Dormindo Com Fantasmas - Naruto

27 I've been walking alone now for a long, long time


Notas iniciais
Olá!
Me desculpem pela demorinha, mas eu tinha 83 páginas de citologia, então né AHEUDHRUHFUR
Sem mais, blá blá blá, vamos ao capítulo...

- É impressão minha ou você está evitando mesmo o tal Uchiha? — Temari perguntava, trazendo chocolates, um copo de refrigerante e outro de cerveja, porque não, Haruno Sakura não gostava de refrigerante, o que sempre era motivo de implicância para a loira, que, a toda hora, dizia algo sobre a amiga ter complexo de deus.

Haviam passado na casa dos Uchiha para pegar algumas coisas de Sakura. Estava completamente escura e vazia. Ela não viu Sasuke, e se o conhecia bem, deveria estar sozinho em seu quarto, provavelmente vendo tv e se empanturrando de alguns milhões de calorias. Não proferiu uma palavra sobre procurá-lo, o que causou estranhamento em Temari.

Sakura olhou para a loira, pegando seu copo, enquanto aprovava que a amiga ficava mesmo uma graça com aquele pijama amarelo. E que tinha um gosto estranho para combinação de comidas. Estava sentada no chão, com as costas escoradas no sofá. Colocou a cabeça para trás até que escostasse no assento do objeto amarronzado. Fechou os olhos, enquanto remexia a bebida com a mão.

- É que... Você já ficou com algum primo seu?

Temari estranhou a pergunta, e fez que sim, meio relutante.

- Com o Sasuke é algo parecido. Digo, é a mesma adrenalina, o mesmo frio na barriga só de pensar que a família pode descobrir, aqulele mesmo quê de perigo que é tão motivador, tentador. Só que pior. Porque nós não somos apenas adolescentes escondendo um romance dos pais. Nós somos quase adultos, com responsabilidades de adultos, e todos esperam de nós ações de adultos. Eu só estava fingindo que a minha mãe não existia, que tudo o que ela tinha me advertido e tudo que eu prometi pra ela sobre não me apaixonar pelo Sasuke não existiam. Mas existem, e isso que aconteceu hoje me obrigou a lembrar. O Sasuke, pra todos os efeitos, é meu inimigo. Estar com ele é um erro, e eu sei disso. Estar com o Sasuke é perigoso, e eu sei, eu só preferi arriscar tudo, incluindo bom senso, lógica, receios, tudo. Mas qual é, eu nem confio no Sasuke! Eu sempre tenho essa sensação de que ele vai me apunhalar a qualquer momento. Eu não entregaria nem um pedaço de unha ao Sasuke com a esperança de que voltasse inteiro. Que futuro isso pode ter? É lógico que isso é loucura, então por que eu fico tão mexida com esse infeliz? Por que eu estou apaixonada por ele? Não era para eu odiá-lo? Não faz a porra do menor sentido! Isso não é tão idiota? Por que eu deixei até o Naruto pra ficar com ele? — ela deu um soco no chão — E caramba, o Naruto — Sakura mordeu o lábio inferior, sentindo o nariz queimar — ele deveria estar me odiando agora, mas ele é tão bom que me ajudou como ninguém mais. Por que diabos ele é tão bom comigo também? Eu não mereço! Vamos lá, eu não mereço! — ela aumentava o tom de voz, à medida que intensificava a força dos socos conta o piso — Vão todos vocês se ferrar!! Por que demônios vocês estão sempre perto de mim? Por quê? Me deixem sozinha, seus infelizes!

Sakura deixou os soluços desequilibrarem seus ombros, e baixou a cabeça, sentindo a mão abrir ao perder a força.

Temari fitou a Haruno por uns instantes, os primeiros extremos das sobrancelhas curvados para baixo. Arrastou-se, até que pudesse abraçá-la, e Sakura desabou em seus ombros, que começaram a ficar molhados pelas lágrimas, enquanto ela sentia os balanços provocados pelos soluços da outra impactarem sobre seu corpo.

.....

- Ah! Não aguento mais aula da Anko! — Naruto reclamava, com as mãos atrás da cabeça, enquanto caminhava com Hinata em direção à floresta que a professora instruíra — Sinceramente, eu pensei que isso era um passeio, mas estão nos fazendo de garimpeiros!

Hinata cobriu a boca com a mão quando soltou uma risada.

- Pelo menos amanhã a gente vai fazer uma trilha — ela consolou.

- Verdade! A Sakura e o desgraçado do Sasuke vão perder o melhor da viagem.

Hinata riu mais uma vez, até avistar alguma coisa no braço descoberto de Naruto, e ficar mais séria.

- Naruto, o que foi esse arroxeado? — ela perguntou, apontando.

- Ah, isso? — Naruto fazia um bico mal humorado — o idiota do Sasuke me bateu no dia em que ele e o Gaara me levaram pro banheiro, só porque dei um empurrãozinho nele! Mas tem volta!

