Dotyanutsya do Tebya

1 Capítulo I: Pragaras Žemėje


Notas iniciais
O Nyah comeu os acentos do título do capítulo. Tem uma espécie de circunflexo ao contrário no "z" e um ponto em cima do segundo "e" de "zemeje" aisdhiuadh os travessões também estão bugados no texto e vamos ter que sobreviver com isso... Enfim, eu escrevi essa fic num impulso aleatório... Não shippo RusLiet [RoChu for life xD],mas a história simplesmente começou a se escrever sozinha no word, e tá aí. Haha, espero que dê pra ler. Traduções de palavras em russo e eventualmente em lituano (que eu não sei, então bjs pro Google Translate) nas notas finais

Ele é doente, pensou Toris, desesperadamente, ele é muito doente. Olhou para Eduard, que estava com a cabeça apoiada na parede, fitando o céu, mas seu olhar era vazio. Por que nós não fazemos nada? Os olhos do lituano ardiam de vontade de chorar, mas não conseguiria. Raivis gritou dentro da casa. Isso fez com que o rapaz sentado no chão ao seu lado cerrasse as mãos em punhos sobre os joelhos dobrados contra o próprio peito. Ou melhor, ele cerrou uma das mãos — a que não estava engessada por obra de Braginski. Era o máximo que podiam fazer. Sentir raiva e medo.

— Nããão. Por favor... Pare... Por favor – implorava o mais novo do trio báltico.

— Vamos embora... Vamos de uma vez... – Toris murmurou, fechando os olhos, e encostando os joelhos na testa. – Por favor, Eduard. Vamos embora. Eu não aguento mais. Um dia, ele vai matar um de nós.

— Como nós iríamos? Que força nós temos... sozinhos?

Era perceptível como as palavras do estoniano machucavam a ele mesmo, mas Toris não conseguiu pensar muito no assunto. O som de um baque forte escapou por entre as cortinas rebuscadas da janela da casa, então Raivis gritou mais uma vez e mais alto. Em seguida, houve... silêncio. Toris e Eduard fitaram-se por breves instantes, tensos, antes de levantarem-se; o lituano espalmando a terra e a grama das calças inconscientemente, enquanto observavam por detrás dos troncos das árvores do jardim, seu esconderijo-não-tão-secreto. Ivan Braginski saiu da casa, andando meio trôpego.

Ele passou direto até o portão, sem vê-los — provavelmente não veria nada mesmo de tão entorpecido pela vodca. Os dois bálticos esperaram até que o outro desaparecesse por completo, então correram para dentro da casa, para encontrar um Raivis caído no chão, trêmulo, machucado, sangrando. Enquanto Eduard buscava uma caixinha familiar aos três na cozinha, Toris se abaixou ao lado do garoto. Sem nenhuma palavra, começou a avaliar o estrago, mas parou um instante ao notar que ele apenas se abraçava encolhido contra o próprio corpo. Era cruel notar como o pequeno também não conseguia mais chorar depois... bem, depois que o lado cruel de Ivan se manifestava.

— Eu disse pra você ter cuidado com o que faz, Raivis. Ultimamente ele anda bebendo muito mais e tá pior do que nunca... – disse Toris, porém sua voz soava complacente, no fim das contas. Parecia uma mãe.

Eduard voltou, lançando-lhe um olhar de censura por trás dos óculos e balançando de leve a cabeça, como se dissesse “agora não”. Toris apenas suspirou.

— Eu não fiz nada. Eu só... – murmurou Raivis, em voz chorosa.

— Esqueça isso. Consegue se sentar? – perguntou o estoniano, tentando ajudar o mais novo, que tremia.

Raivis assentiu debilmente, então levantou, apoiando as mãos no chão, tremendo.

— Tire a camisa. – Eduard mandou, agachando-se ao lado de Toris.

Suas palavras não eram necessárias, entretanto. Raivis conhecia o procedimento porque já havia passado por ele tantas vezes que nem conseguiria contar. Entretanto, o costume não fazia a dor, a ardência e o frio diminuírem, Toris notou enquanto passava um pedaço de gaze por um dos ferimentos no ombro do letão. Isso tudo era o de menos. Era mesmo o de menos.



