Dormindo Com Fantasmas - Naruto
47 Your green eyes make me blue
Notas iniciais
Bem, creio que esse seja o penúltimo capítulo. Quer dizer, acho que vai dar pra por tudo o que planejo num só capítulo. Mas depois desse próximo capítulo, ainda terá um epílogo, então...
Essa parte da Hitomi é mais porque eu queria dar um final mais definitivo a ela do que por qualquer outra coisa, não queria deixar solto como estava.
Enfim, espero que gostem ^-^
- A Sakura não está? - a voz do outro lado perguntava, descrente.
- Não, Kakashi — Sasuke respondeu, ressabiado. — Fale com a secretária dela, se quiser. O assunto comigo já acabou?
- Sim, sim.
- Certo. Assim que você voltar, cuidaremos para que sua presidência temporária acabe.
- Entendido - o homem respondeu, aparentemente aliviado — Creio que estarei de volta na próxima semana, as coisas por aqui correm melhor que o esperado.
- Que bom — falou cordialmente. — Até lá.
Desligou. Não teve tempo de começar sua próxima tarefa, pois Itachi entrou em sua sala rapidamente. Com uma expressão duvidosa e ligeiramente insatisfeita.
- Aconteceu alguma coisa ontem? — o mais velho perguntou, sentando-se à frente do irmão.
- Não — respondeu sem tirar os olhos dos papeis que examinava. — Por que pergunta?
- O que você falou para a Sakura? — agora ele estava mais direto. Sasuke o observou apoiar o cotovelo no apoio da poltrona, pondo a mão abaixo do queixo. Naquilo, soube que não o faria ir embora se apenas se esquivasse. Respirou fundo, olhando irritado para um dos lados.
- Eu não falei nada. Ela que veio com uma conversa estranha. E como você ficou sabendo disso?
- Encontrei ela na saída — Itachi parou, para observar a reação do Uchiha mais novo. Porém, nada aconteceu. Subiu sua mão para que chegasse à testa, e balançou a cabeça. Ergueu-a rapidamente, olhando para o outro com as sobrancelhas levantadas. — Ela não estava nada bem quando a encontrei. Pelo que ando vendo, ainda te ama. Você sabe?
Sasuke expulsou uma grande quantidade de ar pela boca, bruscamente. Empurrou a mesa com a palma das duas mãos, num impulso para se levantar. Virou-se de costas para Itachi, passando os dedos pelo pescoço de modo compulsivo.
- Itachi, eu tenho um monte de assuntos para resolver e-
- E o primeiro é esse aqui — ele interrompeu. — Essa situação não está nada agradável — cerrou os olhos. Uma pergunta que sempre quis fazer. — Você se sente culpado?
Encarou o irmão de testa franzida por um momento. Sentou-se novamente.
- Pelo quê? — Itachi nada respondeu. Mas Sasuke sabia do que ele falava. Girou os olhos. — Não. Eu não me sinto culpado nem errado por nada do que eu fiz até agora. E é por isso que essa conversa não tem sentido, consegue entender?
Olhou para Itachi, reconhecendo aquela pequena ponta de reprovação. — Sério? — o mais velho questionou.
Torceu o nariz em resignação, e meneou a cabeça. — É claro que eu sei que... A Sakura não gostou das minhas atitutes, e eu não me sinto exatamente confortável com isso. Eu não acredito que faria tudo de novo, provavelmente, eu procuraria outro jeito. Mas de forma alguma eu pediria desculpas. E eu não posso exigir que ela perdoe algo se eu não pedir por isso. E é por esse motivo que não há ponto em você tentar falar sobre essa coisa comigo.
Itachi reuniu ar no peito para falar algo mais, porém, foi impedido pela secretária que chegava, avisando sobre uma ligação importante. Olhou-a contrariado, e disse que podia deixar passar. Antes de ir, ainda virou-se pela última vez para Sasuke.
- E você só tenha cuidado. Reflita, e veja se o que está fazendo não é um erro.
O mais novo apenas fechou os olhos, comprimindo os lábios num aceno cordial.
....
- Você está certa disso?
Hitomi perguntava à filha, com sua expressão divertida de sempre. Sakura se detinha no ar de primavera, que era possível sentir graças à janela logo atrás da mulher.
- Tenho. É bom em todos os sentidos, se você analisar.
- Hm. Eu concordo plenamente. Mas isso não tem nada a ver com o Sasuke, tem?
- Não tem nenhum outro motivo por trás disso — assegurou.
- Tudo bem. É só que acho um tanto estranho essa tua mudança de opinião tão brusca.
