Dormindo Com Fantasmas - Naruto
17 Stop stupid clock
Notas iniciais
Aquele som agudo e irritante que declarava o início de todos os dias de Hinata entraram pelos ouvidos dela evasivamente. Ela rolou pela cama, sem perceber que já estava na beirada. Seu corpo se chocou contra o chão, seu braço bateu com tudo no roupeiro que ficava próximo. Ela soltou um murmúrio de dor, segurando o braço machucado e se levantando. Era então o dia da viagem, e toda vez que ela pensava nisso, sua ansiedade ia a mil. Claro, aquela era uma viagem de pesquisa muitíssimo importante, estrategicamente organizada três semanas antes das provas. Obviamente era muito importante.
Não, não era isso. Ela iria viajar com Naruto Uzumaki, ficar perto de Naruto Uzumaki. Dormir sobre o mesmo teto que Naruto Uzumaki.
Não que ela estivesse planejando alguma coisa. Aliás, em seu íntimo, não tinha a mínima ideia do que faria se pelo menos uma minúscula chance aparecesse. Além disso, ela sabia que era idiotice, mas se sentia pouco confortável com Sakura por causa de seus sentimentos. Talvez ela não ligasse, Hinata pensava, mas as desconfianças que ela tinha de que aqueles dois andaram tendo umas racaídas aqui ou ali aumentavam ainda mais seu desconforto.
Ela caminhava apressadamente pelas calçadas do colégio, enquanto dava instruções a si mesma para focar no objetivo da viagem, que era obter o máximo de informações possíveis sobre a geologia do lugar e outros assuntos que surgissem, quando avistou vários ônibus perto do portão de entrada. Eles seriam conduzidos por aqueles veículos até o aeroporto. A escola poderia dispensar menos vergonha aos alunos, ela pensou.
– Hinata! Ainda bem que você chegou, a gente já está quase indo — disse Ino, meio alarmada.
– Pois, é ficamos até preocupadas, você nunca se atrasa.
– É que... Eu tive uns problemas. A gente vai de ônibus? — ela falou, apontando.
– Ah, nem me fale. Quantos anos eles acham que nós temos? — Ino revirou os olhos.
Antes que Hinata pudesse dizer alguma coisa, uma das professoras fez sinal para que eles entrassem. Cuidaram para que todos os dez ficassem juntos no mesmo veículo, e, assim que entraram, Shikamaru fez um sinal para que todos o acompanhassem até o fundo da estrutura. Ele abriu uma espécie de cartaz, com uma planta desenhada.
– Esta é a planta da casa onde ficaremos. No andar de baixo tem uma sala bem espaçosa, uma cozinha nem tão espaçosa assim e mais alguns cômodos que... Ah, eu não vou explicar tudo. No segundo andar, temos um corredor com os doze quartos, seis em cada lado.
Naruto arqueou uma sobrancelha — Cara, você fez uma planta da casa? Pra que diabos serve isso?
Shikamaru lançou um olhar de "fica na sua, Uzumaki" e continou — Pra evitar que a gente perca tempo quando chegar, é melhor decidirmos logo agora em que quarto cada um vai ficar. Eu numerei os quartos, estão vendo? Os de um lado, de um a seis, os do outro lado, de sete a doze.
A maioria começou a falar e apontar em qual queria ficar, fazendo um barulho ensurdecedor. Shikamaru fez uma cara de impaciente, até que todos perceberam e ficaram em silêncio.
– É por isso que eu já decidi que o critério será ordem alfabética. Se vocês tivessem deixado eu terminar de falar...
– Ordem alfabética? — Ino perguntou.
– É, é a maneira mais prática, não acham? Bem, no primeiro vai ficar o Gaara — ele apontava para o desenho e marcava com o nome — Segundo, Hinata; terceiro, Ino; quarto, Naruto; quinto, Neji; sexto, Sai; sétimo, Sakura; oitavo, Sasuke; nono, eu; e décimo, Tenten. Os dois úlitmos ficam vazios mesmo. Entenderam?
Eles assentiram.
– Ah, eu sempre sou a última — Tenten fez um biquinho.
Seja qual fosse a piada que Naruto ia fazer, foi cortada pelo fim do movimento do ônibus. Estavam quase de frente ao aeroporto.
.....
– Você também tem um esquema sobre quem vai sentar ao lado de quem no avião, não é? — Ino puxava e repuxava o tecido da manga da camiseta de Shikamaru, com uma expressão um pouco nervosa.
– Obviamente não. Isso depende no número do assento que você pegou e.... Você ainda tem medo de voar?
