Notas iniciais
Olá!! Mais um capítulo, espero que gostem!!

Era intervalo. Todos decidiram ir para o gramado, formando um círculo meio desajeitado e disforme por ali. Gaara tinha vindo com Sasuke e Sakura para o colégio, ainda que não estivesse assistindo às aulas ainda. Durante o percurso, não parou de falar por um segundo sequer. Sakura ficou chocada com aquele lado falante do ruivo nunca antes mostrado. Não sabia de onde isso tinha vindo, só sabia que chegara em ótima hora. Realmente não era a coisa mais confortável do mundo passar meia hora espremida pelo silêncio mortal que sempre se formava entre os outros dois.

E ali estavam eles, observando enquanto o tal ruivo se aproximava. Acompanhado de ninguém mais ninguém menos que Sasuke Uchiha. Não, Sakura pensou, tudo menos isso. Seu círculo de amizades era a única coisa na sua vida que mantinha aquela pessoa bem longe dela, e agora Gaara estava prestes a distruir isso. Ah, como ela queria assassinar aquele ruivo estranho de forma lenta e impiedosa.

Mudou a direção do olhar. Não era divertido contemplar sua própria desgraça caminhando até ela, Sakura concluiu. Seu olhar se reteve em Tenten e Neji. Alguém menos pespicaz ou que convivesse menos com eles não perceberia, mas, naquele círculo, todos sabiam que, desde o baile, os dois vinham se aproximando. Era engraçado como o mesmo evento que havia separado ela de Naruto tinha também juntado Neji e Tenten. Pois bem, eles eram os sortudos da vez. Os únicos de todos ali que estavam com suas vidas amorosas arrumadas. Sentiu uma pontada de inveja.

Todos se levantaram para cumprimentar Gaara, felizes porque ele havia finalmente voltado. Menos Sakura, que já tinha se encontrado com o ruivo. E Ino. A Haruno observou aquele comportamento estranho da amiga — que não era novidade, aliás.

– Bem, gente, esse aqui é o Sasuke, irmão da Sakura, como vocês já devem saber. E, pra vocês verem como esse mundo não é de nada, eu conheço o Sasuke da infância.

Sakura ficou alheia a tudo o que os outros comtemplavam ou diziam sobre Sasuke. Procurava não dar atenção, cantando para si mesma o mantra "logo vai passar, logo vai passar", apenas cuidando para não demonstrar o sentimento serial killer que se apoderava dela.

– É, a Sakura nunca tinha apresentado o irmão pra gente! Ela é tão egoísta, quer tudo que é bom só pra ela! — Ino fez um bico brincalhão, olhando para Sakura, o que fez os outros, já sentandos, rirem.

Oh, sim. Às vezes ela tinha vontade de matar Ino também.

Ficou observando aleatoriamente os acontecimentos à sua volta. Todos pareciam se dar bem com Sasuke, que ria a todo o tempo.

Ria.

Desde quando aquele demônio personificado ria daquele jeito?

Oh, claro, então era isso o que ele queria dizer com "você não vai ter paz"?

"Está conseguindo, maldito Uchiha. Está tirando toda a paz que eu tenho. E levando o resto da minha sanidade pro ralo também."

Até Naruto estava se dando bem com o moreno. Não, não, aquele era o pior pesadelo possível. Tudo o que Sakura desejava era que aquele dia fosse uma página de um livro, que ela pudesse arrancar. Não, melhor, que ela pudesse arrancar e picotar em mil pedaços, até que não houvesse mais pistas da existência dela.

O sinal soou, e, pela primeira vez, aquele foi o som mais doce do dia, aos ouvidos de Sakura. Agora, ela finalmente se veria livre daquela presença desagradável, e o melhor era que a próxima aula era pintura, uma aula da qual Sasuke não participava.

Um sorriso nada normal se formou em sua boca, e ela foi a primeira a se levantar e correr para os corredores.

Todos os outros se levantaram lentamente, reclamando. Queriam que o intervalo se extendesse para sempre, por que aquilo era tão difícil?

