Dormindo Com Fantasmas - Naruto

5 You are all I want, cause you are all I'm not


Notas iniciais
Yo!! Agora, o encontro entre Sasuke e Sakura.
Boa leitura ^-^

Naruto parou o carro em frente ao prédio onde Sakura morava. Olhou para a garota — que tinha ficado calada durante praticamente todo o percurso — com uma ruga de preocupação na testa.

– Tem certeza que não quer ir lá pra casa?

– Tenho. Se eu for hoje de novo, a dona Hitomi pira, ainda mais depois de eu ter saído daquela festa como eu saí.

– Tem razão. Se ela for brigar com você por isso, não vá discutir com ela, apenas escute.

Sakura riu — É engraçado você falando isso, porque você faria justamente o contrário do que está me aconselhando a fazer.

Naruto abriu um sorriso envergonhado, bagunçando o cabelo atrás com a mão — É verdade.

Eles se olharam por alguns segundos, calados. Sakura deu um beijo rápido e falou um "eu tenho que ir" pesarosamente. Naruto assentiu, deu um beijo na testa da garota e ficou acompanhando aquela figura até que não pudesse mais ser vista.


...


5:45. Sakura ouviu o som irritante do despertador e fez uma careta. Murmurou alguma coisa sobre "agora não" e tateou a pequena cômoda ao lado da cama, tentando desligar o aparelho, mas tudo o que conseguiu foi derrubá-lo.

– Droga.

Jogou o objeto violentamente no móvel de madeira e foi para o banheiro tomar seu banho quente.

Voltou para o quarto. Admirou aquelas paredes e móveis brancos, aquele quarto tão espaçoso e que sempre tivera sido seu pelo que deveria ser uma das últimas vezes.

Desceu as escadas ainda com sono. O apartamento parecia completamente vazio, como sempre. Tamiko, a mulher que cuidava dos afazeres domésticos, viva enfurnada na cozinha ou em algum canto da casa, tão silenciosa que às vezes parecia que ela nem existia. Hitomi ficava o dia inteiro fora, mas geralmente ainda estava em casa na hora do café da manhã. Mas naquele dia, ela não estava.

– Tamiko, minha mãe já saiu?

– Já sim, ela disse que tinha muita coisa pra resolver hoje. Deixou um recado pra você. Falou que você tem que se mudar hoje para a casa do senhor Uchiha. Ela me mandou arrumar suas malas enquanto você estivesse na escola, e quando chegar, deve ir de táxi imediatamente para lá, a senhora Hamasaki disse que estará esperando por você lá, mas não poderá te levar porque vai estar muito ocupada. Deixou o endereço num bilhete em cima do balcão.

Sakura parou, completamente atordoada. Pensou no que sua mãe achava que ela era. Um boneco que ela podia manipular como quisesse? As notícias sempre chegavam assim, de paraquedas, sem aviso prévio, sem preparação, apenas sendo jogadas sobre ela.

Dirigiu-se automaticamente para o balcão da cozinha.


Querida, eu ia te avisar ontem, mas você saiu tão repentinamente... Você terá que se mudar hoje, Tamiko te explicará. É muito em cima, eu sei, mas o casamento já é amanhã, e nós estaremos o dia inteiro ocupadas com outras coisas, e como eu viajo já na quinta-feira, não podíamos deixar para outro dia. Escrevi o endereço no verso. Estarei lá esperando por você.

Beijos,

Mamãe.

A garota revirou os olhos. Mamãe. Tinha de admitir, por mais que tentasse, não conseguia ser mais sarcástica que a mãe.

Ela estava flamejando de raiva. Como iria pegar suas malinhas e simplesmente se acomodar na casa de dois estranhos? Era absurdo e ridículo. E o pior de tudo é que teria de ir para a escola, onde com certeza daria de cara com o insuportavelzinho júnior. Não, não era saudável ir para a escola naquele dia. Estava certa de que se fosse, quebraria todos os ossos daquele Uchiha assim que o visse.

Tirou o celular da bolsa. O visor informava que havia uma mensagem não lida.

Naruto. "Bom dia, gata". Balançou a cabeça negativamente, com um leve sorriso. Discou o número do namorado e esperou até que acabasse a chamada. No dia em que aquele loiro atendesse o celular na primeira vez, todos podiam esperar o fim do mundo. Fez uma segunda tentativa.

– Oi — ele falou, ainda com uma voz de sono.

– Oi, Naruto.

– Sakura!! Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu. Eu não tenho a mínima condição de ir pra aula hoje. Fica comigo, por favor... Me tira desse lugar.

Ela falava com uma voz chorosa. Naruto preocupou-se — Pra onde você quer que eu te leve?

– Pra qualquer lugar, eu só quero sair daqui. Eu te conto tudo. Vou ficar te esperando aqui. Você vem?

