Dormindo Com Fantasmas - Naruto
30 These words change nothing, as your body remains
Notas iniciais
Eram quase duas da tarde.
Tenten fez um aceno de cabeça para a mãe, que entrava em uma das salas da diretoria do hospital, para assinar alguns papéis. Tomou o caminho rumo à sala de espera, onde Sakura e Sasuke haviam acabado de se sentar em uma das cadeiras brancas. Ele se pôs a observar alguma coisa em sua mão e no relógio, e ela pegou uma revista qualquer disponível.
- Hey, vocês.
Sasuke acenou com a cabeça, e Sakura respondeu um "ei, Tenten".
Sentou-se perto de Sakura. Estava inquieta, sempre ficava inquieta quando não tinha nada pra falar. Aquele sossego de Sasuke a deixava ainda mais inquieta. Resolveu espiar o que Sakura estava lendo.
- Matéria sobre a Teruya?
Sakura fez que sim.
- Por causa do acidente, eles fizeram uma retrospectiva com todos os presidentes, os altos e baixos... Sabe, eu acho que tenho que aprender com a minha mãe a me camuflar, porque veja só. Eles têm pouquíssimas informações sobre ela. Aposto que estão frustrados.
Várias pulgas surgiram imediatamente atrás da orelha de Tenten. Eram tantas perguntas bombardiando sua cabeça que ela levou um considerável tempo pra decidir quais fazer. Mas já era tarde demais, pois uma loira e uma morena de jaleco apareceram, ao mesmo tempo em que sua mãe aparecia dos corredores e juntava-se a elas.
- Vocês são os parentes de Uchiha Fugaku? — a loira perguntou. Ela era séria, mas tinha uma expressão amigável.
Todos se levantaram, e a sra. Mitsashi respondeu positivamente.
- Bem, vocês já devem ter sido informadas sobre os detalhes do procedimento, mas me vejo na obrigação de repetí-los. A situação do paciente foi agravada devido à grande perda de sangue que sofreu, e por sua imunidade se encontrar debilitada. A costela perfurou o pulmão em uma região vital e delicada, portanto, a operação também se torna delicada. Mas as chances estão a nosso favor. O senhor Uchiha é um homem jovem e saudável, e nossa equipe é competente. Tudo ficará bem. Peço que tenham confiança, faremos o impossível para que este procedimento seja um sucesso.
Tsunade sorria, e era impossível não se sentir atingido pela confiança que ela exalava. A sra. Mitsashi respondeu algo positivo para as duas, e elas comprimiram os lábios num sorriso.
- Bem, há tempo para uma visita, antes de a operação começar — a loira informou, olhando para cada um dos quatro — ele está parcialmente anestesiado, mas está consciente.
- Sasuke, querido, vá — a mãe de Tenten olhou para ele, com um sorriso encorajador.
Sasuke enirjeceu as costas, soltando um sopro pesado. Sakura conhecia aquela reação de negação. Colocou a mão no ombro dele, pare evitar que ele dissesse definitivamente sua resusa, e ele se pôs a encará-la, como se explicasse que não queria ou não podia ir.
- Sasuke... Pode ser sua última vez com ele. Não custa nada.
- Mas eu não quero, e aí? — ele informou, o cenho franzido.
- Cinco minutinhos. Não custa nada — ela repetiu.
- Escuta aqui, eu não vou ser hipócrita agora só porque ele est-
- Não é questão de ser hipócrita — ela elevou o tom — é só que não dá mais tempo de você guardar mágoa. Ele continuou a olhá-la, ainda com a ruga de irritação na testa. Sakura continuou — Vai me dizer que nunca teve nenhum momento bom com ele? Vai me dizer que nada, nunca valeu a pena? Nem um minutinho sequer?
Sasuke permaneceu imóvel, apenas encarando os olhos verdes à sua frente. Mexeu os lábios, em sinal de contragosto.
- Certo — ele disse, imparcial, mudando o foco de seu olhar.
Tsunade sorriu, e Shizune fez um sinal com a mão direita para que o Uchiha a acompanhasse.
....
Hinata saiu do banho e ouviu o barulho do celular ao vibrar contra a superfície do criado-mudo. Apressou-se para pegá-lo, e abriu uma mensagem. Naruto. Sorriu.
Ei, você vai no hospital hoje? O Sasuke é um idiota, mas eu acho que a gente podia passar lá, pra dar uma força.
Droga. Maldita hora em que Hanabi resolvera participar de um concurso em Nova Iorque. Maldito concurso que tinha resolvido ser justo naquele dia. O universo conspirava contra as possibilidades das paixões platônicas deixarem de ser platônicas.