Ivan chegou várias horas depois. O lituano estava sozinho na cozinha, enxugando a louça do almoço, por isso não o viu. Apenas ouviu passos familiares, antes que ele batesse alguma porta no andar superior. Suspirou, entretido com a tarefa por alguns minutos, enquanto olhava para fora pela janela sobre a pia. Eduard e Raivis terminaram de varrer aquele lado do quintal e passaram para frente da casa — ou do inferno, se preferir.

Priviet, Toris. – alguém falou de repente.

O rapaz levou um susto tão grande que seu cotovelo esbarrou no escorredor, derrubando as taças de cristal que estavam ali — o coração quase saindo pela boca. O susto permaneceu doendo em seu peito, ao ver Ivan ali, atrás de si, no vão da porta.

— A-ai. Caramba... Perdão por isso, Sr. Ivan... Eu vou limpar tudo agora. – falou, procurando desesperadamente a vassoura por todos os cantos com os olhos. Já estava sofrendo em antecipação pelo castigo.

— Deixe isso aí. Venha comigo até lá fora, sim? – foi o que o rapaz mais alto disse, tranquilamente.

Toris parou e olhou para o outro brevemente ("brevemente" era o máximo que conseguia, pois tinha medo de encarar demais e irritá-lo). Nunca entendia muito bem o humor do russo, especialmente quando ele estava bêbado. Mais cedo, havia espancado Raivis por alguma besteira menor que quebrar algumas taças caras. Agora, estava ali sorrindo, enquanto dizia para deixar tudo como estava? Se Ivan se importasse com a opinião dos outros, Toris até pensaria que ele iria castigá-lo em algum lugar longe dos ouvidos dos empregados, mas ele gostava de castigos públicos. Talvez boa parte do prazer de castigá-los viesse da consciência de que todos podiam ouvir. Da sensação de poder que o medo causava.

— Toris? – a voz suave de Ivan o tirou daqueles pensamentos, e o fez tremer.

— Perdão. L-lá fora? – gaguejou, encurralado, ao que recebeu um sorriso e um aceno de cabeça em confirmação. – Er... t-tudo bem...

— Eu queria colocar alguns girassóis na sala – Ivan deu um daqueles seus risinhos gentis, observando o báltico se aproximar e acompanhá-lo a uma distância segura quando começaram a andar, então ele pareceu triste. – mas, por algum motivo, eles estão morrendo tão rápido ultimamente depois que são cortados...

Cruzaram o corredor, então o hall, até alcançarem o jardim onde estavam os outros bálticos. Viu Raivis se esconder atrás de Eduard, segurando sua camisa, e recebeu um olhar de compaixão do mais alto, como se ele perguntasse se era sua vez de receber algum castigo agora. Queria poder se esconder porque também não sabia, mas, ao invés disso, apenas deu de ombros e sorriu resignado. A distância da casa ao campo de girassóis não era tão longa, mas pareceu infinita, enquanto Toris seguia Ivan, sentindo arrepios descendo pela espinha.

— Eles são tão bonitos... não são? – a voz do russo soava engrolada pela bebida.

— Ah. – Toris sobressaltou-se com a parada abrupta do russo, que sorria bobamente para as flores, então notou que haviam chegado. – Ah, sim... S-são, sim.

Ivan sorriu mais, com o rosto corado.

— Eu gosto de ver como se movem por causa do sol... – ele fez um movimento meio sem sentido com um dedo erguido. – É como se... o sol desse um propósito pra eles.

Toris ofegou baixinho. É por isso que você acha os girassóis bonitos? Acho que você gosta deles porque pensa neles como se fôssemos nós e você o sol... Eu, Raivis, Eduard, Natalia, Yekaterina e todos os outros... Você quer que todos giremos em sua direção... Você acha que nos dá um propósito... Não pôde evitar o pensamento, mas sua resposta foi apenas um resmungo que podia ser tomado como concordância.

— Sabia que eles só seguem o sol enquanto estão crescendo? Quando são “adultos”, eles não giram mais... – Ivan fitou o chão por um momento, quase triste agora, então mudou de assunto repentinamente. – Como está o Raivis?

E você se importa?

— B-bem – Toris admirou os matinhos no chão, ignorando a voz irritada em sua mente. – Nós cuidamos dele, e agora ele está bem.

— Acho que... eu fui meio chato com ele.

Chato? Toris virou-se, fazendo menção de falar, mas foi interrompido.