Ino confirmou com um aceno de cabeça meio resignado. Shikamaru revirou os olhos em desaprovação, soltando um sorriso pelo canto da boca.
.....
O voo foi curto. Ino ficou ao lado de Hinata, que, na tentativa de confortar a loira, acabou deixando-a ainda mais nervosa, e ficando nervosa também.
O percurso por terra para chegar até o local de pesquisa durou uns quarenta e cinco minutos, e quando chegaram, todos ficaram boquiabertos. Era um cenário lindo, magnífico, e a pequena vila que havia ali para hospedar os pesquisadores parecia fazê-los voltar ao século XIX. Eles agradeceram por ser setembro e não estar tão frio ou tão cheio de neve, como em outras épocas do ano. Após ouvirem as instruções dos professores, os alunos foram cada um para seus lares provisórios, com um aviso de que deveriam se reunir novamente em quatro horas, para que dessem início às atividades de estudo.
Naruto abriu a porta da grande casa. Era maior do que eles pensavam, a estrutura de madeira combinava totalmente com a paisagem.
– Olha, eu não estava botando muita fé não, mas dessa fez você fez as coisas direito — Tenten bateu no ombro de Naruto, que fez uma cara orgulhosa.
Ino arrastava a mala com um pouco de dificuldade, por causa das suas mãos e braços que estavam ocupados.
– Deixa que eu levo — Gaara se ofereceu, já pegando a mala.
Ino fez uma careta de irritação, tomando furtivamente o objeto — Eu posso fazer isso sozinha.
Uma ruga surgiu na testa do ruivo, que balançou a cabeça para os lados.
– Hey, Gaara — Sakura chamou, sorridente — eu não iria reclamar se você levasse as minhas malas por mim.
Ele riu, indo em direção a ela.
....
– É impressão minha ou o seu quarto é maior que o meu? — Sakura perguntava a Tenten, examinando as paredes e o teto, enquanto ajudava a morena a tirar as roupas da mala e colocar em cima da cama.
– Shikamaru disse que "os quartos são todos do mesmo tamanho, então não fiquem fazendo confusão por isso" — Tenten imitava o garoto — fala sério, ele está parecendo, sei lá, nosso guia. Mandão que nem a Temari, que ele pensa que é? Cara, ele está convivendo demais com ela.
Sakura soltou uma risadinha baixa.
– As paredes daqui são finas demais! Dá pra ouvir o barulho do Shikamaru daqui — ela disse, constatando aquele fato não muito agradável.
– Exatamente — ela ouviram a voz de Shikamaru num tom alto do outro lado — e eu ouvi tudo o que vocês falam de mim por trás!
– Tinha que ser o Naruto pra arrumar um lugar assim. Privacidade zero, não é?
– Não exagera, Tenten — Shikamaru continuava gritando — vocês só falam alto demais, não tem parede que me impeça de escutar.
– Mas a gente não estava falando alto... — cochichou Sakura.
– Deixa pra lá — Tenten disse num tom baixo.
Ela encarava Sakura, que remexia nas roupas. Se lembrou do que Sasuke havia dito. O que ele queria dizer com "vocês não sabem nada sobre a outra"? O que Sakura escondia? E qual seria a ocasião que ele enfatizara tanto? Sabia que existiam assuntos sobre os quais sakura sempre se recusara a falar, mas só agora sua curiosidade havia sido despertada. Entretanto, ela não podia cobrar nada, afinal, ela mesma nunca contara a ninguém nem que Sasuke era seu primo. Isso poderia causar problemas. O melhor a fazer era deixar as coisas como estavam.
– Ah — Sakura colocou as mãos no alto, relaxando — eu vou pro meu pequeno quarto. Estou morta, é melhor dormir um pouco antes que chegue a hora do trabalho duro.
– Ah, é, mas eu não vou conseguir dormir, estou muito empolgada. O ruim é que eles não deixam a gente tirar foto nas grutas — Tenten fez uma cara manhosa.
– Olha o lado bom, aqui o que não falta é paisagem pra suas fotos. Depois eu quero ver, ok?
– Tudo bem. Vou tirar fotos de você dormindo.
– Nem vem!
– Vou sim!
.....
Tudo estava quieto quando Sakura acordou. Quieto demais. Silencioso.
Definitivamente, havia alguma coisa errada com o silêncio em uma casa na qual Naruto Uzumaki e Ino Yamanaka habitassem.
Com sua visão ainda meio embaçada, olhou para o relógio de pulso.
Impossível.
Quatro e meia da tarde, era o que ele marcava. E todos os alunos deveriam se reunir com os professores para iniciar a pesquisa às uma e meia da tarde.