– Pode ir na frente, eu tenho algumas coisas para falar com o meu parceiro do trabalho de artes aqui — Tenten falou para Neji, sorrindo e apontando para Sasuke. O Hyuuga assentiu, despendindo-se dela.

Tenten fitou o Uchiha de forma reprovadora. Ele mantinha seu olhar calmo e imparcial, o que incomodava ainda mais a garota.

– O que foi, Tenten?

– Seu cínico! Não me pergunte o que foi! Olha só, eu te contei tudo sobre a Sakura, e até agora, você não me disse pra que queria saber daquilo. E então, do nada, você se aproxima da gente. Estou avisando, a Sakura é minha amiga. Não importa se você é meu primo ou o que seja, não vou deixar você fazer algum mal a ela.

Sasuke soltou um sorriso torto e sacástico.

– O que você acha? Que eu estou planejando um assassinato ou algo assim? Por favor. Eu só sabia que a Sakura iria ser enteada do meu pai, e como você sabe, eu gosto de conhecer o tipo de gente com o qual eu lido. E não foi minha ideia ficar amiguinho de vocês, foi o Gaara quem quis, e eu não tinha por que negar.

Tenten olhava para o primo, insatisfeita. Sasuke se preparou para sair, ainda com seu sorriso irônico.

– Ah, sim, e você acha mesmo que me contou tudo sobre a Sakura? Acha mesmo que aquilo é tudo? A Sakura esconde mais coisas do que você pode imaginar. Engraçado você não saber, não é? Vocês não são tipo... Amigas? Não, o mais engraçado é que pra mim, um semi-estranho ela falou tudo — Sasuke fingiu um sobressalto, fazendo sinal de "bang" com a mão em seguida, aumentando ainda mais seu sorriso, franzindo as sobrancelhas — Ah, aposto que ela não falou pra vocês em que ocasião ela confessou todos os segredos pra mim, não é? Cara, amizade feminina é mesmo estranha, vocês não sabem nada sobre a outra.

Sasuke saiu, balançando a cabeça, deixando Tenten desnorteada e confusa.


....



Sakura e Gaara empurraram a porta da sala, as mãos ocupadas de sacolas. Estavam um pouco suados, e pareciam cansados, mas riam, comentando sobre algum assunto que Sasuke, jogado no sofá como sempre, não conseguia ouvir.

Olhou o tamanho daquilo que os dois traziam. Não eram sacolas normais, eram enormes, e pareciam um tanto pesadas.

– Malas?

– Sim — Sakura respondeu, largando-as um pouco para descansar — As minhas estão meio velhas, achei melhor comprar outras. Além do mais, precisava comprar umas apropriadas.

– Apropriadas para que? Vocês dois vão viajar?

– Não só nós dois — respondeu Gaara — Entre o final de agosto e o começo de setembro, a gente sempre faz uma viagenzinha. Os professores que escolhem o lugar, claro. Ah, cara, só espero que não seja pra um lugar com praia.

"Ah, mais essa" reclamou silenciosamente Sasuke.

– Imagina se eles decidissem ir pra Califórnia, Gaara? — Sakura zombou.

– Se isso acontecer, é tudo culpa dessa sua boca azarada! — eles riram.

– Então, me ajuda e levar isso lá pra cima?

– Sim, claro.


....


Assim que fechou a porta do quarto, a expressão de Sakura mudou. Ela ficou séria, encarando Gaara ameaçadoramente.

– O que foi?

– Você ainda se lembra de como são agrupadas as pessoas nessas viagens, não é?

– Sim, os próprios alunos pagam a hospedagem, e, se quiserem, ficam em grupos juntos. Tipo, a gente sempre fica no mesmo lugar junto. Não é isso?

– Sim, é isso. E o nosso "grupo" não inclui Sasuke Uchiha, ok? Nem pense em chamar ele pra ficar com a gente.

Gaara fez uma cara de incompreensão — Mas... O Sasuke é meu amigo, iria ficar estranho se eu não chamasse.

–Aquele ali não é amigo de ninguém.

– Sakura, eu não entendo. Vocês parecem se dar tão bem, por que isso agora?