Brat! – uma voz feminina ondulou até os ouvidos de ambos.

Foi por um instante fugaz, mas Toris teve a impressão de ver uma expressão cansada no rosto do maior, antes que ele se virasse para quem o chamara. O lituano surpreendeu-se por vê-lo esboçar algo além daquele sorriso o qual nunca sabia como interpretar.

— Vamos conversar lá dentro, por favor! – não parecia um pedido.

— Obrigado pela companhia, Toris.

Ao dizer isso, Ivan foi ao encontro de sua irmã Natalia, tendo o braço agarrado com força ao se aproximar dela, então eles partiram em direção à residência. O lituano não conseguiu entender muito bem o que havia acontecido ali. Aparentemente, havia sido chamado até ali sem motivo algum. Ou será que ele realmente pretendia fazer alguma coisa, se não houvesse sido interrompido pela belarussa? E o que significava aquele agradecimento? Toris nunca havia recebido algum tipo de agradecimento vindo daquele homem — pelo menos não que se lembrasse mesmo, e dificilmente se esqueceria de algo assim. Entretido com estes pensamentos, o rapaz lituano não percebeu o olhar mortal que recebeu da belarussa enquanto andava pendurada no braço do irmão, embora, certamente, falharia em notar, se tivesse visto.

Natalia era perfeita demais aos seus olhos. Gostaria muito de estar no lugar do monstro kolkhoz. Costumava se perguntar o que diabos ela, que era tão linda e perfeita, via em uma pessoa tão horrível? Por que ele? Era nisso que Toris pensava enquanto seguia em direção à cabana com as ferramentas de jardinagem, já que Ivan havia pedido que cortasse algumas flores. Ainda precisava voltar para a cozinha e a limpar os cacos de vidro dos copos que quebrara antes de irem até ali.



Toris provou o chocolate que estava fazendo e achou que estava particularmente bom e a uma temperatura agradável. Pôs o bule na bandeja com as xícaras, os pires e o açucareiro, então seguiu corredor afora, em direção ao escritório do russo. Não que tivesse a intenção de ganhar pontos positivos com Ivan ou com Natalia ao fazer aquela tarefa não requisitada, mas não perderia nada, afinal. Mesmo que não signifique nada para eles, tudo bem, foi o que pensou. Tinha as melhores intenções para com todos, sem esperar nada em troca. Toris era esse tipo de pessoa.

Já era bastante tarde, por isso todos os empregados da casa já haviam se recolhido para dormir, cansados do exaustivo trabalho diário. Apenas o lituano ainda estava de pé, pois não estava com sono, então resolveu fazer algo. Devido ao frio, achou que poderia levar chocolate quente para Ivan e sua irmã, já que a vira perambulando pelo corredor do escritório dele, cuja luz ainda estava acessa. Gostaria de ver a garota uma vez mais antes de dormir. Talvez sonhasse com ela, e aí teria um minuto feliz naquela prisão de medo e dor. Entretanto, quando parou para equilibrar a bandeja numa só mão para bater na porta do escritório, ouviu uma discussão exaltada, sem conseguir discernir nenhuma palavra, até o desfecho.

Brat, eu não estou blefando. – a voz de Natalia soava tão agressiva que era quase irreconhecível. – Se você não cumprir...

— Eu vou cumprir. – ele hesitou um pouco antes de redarguir.

— Ótimo! Agora preciso falar com a Yekaterina. Poka poka, lyubimaya moya.

A porta se abriu de repente, quase fazendo com que Toris derrubasse a bandeja no susto. Uma aura maligna impregnou o local quando a moça o viu, mas o rapaz não notou. Seu coração doía demais para isso. Lyubimaya moya? Podia não entender tudo sobre as nuances da língua russa, mas não imaginava que Natalia fosse do tipo de pessoa que joga palavras como “amor” para qualquer pessoa em qualquer idioma que seja. Sabia que ela nunca olharia na sua direção, no fim das contas, mas isso não o impedia de sonhar; por isso, toda vez que confirmava que era um sonho e não passaria disso, um pequeno buraco se abria em seu coração. Toris suspeitava que, se pudesse vê-lo, ele pareceria um queijo suíço vermelho e sangrento. Por que não desistia disso de uma vez?

— N-Natalia... – murmurou para a moça que o encarava no vão da porta.

