Dormindo Com Fantasmas - Naruto

25 They said it changes when the sun goes down


Notas iniciais
Yo!!
Espero que gostem desse capítulo ~~~

Tudo começara com um telefonema. Sasuke lembrava bem.

Naquele dia, amanheceu com uma dor de cabeça imensa, resultado da noite anterior.

Sim, na noite anterior àquele dia, Naruto Uzumaki havia bebido demais, demais mesmo para o limite do seguro quando se tratava de Naruto Uzumaki.

O loiro havia descido as escadas, junto com Sai, que, diga-se de passagem, também não estava lá essas coisas, e começara a falar, ou berrar, coisas aleatórias, que ninguém na verdade deu muita atenção, até que ele pronunciou alguma coisa sobre Ino e Gaara juntos há dois anos. Sasuke assistira às reações de choque de Sakura, Tenten e Hinata, às desaprovadoras dos outros garotos e à furiosa de Yamanaka. Ele não dera muita importância à discussão daqueles dois loiros, mas não pôde ignorar o estrondo que o corpo de Naruto fez ao cair no sofá, por cima de Shikamaru e Gaara, depois que Ino lhe deu um belo e doloroso tapa.

Oh, sim, adivinha para quem sobrou?

Ele, Sasuke, claro. Sobrou para ele e para Gaara — aparentemente, os mais aptos dali — carregar Naruto até seu quarto ou banheiro e fazê-lo acordar. Não recordava exatamente em que momento, mas sua dor lhe lembrava a sensação que um empurrão arbitrário de um certo Uzumaki e o consequente choque de sua cabeça com a pia haviam causado.

Não teve muito tempo de curtir sua dor de cabeça; logo logo o som da maçaneta mostrava que alguém insistia em abrir a porta, e estranhamente — já que ele não lembrava de ter trancado — não conseguia. Finalmente, ela foi empurrada desajeitadamente, e Sakura apareceu, com as duas mãos ocupadas, carregando uma bandeja. Os cabelos estavam pouco desarrumados, ela ainda tinha uma cara de sono e vestia uma camiseta dele, devidamente grande demais e que deixava um dos ombros descobertos.

Ah, sim, na noite anterior, enquando cuidava do lombo em sua cabeça, Sakura havia dito algo como "pro inferno com a calma" e ficado por ali mesmo. Ele afirmava que isso também tinha a ver com o exelente trabalho de atiçamento feito por ele enquanto ainda estavam na sala com os outros, dizendo certas coisas confidencias no ouvido dela, hm.

- Eu sei que eu deveria ter te esperado, mas seu café é muito ruim — ela anunciou, colocando a bandeja na cama e sentando-se do lado oposto a ele.

- Bom dia também. Sakura não pareceu ouvir, apenas olhou ao redor do quarto e franziu o cenho, levantando-se prontamente para abrir as cortinas.

Sasuke fez uma careta pela luz excessiva, e ainda mais quando tomou o primeiro gole do café que ela havia trazido.

- O que raios tem aqui? — ele perguntou, ainda encarando o líquido escuro em suas mãos.

- Sasuke! Esse era o meu! — ela disse, meio emburrada — é um pouco de licor. O que é? Não me olhe assim, foi uma mania da mamãe que eu peguei, coloque culpa nela. No seu tinha menta — ela fez um bico ao dizer a última frase, olhando para a outra caneca.

- Argh — ele soprou — Algo me diz que isso não vai ajudar em nada minha dor de cabeça.

- Ainda com isso? Você é tão molenga.

- Queria que fosse você quem tivesse batido a cabeça na pia. Ah, e tudo por causa do Naruto, sinceramente. Eu vou quebrar os ossos daqueles idiota.

Sakura recostou-se mais na cama, apenas se mantendo erguida o suficiente para bebericar o café, apoiada em um dos braços. Sasuke a encarou. Torceu o canto da boca levemente.

- Fala sério, alguma vez você imaginou que a gente estaria assim um dia?

Sakura soltou um sorriso pelo canto da boca.

- Não mesmo. Se há dois meses alguém me disesse que eu faria café pra você, eu riria até cair — ela parou, ouvindo um "hum" humorado de Sasuke — não, de verdade, até hoje, quando eu lembro daquele dia em que eu cheguei na sua casa, me sobe uma vontadezinha de te esganar, sabe? Cara, você foi simplesmente um pé no saco.

- Claro, você invade a minha casa e queria o que? Fui gentil, até.

- Eu nunca invadi a sua casa.

- Olha, se for pra gente reclamar de grosseiria, eu tenho mais coisa a relatar que você.

- Ah, é? Você mereceu tudinho.

Ela riu. Sasuke apenas soltou um som humorado, e continuou tomando seu café.

- Vou pro meu quarto, trocar de roupa — Sakura anunciou, de modo autoritário — quando terminar, leve a bandeja para a cozinha.

- Leve você.

Estava tediosamente levando a bandeja para a pia, como Sakura irritantemente insitruíra, após verificar que apenas deixar o objeto na cama até que ela fosse buscá-lo não era boa ideia. Não parecia haver mais ninguém por ali, então ele concluiu que deveria ser cedo demais para que aqueles preguiçosos estivessem acodados.

Jogou-se no sofá e ligou a televisão, mas antes que pudesse procurar algum canal para ver, sentiu o celular vibrar no bolso da calça.

Uma ligação. Número desconhecido. Dos Estados Unidos. Quem poderia ser? Seu pai estava viajando, e não havia motivos para qualquer outra pessoa ligar para ele.