- Não é mudança de opinião. Meu objetivo ainda é o mesmo: o bem da Teruya. É por isso que eu estou indo. As coisas estão muito problemáticas na Europa, até mesmo o pessoal daqui está começando a tremer as pernas. Tsc. Alguém precisa resolver isso o quanto antes.
- Entendo. E por quanto tempo pretende ficar lá?
- Não sei — ela suspirou. — Depois que esse problema acabar, estou pensando em aceitar a sugestão do nosso presidente da filial francesa e ficar como representante geral da Teruya na União Europeia.
- Eu sempre quis que você ficasse aqui em Nova Iorque, mas se esse é o seu desejo... Acredito que as coisas ficaram bem desgastantes para você.
Sakura acenou, sem realmente concordar com ela. Era mais um aceno de despedida.
- Sakura — chamou, antes que a mais nova se levantasse. Não olhava para ela, mas sim para um ponto misterioso fora da janela. Parecia em dúvida sobre falar ou não. — Eu tenho algumas coisas pra te dizer, que... Eu nunca achei que fossem necessárias, mas penso que agora, talvez sejam. — A Haruno voltou a relaxar em seu assento, curiosa. — Minhas crises estão cada vez mais difíceis de lidar, eu não sei o que esperar disso. Na última vez, eu até fiz uma aposta de que não sairia mais do hospital, mas veja só, eu perdi — sorriu largamente. — Não quero que pense que eu só vou te falar as coisas a seguir porque acredito que posso morrer em breve. Na verdade, eu penso nelas há um bom tempo, mas nunca senti necessidade de dizê-las. Céus, veja só o quanto estou enrolando — balançou a cabeça, fitando a careta nada contente de Sakura. — Creio que tenha passado a impressão errada pra você. Eu não quero que você seja como eu, e nunca o quis, na verdade. Olhe só pra mim. Um velha decrépita numa mansão enorme sozinha com meus licores — Hitomi deixou uma gargalhada escapar. Ergueu a cabeça. — Isso é porque eu não me permiti apenas pedir abertamente para que você ou Seiji ficassem comigo. Ou de deixar vocês saberem que eram importantes — balançou a cabeça rapidamente, abanando uma das mãos. — Mas essas lamentações de nada valem. Não é como se eu fosse mudar agora, também, não é? Vamos parar de falar de mim. O que eu quero dizer com isso é que não se torne como eu. Não afaste as pessoas, simplesmente. Bem, eu não sou muito boa em dar lições, mas espero que você tenha conseguido entender o que eu quis dizer. Pense francamente no que você tem em comum comigo e tente eliminar o que não for bom. Você sabe o que é — lançou um olhar significativo, e suspirou, satisfeita, pondo um sorriso torto nos lábios. — Sabe, eu tenho orgulho do Seiji.
Hitomi saiu de seu quarto da forma mais melódica que podia com aquela cadeira. Sakura a observou durante todo o percurso, com uma fina ruga entre as sobrancelhas. Sorriu levemente, sacudindo a cabeça para os lados. Decidiu deixar o lugar tão rapidamente quanto a mãe.
....
- Oras, eu não sabia que o Naruto era tão romântico — Ino comentava, levando sua cerveja à boca. — Conheço alguém que anda precisando um pouco disso.
Gaara apenas fechou os olhos, mostrando um sorriso quase imperceptível. Naruto, por outro lado, exibia todos os dentes no seu, e Hinata focava em qualquer outro lugar, disfarçando o constrangimento. Haviam chegado naquele dia, e logo a Yamanaka organizou um encontro com todos num de seus pubs favoritos. Agora, todos sabiam da boa notícia, os dois estavam novamente juntos.
- Quer dizer que o casamento já era? — Temari perguntou, retoricamente.
- Droga, só porque meu vestido era tão lindo — lamentou Tenten.
- Bem, você ainda pode usá-lo, se quiser — Hinata a confortou.
- Como assim?
- Bem, como não dá mais para cancelar a reserva da festa toda e as comidas, — explicou Naruto, com um brilho animado nos olhos azuis — nós resolvemos participar, mesmo que não haja mais casamento. De todo jeito, vai ter festa.
- A Sakura não vem? — Hinata perguntou, depois que alguns comentários de comemoração acabaram.
- Bem, eu falei que era pra ela vir. Só espero que não esteja lá, enfurnada no trabalho — a loira revirou os olhos.
- Só falar... — Shikamaru apontou com o polegar para a direção da entrada, e Ino sorriu satisfeita ao vislumbrar aquelas duas figuras. Era realmente um grande feito fazer com que elas saíssem do trabalho no mesmo dia.