Umri, idiot. – ela sibilou, passando direto para as escadas para o andar superior, onde ficava seu quarto e o da irmã mais velha.

Doeu. É, doeu sim. Não era a sensação mais agradável do mundo ouvir a pessoa que você gosta desejando que você morra. Toris pensou por um instante se havia feito algo para irritá-la mais cedo. Talvez não fosse muito bom em esconder seus sentimentos e isso a deixasse desconfortável, mas não era algo que poderia perguntar, não é? Era nisso que pensava enquanto observava a belarussa se afastar.

— O que você faz aqui?

O lituano acordou do devaneio, balançando a cabeça, finalmente notando o peso em seus braços. Ivan estava de pé, encostado na escrivaninha, fitando-o de testa franzida.

— Ah. Perdão. – murmurou. – Eu vim trazer chocolate quente pra vocês. Achei que seria bom... porque tá frio... mas... ahn...

Não queria mais falar. Agora só queria ir se deitar e dormir de uma vez.

— Pode deixar aí. – Ivan falou apontando vagamente para a escrivaninha, enquanto se afastava dela, indo olhar para fora pela janela.

Toris fez o que lhe fora mandado, em silêncio, então rumou para a saída.

— Com licença. Boa n...

— Espera. – Ivan virou-se novamente. – Feche a porta e venha cá.

Toris sentiu o corpo começar a tremer de medo, mas obedeceu ao comando e começou a se aproximar. Pensou se finalmente seria castigado por quebrar as taças. Talvez fosse outra coisa. Rapidamente repassou mentalmente tudo o que havia feito naquele dia, procurando algo que pudesse lhe render castigo. Ivan contornou a escrivaninha, calmo, mas não tinha o habitual sorriso no rosto ele realmente parecia cansado olhando assim de perto. Perto demais. Inconscientemente, o lituano começou a se afastar, até ser encurralado contra uma estante abarrotada de livros.

— Por favor, não... Por favor, me perdoe...

Toris nem sabia pelo que estava pedindo perdão. Só sabia que tinha medo do que quer que fosse que estivesse por vir. Entretanto, alheio às suas palavras, Ivan pôs as mãos na estante, ladeando a cabeça do lituano e eliminando toda e qualquer hipótese de fuga. Um arrepio percorreu a espinha do rapaz mais novo. Por que ele estava tão perto? Definitivamente havia algo muito errado ali. Sentiu o cheiro de álcool. Meu Deus, ele passou o dia todo bêbado. O dia... todo...

— Sr. Ivan, o quê...?

Toris não conseguiu terminar. Nenhuma palavra deixou os lábios do outro, mas o lituano podia jurar que lia uma coisa nos olhos dele. Uma coisa terrível que o fez congelar onde estava. Tinha de estar enganado.

— Sr. Ivan... está tarde... E-eu... pre-preciso ir dormir...

— Você vai dormir, mas não agora, Toris. – a respiração de Ivan chegava a sua bochecha de tão perto que ele estava, mas não havia como se afastar mais. – Você vai passar a noite de hoje comigo.

— Pa-passar...? – a voz quase não saiu, então precisou repetir. – Passar a n-noite...?

O coração de Toris falhou uma batida quando sentiu uma mão em seu rosto. A polpa do polegar dele resvalou por seus lábios, os quais apertou instintivamente. Era brincadeira, não era? Não, partindo de Ivan qualquer absurdo era possível. Mas, espera... Natalia gostava dele... A garota que Toris amava havia anos... Não podia aceitar isso. Foi o que pensou, mas antes que pudesse protestar, Ivan puxou seu rosto e o beijou. Assim, sem mais nem menos. Não, Toris não podia permitir uma coisa dessa. Já havia aguentado demais. Isso era o cúmulo. Espalmou as mãos no peito dele e o empurrou.

— Isso não! Você não pode fazer isso comigo!

Ivan titubeou um pouco ao ser afastado de repente, possivelmente por ter sido pego de surpresa. Toris apenas o afastou uns poucos centímetros, porque logo ele endureceu o corpo. Antes que pudesse notar, o lituano foi agarrado pela frente das roupas e jogado contra a escrivaninha como se não pesasse nada. Acabou derrubando e se machucando no que havia ali, inclusive na louça em que trouxera o chocolate, mas não teve tempo de sentir dor ou a pele provavelmente queimada pelo chocolate, porque o russo o virou de costas e começou a tirar suas roupas aos puxões. Toris apavorou-se, tentando aprumar o corpo para se virar. Queria tentar impedi-lo, mas o russo era muito mais forte. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não... não estava. Não podia estar.