– Claro! Eu já estou saindo.


....



– E foi isso.

Quando terminou de contar o que tinha ocorrido, Sakura não sabia se sentia mais tristeza ou raiva. Também não sabia onde estavam. Só sabia que haviam passado da Times Square há um bom tempo e agora se encontravam sentados no gramado de um pequeno parque qualquer. Ali, naquele lugar simples onde tudo parecia diferente da rotina selvagem de Nova Iorque, onde pais se permitiam um tempo para brincar com os filhos e as pessoas coversavam sem pressa, tudo transmitia uma sensação de calmaria.

– Esse é o casamento mais engraçado que eu já vi — disse Naruto, acendendo um cigarro para a pessoa ao seu lado.

– Não tem graça nenhuma.


Ela ficou observando a fumaça do cigarro sendo levada pelo vento. Fluia tão bem, era tão bonita. A tragetória parecia certa e definida, sem nenhum outro desvio, sem surpressas, apenas seguindo seu curso natural sabiamente. Desejava que ela também fosse como a fumaça do cigarro, certa e livre de confusões.

– Sabe, Sakura, tenta ficar calma. Eu sei que é tudo muito novo, mas a senhora Hitomi com certeza está fazendo isso para o bem de vocês duas. Vamos lá, você conhece ela, sabe que ela não faz nada à toa.

Sakura girou sua cabeça, de modo que pudesse encarar o loiro — Naruto, você não está no expediente de trabalho, não precisa puxar o saco da minha mãe.

– Não fale assim! — ele apontava o dedo para ela — Não menospreze o que eu faço! Você sabe muito bem o esforço que eu fiz pra conseguir chegar onde cheguei!


Naruto não era o melhor aluno da sala. Não mesmo. Ainda quando criança, suas notas eram baixas e ele era frequentemente posto para fora da aula. Mas desde quando materializou seu sonho de se tornar advogado, decidiu que iria, definitivamente, ser o primeiro aluno da classe. Ele queria proteger as pessoas, queria fazer do mundo um lugar mais justo, e essa ideologia, que geralmente só habita nas pessoas enquanto são jovens, não dava sinal de querer abandoná-lo. Era por isso que, mesmo tão novo, havia conseguido trabalhar numa multinacional importante. Não que ele fosse o tipo convencional de aspirante a advogado. Seus modos eram muitas vezes subversivos — Hitomi fazia questão de chamar isso de inovação–, mas era espetacular no trato com as pessoas. Não havia nada que ele não pudesse convencê-las a fazer.

– Você trata minha mãe como uma deusa só porque ela gosta de você. Não se importa com o que ela faz pra mim. Você não está nem aí.

– Sakura, tem noção do que está falando? — ele praticamente gritava — Tudo o que eu faço é me importar com você, eu largo o que diabos eu estiver fazendo pra ficar com você! Hoje eu tinha uma prova chatíssima de história e eu perdi por você, pra ficar com você!!

Ela continuou calada, olhando apenas para a frente.

– Sabe o que é? Você é muito mimada! Você só quer alguém pra ser seu cachorrinho, pra vir atrás de você a hora que você quiser, te babar e concordar com tudo o que você diz! E é o que todo mundo faz, não é? Todo mundo te idolatra! Só que eu vou te dizer uma coisa, eu não sirvo pra isso!

Ela soprou lentamente e o encarou com uma expressão dura. Levantou-se, abandonando o cigarro no chão — Ótimo. Você não precisa. Só devia ter me avisado antes.

Começou a ir embora, sem olhar para trás nenhuma vez.

– Sakura!!! Espera ai! Sakura! — Naruto gritava, mas ela ia cada vez mais para longe, sem dar ouvidos.

Pegou um táxi mais na frente e sumiu de vista.


....


Sakura sentou-se no bannco de trás. Não respondeu ao "bom dia" do taxista, apenas lhe entregou o pedaço do papel com o endereço dos Uchiha e colocou a cabela para trás, fechando os olhos. Tinha passado em casa para pegar suas malas e dar uma última olhada naquele lugar que guardava toda sua vida. Tamiko pediu mil desculpas por não poder acompanhá-la para ajudar a desarrumar as malas quando chegasse, tinha tarefas deixadas por Hitomi a fazer.

Pensou em Naruto e começou a sentir um arrependimento remoto. Pegou o celular e ligou para ele, porém, mais uma vez, a chamada terminou e ele não atendia. Tentou uma segunda vez. Ele recusou a chamada. Olá, aqui é o Naruto, deixe sua mensagem e eu irei te responder assim que puder!

– Ahehe, assim que puder– ela imitava a voz dele — Imbecil.


Eram 12:00. Se tivesse ido à escola, a esta hora já estaria saindo. Sua mãe já deveria estar lá para recebê-la.

