Dormindo Com Fantasmas - Naruto

46 Tell me, we both matter, don't we?


Seattle. 28 de março. 14h 18min.


Hinata não sabia o que aquele alvoroço da governanta significava. Jogou seu livro no sofá, levantou-se de imediato, com uma sensação ruim percorrendo seu peito. Enquanto seu pai não se recuperasse totalmente, era assim que ela ficava; ansiosa com qualquer coisa.

– Tem um homem mal educado aí fora dizendo que não sai enquanto não falar com a senhorita — a mulher de rosto anormalmente vermelho falava, aparentemente indignada. — O que eu faço? Chamo a polícia?

Hinata franziu a testa — Não. Claro que não. Ele disse o nome?

– Não. Nem isso! Mas duvido muito que a senhorita o conheça. Ele é assim, alto, loiro, olhos azuis. Até bonito, devo dizer.

Hinata paralizou. Naruto? Então ele ainda estava ali? Correu para a porta da casa, sem dizer mais nada. Se fosse mesmo Naruto Uzumaki, havia muitas coisas que ela precisava dizer.

Ele estava sentado na ponta da calçada, jogando pequenas pedras que encontrara por ali, aparentemente irritado. Voltou-se bruscamente para Hinata quando essa lhe tocou o ombro. De início, não disse nada, calado pela surpresa.

– Hinata, nós precisamos conversar.

– Eu também acho — ela disse, ao contrário do que o loiro esperava.

A Hyuuga permitiu que o Uzumaki começasse, mas ele não parecia encontrar as coisas certas para falar. Ela decidiu tomar a frente, então, quebrando o silêncio formado.

– Eu te tratei mal no hospital. Desculpe-me — ela pediu, um pouco incerta. — Meu pai te viu e... Ele não ficou feliz com isso, então eu tive que te tirar de lá da forma mais rápida. Eu não podia te explicar naquele momento.

– Você realmente gosta dele? — Naruto perguntou, pegando-a desprevinida. — Do Itachi? Porque... Se você realmente gostar dele, eu vou embora agora e prometo que nunca mais insisto. Mas... Eu não acho que isso seja verdade. O que está acontecendo, Hinata?

– Anh.. Esse casamento não era pra ser de verdade. — ela respondeu — Depois de pouco tempo, nós nos separaríamos. É que... Se eu não fizesse isso, meu pai iria querer que eu me casasse com um amigo de infância meu, que hoje é chefe dele — ela riu, sem humor. — E a relação entre minha família e eu já está fraca demais para que eu pudesse apenas me negar a isso, entende? Foi meio que por acaso. Um boato que chegou aos ouvidos do meu pai. Então Itachi disse que eu podia confirmar. Não iria custar nada pra ele mesmo, pelo menos, foi o que ele disse. Depois do divórcio... Bem, meus pais são religiosos demais para quererem que eu case com uma segunda pessoa — ela rolou os olhos. — Era isso. Esse casamento era uma farsa, desde o começo.

Naruto franziu as sobrancelhas, balançou a cabeça para os lados, processando as informações.

Eu poderia ter feito isso por você! E nem precisava ser uma farsa! — ele disse, num tom mais alto.

– Poderia? — Hinata dissse, com uma voz agitada. — E como você esperava que eu soubesse disso?

Naruto baixou a cabeça. Não, ela realmente não poderia saber. Fez uma careta. Havia tentado melhorar as coisas, mas tinha piorado. Outra burrice. Por que assuntos daquele campo sentimental eram sempre tão complicados?

– Você tem razão. Eu me arrependo das coisas que eu fiz e... Você sabe que eu sou meio, anh, desajeitado pra essas coisas, não sabe? — ele riu, nervoso, passando a mão na nuca. — Mas o que eu quero dizer é que... Desculpa, ok? Desculpa por ter terminado com você daquele jeito, por não ter ido reparar meu erro logo. E também, por ter falado aquilo da Sakura pra você. Não é verdade — ele viu Hinata baixar a cabeça, mordendo o lábio inferior, e também baixou a sua. Ficou em silêncio. Entendeu que, talvez, aquela fosse a maior insegurança de Hinata. — Eu... Realmente... Tive sentimentos muito verdadeiros pela Sakura, não vou desmentir isso. Mas entre nós dois, era diferente. Ela nunca parecia estar inteira comigo, entende? Parecia que ela nunca se entregava por completo, então eu também nunca pude estar por inteiro com ela. Isso era um pouco desgastante e frustrante — ele engoliu em seco, sem jeito para falar. — Você não sente que com a gente, não era assim? — ele disse, fazendo com que ela levantasse a cabeça. — Você não sente que com a gente, era especial? Eu acho. Com você, por exemplo, eu nunca precisei segurar uma piada com medo de que você não fosse gostar — riu alto. — É-é isso que eu quero dizer. Eu jamais compararia o que a gente teve com o que eu tive com a Sakura, então por favor, não pense isso — Naruto não acreditava em suas palavras. Ou melhor, não acreditava que estava conseguindo dizê-las. Mexeu a perna freneticamente, e olhou para os lados, inquieto. Só faltava uma coisa a ser dita. Ele já havia dito antes, outras vezes, mas por que agora parecia ser tão mais difícil? — E-eu... Eu te amo, Hinata.