Saiu da cama num pulo, atravessando a porta, a caminho da sala. Com certeza haveria alguém ali dizendo que ela apenas não tinha ajustado corretamente o fuso horário e que nada acontecera.
Errado.
Ino, Hinata, Gaara e Sasuke estavam na sala. Suados. Sujos.
– Caramba, Sakura, isso é hora de se acordar? — Ino brigava — A gente acabou de voltar, e você se ferrou, a Anko disse que vai cortar vinte e cinco por cento da sua nota só por ter faltado hoje.
Não. Aquilo não podia estar acontecendo.
– Como assim??? Por que essa porcaria de alarme não me acordou?? — ela brigou consigo mesma, e depois olhou para os outros — Por que vocês não me acordaram??
Hinata fez uma cara de desentendida — Ué, como o Sasuke foi o último a sair, a gente pediu a ele pra te acordar... — ela olhou para o garoto, duvidosa.
– E você disse pra eu não te atrapalhar e te deixar dormir — ele completou.
Claro, Sasuke Uchiha. Aparentemente, desde que aquela pessoa aparecera, todas as desgraças de sua vida tinham alguma base nele. Claro que dessa vez não seria diferente.
"Você nem sequer entrou no meu quarto, seu cretino" ela xingou silenciosamente. Fechou as duas mãos, apertando-as o máximo que podia. A vontade que tinha era de partir para cima daquele ser e espancá-lo até o ponto em que ninguém mais pudesse desconfiar que ele algum dia tivera a mínima beleza. Mas aquele não seria um comportamento nada normal, na pespectiva dos outros. Ah, agora ela tinha um pequeno desejo de espancá-los também, só por estarem ali. Seus músculos ao redor da boca se movimentavam, enquanto ela inutilmente dava ordens para que eles formassem um sorriso. Virou-se, num movimento nada natural, e marchou até o quarto, deixando Hinata e Ino sem entender coisíssima alguma. Gaara apenas observava em silêncio.
– Eu vou lá — Ino informou, rolando os olhos.
....
– Sakura, eu estou entr-
Ino parou, boquiaberta, ao se deparar com a garota esmurrando o travesseiro. Assim que se deu conta da presença dos olhos azuis, parou o movimento, escondendo o objeto atrás de si e sorrindo, como se dissesse "olá, eu não estava fazendo nada".
A loira olhou para ela de forma repreensiva.
– Ah, ok, desculpa. Mas é que se eu não socasse isso, eu iria socar... A Anko! Aquela miserável!! Como ela pôde acabar tanto com a minha vida? — Sakura se levantou, e agora andava de um lado para outro do quarto, gesticulando freneticamente — Por que ela me persegue em todo o lugar que eu vou? Não importa se é em casa, na escola, ou com os meus amigos, lá está a Anko pra causar algum desastre!! Eu não aguento mais!! Qual é a graça de tornar a vida de uma pessoa um inferno, Ino, qual??
Ino piscou — Anh... Eu não sabia que a Anko tinha tanta marcação assim em você....
– O que? — Sakura balançou a cabeça — Ah, sim! Anko! Pois, é, eu sinceramente quero que a Anko morra.
– Você não acha que está exagerando não? A Anko é assim barra pesada com todo mundo.
– Hã? De que lado você está, Yamanaka? — perguntou a Haruno. Precisava arranjar algo para desviar o rumo daquela conversa.
– Bom...
Sakura fungou o nariz — Hm, não é por nada não, mas você está fedendo, porquinha...
– Hã?? — Ino quase gritou, indignada — Mas é claro que estou, passei a tarde inteira na porcaria de uma caverna pegando em tanta terra e pedra e... Argh! Aqui não tem banheiro suficiente pra todo mundo tomar banho ao mesmo tempo, sabia? — ela se explicava, já levantando da cama e indo embora, enquanto Sakura ria do constrangimento dela — Ah, só mais uma coisa. A gente tem a noite livre, então pensamos em fazer uma fogueira, conversar, cantar e essas coisas todas. Você vem, não vem?
– Eh... Não seria melhor se a gente fizesse uma coisa só com as meninas?
– Outro dia; hoje não, Sakura! É nosso primeiro dia aqui, a gente quer reunir todo mundo! — Ino bateu o pé no chão.
– Ah, sim, claro! Claro! Entendi! — ela soltou um risinho nervoso — certo então, eu vou.
– Então ok, já vou.
– 'Tá, e vê se toma um banho, por favor.
Ino mostrou a língua para Sakura, fechando a porta em seguida.
Notas finais
Até logo!
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