo mais aliviado. – Ai, ai. O que deu na kolkhoz fêmea pra jogar chá quente em você assim?

Raivis abriu a boca e inspirou para falar, porém Eduard esticou o braço em frente ao corpo dele, indicando que ele não o fizesse. Neste instante, alguém entrou no quarto, mas o rapaz de cabelos escuros não conseguiu virar para ver. Pela tensão no rosto dos outros bálticos, imaginou quem era. E estava certo.

– Toris, como você tá? – Ivan entrou no seu campo de visão e parecia chateado.

– Tô bem. Foi só o susto. – respondeu, nervoso, fitando os amigos, que pareciam não entender muito bem o que estava acontecendo.

– Não quer que eu chame um médico?

– Não. Não foi nada, Sr. Ivan. Não se preocupe, por favor.

Começou a se desesperar porque eles podiam ligar os fatos. Seu afastamento, seus sumiços, o fato de que nem falava mais tanto em Natalia e toda aquela preocupação de Ivan.

– Se ficar pior, você pode me avisar.

Toris agradeceu, implorando mentalmente para que ele fosse logo trabalhar. Sabia que aquela atitude suspeita traria perguntas assim que ele saísse, então torceu para que ele fosse de vez antes de entregar completamente toda a situação que havia entre ambos. Para o seu alívio, ele saiu em seguida, de fato. E como previra, os outros dois o fitaram com cara de interrogação.

– O que foi isso?! Ele tava preocupado com você? Ele disse pra você avisar se piorasse? Foi como na vez em que ele limpou e fez curativos em você... Por que ele faria isso? Parece que ele o considera especial, Toris. – o letão franziu a testa.

– A-ah, Raivis. Também não entendi... Não sei o que deu nele... Mas é melhor isso do que ele bater em nós, não é?

– Com certeza – o pequeno báltico teve um arrepio e olhou para o chão.

Toris então voltou a atenção para Eduard, que apenas o encarava de volta. O lituano viu suspeita nos olhos dele. Sentiu o rosto mais quente do que já estava por causa do chá. Achava que literalmente morreria de vergonha se eles descobrissem tudo. Negaria até a morte se lhe perguntassem algo.

E, enfim, aquela suspeita não morreu ali. Pelo contrário, ganhou força cerca de quatro dias depois, quando Toris estava sentado na varanda durante uma pausa no trabalho doméstico. Foi surpreendido por um Ivan que também sentou ao seu lado, assim como quem não quer nada.

– E as suas mãos? – inquiriu com sua voz suave.

– Ah. Bem melhores. Eu já consigo até trabalhar. – Toris esticou as mãos, abrindo e fechando os dedos, mas então notou como estavam feias, com algumas das bolhas ressecadas, outras estouradas e seus contornos variando entre amarelo, vermelho e roxo. – Estão assim porque estão secando... mas já estão bem. – sorriu de leve.

Ivan pegou sua mão, avaliando o estrago, então suspirou.

– Eu... só faço você se machucar...

O lituano estacou no ato de responder e seu sorriso murchou um pouco. A princípio, sentiu-se mal por ele por parecer tão triste, porém... não deveria sentir-se mal por si mesmo? E o que deveria fazer? Mentir e dizer que não era nada? Que podia perdoar? E podia? Toris geralmente perdoava fácil, mas aquilo tudo era demais. Preferia fingir para si mesmo que estava tudo bem, mas todo abuso físico e psicológico que já passara naquela casa extrapolava qualquer limite do aceitável. Se é que qualquer coisa do que passava ali poderia ser considerado aceitável. E aquele Ivan não parecia entender nada disto mesmo.

– Esqueça, Sr. Ivan.

Toris idiota, essa complacência ridícula ainda vai, tipo, puxar seu tapete e você vai quebrar a cara bem bonitinho um dia..., ouviu a voz de Feliks em sua mente e teve um flash do rapaz loiro o olhando de cima, com um sorrisinho debochado nos lábios rosados. Na época, apenas dava um risinho sem graça quando ele dizia tais coisas, mas agora parecia uma verdade iminente. Seu pensamento foi interrompido pela voz de Yekaterina, que veio correndo do caminho dos campos de plantação.