O carro parou. A garota deparou-se com uma mansão enorme. As paredes tinha cores claras, contrastando com as portas e janelas escuras. Tinha três andares e um modelo antigo, mas incrivelmente bonito. Havia um jardim na frente da casa, com árvores de pequeno e médio porte bem podadas e várias passarelas finas entrecortando a área verde, ligadas à uma principal, que levava à entrada da casa.

Pediu ao motorista que a ajudasse a levar as malas até a entrada. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Um ruga de dúvida surgiu em sua testa. Não era para todos estarem ali? Tentou campainha, interfone, e até bater palmas, mas não obteve nenhum sinal de resposta. Será que não havia ninguém em toda aquela casa enorme?

Conferiu o endereço. Era ali mesmo. Sua mãe tinha a deixado na mão mais uma vez. Sentou-se nos pequenos degraus perto da porta e esperou, sem deixar de reclamar mentalmente nem durante um segundo daquele tempo todo que ficou ali, que devia ter sido por volta de uma meia hora.

Tentava ligar pela décima sexta vez para a mãe. Levantou o olhar e viu uma figura de cabelos pretos se aproximar, carregando uma mochila em um só ombro e comendo o que ela julgou ser um hot dog qualquer. Agradeceu a todos os deuses possíveis por alguém ter finalmente chegado, mas continuou com sua cara fechada.

Ele tirou uma chave da mochila e abriu a porta, sem olhar para a garota uma vez sequer. A única prova de que havia tomado conhecimento da existência dela era que não tinha fechado a porta depois de entrar.

Sakura ficou na entrada, parada e indignada com o descaso — Ei!! — ela gritou, fazendo com que ele se virasse para encará-la — Será que dá pra me ajudar com isso aqui? — Apontou para as várias malas jogadas no chão. Ele olhou vagamente para baixo, observando as malas, e respondeu um "uhum-uhum" de negação, com a boca ainda cheia.

A sala era enorme e escura. Embora tudo estivesse limpo, as janelas estavam todas fechadas e havia um tom de esquecimento e falta de cuidado. Sasuke andou por toda aquela parte da casa, alcançando uma larga escada.

– Ei, será que dá pra parar um pouco? — Sakura corria atrás dele, o tom de irritação crescendo cada vez mais. Seu dia estava sendo péssimo e ela estava sem paciência alguma — Não tem ninguém nessa casa pra me ajudar não? Onde está a empregada daqui? Aliás, onde estão minha mãe e o seu pai? Eles não falaram que estariam aqui?

Ele se virou para ela, piscando os olhos pausadamente — Nós não temos empregada e eu não faço a mínima ideia de onde aqueles dois estão.

– Mas eu preciso achar meu quarto! E eu preciso de alguém pra carregar aquelas malas comigo. Você não pode me ajudar?

Ela pediu com os olhos suplicantes, cheios de uma esperança divertida. Ele apenas soltou um suspiro de cansaço e contiuou subindo as escadas, dando as costas para ela novamente.

Ela correu pela escada, alcançando-o mais uma vez. Pegou-o pela camiseta, fazendo com que ele olhasse para os olhos cheios de fúria dela — Pare de ser tão pé no saco e me ajude com aquelas porcarias agora!

Ele não reagiu, nem se incomodou em tentar se soltar. Mantinha a mesma cara calma e sem preocupação, sem alteração alguma — Me obrigue.

Sakura fez uma careta de ódio. Ela iria socar o rosto daquele ser agora mesmo, ah se ia.

Ouviu um barulho vindo da entrada. Olhou para trás e viu sua mãe junto com Fugaku, ostentando o sorriso de sempre. Soltou a camiseta do garoto instantaneamente.

– Querida, você já chegou! Oh, vejo que já está se dando bem com o Sasuke, fico muito feliz.

"Ah, sim, estou me dando tão bem com ele, mamãe, você não faz ideia. Quando você vai me deixar matá-lo?"

Revirou os olhos discretamente e desceu os poucos degraus que havia subido. Cumprimentou Fugaku com o máximo que a sua gentileza falsa permitia.

– Preciso de alguém pra me ajudar com essas malas e pra achar meu quarto.

– Tudo bem, eu acabei trazendo Tamiko para te ajudar. Ela vai levar tudo para o seu quarto, não se preocuope. Mas eu vou ter que te tomar um pouco, filha. Preciso comprar algumas coisas, vamos comigo, me ajudar?

Hitomi lançou um olhar divertido para Sakura, que afirmou qualquer coisa positiva para a pergunta da mãe. A mulher abriu seu maior sorriso e pediu licença ao Uchiha, conduzindo a mais jovem até o carro estacionado perto da calçada.

Notas finais
No próximo capítulo: o aviso de Hitomi.
Até lá!