Hinata congelou. Era como se não conseguisse dar ordens aos seus músculos. Apenas um sorriso grande e bem desenhado foi de formando.

– Então, ahn... — Naruto começou, com um meio sorriso. — Você pode me dizer agora se me perdoa ou não, porque eu estou ficando nervoso de verdade, sabe.

Ela se aproximou, com aquele mesmo sorriso caprichoso. Colocou as duas mãos no rosto do loiro, cada uma em um lado, e juntou suas testas. Naruto a olhava ainda apreensivo, mas a alegria começava a voltar às iris azuis.

– Eu te amo demais pra não te perdoar, mesmo que fosse algo imperdoável — ela sorriu, as lágrimas começando a cair de seus olhos. — Eu sempre quis te dizer isso... Às vezes, quando eu olhava pra você, eu quase não acreditava que você estava ali comigo. Era uma coisa que eu já tinha imaginado tantas vezes, de tantas maneiras diferentes, que às vezes era difícil acreditar que eu não precisava mais imaginar. Desde a primeira vez que eu te vi, eu sabia que você tinha algo diferente, e eu me fiquei encantada. Eu te amo há tanto tempo que perdi a conta — ela riu, movendo suavemente a cabeça para os lados.

Naruto passou as mãos pelo cabelo dela, colando também seus narizes, aproximando seus lábios. Mas ela o interrompeu, dando um passo para trás. O Uzumaki fitou-a, surpreso.

– Desculpa — ela disse, envergonhada. — Eu tenho que falar com o Itachi antes. Mesmo que seja uma farsa, eu não me sinto confortável pra fazer isso com você agora.Naruto suspirou pesadamente.

– Mas você acabou de dizer que me ama, isso já é uma forma de traição.

– Não é não — ela respondeu. — Porque meus sentimentos nunca foram do Itachi, nem os dele foram meus.

Ele fez um bico no canto dos lábios, mas entendeu. Era assim mesmo que Hinata era. Aliás, era assim mesmo que eles dois eram. Sorriu.

– Então, pelo menos, você quer dar uma volta por aí comigo? — estendeu o braço para ela, que o pegou, dizendo um "claro".

– Hoje é aniversário da Sakura, não é? — Hinata perguntou retoricamente, olhando para Naruto. — Se nós pegássemos um voo agora, talvez ainda chegássemos a tempo para o jantar.

– É — ele respondeu apenas, vaga e secamente.

– Algum problema? — a Hyuuga franziu as sobrancelhas, estranhando.

– Não, nenhum.

Ela sabia que o Uzumaki estava mentindo, mas resolveu deixar passar.

– Mas então — ele retomou. — Quando você vai voltar para Nova Iorque?

– Eu... Tenho que conversar com o meu pai antes. Contar a verdade, e dizer que não vou mais me casar. Só preciso achar coragem para isso. E logo após, eu volto.

– Ah, trate também de ligar logo pro Itachi e resolver essa situação, porque eu quero matar as saudades de você!

Ele sorriu, e ela também. Fez que sim, e repousou a cabeça no ombro de Naruto.


.....


Nova Iorque. 28 de março. 22hrs 37min.


Dormir era realmente a última coisa que ela conseguiria fazer. Seu rosto já estava doído de tanto sorrir para as mais diferentes pessoas que cumprimentava. Aquele local de festas enorme, de dois andares, exclusivo da Teruya, estava cheio de gente. Pessoas influentes, muitos empresários, poucos conhecidos e uns raros jornalistas felizardos.