– Vanya! Vanya! Problemas com as... ah. – ela parou próximo aos dois e o olhou de um ao outro, de testa franzida por uma fração de segundos, até fazer cara de quem entende algo e continuou com pesar: – Perdão, Vanya. Mas eu preciso que você venha ver a plantação.

Ele olhou para o moreno, que apenas deu um sorrisinho amarelo, então levantou e seguiu a irmã. Toris suspirou aliviado. A presença do loiro o deixava tenso, tão tenso que sentia seus ombros doerem. Foi baixando a cabeça, na intenção de encostá-la nos joelhos, porém ouviu passos logo atrás e, quando virou para a entrada da casa, viu Eduard andando em sua direção.

– Ele realmente parece preocupado com você.

Hesitou. Então deu mais um de seus sorrisos constrangidos.

– Parece, né?

– Engraçado porque ele nunca deu a mínima antes. – o maior comentou quase casualmente. – Ele sempre espancava todos nós. Nas últimas porradas... bem, ele quebrou meu braço, os dedos do Raivis e quando você tentou fugir, ele arrebentou suas mãos, quase quebrou seus pés e quebrou suas costelas. Ah, teve aquela vez em que ele açoitou as suas costas até você não conseguir mais levantar... Isso fora o que ele faz com os outros. Mas agora ele parece quase bonzinho. Até nem bebe mais feito uma esponja. Você não acha que tem algo estranho aí?

– Hm... Eu não sei. – afirmou, olhando em direção ao caminho que levava aos portões. – Mas, olha, se ele tá se tornando alguém melhor, não é bom pra todo mundo?

– Se for essa a questão. – o estoniano empurrou os óculos para cima com o indicador. – Mas, de repente, ele só tá guardando o pior pra depois... – agachou ao lado do moreno. – Não baixa a guarda perto dele, Toris. O kolkhoz não presta e isso já tá enraizado dentro do ser dele. Mais cedo ou mais tarde, o monstro acorda e quem vai se ferrar somos nós.

– Por que você tá me dizendo isso, Eduard? – Toris perguntou nervoso.

– Sei lá. – ele deu de ombros, então levantou. – Eu só tinha a impressão de que alguém deveria dizer isso a você.

O lituano voltou a ficar tenso, enquanto observava o amigo partir. Realmente não queria dar ouvidos a ele, porque, apesar de que o que quer que fizessem ao seu corpo não o atingisse mais, não queria pensar no que ainda podiam fazer a sua mente. E isso o assustava, porque afinal, ao que parecia, estava inevitavelmente aprendendo ver um ser humano no russo.

Notas finais
Visi skauda: todo mundo se machuca. Eu bati cabeça pra escolher no nome do capítulo, até que eu lembrei que tava dizendo pra migs que “Everybody Hurts” do REM é o hino do Toris, então pareceu lógico que colocar esse título xD [Não sei se vocês repararam, mas eu tava fazendo um capítulo com título em lituano e outro em russo. Foi coincidência até o capítulo da Natalia. Aí quando eu percebi isso, comecei a escolher os títulos assim, intercalando os idiomas xD] Borscht: é, a grosso modo, uma sopa de beterraba que pode ser servida fria ou quente. É gotosa 8D sqn /a que odeia beterraba Já apareceram bastante antes, mas novamente: Pedik: pederasta, sodomita, boiola, queimador de rosca 8D Kakashka: seu merda, algo assim. __________________ Aquela parte do sonho do Toris é do anime/mangá sim 8D É de uma parte que não foi pro mangá impresso. Eu ia explicar umas coisas aqui e dizer pra vocês não odiarem o Toris, mas meu professor de português tava dizendo outro dia que um bom autor nunca deve interferir, deve sempre deixar os leitores pensarem por conta própria e tomarem seus devidos posicionamentos. [Mas eu só não fiz o Toris pra ser odiado, okay? dsokdspopdosk G_G] Nem o Ivan. Nem a Natalia por “increça que parível”... Mas é tudo tão complexo. É todo mundo tão complexo. Complexo, complexo, very complexo, minha gentem... Por que cargas d’agua eu resolvi escrever essa droga de fic? Huahduhs Çorry. /parei com as dorgas. Ah. Obrigada, como sempre, pelos comentários. Vocês são lindas e fazem meus dias felizes [insira um coração IMENSO aqui]