Eu só posso aparecer mais tarde, lá pelas cinco e meia. Tenho que levar minha irmã num torneio de soletração nacional.
Que tipo de pessoa participa de um torneio de soletração? Ela não participou, nunquinha. Sentiu-se ridícula. Mas mandou a mensagem mesmo assim.
Naruto respondeu logo em seguida.
Aheheh, tudo bem, eu só estava pensando em passar lá perto da noite também. Só não queria aparecer sozinho, sabe como é!! Depois eu passo na sua casa pra gente ir.
Hinata abriu um sorriso ainda mais largo e mordeu o lábio inferior, em comemoração. Agora ela estava feliz o suficiente para aguentar assistir a vários pivetes nerds soletrando palavras de vinte letras a tarde inteira. Fácil, fácil.
.....
- De todas as pessoas, a última que eu esperava ver aqui era você — Fugaku disse assim que viu o filho entrar em seu campo de visão, bastante limitado pelas aparelhagens que imobilizavam sua cabeça — até Itachi seria mais provável.
- Pois é, o que a gente não faz por um velho à beira da morte — Sasuke cruzou os braços e ficou em pé, numa posição em que Fugaku pudesse vê-lo.
- Sabe, Sasuke, você não deve extamente me adorar — ele disse, soltando uma risada baixa.
- Oh, você acha mesmo? — ele rebateu, no mesmo tom sereno.
- Hehe. Não vou dizer que me arrependo. Sei que não fui o melhor pai, mas eu não posso prometer que faria diferente, se tivesse chance. Mas eu faria a mesma coisa no seu lugar, também, em relação à mim, eu digo.
- Hm.
Fugaku ficou sério por uns instantes, e depois deixou aparecer um leve sorriso torto.
- Você está tentando tirar o Itachi de lá, não é?
- Sim. E vou conseguir.
Fugaku riu, sendo interrompido por uma crise de tosses.
- Você... Você descobriu, não foi? — ele disse, recuperando-se, ainda com um sorriso incontrolado no rosto.
Sasuke o encarou — Sim — ele afirmou, com a expressão mais séria.
- Hehe — o Uchiha tossiu mais uma vez — Eu... Eu tenho pena daquela garota, sabe? — ele ainda sorria.
Sasuke continou sério.
Ele riu mais uma vez, zombeteiro — Você é mesmo meu filho, afinal.
- Tsc — Sasuke virou a cabeça, em reprovação.
Shizune abriu a porta, tornando apenas sua cabeça visível pela brecha da porta.
- Desculpe interrompê-los, mas nós temos que levar o senhor Uchiha para a sala de cirurgia, agora.
Sasuke assentiu, mas Fugaku o chamou antes que saísse.
- Hey, venha aqui — ele fez um aceno com a mão para que Sasuke se aproximasse. O moreno levantou uma sobrancelha, em estranhamento — calma — o mais velho disse, com um ar divertido — eu só quero que você escute aqui o nome de um ótimo advogado.
.....
Ino recolheu sua última régua de madeira e colocou-a em sua bolsa, saindo daquela sala. Assim que bateu a porta e se viu nos corredores, avistou Genma, que vinha em sua direção com algo que parecia um cronômetro.
- Yamanaka! — ele chamou — Por acaso sabe o que aconteceu com a Haruno? Era para ela estar aqui hoje, para o ensaio.
- É que hoje o pai do Sasuke vai ser operado. Eles devem estar todos lá.
- Ah, é? Droga. Acho que vou ter que adiar para o fim do ano — ele pensou alto. Disse um "obrigado" para Ino e saiu com pressa. A loira revirou os olhos.
- Não sabia que você era do tipo que ficava até mais tarde na escola.
Ela virou-se, para enxergar Gaara, que saía da biblioteca, provavelmente.
- Nem você — ela ergueu uma sobrancelha.
- O que estava fazendo? — ele ignorou totalmente o comentário da loira.
- Fazendo uns cortes e costurando uns modelos que eu tinha quase prontos. O ateliê daqui é ótimo.
- Pensei que você fosse seguir a carreira do seu pai.
- Hm, psiquiatria? Já tenho amigos malucos o suficiente pra cuidar, minha cota de solidariedade nesta vida já está preenchida.
Gaara sorriu de leve.
- E você? — ela perguntou — o que vai fazer?
- Eu vou seguir a carreira do meu pai.
- Hm, isso quer dizer que você vai voltar pra Los Angeles?
- Não mesmo.
- Mas ele vai querer que você trabalhe com ele.
- Então ele que abra uma filial aqui.
Gaara sorriu torto, e Ino balançou a cabeça. Agora, estavam passando pelo gramado do colégio, rumo à saída.