Seiji tinha feito questão de permanecer em uma mesa qualquer, e Sakura havia perdido o moreno de vista. Louis preferira ficar em casa, com uma babá que o pai contratara.

Seu sorriso tornou-se realmente sincero quando viu uma figura ruiva, num longo vestido azul escuro que tinha rendas da região do busto e dos braços. Olhava ao redor, enquanto se encaminhava em direção à rosada. Sakura deu alguns passos à frente, satisfeita por a mulher ter realmente vindo.

– Bela festa, Haruno — ela disse, olhando para outro lugar, com os cantos da boca levemente curvados para baixo, numa admiração desdenhosa e divertida.

Sakura riu. — Fico feliz que tenha aceitado meu convite, Karin.

– Claro que eu viria — a ruiva sorriu. — Você deu o benefício à minha equipe de cobrir sua festa, não perderia essa oportunidade — brincou. — Parabéns, Sakura — disse, ainda com o sorriso petulante, porém, mais séria.

A Haruno torceu os lábios, alegre. Pôs os braços para trás, numa reação à súbita vontade de dar um abraço em Karin. — Obrigada — disse, por fim.

– Onde está Hitomi? — a mais velha perguntou, pegando uma taça de champagne de uma bandeja que acabara de passar.

– Oh, ela está de recuperação, por causa de um ataque renal que teve esses dias, não pôde vir. Além do mais, depois do acidente, ela evita aparecer em público.

– Hm. Entendo.

– Ah... Ino me disse que você estava com um... Suigetsu, certo? Veio com ele? — a Haruno perguntou, tentando manter a conversa.

Karin soprou, um pouco irritada, e girou os olhos. — Criatura mais fofoqueira, essa Yamanaka. Bem, é, eu até vim com ele sim, mas já nos dispersamos. Eu não gosto da maioria dos amigos dele, e ele não gosta dos meus, então fazemos assim.

Sakura riu, quase alto demais. Karin não havia mudado nada. E era bom falar com aquela ruiva.

– Por falar nisso — ela continuou. — Olha lá ele falando com um dos únicos amigos decentes que tem — apontou para o andar de cima, onde o homem de cabelos esbranquiçados e olhos roxos estava de pé, perto do corrimão dourado da escada, conversando com mais três homens. Dois deles eram mais velhos e desconhecidos, e o outro era Sasuke.

Sakura olhou para onde a ruiva apontava e fitou-os, sem perceber que demorava. Baixou novamente a cabeça, focalizando a outra mulher. Sorriu fracamente.

– Você não vai lá? — Karin perguntou, tomando um gole de sua bebida em seguida, com um sorriso travesso nos lábios.

A Haruno balançou a cabeça, com a testa franzida em desentendimento. — Como?

A ruiva revirou os olhos, respirando mais profundamente. — Sabe, vocês são sócios. Tem fotográfos e jornalistas aqui que nem mosquitos. Seria bem estranho se a noite acabasse e vocês nem sequer fossem vistos se falando, certo? Antiético demais da sua parte.

Sakura deixou uma risada do fundo de seu pulmão escapar. Incrível. Karin tinha deixado implícito o verdadeiro motivo pelo qual ela deveria falar com o Uchiha. E, por outro lado, tinha dado a ela um motivo lógico para fazê-lo.

Moveu o pescoço novamente, de forma que pudesse enxergar os quatro homens. Seus olhos verdes entraram em contato com os escuros de Sasuke, que a encarava de lá. Tinha sua usual expressão imparcial, não mudava seu foco de visão em nenhum momento. Sakura deixou sua boca se entreabrir, e não tomava consciência de mais nada, a não ser a de seu coração parecer cada vez mais e mais apertado.

– Você está com medo? — Karin perguntou, alguns segundos depois de a rosada ter finalmente deixado de observar o Uchiha, mostrando uma cara frustrada.

– Medo? Por que eu teria medo?

– Não sei — a ruiva deu de ombros. — Só acho que está.

– Mas eu não estou — garantiu a Haruno, séria.

– Hm, então não há motivos pra não ir falar com ele — analisou o olhar furioso de Sakura, ao perceber que havia caído no jogo dela. Sorriu vitoriosa. — Certo?

