Dormindo Com Fantasmas - Naruto
48 I'll make sure that you won't get too far from me
Notas iniciais
Depois de séculos (quase duas semanas), está aqui o chap.
Perdão, perdão! Até eu estava irritada com a minha demora. Porém, tenho ~motivos~. Precisei viajar e bem, isso tirou um pouco meu foco da fic. Precisei de uns dias pra voltar a focar totalmente nela. Eu não queria escrever algo que eu sabia que ficaria ruim, não era justo, por isso, demorei isso tudo.
Sem mais, até porque, esse capítulo já está enooorme.
Espero que gostem!
O retrato com a foto de Louis foi a última coisa a ser colocada na caixa de papelão. Olhou satisfeita e orgulhosa para sua mesa totalmente limpa.
– Eu vou sentir sua falta — Nii observava tudo, parada perto da porta, com uma pasta imprensada contra o peito. — Você foi a melhor chefe que já tive.
Sakura retribuiu o sorriso, aproximando-se e batendo uma vez no ombro da loira. — Foi muito bom trabalhar com você também.
– Eu te ajudo a levar as caixas agora?
– Não, não é necessário. Além disso, tenho que falar com alguém antes. Você está dispensada por hoje. Amanhã venha normalmente, vou cuidar para que te coloquem em outro setor.
Nii assentiu, e Sakura a deixou sozinha na sala. Já que Kakashi não estava ali, tinha que falar com Sasuke. Obviamente, ele já tinha ouvido sobre sua partida, que ela havia anunciado há uma semana, mas tinha que lhe falar oficialmente. Faria o mais breve possível.
Bateu levemente na porta com o indicador e o médio, e logo entrou. Sasuke estava escrevendo alguma coisa, e levantou as sobrancelhas assim que a viu. Ajeitou a postura, repousando as costas na poltrona, deixando as mãos cruzadas sobre a mesa.
Sakura teve dúvidas sobre sentar ou não. Decidiu por permanecer em pé, já que o assunto era curto.
– Já deve ter tomado conhecimento, mas venho avisar oficialmente que estou de partida para a Europa. Deixo a sede sob seu comando.
Sasuke torceu o nariz, com uma expressão serena, e a rosada se perguntou se era apenas sua imaginação ou se ele estava realmente sorrindo.
– E por quê?
– Por quê? — franziu a testa. — Não é óbvio? Aquele Orochimaru nos causou um problema de dimensões gigantescas. A situação está fora do nosso controle.
– Não acho. Não é preciso que um de nós vá pessoalmente até lá pra resolver um simples imprevisto como esse.
A Haruno respirou fundo. Começava a se irritar. Por que ele falava com daquele jeito arrogante e cínico? Estava só jogando com ela? Não era hora para isso.
– Não custa nada eu ir. Ou você não é capaz de lidar com as coisas aqui sem mim? São só algumas semanas, logo estarei de volta.
Sasuke balançou a cabeça. — Se isso fosse verdade, não teria remanejado sua secretária para outro setor.
Girou os olhos, e umedeceu o lábio inferior, impaciente. Moveu o corpo minimanente para o lado, mas voltou à antiga posição.
– Eu não tenho que explicar mais nada. Só vim avisar que estou de partida porque é meu dever. Passar bem.
– Tsc, tsc. Você não vai, não.
Colocou-se novamente de frente à Sasuke, e o que encontrou foi o sorriso cínico ainda mais forte em seu rosto. Juntou as sobrancelhas, sem entender nada.
– E posso saber que milagre vai me impedir?
– Eu me lembro de ter dito que te tinha nas minhas mãos, você não?
Sakura rosnou, indignada. — Olha só, se você pensa que vai poder me ameaçar pro resto da vida com aquela porcaria da Petterson, está muito enganado! Eu não estou nem aí! Conte pra quem quiser, mostre aquele relatório para quem quiser! Não são provas suficientes! É muita falta de caráter da sua parte vir com essa conversa pra cima de mim agora!
As palavras eram cuspidas com fúria, e ela deu as costas rapidamente, pisando no chão com mais força que o necessário. Abriu a porta pela metade, mas a estrutura de madeira foi violentamente fechada por uma mão grande. Sasuke rapidamente trancou-a. Ela olhou para o moreno, que mantinha o braço apoiado na porta, a cabeça baixa, e os dedos da mão desocupada massageavam confortavelmente suas têmporas.
– Você é surda? — estava tão privada de reações, que a voz de Sasuke preencheu toda a sala, sem encontrar nenhum obstáculo. Aquela voz rouca e autoritária, que se tornava ainda mais persuassiva. — Eu disse que você não vai e pronto, oras, mas que coisa. E quando eu falo que te tenho nas minhas mãos, já deveria saber que não tem nada a ver com Petterson nenhuma.
Teria se agitado. Teria contorcido todos os músculos do rosto, teria o empurrado, se fosse preciso. Teria até gritado. Mas teria saído dali. O problema é não estava selecionando nenhuma reação. Sua atenção só se focava em tentar entender o que havia acabado de ouvir.
Suas íris passearam por vários lugares, antes de baixarem, junto com suas pálpebras. Limpou a garganta.
– Sasuke, acho que você sabe.