- Então, você vai passar lá no hospital hoje? — ele continuou.
- Hm, só mais tarde. A Tenten e o Sasukezinho que me desculpem, mas eu tenho pânico de hospitais, não consigo ficar muito tempo. E a Sakura também está lá.
Gaara assentiu.
- São três e meia da tarde, ainda dá tempo de me chamar pra tomar aquele café antes que eu decida ir pra casa — ela olhava e apontava pro relógio, casualmente. Gaara soltou um som humorado pelo canto da boca, balançando levemente a cabeça para os lados.
.....
Sakura viu quando Ino cerrou os olhos em direção a Hinata e Naruto, que passavam pelas portas transparentes do hospital, juntos. Lançou um olhar de "eu não disse?" para a Haruno. Sakura apenas revirou os olhos e balançou a cabeça para o lado. Sasuke vinha logo atrás deles. Havia saído para uma reunião com um tal advogado, mas agora voltava. Já deveria estar no fim da cirurgia. Os médicos viriam dar alguma notícia a qualquer momento. A mãe de Tenten havia ido rezar na capela do hospital, e a morena havia saído para atender uma ligação de Neji. Ino havia acabado de contar como tinha sido o encontro com Gaara para Sakura, numa tentativa de desfazer o ar pesado ali. Detestava hospitais. De verdade. Mas o que não se faz por uma fofoqueira, uma encrenqueira e mal humorado? Humphf. Ela e seu coração mole.
- E ai, e ai? Como está?
- Naruto chegou falando mais alto que o necessário, ganhando um olhar repreendedor de alguma enfermeira de mau humor.
- Anh... Por enquanto, tudo corre bem. O processo já deve estar chegando no final, já são quatro horas e quize minutos desde que entraram lá, então, a qualquer hora, eles devem vir aqui dizer como foi — Sakura explicou.
Sasuke soltou um sopro com a resposta dela, e jogou-se numa cadeira. Naruto e HInata também sentaram.Ino olhava de um lado para o outro. Sasuke estava de braços cruzados, olhando para algum ponto fixo que ela não conseguia distinguir bem. Queria saber qual era. Talvez houvesse algo interessante lá. Sakura tinha o queixo apoiado em uma das mãos, bocejando enquando passava folhas de revistas.
Hinata mexia os dedos, e Naruto brincava com os cordões do casaco. Tenten já devia ter gastado umas duzentas pratas com aquela ligação, e a mãe dela já devia ter rezado uns oito terços. É. Ela estava inquieta. Velhinhos passavam, doentes passavam, e tudo só se tornava mais angustiante. Resolveu pegar uma revista também.
Mas viu o vulto de Sakura se levantar de imediato, assim como os outros à sua volta.
Tsunade vinha, acompanhada de Shizune outro homem, jovem, que não pôde ser muito observado por causa da touca e da máscara que ainda usava. Tsunade também tinha uma máscara ainda, de modo que não puderam avaliar sua expressão para adiantar sua resposta.
Tenten chegava com o celular na mão. Assim que viu os três médicos, apressou-se, sentindo o coração pular.
- E então, como foi? — seu olhos estavam cheios de apreensão.
Tsunade tirou a máscara. Estava séria. Mas abriu um sorriso, triunfante.
- Correu tudo bem. A operação foi um sucesso — ela comunicou.
Sakura sorriu, e olhou para Sasuke, que apenas balançou a cabeça positivamente. Naruto verbalizou uma espécie de comemoração, Hinata sorriu, e Ino também.
- E agora? Qual o procedimento?
- Agora ele ficará em observação por tempo não determinado. Cremos que não haja mais riscos. Provavelmente, uma operação na bacia também será providenciada, mas sem grandes riscos.
- Ah, que bom — a morena pôs as mãos sobre o peito — vou avisar à minha mãe.
- Certo, mas visitas, não agora. Ele precisa repousar.
Tenten fez que sim com a cabeça, saindo da sala.
Tsunade e os outros dois acenaram, retirando-se.
Sakura ficou olhando até que ela desaparecesse de vista. Amiga de longa data, sua mãe havia dito? Será que aquela médica tinha tempo para algumas perguntas?
- Sakura, vamos pra casa? — Sasuke disse, passando por ela, que assentiu.
- E vocês, vão pra onde? — perguntou para Ino, Hinata e Naruto.
A loira passou um braço pelo ombro de Naruto, e outro pelo de Hinata — Ah, nós vamos sair um pouco, não é? — Sakura sabia o que aquele olhar significava.
Hinata franziu as sobrancelhas e olhou de Ino e Naruto com seu olhar naturalmente inocente, enquanto o loiro murmurava alguma reclamação.
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