Notas iniciais
Yooo!
Espero que gostem ^-^

Ino voltou a sentar no sofá, ao lado de Gaara, depois de ter insistido três vezes e Sakura ter respondido convictamente que não, não queria companhia para arrumar as malas.

- Duro isso que está acontecendo, não é? — ela falou — Quero dizer, numa manhã, você acorda de ótimo humor, tudo bem, tudo legal, e de repente, bum, sua mãe está no CTI.

- Não sabemos se ela está no CTI — Gaara respondeu, passando pelos canais da televisão, sem realmente parar em algum.

- Ah, provavelmente sim, já que o Sasuke disse que eles não estão bem — a loira soprou.

- Pra completar, ainda tem esses idiotas — Gaara apontou para a televisão.

Ino olhou para o aparelho, onde uma canal de fofocas exibia "Hamasaki Sakura está em passeio com namorado no Canadá, afirma tabloide"

- Fontes afirmam que Hamasaki Sakura, herdeira da multimilionária Teruya&Hamasaki, está em passeio pelo Canadá com o namorado enquanto sua mãe luta pela própria vida, é isso mesmo, Ann?

Uma loira com uma animação artificial perguntava para uma ruiva.

- Isso mesmo, Claire. Temos fotos de Sakura e seu namorado flagrados enquanto saiam de uma loja com malas, dias atrás, vejam só.

Foi com espanto que Gaara viu uma foto com ele e Sakura na rua sendo exibida; os dois sorriam e carregavam as sacolas com as malas que haviam comprado para a viagem.

Ino soltou uma gargalhada.

- Espera ai, eles pensam que você é o namorado da Sakura?? Demais!!

Ela colocou a cabeça para trás e fechou os olhos, não conseguindo controlar o ataque de risos.

- Não poderia esperar outra coisa de gente como eles.

- Ainda não sabemos quem é o belo e misterioso ruivo com a tatuagem chamativa, mas-

"Belo ruivo com tatuagem chamativa?" Gaara franziu o cenho, balançando negativamente a cabeça.

- Coitada da Sakura, ainda bem que ela não está aqui para ver isso — Ino disse, ainda entre gargalhadas.

- Sakura, que no ano passado foi vista saindo com Alex Carter, da banda-

Gaara desligou a televisão, revirando os olhos e jogando o controle para o lado.

- Impressionante como essas pessoas não têm nada pra fazer — Ino pareceu se recompor — digo, a mãe da menina sofreu um acidente grave e eles estão mais preocupados com quem ela namora ou deixa de namorar? Ah, francamente, bando de vermes.

Gaara deu de ombros — É com isso que eles ganham dinheiro.

Ino apenas torceu o nariz, ficando em silêncio.

- Ah, Ino... É... — Gaara parou — desculpa ter falado pros outros sobre a gente. Eu deveria saber que o Naruto abriria a boca.

- Hm, tudo bem, afinal, eu só perdi minha dignidade em público, não foi nada demais — ela brincou, e Gaara curvou o canto da boca em um discreto sorriso.

- Então, eu estava pensando se você não queria sair comigo, pra tomar um café, quando nós chegarmos em Nova Iorque.

- Hm — ela fechou os olhos, levantando-se, ao mesmo tempo que ajeitava o cabelo preso — Quem sabe? Talvez, se eu tiver desocupada... Tudo é possível — ela soltou um sorriso torto, saindo dali, enquanto Gaara permanecia no sofá, esboçando um sorriso leve.

....

- Eu já disse, Ino, não estou precisando de ajuda — Sakura falou num tom alto e levemente irritado ao ouvir alguém bater a porta.

- Tem certeza?

Naruto apareceu, sorrindo enquanto fechava a porta. Sakura parou. Ficou apenas em pé, com uma blusa qualquer na mão. Aquela falta de noção do que fazer na presença do Uzumaki começava a ficar insuportável.

- Olá, Naruto — ela disse, ainda meio congelada.

O loiro ficou mais sério. Encarou a garota, que tinha seus olhos cada vez mais vacilantes à medida que ele se aproximava dela. Parou a alguns poucos centímetros de distância, obersevando o nervosismo de Sakura. Abraçou-a. Um abraço apertado, aconchegante e acolhedor, desses que só Naruto sabia dar.

- Eu soube da sua mãe. Vai ficar tudo bem, ok? Você é a garota mais forte que eu conheço, afinal — ele soltou uam risada abafada.

Ali, com o queixo apoiado no ombro de Naruto, Sakura conseguiu chorar. O conforto e a segurança que ela tinha com o Uzumaki era algo incomparável. Sentiu a tristeza da qual ela nem havia tomado consciência se esvair, expulsa no ritmo dos soluços.