A frase de Sakura chamou atenção não pelo conteúdo dela, mas pela firmeza inesperada com a qual foi estruturada. Sasuke deslizou a mão pela porta, até que já não mais a tocasse. Ficou reto, fitando-a com um fio de dúvida.
– Você deve saber o verdadeiro motivo de eu estar indo embora — balançou a cabeça discretamente, sem fraquejar o teor súplico no olhar. — Então não dificulte. Por favor.
O Uchiha respirou fundo.
– Céus, como você é dramática — Sakura parou seus dois passos. Sasuke tinha a cabeça levemente inclinada para cima, movendo-a para os lados, em reprovação. — Será que você pode parar de falar um pouco e me deixar resolver isso logo?
A rosada permaneceu praticamente colada à parede, encarando-o confusa.
– Eu estive pensando nisso por um tempo — ele disse, num suspiro, esfregando o rosto com uma das mãos. — No que eu faria com você.
Sasuke se aproximou ainda mais de uma Sakura estática. Tinha os lábios brevemente separados, e os olhos verdes brilhavam anormalmente com apreensão, sem desfocar nenhum segundo daqueles escuros. O moreno colocou cada uma de suas mãos nas orelhas geladas dela, que continuava sem entender nada, sem conseguir prever os movimentos seguintes do outro. Deixou que sua boca fosse até o pescoço de Sakura, próximo ao ouvido, o que fez com que ela deslizasse a cabeça minimamente pela parede.
– Você tem noção do quanto eu senti falta disso? Dessa sua pele, do seu cheiro, da sua maciez... Do seu cabelo, seus olhos, da sua voz... Das suas reações? Tem alguma ideia do quanto eu senti falta de você? O que te faz pensar que eu te deixaria ir embora de novo? Hm?
O Uchiha deixou que uma das mãos baixasse devagar até a cintura da Haruno, e ao outra, continuava em seu rosto. Colou as testas dos dois, abrindo os olhos.
Sakura ainda estava imóvel, seus olhos não piscavam. Estava atônita. — Sasuke... O que... O que você quer dizer com isso? Não, não. Quer dizer, você está mesmo dizendo isso?
Ele balançou a cabeça suavemente para cima e para baixo. Limpou com o polegar algumas lágrimas que começavam a se formar nos cílios dela.
– Eu estive pensando. Eu não poderia vir até você por que eu não poderia pedir desculpas. Porque... Eu precisou que você saiba. Não me sinto culpado por ter tirado vantagem de você.
Sasuke engoliu em seco, e a Haruno deixou que uma ruga funda aparecesse em sua testa.
– Você... Não se sente culpado por ter tirado vantagem de mim? Nenhuma vez?
Sakura franziu as sobrancelhas. Sasuke se afastou, soltando um sopro.
– Não — ele falou firmemente. — Eu não vou mentir pra você sobre isso, preciso que você saiba a verdade. Entretanto, eu me sinto culpado por ter feito você se afastar — ele disse, torcendo os lábios. — Não é a mesma coisa, mas acho que isso me dá o direito de estar aqui.
"Tem alguma ideia do quando eu senti falta de você?"
Sakura deixou que sua testa franzisse. Passou as mãos pelos cabelos, e teria andado de um lado para o outro, se não tivesse dúvidas sobre sua capacidade disso. Tentava organizar as informações, mas não conseguia decidir o que fazer. Se aquilo não fosse tão Sasuke, demoraria a acreditar. Não, estava demorando a acreditar. Sua parte cautelosa dizia que poderia ser apenas mais um jogo. E ela seria muito idiota em cair de novo, mesmo com ele avisando que não se arrependia. Mas não. Sakura sabia que essa desconfiança era absurda. Simplesmente porque em todo o tempo que passaram juntos, Sasuke nunca dissera algo tão direto à respeito de seus sentimentos. Por exemplo, ele nunca chegara nem perto de dizer que a amava. Uchiha Sasuke nunca colocaria seus sentimentos tão expostos num jogo. Fosse qual fosse.
Ele disse que sentiu minha falta?
"Todas as vezes, todos esses anos. Nunca era diferente."
Levantou a cabeça, encarando um Sasuke desconcertado. Tudo nele afirmava que suas palavras não eram falsas. Sakura sentiu um estranho alívio passar por sua garganta e levar um pouco do peso que se acumulava nela.
A voz de Hitomi chegou à sua cabeça sem aviso. Mas, pela primeira vez, não foi pertubadora. Aquela voz que avisava para não se afastar das pessoas por orgulho.
E a preocupação engraçada de Naruto, alguns dias atrás, enquanto lhe consolava com um delicado e confortante beijo na testa.
Surpreendeu-se com seu próprio sorriso fraco e trêmulo. Estava nervosa, como se a cena fosse mudar a qualquer momento que sua respostar demorasse mais.
– Você... Vai ter que dizer "eu sinto muito". Ou "Me desculpe, Sakura".
Sasuke piscos os olhos, balançando a cabeça.
– É só isso — ela repetiu.
– Quer dizer que é só isso e você fica?