Quando aceitou o convite de Ino, Sakura não desconfiava que Hinata e Naruto estariam lá. Muito menos, que estariam juntos. Sorriu alegremente, e apressou seus passos.
- Obrigada, Sakura — Hinata disse, logo depois de a Haruno cumprimentado todos e da Hyuuga ter contado de novo tudo o que acontecera. — Eu sei que grande parte disso, devo a você.
O olhar da Haruno caiu imediatamente em Naruto, que olhava para qualquer um dos outros ali presentes. Sem muita expressão. Com certeza, ouvira o que Hinata dissera.
- Não foi nada — respondeu, forçando um sorriso apático.
Sentou-se ao lado direito do loiro, tendo aquela que chegara ao mesmo tempo que ela, ao seu lado. Karin não parecia tão desconfortável ali, e ela agradeceu por isso. Na verdade, não achava que Karin era do tipo que se intimidava com qualquer pessoa ou lugar.
- Fico feliz que vocês vieram — Ino comemorou.
- É. Resolvi tirar um pequena folga — Sakura respondeu, e Karin deu de ombros, com um sorriso debochado.
- Ah, é tão bom — Tenten suspirou. — Nós dez juntos, como nos velhos tempos.
Olhando ao redor, e pela expressão desagradável dos outros, percebeu o quão infeliz sua frase havia sido. Não eram os mesmo dez, afinal. Faltava Sasuke.
- O seu problema é que você sempre fala na hora errada, querida — sussurrou Karin.
- Então, — Sakura aproveitou todas as atenções cuidadosas viradas para si para mudar de assunto. — Mas o Itachi concordou com isso? Digo, até de vocês aproveitarem o que seria o casamento dele pra fazer uma festa?
- Foi ele mesmo quem deu a ideia — respondeu Hinata. — Digo, quando falamos com ele, ele disse que tinha um plano, pra que eu não precisasse enfrentar minha família, pra que meu esforço até aquele momento não tivesse sido em vão. Mas eu não quis. Eu meio que... Quis enfrentá-los — ela confessou, mais baixo. — Então, ele deu essa ideia. Ele está mais feliz. Vocês vão entender da próxima vez que virem ele — Hinata sorriu de canto, como se soubesse de algo mais. Sakura e Tenten franziram as testas, curiosas. Mas a Hyuuga não diria nada.
Horas se passaram. Ela observava. Neji havia sentado um pouco longe de Tenten, mas eles conversavam casualmente. Shikamaru estava quieto em seu canto, tudo como deveria estar. Ino e Karin conversavam alguma coisa sobre um tal desfile de inverno em Milão que precisavam cobrir, e Hinata concordava com algo que Gaara e Temari diziam. Sua perna batia contra o chão, sua boca já havia se aberto várias vezes, mas ela nada dizia. Sacudiu a cabeça e a ergueu, virando-se decididamente para o lado esquerdo.
- Naruto — chamou, e ele virou-se de imediato. — Eu... Me desculpa. Eu me sinto muito mal por aquilo, eu não queria que você ficasse com raiva de mim. Por favor, não-
- Sakura, Sakura — ele a interrompeu, agitando as mãos esticadas. — Eu não estou mais com raiva. Só não quero que faça algo assim de novo. Você sabe que não é comigo que tem que resolver isso, não é? — ela apenas abaixou a cabeça, colocando uma mecha de cabelo para trás. — O Gaara me falou que você vai para a Europa. É verdade?
- Uhum — assentiu. — Mas é por pouco tempo, prometo. Questão de semanas, só pra resolver essa crise o quanto antes. Logo, logo eu estarei de volta.
- Tem certeza?
- Tenho — garantiu, mesmo que não soubesse se era verdade.
- Sabe, — ele suspirou, cansado. — Da primeira vez que você foi, eu te apoiei totalmente. Parecia mesmo a coisa mais certa a se fazer. E acho que foi mesmo. Mas agora, eu tenho a impressão de que está fugindo. E eu odiaria saber que você regrediu tanto. Tem coisas aqui nas quais você deveria dar um fim, ou sei lá, um começo diferente.
- São só algumas semanas — ela repetiu baixo, depois de longos minutos silenciosos, mais para si mesma que para Naruto. — Não são seis anos. Eu não estou fugindo. Não há nada para ser acabado.
Naruto observou aquele olhar verde e triste, e sorriu de canto. Passou as mãos por aquele cabelo rosa e a puxou para um breve abraço, dando-lhe um beijo no topo da cabeça.
- Só quero que você seja feliz.
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