O som agudo do aparelho continuou, e ele resolveu atender.

- Quem é?

- Uchiha Sasuke? — era a voz de um homem. Uma voz grave e desconhecida, ou talvez nem tanto assim... Estranhamente, tinha a impressão de tê-la ouvido outras vezes.

- Sim. E você é?

- Hatake Kakashi, da Teruya&Hamasaki.

Claro, lógico que ele o conhecia. Já o vira várias vezes com seu pai. Hatake Kakashi, chairman da Teruya, braço direito de Fugaku. Mas o que o fizera ligar tão de repente?

- O que você quer, Hatake?

- Bem, Sasuke, eu não tenho uma notícia muito agradável. Você está em uma viagem no Canadá, certo? E Hamasaki Sakura também está com você, é isso mesmo?

- Sim, é isso. Por favor, vá direto ao ponto.

- Como quiser. Vocês têm televisão ai?

- Sim.

- Certo. Ligue no canal sete, por favor.

Sasuke foi até o outro sofá, onde estava o controle. Passou pelos canais até chegar ao sete, sem entender nada do que estava acontecendo.

No canal de notícias, havia um sinal de "plantão" no canto esquerdo superior. As imagens de helicóptero mostravam uma parede destruída, com destroços que ele não conseguiu reconhecer muito bem. Logo em seguida, um homem qualquer apareceu para alguma entrevista. Mas foi o retângulo azul na parte de baixo da tela que chamou sua atenção. Em letras brancas e bem visíveis estavam: "Pouso mal sucedido causa acidente de avião em que estavam os empresários Uchiha Fugaku e Hamasaki Hitomi."

- Ainda não foi apurada a causa do desastre, em que a aeronave acabou colidindo com a pista de pouso e destruindo violentamente parte da estrutura do aeroporto de Nova Iorque esta manhã, numa tentativa falha de paralização. Também não foram divulgados os estados de todos os passageiros, mas é sabido que, pelo menos vinte e cinco morreram na hora e dezenas estão em estado grave. Dentre as vítimas, estão os multimilionários Uchiha Fugaku e Hamasaki Hitomi, agora hospitalizados no....

Sasuke parou de ouvir p noticiário. Teve de segurar o celular mais forte para que ele não caísse. Sua mão suava.

Pôde ouvir a voz de Sakura e Gaara ainda distantes, no andar de cima. Deviam estar se aproximando da escada. Sakura desceria, olharia para a televisão e veria aquela notícia. E ele não fazia a mínima ideia de qual seria a reação dela. E nem queria descobrir.

Rapidamente, desligou a televisão e correu com o celular para fora, sem olhar para trás quando Sakura disse "ei, Sasuke!".

Fechou os olhos automaticamente, protegendo-os do raro sol forte que fazia. Encontrou Tenten ali fora, ajustando alguma coisa em sua câmera, procurando o melhor ângulo para uma foto da casa.

- Tenten! — ele a chamou, ofegante.

- O que foi, Sasuke? Por que você está-

- Vai lá pra dentro. Liga no canal sete. Fugaku e a mãe da Sakura sofreram um acidente. Ela ainda não sabe, você vai lá contar pra ela.

- O que? Tio Fugaku-

- Vai logo, Tenten!

Sasuke gritou. A morena se assustou com a expressão do primo, mas correu imediatamente para dentro da casa.

Levou novamente o celular à orelha — Kakashi, ainda está ai?

- Sim. Você terá de ser forte, Sasuke, e-

- Como eles estão? — o Uchiha interrompeu.

- Ainda é muito cedo pra dizer, os médicos ainda não liberaram muitas informações, mas o estado deles é grave, Sasuke. Nós já obtivemos licença da escola de vocês e enviaremos um helicóptero para buscar vocês dois, assim que conseguirmos permissão para entrar no território canadense. Estejam prontos, provavelmente, chegaremos ainda hoje.

- Entendido. Venham o mais rápido que puderem.

Sasuke desligou o celular e o colocou de volta no bolso. Parou, encarando a construção de madeira. Ele não conseguia realmente se importar com o estado do pai, mas sabia que Sakura se importava com a mãe. Questionou se Tenten já havia contado, se Sakura já havia ligado o canal sete.

Não queria entrar, mas teria de fazer isso alguma hora. Soprou, baixou os ombros e empurrou a porta.

Ela estava sentada no sofá, os cotovelos apoiados nas pernas, a cabeça baixa. Suas sobrancelhas estavam frazidas, mas ela não chorava. Tenten tinha a mão no ombro esquerdo dela, deixando algumas lágrimas escaparem de seus olhos chocolate. Gaara estava em pé entre ela e a televisão. Ino também já estava por lá, sentada ao lado direito da garota.

Assim que ouviu o barulho da porta, virou-se para encarar Sasuke. Seu olhar era confuso e meramente perdido.

- Isso é verdade? — ela apontava para a televisão.

Sasuke assentiu, ao que ela abaixou novamente a cabeça, fazendo a ruga em sua testa crescer.

Ele caminhou até lá, passando por Gaara e ajoelhando-se no chão, de modo que ficasse da mesma altura de Sakura, e a abraçou. Tentou dizer alguma coisa, mas acabou ficando calado. E ela não chorou, como ele achava que faria. Apenas disse, numa voz um pouco embargada:

- Quero voltar pra casa.

- Eu sei. Arrume suas malas, estão vindo nos buscar.