– Uhum — garantiu. Fitou a expressão séria e confusa de Sasuke. — Depois de tudo o que eu já disse naquela noite, no meu aniversário, eu não posso mais mentir e dizer que te odeio ou alguma coisa do tipo. No final, você sabia que essa viagem era só uma forma de fugir de você. Seria burrice negar agora, não? — deu de ombros. — Eu ainda estou tentando acreditar em tudo o que você falou, mas eu sei que você não está mentindo. É só que talvez, eu sempre tenha esperado algo assim — sorriu, baixando a cabeça, pelo nervosismo que aumentava.
– Esquece — foi a resposta rápida que ouviu da voz altiva de Sasuke, que movia a cabeça para os dois lados, num sorriso torto. — Você não quer mesmo que eu fale isso, quer?
A rosada estreitou os olhos, surpresa. Cruzou os braços. — Acho que seria bem decente de sua parte.
O Uchiha apoiou suas mãos na mesa, fazendo com que seus ombros se erguessem. — Eu não vou dizer isso.
– Só "desculpas". É só o que eu preciso. Seria bem justo, depois de tudo.
– Não, não — ele fechou os olhos, esticando as mãos. — Você tem que parar com isso. Tem que parar de colocar a culpa toda em mim. Você age como se tivesse amadurecido, mas no final, ainda guarda mágoa do que aconteceu anos atrás, e ainda tem a coragem de querer fugir. Sabe, eu aposto que, no meu lugar, você também...
Sasuke parou, controlando o crescente tom de sua voz.
–Eu o quê? — Sakura perguntou devagar, olhando-o de esguelha.
O Uchiha soprou, fitando o teto. — Você também seria capaz de fazer o que eu fiz.
Ela mostrou-se estática, encarando-o com os olhos arregalados. Os lábios entreabriam-se lentamente, e por eles, saiu uma risada amarga e irônica.
– É impressionante como você nunca entende nada! — parou, tentando convencer a si mesma de desistir de dizer o que queria. Mas a vontade de fazê-lo era maior. — Eu nunca faria algo como aquilo a você, e é justamente por isso que esse assunto me deixa tão frustrada. Aliás, eu já poderia ter feito, não já? Ou acha que foi aquela chantagenzinha barata que me fez te desistir de te passar a perna? Impressionante. Eu aqui, me achando idiota por causa do meu orgulho, por duvidar de você, pronta pra esquecer tudo, aí você me vem com uma dessas. Sinceramente, que babaquice.
Sacudiu a cabeça pelos lados, andou violentamente até a porta, mas só depois de falhar em sua tentativa de abrí-la foi que lembrou que Sasuke a havia trancado. Virou-se para o Uchiha, que se escorava na mesa, os braços cruzados e um sorriso rasgado no rosto.
Então, entendeu. Olhando para o jeito em que ele se encontrava, e conhecendo bem o estilo de Sasuke, era impossível não entender. Fechou os olhos com força e deixou que um sopro seu fizesse barulho. O Uchiha estava só jogando, de novo. Aquela acusação tinha sido apenas uma provocação que ela não havia detectado de primeira.
– Por quê? — foi tudo o que perguntou, ressabiada.
Sasuke deu de ombros. — Queria descobrir o que você pensava sobre isso.
Haruno balançou a cabeça, lembrando-se de seu pequeno espetáculo de raiva alguns minutos antes. Ridículo. Tinha servido de palhaça.
Levantou a cabeça assim que ouviu os sapatos de Sasuke baterem no chão. Ele havia saído de perto da mesa. Estava agora no meio da sala, indo até ela. Por algum motivo que não conseguia descobrir, congelou, sem poder imaginar o que ele faria em seguida.
– Me desculpe, eu não vou dizer que sinto muito de jeito nenhum — riu internamente pelo paradoxo de mau gosto que havia acabado de proferir. — Mas conheço algo um pouco melhor que isso.
Franziu as sobrancelhas, sem sair do lugar enquanto Sasuke terminava seu percurso até ela. O Uchiha tocou em seu ombro e levou o indicador aos lábios, como se fosse compartilhar um segredo mortal. A pele de seu rosto atritou com o dela quando ele novamente foi em direção ao seu ouvido.
– Ah, Sakura... — ele disse, displincente, como se aquilo fosse um aviso. — Eu te amo.
Aquele sussurro fez com que Sakura sentisse que suas pernas desabariam a qualquer momento, assim como sua expressão facial desabou. Seu corpo não era capaz de fazer nada a não ser deixá-la na quase ausência de reações e tremer um pouco mais a cada segundo. Ao contrário daquela frase tão firme e dita sem nenhuma falha, todas as suas extensões fraquejavam, chacoalhavam. A única coisa que impediam seus joelhos de irem ao chão era o corpo de Sasuke junto ao seu.
Não havia necessidade de questionar aquela frase, como ela teria feito em outra ocasião. Ela se explicava por si só, o suposto sorriso torto de Sasuke a explicava. Sua boca estava entreaberta, secando mais a cada segundo pelo desnecessário contato com o ar. Os olhos, arregalados, como ela previa. E a sala parecia mil vezes mais abafada. Talvez fosse a surpresa que não a deixasse se sentir plenamente feliz, como imaginou que se sentiria se aquele dia chegasse.