- Naru... Naruto... Eu tenho que te contar uma coisa. É muito importante — ela tentava falar — Eu não consigo te esconder nada mesmo, é sobre eu e o-

- Eu já sei — ele disse sorrindo, enquanto separava seu abraço e limpava as lágrimas dela com o polegar.

- S-sabe?

- Uhum. A Ino me falou tudo.

Os olhos de Sakura arregalaram, e ele pôde ver os cílios dela se umedecerem novamente.

- Shh, está tudo bem — ele colcou a mão sobre o ombro de Sakura — O que foi que eu disse? Que eu estaria sempre do seu lado, não foi? — ela assentiu levemente — Escuta, eu estive pensando e cheguei à conclusão de que... Eu vou te amar pra sempre, Sakura — sorriu — Não me importa se não for mais como namorados, enquanto eu puder estar perto de você, está bom. Amigos também se amam, certo?

- Certo — ela disse, sua voz tremida pelo grande tom de felicidade. Pegou algum impulso e abraçou-o novamente, enérgica — Naruto... Obrigada.

.....

Eram cinco da tarde. O sol, que começava a desaparecer, coloria de laranja o piso da sala onde todos estavam. Sasuke e Sakura já estavam com todas as suas malas, e os outros estavam apenas sentados, calados, olhando para o nada, todos os dez. Não era nem como um velório, porque não havia tristeza. Era mais como a sala de espera de um hospital.

Apenas Naruto torcia a boca de um lado para o outro, provável manifestação dos pensamentos que o incomodavam, e Sakura fazia pequenas elipses com a unha em sua calça preta, produzindo um barulho agudo e não muito confortável, que ecoava por todo o silêncio da sala, mas ninguém reclamava.

Logo, um outro barulho — o de alguém batendo firmemente na porta — fez-se ouvir, e Sakura assistiu enquanto Sasuke levantava prontamente e ia até a entrada da casa.

- Olá — o homem alto, de olhos arregalados e cabelos castanhos apareceu — meu nome é Yamato. O senhor deve ser Uchiha Sasuke. Fui encarregado de buscá-lo, assim como Hamasaki Sakura, ela está?

- É Haruno Sakura — ela dise ao fundo da sala, sem olhá-lo, e abaixando-se para pegar uma bolsa.

Yamato levantou uma sobrancelha e proferiu um "como quiser" educado.

- Tem certeza de que não quer vir? — Sakura perguntava enquanto se despedia de Tenten — Afinal, ele é seu tio.

- Não, está tudo bem — a morena garantiu — preciso terminar meus trabalhos por aqui, além do mais, em cinco dias estaremos voltando — sorriu confiante.

- É isso mesmo, testuda — disse Ino, com seu brilho contagiante — em cinco dias, estaremos de volta para assegurar que não faça nenhuma bobagem — ela colocou a mão na cabeça, fingindo preocupação — pelo menos a Temari já deve estar lá, pra tomar conta de você.

Sakura apenas esboçou um sorriso fraco, virando-se para os outros e fazendo um último leve sinal de "tchau" com a mão, prontamente seguindo Yamato. Ino torceu os lábios. Em outros dias, ela teria ouvido uma longa discussão sobre Sakura não precisar que tomassem conta dela.

....

- O que essa ruga está fazendo aqui? — Neji massageava de leve a testa de Tenten com o indicador.

- Estou preocupada com a Sakura — ela disse, ainda sem mudar a expressão.

- Não deveria. A Sakura é forte, ela vai superar isso.

- Não, não é só em relação à mãe dela. É sobre o Sasuke também.

- Hum — Neji fechou os olhos — engraçado ela nunca ter ficado sanbendo que você é prima do outro herdeiro da empresa, esse tempo todo.

- É, a Sakura sempre foi muito desatualizada dos assuntos da empresa, a mãe dela deixava ela longe de tudo, então ela mal sabia quem eram os Uchiha. E também, eu nunca gostei muito de falar sobre a família da minha mãe. Não é muito agradável. Eles são... Estranhos.

- Verdade. Eu não vi o Sasuke ficar triste nem por um momento com essa notícia.

Tenten contraiu os lábios — É que... Digamos que tio Fugaku não mostrou seu melhor lado pra Sasuke. Mas o que me preocupa é o fato de que nem Itachi, que foi a maior vítima de tudo, tem tanta raiva do pai quanto o Sasuke. Sabe, talvez eu seja a pessoa mais próxima dele, e mesmo assim, não sei o que se passa naquela cabeça. Isso me pertuba muito.

- Itachi é aquele primo que você sempre visita na prisão?

Tenten assentiu.