- Você passou da conta anteontem, Naruto — ela disse, ainda sorrindo.

"Como o sorriso dela é lindo".

Espera ai. Como o sorriso dela é lindo? O que estava pensando? Teria a bebida sido tão forte que ainda o afetava?

Não podia pensar isso, não de Hinata, oras!

Balançou a cabeça negativamente.

- Ah, me desculpe, eu devo ter bancado o maior idiota, passei maior vergonha na sua frente — ele disse, bagunçando o cabelo atrás da nuca e fazendo careta ao ouvir sua própria voz. Seria apenas implicância consigo mesmo por ter se proibido de envolver com Hinata e agora estava achando que qualquer coisa era sinal de estar sim se envolvendo, ou ele estava mesmo quebrando sua própria regra e desobedecendo a si mesmo ao deixar-se sentir algo por ela? AH! Não acompanhava a velocidade dos próprios pensamentos. Por que diabos inventava regras que nem ele mesmo entendia? Bateu a mão na testa.

- Naruto? — Hinata franziu as sobrancelhas — Você está bem?

- A-ah, hã? E-eu? Estou, claro que sim! Foi só um mosquito, sim, isso mesmo, um mosquito enorme estava na minha testa e eu matei, olha só! — exibiu a palma da mão totalmente limpa e sem sinal algum de mosquito.

Hinata aprofundou ainda mais a ruga na testa, e Naruto apenas escondeu a mão no bolso.

- Você não gosta muito do Sasuke, não é, Naruto? — falou depois de alguns segundos, retomando o assunto.

- Claro que não! Quem gosta? — Naruto fechou a cara, mas suavizou depois — mas sei lá, eu conversei com ele algumas vezes, ele até que não é odiável. Mas é... Diferente.

- Diferente? Como?

Naruto lembrou-se de alguns momentos de conversa que tivera com Sasuke, da camada que parecia existir por cima dos olhos dele.

Aquilo estranhamente lhe lembrava Sakura, quando eles se conheceram. A mesma profundeza, o mesmo brilho errante. E triste.

Assim que conheceu a Haruno, Naruto constatou que ela era alguém imensamente triste e sombria. E detestava se lembrar que tivera a mesma sensação com Sasuke.

Piscou os olhos e balançou a cabeça — Aquele cabelo dele. Já reparou?

....

- O que vai fazer?

Eram quatro da tarde, e Temari tinha o carro estacionado em frente à casa de Sakura.

A Haruno tomou ar, olhando para o jardim que antecedia os três andares.

- Primeiro, vou falar com o complexado, como você diz, convencê-lo a ver o pai, e assim, iremos para o hospital, torcer para que exista alguém que nos dê informações que prestem.

- Qualquer coisa, pode falar comigo.

- Ok — Sakura olhou para o visual de Temari. Uma calça preta colada e uma blusa, também preta, sem mangas e com zíper. Shikamaru provavelmente gostaria — Esse é o tipo de roupa que vocês usam no estágio de criminologia? Eu também quero.

Temari soltou um sorriso torto — Temos que nos movimentar com facilidade, sabe como é.

- Isso é tão legal — ela riu — e como está indo?

- Em Los Angeles era mais movimentado. Vocês ianques são burocráticos demais — ela fechou os olhos, debochada — e tem uns oficiais que sinceramente, não sei o que eles fizeram na vida. Desleixados.

Sakura gargalhou — Com certeza, você é bem melhor que eles.

- Lógico. Afinal, você está falando com uma futura agente. Sorriu mais um pouco — Não tenho dúvidas disso. Eu vou indo. Muito obrigada por ontem, Temari, mesmo. Você me ajudou muito. E desculpa por surtar — ela sorriu timidamente pelo canto da boca.

A loira fez um aceno de cabeça, exibindo seu sorriso torto. Sakura caminhou pela passarela que interrompia o jardim e levava até à entrada da casa.

Estava com o mesmo aspecto de abandono de sempre, embora ela pudesse notar os serviços de limpeza comandados por Tamiko, que logo apareceu na sala, meio esbaforida.

- Sakura, ontem o senhor Sasuke me dispensou assim que chegou, não sabia se você iria voltar.

- Tudo bem, Tamiko, você fez o certo.

- Sinto muito pela dona Hitomi.

- Obrigada. O Sasuke está no quarto dele? — ela perguntou, já subindo os primeiros degraus da escada.

- Não. Saiu hoje bem cedo, não disse pra onde ia.

Sakura arqueou uma sobrancelha. Revirou a bolsa, à procura do celular.

- Vou ligar pra ele.

Mas a conhecida música de toque pôde ser ouvida por ela, na mesinha perto do sofá da sala.

- Ótimo. Deixou o celular aqui. Será que já foi pro hospital? — ela falava mais para si mesma — Bem, de qualquer forma, eu vou lá, se o Sasuke aparecer aqui, diga onde eu estou, sim?

- Certo — Tamiko disse e se retirou.

.....