— Para... por favor. – pediu baixo e desesperado, mas isso não deteve Ivan.

Se Toris havia pensado que já passara por tudo de ruim que Ivan podia lhe proporcionar... Bem, aquela noite provou o quanto estava enganado sobre isso.



Ao acordar na manhã seguinte, o lituano permaneceu deitado por uns instantes, fitando o teto fora de foco. Quis muito se convencer de que havia sido apenas um pesadelo terrível e muito vívido, mas não estava em sua cama. Sequer havia acordado sob o teto ao qual estava acostumado a dormir. Além disso, seu corpo doía terrivelmente. Mas a prova cabal mesmo foi o rosto que viu ao se virar... Oh, Dieve.

Mesmo atordoado e sem saber o que fazer, Toris se levantou meio trôpego para sair dali imediatamente. Deixou Ivan onde estava — no chão, sob o casaco que usaram como cobertor durante o resto da madrugada, então rumou para o banheiro mais próximo do quarto que dividia com os outros bálticos no térreo. Precisava desesperadamente se lavar. Demorou realmente muito tempo tirando o sangue e tudo o mais de nojento junto com a pele que esfregara com uma bucha até ela ficar sensível e dolorida. Mesmo assim, não se sentiu menos sujo ao sair.

Porcaria de vida.

Toris mal notava a expressão de dor no próprio rosto quando viu Ivan fechar olhos, no momento em que o fluido quente o preencheu por dentro pela segunda vez naquela noite. O russo ainda estocou fracamente mais um pouco contra o corpo de Toris antes de deslizar para fora, permitindo que seu sêmen escorresse pelas nádegas do outro até a mesa, deixando-lhe com uma sensação esquisita de vazio.

Ivan parecia mais sóbrio e parecia desapontado, enquanto fitava o rosto do lituano, que conseguia sustentar o olhar com mais facilidade agora. O vazio que sentia era grande o bastante para sequer permitir que se sentisse constrangido. Enquanto se encaravam, Ivan alcançou o membro do mais novo e deslizou a mão para cima e para baixo. Toris quis dizer a ele que parasse, que não queria, mas não encontrava sua voz. Sequer faria diferença?

Após seu segundo orgasmo, Ivan parecia determinado a fazê-lo "aproveitar" também. O lituano não entendeu. Ele iria se importar agora com o que sentia? Estava fazendo errado. Não queria aquilo! Sentia muito nojo da situação, então não conseguiria aproveitar nunca. Será que aquele homem não entendia? Toris cobriu o rosto com ambas as mãos, se esforçando para não chorar, especialmente quando ele se inclinou, aproximando o rosto do seu.

— Eu não quero te machucar, Toris... – ele ofegou nojentamente no seu ouvido.

O lituano estava quebrado demais por dentro para sequer refletir sobre a estupidez que ouvia ou entender o porquê daquele tom de voz triste. Não que quisesse mesmo refletir sobre qualquer coisa. Até porque, ao ver que aquele estímulo não era o bastante, Ivan introduziu dois dedos em sua entrada machucada da invasão forçada daquela noite. Era uma sensação horrível, desconfortável, dolorosa, mas o lituano se esforçou para que acabasse logo. Fechou os olhos e tentou lembrar-se da época em que fora “casado” com certo polonês. Não funcionou. Tentou pensar em Natalia, mas era até ofensivo pensar nela numa situação daquelas. Então, por fim, apertou os olhos com força, e tentou pensar apenas na sensação orgânica da fricção de pele na sua pele.

Havia tanto tempo que não tinha contato íntimo com ninguém, que quase não lembrava mais como era. Devia ser bom. É, devia... Devagar e a custo, sentiu o corpo começar a responder. Sentiu um nó se formar em seu estômago. O som molhado e indecente porque Ivan usava seu sêmen para deslizar com mais facilidade era muito desagradável, mas, aos poucos, Toris foi parando de ouvir, até que gemeu estrangulado, ao sentir o gozo vir na mão que o tocava. Toris estava sujo também...

— Viu? Foi bom pra você... – murmurou o russo. Ele parecia mesmo acreditar nisso.