- Você não tem sorte — brincou Neji.

- Por quê?

- Nasceu no lado errado da família, o lado que não é herdeiro de nada — ele disse, com um sorriso torto.

- Pois é, você pegou a garota errada, mas ainda dá pra desistir, se quiser — ela entrou na brincadeira.

- Vou pensar....

Eles riram, e Tenten deu um tapa leve em Neji.

....

- Como você está? — Sasuke tinha seus olhos fechados, massageando as têmporas.

- É surreal — respondeu Sakura, sem olhá-lo — É como se eu ainda não acreditasse.

- Desculpas por interrompê-los — falou Yamato, com sua expressão séria de sempre — em alguns minutos chegaremos, para onde vocês querem ir primeiro?

- Pra casa, obviam-

- Para o hospital — Sakura disse, num tom mais alto que Sasuke, e seco.

- Que história é essa? Olhe para nós, temos que ir pra casa e resolvermos as coisas antes de irmos para o hospital! Ficou maluca?

Sakura virou-se para encará-lo. Seu olhar continha pura fúria.

- Eu não me importo que você seja uma aberração sem emoção alguma que não está nem ai para o fato de que seu pai pode morrer a qualquer momento. Eu vou para o hospital. Se você quiser, depois que me deixarem, vá para casa, faça o que bem entender.

Sasuke rolou os olhos.

- Cale-se, você está sendo estúpida — ele era ríspido — Não adianta nada irmos ao hospital agora, não vão dos informar nada demais com tão pouco tempo. Além disso, vamos ficar lá, parados na sala de espera com todas essas malas e cansados? Use só um pouco a lógica e pare de ser tão sentimental, faça o favor.

Sakura deixou a cabeça repousar, virando mínima e exaustivamente para o outro lado.

- Já disse — sua voz era baixa e cansada — Vou para o hospital. Se quiser, pode ir pra casa.

Sasuke franziu o cenho. Iria dizer algo mais, logicamente. Entretanto, seu olhar passou por Yamato, que estava meio pasmo, e ele resolveu que não era o melhor a se fazer. Apenas calou-se.

....

Sakura chegou ofegante ao hospital. Sasuke tinha seguido para casa, junto com as malas, sem dizer uma única palavra. Ela se preguntava como podia ficar tão impassível. Mesmo que Fugaku estivesse longe de concorrer ao prêmio de pai do ano, ainda assim era pai dele, e poderia morrer. Ela não entendia. Deu de ombros.

- Olá — ela disse para a atendente — Sou Haruno Sakura — a mulher, com seus trinta anos, fitou-a com uma cara de nada. A garota olhou para os dois lados — Hamasaki Sakura.

- Oh! — a mulher piscou — é mesmo! Como pude não reconhecê-la? Perdão. Bem, deve estar querendo saber sobre sua mãe, sinto muitíssimo pelo que aconteceu, por favor, sente-se ali, irei avisar um médico para que venha falar com a senhorita o mais brevemente possível.

- Obrigada — ela disse, com uma voz morta.

Encaminhou-se para uma das confortáveis cadeiras brancas daquela ampla sala já artificialmente iluminada devido à noite que havia chegado. Esperar era horrível, e esperar naquela situação era desesperador. Foi tirada de seus pensamentos num susto, quando sentiu o celular vibrar no bolso. Tirou-o e olhou o visor. O número não estava agendado, e era chamada internacional.

- Alô? — ela disse, meio duvidosa.

- Sakura!

Ela reconheceu aquela voz tão doce, tão confortável, tão macia e única, e seu coração deu pulos. Ela tinha vontade de abraçar aquela voz, agarrá-la, tamanha era a saudade que correspondia dentro de seu peito àquele timbre.

- S-Seiji?

- Princesse! Tentei te ligar a noite toda, mas não consegui. Eu vi as notícias. Não pude acreditar. Como ela está? — a voz dele era receosa.

- Eu... Eu estava no Canadá com a minha escola e... Eu só cheguei no hospital agora. Nenhum médico veio falar comigo ainda, mas ela não está nada bem, Seiji, nada bem.

- ... Entendo - seu tom era quase um sussurro.

Sakura se calou, apertando o telefone na mão.

- V-Você vem, Seiji? Você precisa vir. Eu sinto tanto sua falta — a voz de Sakura começava a falhar.

Por instantes, ela não ouviu nada além de chiados.

- Eu não posso, Sakura, desculpe-me. Também sinto muitas saudades de você, princesse.

- Então por que não volta? Eu não posso acreditar que você guarde tanto rancor da mamãe a ponto de recusar a visitá-la quando ela pode...

Mais silêncio.