– Eu não me dou bem com o Sasuke! E olha — ela suspirou — eu sei que isso parece mesquinho da minha parte. Mas é que... Eu e ele temos problemas. E eu vivo com ele o tempo inteiro, e agora até vocês são amigos dele. Essa viagem é a minha chance de esfriar um pouco a cabeça, entende?

– Ainda bem que você admite que é mesquinho da sua parte. Desculpa, Sakura, mas isso não faz sentido. Eu não poderia deixar de convidá-lo. E, tudo bem, mesmo que eu não o fizesse, outra pessoa iria fazer. Todo mundo está se dando bem com o Sasuke. E também, se você não gosta dele, apenas evita.

Evitar. Como se fosse possível evitar.

Mas agora não havia mais nada a fazer. Gaara tinha sido muito útil, ajudando em absolutamente nada. Entretanto, se ela insistisse naquele momento, seria suspeito. E ela não estava com a mínima vontade de enumerar por quais motivos não se dava bem com Sasuke.

– Tudo bem, certo. Eu estava errada, me desculpe. Ah... Gaara, não comenta nada disso com o Sasuke, 'tá?

Gaara fez uma aceno com a cabeça, e encaminhou para a porta.

– Sakura — ele disse, antes de sair. Parecia meio sem jeito — eu falei hoje com a Temari. Ela disse que segura as pontas por lá, mas que quer eu fique aqui na sua casa, pra você "tomar conta de mim" — ele repetiu as palavras da irmã, revirando os olhos. Era incrível como aquela loira sempre conseguia envergonhá-lo, tratando-o como se ele fosse uma criança — sabe como ela é, né, maluca, deveria ter falado com você antes, porque a casa é sua.

Sakura riu — Você pode ficar o quanto quiser, eu já falei. Minha mãe e Fugaku não vão se importar, e, como eu disse, é bom te ter aqui. Essa casa é tão vazia e silenciosa.

Gaara esboçou um leve sorriso, e saiu.



....


Fazia quase um mês desde o episódio do baile. Aquele evento e suas consequências de vez em quando ainda vinham à mente de Sakura, mas iam embora cada vez mais rápido.

A presença de Sasuke era uma constante da qual ela ainda não conseguira se esquivar. Ele estava por toda a parte, fosse na escola, em casa, ou com seus amigos.

Poderia dizer com certeza que aquilo não era confortável para nenhum dos dois, mas pelo menos, ele nunca mais havia tentado nada. Pelo contrário, o tratamento dispensado à ela era o mesmo digno à uma partícula de poeira. Ela acertara, tinha mirado sem erros no orgulho dele. Na verdade, a única coisa que os salvava de ficarem enlouquecidos pelo silêncio era a presença abençoada de Gaara. Graças ao ruivo, e apenas graças a ele, os dois não haviam se tornado estranhos por completo.

Gaara desceu as escadas, tateando o corrimão. Odiava degraus, ainda mais quando tinha de enfrentá-los logo pela manhã, mas o que podia fazer?

Sasuke e Sakura já estavam na cozinha, tomando o café da manhã. Gaara sabia que, assim que ambos acordavam, desejavam encontrar o ruivo já de pé, e não um ao outro. O clima não ficava muito agradável quando isso acontecia. Depois de todo aquele tempo de convívio direto, Gaara já sabia o que provavelmente havia ali entre aqueles dois, mas nunca comentou nem perguntou nada.

Estavam os dois ali, o Uchiha e a Haruno. Tomavam suas xícaras de café em pé, como se não ousassem nem sentar na mesma mesa. Não falavam uma sequer palavra, e evitavam olhar um para o outro, o que era meio impossível. Sakura se pegava encarando o moreno, e quando esse também o fazia, desviavam o olhar ao mesmo tempo.

Sentiram a presença de Gaara por ali, e podia-se notar o alívio deles.

– Acordou tarde hoje, Gaara — Sakura falava quase como se o ruivo tivesse cometido um crime imperdoável.

– É melhor tomar o café logo, se não vamos nos atrasar — Sasuke disse, saindo da cozinha para a sala.


.....