Sasuke estacionou seu carro e dirigiu-se apaticamente para o hospital. Assim que empurrou a porta de vidro, avistou Sakura na sala de espera, torcendo o nariz pra alguma coisa que lia numa revista.

Ele estava todo de preto, e céus, como ficava uma coisa extraordinariamente bela quando vestia preto, pensou Sakura.

Sentou-se ao lado dela, com a respiração mais pesada.

- Tamiko te avisou onde eu estava?

- Não. Não passei em casa após sair do presídio. Não sabia que estava aqui.

Sakura elevou as sobrancelhas — Você foi... Visitar seu irmão? Contou pra ele sobre o acidente?

- Sim, e não.

- Por quê? — ela perguntou, sem entender.

- Não vou incomodar Itachi por qualquer coisa.

- Qualquer coisa? Isso não é qualquer coisa, Sasuke.

- Sakura — ele fechou os olhos, inalando com mais profundidade, colando as duas mãos, e apoiando a testa nelas — por favor.

Não disse mais nada. E ela também não perguntou. Sasuke estava muito estranho naquela manhã, deveria ter sido por causa da visita ao irmão. Sabia que aquele assunto era delicado, e ele não parecia muito bem. Talvez aquela fosse a forma dele de reagir a situações assim, ela pensou. Mordeu o lábio inferior em arrependimento por não ter considerado aquilo antes.

- Alguém já apareceu aqui? — ele perguntou.

- Não. A recepcionista disse que logo alguém viria, mas até agora...

- Eu vou lá de novo.

Ele se levantou, mas no mesmo instante, uma criatura de cabelos castanhos curtos saiu do corredor e se fez presente. No crachá, podia-se ler "Shizune".

- Hamasaki Sakura? — ela lia numa prancheta.

"Haruno Sakura" ela corrigiu a mulher mentalmente, rolando os olhos.

- Sim — ela disse, e a mulher aproximou-se deles — e este é Uchiha Sasuke, queremos saber sobre o estado de Fugaku Uchiha também, por favor.

- Oh, sim — a expressão da mulher se agravou — sinto informar que o estado do senhor Uchiha ainda é grave. Ele sofreu muitas fraturas, entre elas, uma na bacia. Entretanto, o mais grave, infelizmente, é que o pulmão dele foi perfurado por uma das costelas, de forma que torna uma operação delicada no estado dele. Ele precisou ser sedado esta madrugada. Peço que sejam confiantes, faremos o possível. Se quiserem, podem visitá-lo, mas só uma pessoa é permitida.

Sakura olhou para Sasuke, que estava inexpressível.

- Vai lá — ela tocou o ombro dele.

Sasuke a encarou. Pareceu ponderar alguns instantes. Mas então, quando deu seus passos, não foi em direção ao corredor do hospital, e sim, na direção da saída.

- Se quiser que eu te leve pra casa, estarei lá fora, não demore — ele avisou, firme.

Ela o observou até que passasse pela porta de vidro, balançando negativamente a cabeça. A mulher ao seu lado pigarreou, e Sakura voltou as atenções para ela.

- Me desculpe — ela disse — e como está a minha mãe?

A mulher olhou para os lados, não aparentava gostar de dar notícias fortes. Sakura se preguntou se ela era nova ali.

- Anh, bem, o estado de Hamsaki Hitomi é estável, mas nós precisaremos fazer algumas cirurgias por causa de algumas fraturas, mas nada de alto risco. O mais grave é uma lesão no rim esquerdo, mas estamos tratando disto — ela parou um pouco, parecendo em dúvida sobre falar ou não. Sakura levantou as sobrancelhas, em incentivo — bem, ainda estamos realizando testes para saber a gravidade, mas é bom que saiba que há chances de que sua mãe não recobre o movimento das pernas.

Sakura segurou mais forte a alça da bolsa, tentando absorver a informação.

- Mas é só uma possibilidade, afinal — Shizune tentou consolar

- Ela... Ela já sabe disso? — perguntou, sem olhar a mulher.

- Sim. Fez questão de ficar consciente de tudo.

- Eu... Eu posso vê-la?

A mulher olhou para os lados novamente, meio constrangida — É que... Ela disse que não quer receber visitas, nenhuma, nem da senhorita. M-me desculpe.

Sakura franziu as sobrancelhas, a cabeça levemente baixa — Não... Não quer receber visitas? — sua voz falhou — Ela deve estar muito mal por essa notícia.

- Oh, não acho que seja isso — a morena sorriu, abanando a mão — ela ficou muito bem até, quando contamos. Geralmente, os pacientes ficam em choque, alguns se recusam a acreditar, muitos até choram. Mas sua mãe ficou serena. Até sorriu ao nos agradecer. Ela é uma mulher muito forte — ela estreitou os olhos, num sorriso.

Sakura examinou-a por instantes, e sua voz era quase um susurro quando pronunciou um "entendo", e saiu pela mesma porta que o Uchiha passara.