- Desculpe-me, Sakura. Eu simplesmente não posso sair da França agora — sua voz vacilava - mande notícias, e por favor, fique bem, princesse... Eu te amo. Tenho que desligar agora, são quase uma da manhã aqui. Ah, e este é meu novo número, guarde-o.

- Se-Seiji!

Ela ainda tentou chamá-lo de volta, mas foi inútil, ele já havia desligado. Contraiu o celular com as duas mãos, colocando força nele para segurar as lágrimas. Droga de médicos que a deixavam esperando! Quem aqueles idiotas achavam que ela era? Limpou ferozmente os cílios úmidos com as costas das mãos, levantando o olhar apenas a tempo de ver Temari adentrando no hospital, com uma preocupação em sua costumeira seriedade, olhando para os lados, provavelmente tentando encontrá-la.

Levantou-se assim que percebeu a atenção da loira cair sobre ela.

- Sakura! — Temari veio em passos mais rápidos ao encontro da amiga, até abraçá-la — Liguei para sua casa e Tamiko disse que estaria aqui. Vim o mais rápido que pude, meu chefe do estágio não me liberou às cinco e meia, e com esse trânsito terrível, acabei atrasando mais.

- Tudo bem, Temari. Obrigada por ter vindo.

A loira separou o abraço, pegando a outra pelos ombros. Viu que ela tinha os olhos vermelhos, e franziu o cenho.

- Notícias dela?

- Não, não. Nenhum médico veio falar comigo ainda.

- Oh, entendo.

- Hamasaki Sakura? — um homem alto, velho e parcialmente careca chamou seu nome, com uma prancheta na mão.

- Sim, sou eu — respondeu prontamente.

O homem tinha uma expressão séria, e estreitou os olhos.

- Bem, o estado de Hamasaki Hitomi é estável. Sofreu muitas fraturas e algumas lesões, não temos um quadro totalmente definido ainda, mas sua mãe não corre risco de vida.

Sakura deu um suspiro de alívio, sentindo a mão de Temari apertar seu ombro em comemoração, e permitiu-se um sorriso.

- ... E quanto a Uchiha Fukagu, qual o estado dele?

O médico soltou um quase imperceptível suspiro — A situação dele não é tão boa quanto a de Hitomi Hamasaki, e ele ainda não recobrou a consciência. Mas estamos fazendo o possível. É tudo que podemos dizer.

O homem já fazia movimentos para se retirar, mas Sakura elevou o tom.

- Eu... Eu posso vê-la?

- Impossível. O estado dela é estável, mas ainda não está apta a receber visitas. No momento, está sedada.

- Por favor — Sakura pediu, meio frustrada — fale mais sobre o estado da minha mãe.

- Desculpe, senhorita Hamasaki, como eu falei, a situação ainda não está definida, e seria contra a política do hospital liberar mais informação nesses dois casos. Já falei tudo o que poderia falar. Aconselho que vá para casa por hoje, sua mãe não corre mais perigo. Descanse e retorne amanhã, será o melhor — ele comprimiu o lábio inferior e fez um leve aceno com a cabeça, retirando-se.

- Eles sempre dizem isso — Sakura virou-se para Temari, emburrada.

A loira soltou seu usual sorriso de canto — Ora, eles estão certos. Não adianta você perambular pelo hospital na madrugada. Pelo menos a Hitomi está bem, não é?

Sakura assentiu, sorrindo.

- Mas eu queria mais notícias, queria saber mais sobre os riscos que ela ainda pode correr, mas eles nunca detalham nada. Mas ok, tudo bem, pelo menos agora eu sei que ela vai ficar viva, e é isso que importa — sorriu — estou tão aliviada, Temari.

- Olha, se não quiser ficar sozinha naquela casa enorme, a gente pega suas coisas e você dorme no apartamento maravilhoso que eu comprei, sem querer me gabar — Temari sorriu confiante — Ah, e finalmente vou tirar aquele idiota do Gaara do seu pé, desculpe o transtorno.

- Hah, não foi transtorno nenhum, todos nós amamos o Gaara.

- Vocês vieram com defeitos. E então? Topa uma noite de pijama, filme e comida estragada?

- Claro!

- Não tem problema em deixar o rebeldezinho complexado sozinho? Afinal, o pai dele também-

- Ele não se importa. Nem sequer quis passar no hospital.

- Não se importa com o pai? Que menininho estranho você foi arrumar, hein, Sakura.

- Pois é. E eu também não me importo se ele vai ficar sozinho. Ele provavelmente até prefere. Você veio de carro?

Sakura soou indiferente, mas Temari desconfiava. A loira apenas confirmou a pergunta, à medida que empurravam as portas de vidro do hospital e iam em direção ao estacionamento.