Não, não. Encarou aqueles olhos escuros, que agora estavam definitivamente à sua frente, perto demais. Não havia maneiras para que ela, em especial, não se sentisse feliz ao ver aqueles olhos tão raramente limpos, sem nenhum motivo escondido. Não havia motivos para se sentir surpresa. Não havia muito menos, motivo para que ela recuasse logo depois de se aproximar dele. Abriu os olhos e tocou de novo aqueles cabelos. Continuavam macios, do jeito que ela lembrava. Sasuke sorriu à lágrima que ela deixou cair, e Sakura o acompanhou por isso.
– Sabe, enquanto eu estava pensando se te prenderia aqui ou não, eu lembrei de uma coisa que a Tenten me disse, há muito tempo atrás. Na verdade, eu lembrei bastante disso. Tsc, foi uma idiotice, mas acho que foi a única coisa decente que ela já disse.
Haruno franziu as sobrancelhas, sem saber do que ele falava. — E o que ela disse?
– Não tem graça se eu contar. Pergunte a ela, depois. Acho que você vai gostar de saber.
– Qual é a sua definição de "graça"? Seria muito melhor se você me contasse.
Sasuke fechou os olhos, suspirando. Balançou a cabeça. Nada respondeu. No lugar de qualquer palavra, a única coisa que fez foi finalmente trazê-la suficientemente para perto e tomar seus lábios.
Sakura não correspondeu a início. Unicamente pela surpresa, que mais uma vez, a deixou imóvel. Mas o beijo de Sasuke era familiar e confortável demais para que seu raciocínio demorasse muito a funcionar. Não foi diferente. Não foi mais calmo, mais cálido ou mais macio do que ela se lembrava. Era exatamente da mesma forma. Não soube identificar o que aquilo significava, mas era algo, e a deixava tão satisfeita que era impossível conter o sorriso quando eles se afastaram.
Sentiu que estava sendo conduzida para a mesa, e sua boca formou se formou num círculo definido, numa indignação falsa.
– Eu não acredito! — colocou a mão no peito, arregalando os olhos numa ofensa encenada. — Impossível! Você... Já? E logo aqui? — levantou as sobrancelhas.
– O que você quer agora? Que eu lhe conte uma história?- revirou os olhos, com um sorriso torto. — Estou com saudades. Agora, se quiser realmente quebrar o clima e ir pra outro lugar...
Deixou um monossílabo de negação escapar, recusando a oferta do Uchiha com a simples ação de puxá-lo para perto de novo.
Não. Havia sim alguma coisa diferente naqueles beijos. Sasuke parecia estar... Sorrindo.
.....
Manhã de sábado. Dia do que era pra ser o casamento de Hinata e Itachi, mas que havia se tornado uma reunião com os amigos, no fim das contas. O sol da primavera fazia jus à sua fama, dando um brilho diferente ao verde dos arbustos decorados na frente das casas por ali.
Estamos quase chegando, pensou Sakura, ansiosa. Sentava-se ao lado de Sasuke no carro do moreno, e não pôde evitar de sorrir ao ver seu rosto concentrado e sereno. Era tão bom e confortável estar com ele de novo que praticamente não se lembrava de que quase esquecera como era a sensação.
– Sabe, — ela começou, chamando a atenção dele. — Eu só vim perceber que não havia mais anel nenhum no seu dedo depois de ter acontecido tudo — riu. — Acho que isso não diz nada muito bom sobre o meu caráter.
Sasuke sorriu de canto, fazendo com que um murmúrio humorado fosse ouvido.
– Novidade. Nesse aspecto, você nunca teve muito mesmo.
– Você não precisa sair dizendo isso — respondeu a brincadeira no mesmo tom. — Mas quando foi que você terminou com a Tayuya?
Sasuke ajeitou-se em seu banco, os vestígios de sorriso deram espaço à sua usual seriedade.
– Foi no dia do seu aniversário. Depois daquela festa, eu liguei pra ela e fui até a casa dela.
– Ah — Sakura fez um bico, mas no fundo, sentia-se feliz por suas palavras daquele dia terem algum resultado.
– Não acha mesmo que eu faria algo com você se ainda tivesse compromisso com alguém, não é? — ele questionou, com uma leve — e para Sakura, estranha — irritação. — Eu não sou como meu pai era.
– Oh, sim eu sei — apressou-se em dizer, só então lembrando-se no que havia dito naquela noite e entendendo o que Sasuke falara. — Me desculpa por ter dito aquilo. Eu só estava com raiva — deu de ombros.
– Não precisa pedir desculpas. Só queria que soubesse.
Pararam. Sakura olhou para o lado, finalmente entendendo que haviam chegado. O campo gramado e um pouco alto era maior do que imaginara, cercado com detalhes brancos, arrumados para o casamento. Ao longe, pôde ver alguns vultos conhecidos. Enxergou Gaara e Shikamaru de paletó e uma loira, que acreditava ser Temari, num vestido roxo. Agradeceu por ter seguido o estranho pedido de Ino e ter ido com uma roupa mais formal, convencendo também Sasuke a fazê-lo. Vindo da Yamanaka, Sakura sabia que ela estava definitivamente aprontando alguma coisa. Afinal, aquilo devia ser apenas um encontro entre amigos, nada que precisasse de roupas como as que trajavam. Virou-se rapidamente para Sasuke, percebendo que demorara muito em sua observação. Mas ele continuava ali, no mesmo lugar, encarando-a com aquele sorriso desafiador que, para outros podia até mesmo parecer perigoso.