Foi bom pra mim? A contragosto, Toris abriu os olhos e fitou, inexpressivo, o rosto perto demais do seu, brilhante de suor, assim como sentia que o seu estava. Não viu traços de remorso, ou mesmo de que ele entendesse a dor que causara ao lituano. Que droga era aquela? Havia raiva no fundo do peito de Toris, mas a vida havia sido tão desgraçada consigo nos últimos tempos, que já havia perdido a capacidade de externar esse tipo de sentimento como a maior parte das pessoas faria numa situação destas gritando, xingando, batendo , então ela verteu na forma líquida por seus olhos, como não acontecia em muito, muito tempo.

— Toris, você tá chorando? Não era pra você chorar... – murmurou o russo naquela vozinha, que em nada condizia com sua aparência ou com o que acabara de fazer.

Não era...? Que cara hipócrita. Era isso que ele queria ver na verdade, não era? A dor pura e bruta. Toris nunca havia chorado na frente dele, então talvez agora ele parasse... Bem, se não parasse, não importava. Já havia passado por tudo nas mãos de Ivan. Já havia sentido todo tipo de dor e passado por todos os tipos de maus-tratos, mas agora havia ido além de tudo o que podia imaginar. Havia sido humilhado do pior modo possível e perdera até seu senso de masculinidade... É, não importava se chorava ou não. Ainda tinha alguma dignidade a perder? Ainda tinha alguma coisa a perder?

— Odeio você... – sua voz saiu como um rugido baixo e cansado. – Odeio você... Odeio você... Eu odeio você.

Ivan fitou-o por um tempo, como se processasse devagar o que havia ouvido. Toris não se importou muito com o que aconteceria dali em diante, então cobriu seu rosto com ambas as mãos repetindo aquelas palavras. Não queria mais ver o rosto daquele homem. Porém, a última coisa que notou nele foi o vislumbre do despertar de algo horrível. Calou-se. Havia conseguido, não havia? Passagem sem volta para o inferno... Sim, conseguira.

O russo afastou suas pernas e arremeteu-se para dentro novamente, sem a menor piedade. Desta vez, Toris não conseguiu conter sua voz. Gritou de surpresa e depois de dor, junto com cada estocada, até que Ivan beijou-o para abafar o som. Doeu tanto a ponto de que o lituano começou a lutar como não lutara antes. Não saberia explicar de onde veio a força para isso, mas ela só serviu para irritar Ivan, que segurou seus braços firmemente. A luta não resultou em nada.

A primeira vez não foi a última, e todo dia passou a ser como o inferno, porque, mesmo que não acontecesse diariamente, o medo se tornou seu companheiro mais fiel. Toris não conseguia fazer nada sem olhar por cima do ombro, com medo de que Ivan surgisse. Sempre tenso, sempre assustado, sempre sozinho. Queria poder fazer algo, nem que fosse apenas para descontar a raiva, mas o único em quem poderia descontar era em si mesmo. Podia apenas cravar as unhas na própria pele e arranhar até ver seu sangue fluir. Tinha que sofrer calado, porque a vergonha era muito grande para contar aos outros. Até porque o que Eduard ou Raivis poderiam fazer?

Passou a nem sequer conseguir mais olhar Natalia no rosto direito quando se esbarravam. Não era mais um homem digno de querer estar com ela. Sequer conseguia proteger a si mesmo, como poderia proteger uma garota? Ainda tinha o fato de que Ivan insistia em querer que Toris gostasse daquilo, ao invés de simplesmente fazer o que tinha que fazer, e deixá-lo em paz o mais rápido possível. Sentiu que poderia enlouquecer se vivesse este inferno por mais algum tempo.

Talvez inferno fosse eufemismo.

Notas finais
Gratidão se você tiver chegado até aqui dasokpdokpdsk Era pra ser oneshot, mas ela cresceu e tem mais um capítulo que eu não sei quando vem, mas vem 8D Enquanto isso, comentários são bem vindos e apreciados ^^ ————————————————— Dotyanutsya do tebya: alcançar você Pragaras Zemėje (lituano): inferno na terra Priviet: olá Brat: irmão Poka poka, lyubimaya moya: é algo tipo "tchauzinho, meu amado" Umri, idiot: morra, idiota Dieve (lituano): Deus