Estavam todos sentados na grama, como de costume. O último a chegar foi Naruto, jogando-se no chão e batendo sem querer o tenis sujo na calça branca de Tenten, que olhou feio para ele e tratou de bater no tecido, para tirar uma parte da sujeira. Há muito tempo desistira de brigar com o Uzumaki toda vez que ele fizesse alguma besteira, caso contrário, poderia ter certeza de que empregaria todo o resto de sua existência nessa tarefa que nunca traria resultados.

– Oops, foi mal, Tenten!

A morena revirou os olhos, enquanto Hinata segurava uma risadinha baixa e Ino cuidava de dizer o quanto ele era idiota.

Era sexta-feira, e na segunda bem cedo, eles viajariam. Para a enorme alegria de Gaara, nada de praia. O tema escolhido pela escola tinha sido as montanhas no Canadá. Bem melhor, ele pensava.

– Então, pessoal — Naruto falava com toda a hiperatividade que podia — Eu já fiz as reservas. Acreditam que eles têm lugares bem perto do campo de pesquisa?

Ino rolou os olhos — Quem foi o esperto que deixou o Naruto ecolher o lugar em que a gente vai ficar?

Naruto fez uma careta para a loira — Muita gente daqui vai ficar lá, sabia? É tipo uma vila, cheia de casas de todos os tamanhos, próprias mesmo pra quem vai estudar aquelas montanhas!! Ok?? E eu fui incrível de pegar a maior de todas pra gente, me agradeça.

Ino fez uma imitação afeminada de tudo o que Naruto acabara de dizer, arrancando risos da maioria.

Sakura, que estava do lado oposto a Naruto, viu o loiro acenar para alguém. Virou automaticamente o rosto, e enxergou Sasuke, caminhando mais para perto deles.

– Ei!! Sasuke! — Naruto fez sinal para que o Uchiha se aproximasse.

– E ai — Sasuke se sentou na falha que havia naquele círculo, entre Sakura e Shikamaru.

– Você vai com a gente na viagem, né?

Sasuke soltou um sopro. Na verdade, não queria ir com ninguém. Na verdade, não queria ir a montanha de Canadá nenhum.

Sakura fulminava Naruto com o olhar. Mas é claro, o único que poderia ser maestro daquela sugestão descabida — que sim, iria arruinar sua viagem, estava convicta disto — era aquela pessoa sem senso algum à sua frente.

– Sim — Sasuke respondeu, e era como se tivesse acabado de soprar uma flauta totalmente desafinada bem no ouvido da garota ao seu lado.

– Ok, ok! Tudo planejado então!

Tenten começou a contar os dedos, o que chamou a atenção de Naruto.

– O que foi, Tenten?

– Hm, eu, você, Neji, Shikamaru, Sai, Gaara, Sasuke, Chouji, Rock Lee, Kiba, Hinata, Sakura, Ino... São treze pessoas. Tem certeza que tem quarto pra todo mundo?

– Já falei com todos, e o Chouji, o Rock Lee e o Kiba não vão com a gente, eles já tinham combinado de ir com outras pessoas, então assim são dez. E lá tem doze quartos.

– Ah — Ino suspirou — Aqueles três não querem mais saber da gente.

Ino, com toda a sua possessividade e proteção maternal que tinha com os amigos, empenhou o restante do intervalo em falar o quão distante os três garotos estavam, fazendo todos resgatarem momentos de tempos passados, a fim de comparar o comportamento deles de antes e o de agora, corroborando sua teoria de que Chouji, Kiba e Lee eram mesmo ingratos sem coração; enquanto Tenten agradecia à sorte, destino, ou qualquer coisa possível por não precisar ver Kiba tão cedo. Do outro lado, Naruto calculava quanto tempo faltava para chegar em casa e almoçar, ao mesmo tempo em que Sasuke e Sakura praguejavam mentalmente por estarem condenados a uma viagem já prematuramente fracassada. Totalmente.

"Se eu não precisasse tanto aumentar minhas notas..."

Notas finais
E ai, falem o que não gostaram, o que está bom, o que precisa mudar...
Beijos e até o próximo!