– O que foi? — perguntou, um pouco sem jeito pela examinação demasiadamente demorada do Uchiha.
Ele não respondeu, nem fez qualquer gesto que desse a entender algo. Apenas tirou seus olhos dos dela, e para a Haruno, pareceu que ele agora olhava as outras partes de seu rosto. Nem sequer percebeu quando ele se aproximou. Só tomou conhecimento disso quando seus lábios se tocaram, e ela passou rapidamente os braços pelo pescoço do de Sasuke.
No exato momento em que o moreno colocou as mãos na cintura de Sakura, alguém bateu no vidro do lado dele, o que fez Sasuke se afastar da rosada, soltando um grunhido especialmente mal humorado por ser interrompido. Sua insatisfação só aumentou quando constatou que o autor daquilo era aquele homem de cabelos brancos e olhos estranhos. Aquele sorriso travado parecia estar sempre pronto pra debochar de algo, e isso podia ser oportunamente irritante.
Sasuke não baixou o vidro ou pediu qualquer explicação. Apenas abriu a porta tão rápido e bruscamente quanto pôde. Teria feito Suigetsu cair no chão, se ele não tivesse se preparado para isto e ido para longe antecipadamente.
Sakura resolveu descer também. E somente reconheceu aquele que a havia interrompido quando viu uma ruiva logo atrás dele, falando raivosamente. Claro, era o Suigetsu. Tinha visto a figra peculiar de longe em sua fracassada festa de aniversário, claro.
– É por isso que eu não gosto de andar com você — dizia ela, logo depois de se desculpar com Sasuke.
– Ah... Olá, Karin — Sakura falou, sem jeito.
A ruiva piscou duas vezes e passou discretamente o olhar de Sakura para Sasuke, voltando à Haruno. Foi até ela, abraçando-a, fato que surpreendeu a rosada.
– Não me diga que... Não me diga que vocês voltaram? — sussurou.
– Ah, pois é. Foi essa semana mesmo.
– Até que enfim, hein, Sakura — falou, debochada. — Nossa, francamente, acho qu-
– Ei, você duas aí! Vamos logo! Depois você enche o saco, Karin.
Encheu o peito e liberou todo o ar de uma só vez, irritada. Tanto por ser interrompida quanto por Suigetsu ter gritado desnecessariamente alto. Sakura deu de ombros, e fez com que a ruiva se juntasse aos outros dois, indo para o parque.
Havia mais gente do que eles esperavam. Bem mais. Sakura até reconheceu os pais de Naruto, perto dele. Kushina, como lembrava se chamar aquela outra ruiva, arrumava qualquer coisa no cabelo do filho, enquanto o pai, Minato, estava sentado, um pouco mais afastado; guardava um sorriso discreto. Estavam ali até mesmo pessoas que não conheciam. E então, a rosada teve alguma ideia do que aquilo tudo podia significar.
– Ei — Gaara foi um dos primeiros a avistá-los e falar com eles. Bateu no ombro de Sasuke. — É bom te ver de volta — falou firme, com aquela sua expressão que quase mostrava um sorriso. O Uchiha assentiu, baixando a cabeça brevemente.
– Onde estão Ino e Tenten? — Haruno perguntou subitamente, após sua falha tentativa de encontrá-las.
O ruivo fez que não, dando de ombros.
– Ah, espera — ele disse, olhando em outra direção. — Parece que o Naruto está precisando de alguma ajuda. Vejo vocês depois.
– Ok, eu também vou falar com o Naruto daqui a pouco.
– O que está havendo aqui? — Sasuke indagou, assim que Gaara se foi.
– Hmm... Se o meu palpite estiver certo, então é melhor eu não estragar a surpresa.
Ela sorriu, aproximando-se de Sasuke, que passou o braço por seu pescoço. Não perguntou mais sobre aquele assunto também. Na verdade, para ele, não era como se interesasse muito o que aconteceria ali.
– E o Itachi? Eu também não o vi ainda.
– Ele não me falou nada sobre ter mudado de ideia. Deve estar chegando.
– Ah, sim. Então, vem comigo, falar com o Naruto?
– Eu vi o Naruto ontem — reclamou Sasuke. — Que tal deixar pra depois?
Aquilo não era bem uma sugestão, era uma afirmação, Sakura sabia. Mas tudo bem. Estava curiosa para perguntar coisas ao loiro, mas isso podia e iria esperar, até porque surgiu algo mais interessante bem ali.
Um grupo de seis pessoas se aproximava. O primeiro possível de reconhecer foi Itachi, acompanhado por uma mulher alta e bonita, de cabelos azuis, e outro homem ruivo estava ao lado dela. Depois de breves segundo, pôde enxergar-se também que quem vinha atrás deles era Ino, Tenten e Hinata. E então, as suspeitas da rosada foram confirmadas. Hinata usava um vestido de noiva.
– Sasuke e Sakura, que bom que já estão aqui — dizia Itachi, que junto com os outros dois desconhecidos, havia chegado primeiro que as outras três. — Estes são... Konan e Nagato, Sakura.
– Oh — ela paralizou por um momento. Olhou para Sasuke, mas aparentemente, ele já havia entendido a situação. Claro, obviamente ele sabia. — Muito prazer!
Não houve mais tempo para conversas prolongadas. A situação de Hinata era quase cômica. Pegava no vestido, ainda perguntando qual o significado de Ino a ter obrigado a vestir-se daquela forma.
– Você vai casar, é claro! — respondeu a loira, sorridente.
– Mas! — olhou ao redor, e encontrou Itachi. Fitou-o, pedindo misericórdia. — Itachi, você sabe do que elas estão falando?
O Uchiha mais velho soltou uma pequena risada, com os olhos brevemente fechados.
– A ideia não foi minha. Mas você está aqui pra casar com o Naruto — olhou para o loiro, que discutia algo com Shikamaru, fazendo com que a Hyuuga também mirasse naquela direção. — Se você quiser, é claro.
....
– Você tinha que transformar isso no casamento do Uzumaki — concluiu Sasuke, com os lábios crispados zombeteiramente.
– Eu falei que a ideia não foi minha. Mas acho que foi um bom negócio, no fim das contas — respondeu Itachi.
Estavam agora sentados numa das mesas redondas e brancas espalhadas por ali; os irmãos, Sakura, Konan e Nagato. Assistiam a Naruto fazendo o pedido formal a Hinata e os dois discutirem para decidir os padrinhos.
– É... Bem... — começou Naruto, com uma relutância que nem todos entenderam. Aproximou-se de onde estavam os cinco e disse baixinho. — Sakura! E... É... É... Sasuke — desviou os olhos, fazendo com que o Uchiha soprasse em impaciência. — Vocês podem ser meus padrinhos, certo?
– Certo — Sakura respondeu de imediato. Voltou-se para Sasuke. — Quer dizer... Certo, né?
O moreno a encarou demoradamente, não parecia muito satisfeito. Ela fez uma careta manhosa, e ele respirou fundo. — Já estou aqui mesmo.
– Beleza! — Naruto comemorou. Sabia que aquilo era o máximo de confirmação que sairia de Sasuke.
Correu apressadamente de volta para onde Hinata estava, agora, sendo seguido vagarosamente pelos dois que acabara de recrutar.
Ino e Temari encaravam a Hyuuga com a cara fechada e braços cruzados. Não aceitavam não serem escolhidas, o que fazia com que a morena entrasse num dilema. Começava a ficar aflita, quando lembrou-se de quem previamente havia pensado para ocupar aquele cargo. Claro, ele não poderia faltar. E bem, seria uma boa ideia, também. Sorriu prazerosamente.
– Anh... Eu não podia deixar meu primo de fora, não é? — olhou para Neji, que parecia um pouco surpreso. — E também... Tenten, por favor.
Mitasashi passou seus olhos espantados pelos dois Hyuugas. Tudo bem, ela era adulta, lidaria com aquilo perfeitamente. Afinal, não havia motivos para desapontar uma amiga num dia tão importante. Além disso, ela e Neji não eram bem um par, mas bons amigos também podiam fazer aquele tipo de coisa.
– Muito obrigada, Hinata, estou honrada — garantiu.
Ino ainda soltou alguma piada, mas achou a escolha de Hinata bem acertada.
Ela e Naruto não foram embora depois de assinar seus nomes no livro. O loiro disse que cuidara das passagens para que viajassem, mas só eram para o dia seguinte, para que Hinata tivesse tempo de se organizar.
Sakura sorriu, feliz. Observou Sasuke a uma distância média, entretido numa conversa com Shikamaru, Neji, Suigetsu e Gaara. Não muito longe, Itachi ria de alguma coisa, junto de Nagato e Konan.
Naruto ainda parecia cuidar de alguns documentos, enquanto Hinata falava com os pais dele.
Karin, que havia sumido logo quando chegaram, estava num círculo em pé, acompanhada das outras. Seus olhos passearam pelos cabelos castanhos e raramente soltos de Tenten, ao seu lado.
– Ah, agora sim — a morena falou, sorrindo. — Agora sim posso dizer que estamos todos juntos, e ninguém vai me corrigir. Cara, é surreal. Espero que, de agora em diante, seja mais fácil fazer isso.
– É — Sakura riu, concordando. — Você... Tem falado com o Neji?
– Hã... Normalmente. Nós sempre fomos amigos, né.
– Hm. Então vai continuar assim?
– É, acho que é — Mitsashi lançou um sorriso.
– Bom, o que vale é que todo mundo está de bem agora.
Tenten demorou um pouco mais para responder.
– É. Sabe, Haruno — agora a morena olhava para longe, mais precisamente, para onde a maioria dos homens ainda conversava. — Nós sabemos que o Sasuke nunca vai ser de distribuir sorrisos. Acho que até gosto dele assim — deu de ombros. — Mas ele fica feliz quando está com você. Eu, que conheço ele desde sempre, sei. Então, valeu por isso — soltou um murmúrio humorado e deu um gole no champagne. — Eu até falei isso pra ele, há séculos atrás. Poucos dias antes de você ir pra França, eu acho. Ele ficou com uma carinha meio surpresa. Eu adoro essa cara rara de boboca do Sasuke — riu.
– Você disse que ele era... Como é... Feliz comigo? — gargalhou moderadamente.
– É... Mais ou menos assim, não lembro direito. Por quê?
– Oh, então era isso...
– Mas do quê você fala? — perguntou Tenten, já curiosa e minimamente irritada.
– Nada, querida, nada — bateu no ombro da Mitsashi, que foi impossibilitada de insistir por alguma coisa que Temari convenientemente perguntara.
– Ei! — ninguém havia visto quando Ino saíra de perto, o fato é que, agora estava mais longe, próxima a Hinata e seu vestido de noiva longo e esvoaçante. — Venham pra cá, a parte mais divertida chegou! Buquê! — ela acenava, pronunciando melodicamente a última sílaba.
– Pensei que você não quisesse casar! — provocou Sakura, com um sorriso zombeteiro.
– Eu nunca disse isso — a loira revidou, estreitando os olhos. — Além do mais, é só uma brincadeira, testuda. Vem!
– Eu passo — a Haruno respondeu, baixo.
Tenten e Sakura resolveram se afastar, indo para perto de onde os outros estavam, deixando que as outras corressem em busca do tal prêmio. Pelo que podia ver, eram as únicas, juntamente a Konan e, claro, Kushina, que não ousavam se aproximar daquele emaranhado de vestidos coloridos.
– Naruto!! — Sakura sorriu, finalmente tendo oportunidade de falar com o loiro. Abraçou-o. — Estou orgulhosa de você!
– Sakura! Ah... Obrigado — sorriu e coçou a nuca. — Desculpa não ter contado, queria que fosse surpresa.
– Ah, tudo bem. Nem acredito que logo você casou — Sakura riu com o pensamento de que sempre imaginara que seria ela a se casar com Naruto. Estava satisfeita. Aquele rumo que ele e ela havia tomado, separando-os dessa ideia, parecia bem melhor. O sorriso de Naruto e a alegria dentro dela própria confirmavam essa teoria.
– Eu também estou muito feliz que você tenha... Se resolvido agora. É bom te ver feliz assim de novo. Mesmo que seja por causa do idiota do Sasuke.
– Cale a boca. Você bem que quis que ele fosse seu padrinho!
– Não quis nada. Você quem escolheu ele, daí eu não tive escolha. Além do mais, ele é meu chefe, oras. É estranho.
– Eu também sou sua chefe, Naruto — ralhou a rosada.
Qualquer que pudesse ser a resposta de Naruto, ela não saiu. Seu olhos azuis arregalaram-se por algo logo atrás dos ombros da Haruno. Sakura viu que, à sua frente, todas as mulheres olhavam para o mesmo ponto. Virou-se rapidamente.
Definitivamente, o buquê de Hinata não havia tomado um destino coerente, nem caído nas mãos de alguém que o desejasse.
– Mãe! — Naruto berrou para a ruiva que segurava as rosas, sem saber o que fazer com elas. — Podem jogar essa coisa de novo! Brincadeira de mau gosto!
– Não se pode fazer mais nada — interveio Karin. — A primeira vez é a que vale.
....
– Tava na cara que um dia, eles iam ficar juntos — Tenten dizia, observando Naruto e Hinata entrarem no pequeno carro branco e acenarem despedidas. — A Sakura que não me ouvisse, mas desde aquela época, eu achava isso.
Ino riu, com os olhos marejados. — E pensar que eu não suportava a Hinata.
– Os próximo somos nós, não é? — Temari perguntava calmamente, encarando Shikamaru, ao seu lado.
– É — confirmou, passando o braço por trás do pescoço da loira. — Só que não num lugar grande como esse.
– Isso não é grande! — Temari apontava para lugar no qual estava, séria.
Gaara e Ino se entreolharam, balançando a cabeça negativamente, como se compartilhassem, em silêncio, que eles não tinham a menor pressa.
– Qualquer dia desses — Suigetsu dizia perto do ouvido de Karin, abraçando-a por trás. — Sou eu quem chego te fazendo uma proposta maluca dessas.
– Nem pense nisso! — protestou a ruiva, mas deixou um sorriso humorado escapar.
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– E aí! Konan, Nagato! — Tenten cumprimentou, aproximando-se da mesa onde Itachi estava agora. — Vocês estão bem?
– Eu estou sim, Tenten, obrigada. Como vai? — respondeu a mulher. O ruivo apenas assentiu, num meio sorriso.
– Estou muito feliz. Esse dia é especial — olhou para Itachi, e, pelo olhar negro dele, o Uchiha confirmava.
Sentou-se numa cadeira vaga, ao lado do moreno.
– O que será que você tanto olha ali? — ele perguntou, ao notar que a Mitsashi não parava de observar Sakura ao longe, com a cabeça apoiada no ombro de Sasuke.
– Eu só estava pensando... Eles são um pouco complicados. Digo, por mais que alguém diga "ah, o amor deles é tão forte" e todas essas coisas... Eu não sei. É difícil imaginar que depois de uma ruptura feia e de um isolamento longo e total, você ainda tenha sentimentos por esse alguém. Por exemplo, por mais que eu já tenha sim amado algumas pessoas e sei que isso foi ou é muito forte... Com certeza, no lugar de qualquer um deles, eu já teria seguido em frente há um bom tempo — riu. — E, cá pra nós, a Sakura nunca foi de ficar quieta, e o Sasuke também nunca foi o maior romântico que eu conheço. Desse ponto de vista... Eu fico realmente indagando se eu tenho uma péssima interpretação ou se isso é mesmo loucura.
Itachi sorriu torto e reconfortante.
– Não, eu não acho que seja por ai.
Tenten franziu as sobrancelhas. — O quê quer dizer?
– Eu penso que a Sakura e o Sasuke são assim porque eles conseguem se entender. Ela consegue fazer com o meu irmão um trabalho que eu não consegui, porque eu interpretava diferente. Digamos que, se cada pessoa fosse designada por uma cor, a deles, provavelmente, seria a mesma. Eles passaram por coisas distintas, mas acabaram enxergando-as pela mesma perspectiva. Infância, adolescência, as pessoas à volta deles... Isso. Os dois pegaram essas influências externas e agregaram à sua personalidade com um molde parecido. Se houvesse uma subespécie humana, talvez eu pudesse dizer que eles se sentem como se tivessem encontrado um igual, ou qualquer analogia semelhante.
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– Eu estou morta — Sakura olhava para as próprias pernas, insatisfeita. — Acho que preciso mesmo pegar leve na carga horária.
Estavam agora debaixo de uma árvore, aproveitando a conveniente sombra proporcionada. O tronco grosso ficava num canto mais afastado, e consequentemente, mais sossegado do que aquele lugar no qual os demais se encontravam.
– Você sabe que pode, agora — Sasuke respondeu, bricando com as mãos da Haruno, que tinha a cabeça relaxada no peito do moreno.
– Por falar nisso... Eu tenho evitado esse assunto, mas... Como vai ficar agora? Digo, nós, a Teruya...
– Do jeito que está — ele disse, sem demoras. — Continuaremos a trabalhar juntos, e se precisarmos disputar, que vença o melhor.
– É impossível fazer isso e continuar em paz. E eu não quero brigar de novo.
Sasuke suspirou. Era verdade.
– Não vai pedir pra que eu desista? — ela indagou, sem olhá-lo.
– Não. Você não iria, e eu também não quero que desista.
Sakura sorriu, afundando seu rosto ainda mais contra a camiseta branca de Sasuke.
– Acho que a única coisa que nós podemos fazer é tentar lidar com isso da melhor maneira possível, de agora em diante.
Sasuke pôs a cabeça para trás, soltando um sopro.
– Acho que vou te acompanhar nessa viagem de férias. Kakashi terá sua presidência prolongada novamente, pelo visto.
Sakura afastou-se rapidamente, o suficiente para que pudesse encará-lo, com sua testa marcada pela ruga entre as sobrancelhas.
– Eu nunca disse que tiraria férias, ou que iria viajar.
– Mas agora vai — ele garantiu, com um sorriso zombeteiro. — Vamos ver como Hatake se sai nesse caso europeu sozinho.
Ela sorriu torto, ficando de joelhos. — Sabe, eu acho uma ótima ideia. Até porque eu vou achar mesmo conveniente uma viagem só com você.
– É? — Sasuke perguntou só para provocar, vendo que ela se aproximava cada vez mais.
– Uhum — balançou infantilmente a cabeça pra cima e pra baixo, fechando os olhos.
Mas sentiu quando Sasuke parou. Levantou instintivamente as pálpebras, com uma expressão de dúvida.
– O que foi?
O Uchiha fez um singelo sinal de negação. E de novo, examinava-a daquele modo estranho e sério.
– Seu cabelo ficou melhor assim — ele disse, de repente. — Eu... Amo seu cabelo — torceu o nariz, como se não fizesse sentido ou não fosse nada demais.
Sakura o encarou, abobada e surpresa. Um sorriso esguio desenhou-se lentamente.
– E eu amo o você, senhor Uchiha.
Deslizou os dedos pelas bochechas de Sasuke, até que ele a pegasse pelo pulso e trouxesse para mais perto.
– Faz questão de continuar aqui, Haruno? — ele perguntou, um sorriso rasgado chamava atenção.
Sakura olhou para os lados em falso deboche. — Hm... Não. Me leve pra outro lugar.
As íris verdes brilharam mais quando ele lhe ajudou a levantar. O fato de Sasuke ter usado aquele sobrenome era muito mais significativo do que parecia ser.
E um fato que não passou despercebido por nenhum dos dois era que seus sorrisos estavam finalmente se encaixando em seus olhos.
Notas finais
Bem, ainda tem o epílogo... Que espero postar o mais rápido possível. Provavelmente, não demorarei, já que agora, não terá viagem nenhuma pra me atrapalhar u_u pelo menos, assim espero.
Vai servir só pra mostrar mais o fim de personagens que ficaram meio em aberto, e também... Outras coisas, hm.
É, é isso. Vou deixar pra lotar as notas finais no epílogo, então, hihi ^-^
Ja ne.
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