Resmungou, irritada. As palavras de Karin não deixavam nenhum ponto cego. Disse um "ok" entre os dentes, e começou a subir a escada que levava aos quatro homens. Sorriu e os cumprimentou. Sasuke ficou um pouco surpreso com aquela presença, mas calou-se. Suigetsu logo deu uma desculpa para sair dali, e os outros dois o seguiram. A Haruno entregou a taça de champagne que havia trazido para o Uchiha e o imitou, debruçando-se na estrutura de ferro.

– Tayuya não veio? — ela perguntou, depois de um certo silêncio.

– Eu não a convidei.

– Por quê?

– Ela não aprecia esse tipo de festa — disse secamente.

Sakura balançou a cabeça, respirou mais pesado e riu amargo. Tirou os cotovelos do corrimão. Devia sair dali o quanto antes. Ir até ali fora uma péssima ideia.

– O que é engraçado? — a voz de Sasuke fez com que ela parasse, arqueando uma sobrancelha.

– Como?

Sasuke fechou os olhos, em resignação. Ajeitou sua postura, olhando pra a Haruno.

– Naquele dia, no restaurante. Você ia dizer alguma coisa.

Sakura franziu a testa, demorando a lembrar do que ele falava. No dia do terrível jantar com Tayuya, em que fora interrompida pela ruiva.

– Você ainda lembra disso? Eu só ia dizer que nunca te imaginaria ficando noivo tão cedo. Você sempre pareceu meio averso à ideia de casamento.

Sasuke soltou um fraco sorriso de canto, o que deixou a rosada surpresa.

– Pessoas como nós precisam de herdeiros. É melhor que eu case, com alguém agradável, como Tayuya — ele explicou, e Sakura meneou a cabeça. Mordeu o lábio, desconfortável por ouvir aquilo. — Não pensa assim?

– Eu já tenho um herdeiro — ela respondeu, num sorriso. — Não me importo de deixar tudo para o meu sobrinho.

Sasuke levantou brevemente as sobrancelhas, finalmente entendendo. Os dois observaram a movimentação embaixo. Sakura perguntou-se por quando tempo eles a deixariam em paz antes das homenagens. Tudo o que queria era poder escapulir dali antes de elas começarem.

– Nas nossas costas, eles só dizem o quanto é descabido fedelhos como nós liderando algo tão poderoso — ela sorriu cinicamente, apontando para as pessoas com o queixo.

– E quem liga? — um som humorado saiu por entre os dentes de Sasuke, e Sakura o acompanhou. — Você lembra desse lugar? — ele perguntou, encarando-a.

– Foi aqui que nós fomos apresentados um ao outro. Que ocasião terrível — passou a mão pela testa.

– É — ele comprimiu os lábios, num sorriso torto. — Penso que, no final, nós acabamos nos tornando o que nossos pais, desde aquela época, queriam que nós fóssemos.

Sakura baixou a cabeça com a inoportuna frase. Permitiu que o champagne deixasse as marcas de seu sabor em sua boca, como se a amaciasse para aquilo que viria a ser dito, mesmo contra a vontade dela. Um sorriso pesaroso de formou, e ela engoliu em seco.

– É. Você, certamente, se tornou o que seu pai queria.

– Por que diz isso?

– Não sei. Não faço ideia.

Sasuke respirou fundo, depois, torceu o nariz. — Não fique fazendo essas acusações sem sentido. É melhor parar com isso, senão-

– Senão o quê? Vai me ameaçar? Ou vai dizer que isso é péssimo pro nosso trabalho? Sabe, eu estou pouco me lixando!

– E o que você pretende com isso? O que você ganha lembrando o passado desse jeito?

– Eu não tenho culpa se pra mim, não é tão fácil esquecer, como foi pra você.

– Não foi fácil! — eles se respondiam rápido e alto, sem tempo para pensar. Sasuke ficou paralisado no mesmo lugar, quando se deu conta do que havia falado. — O fato é que já se passaram seis anos. Não aconteceu ontem — falou, mais baixo.

Sakura deixou o olhar cair, na tentativa de evitar que os sintomas de choro realmente o causassem.

– Se... Se você tivesse alguma ideia do que você significava pra mim, não viria com esse tipo de argumento.

Sasuke moveu a cabeça para os lados, a testa franzida e o queixo levemente caído. — Do que fala?

Ela suspirou, fechando os olhos por longos segundos. — Eu era totalmente dependente de você, será que nunca percebeu? Será que nunca percebeu que com você, eu era uma pessoa diferente do que eu era com os outros? Tinha uma parte minha, egoísta e ruim, que eu tentava esconder a todo custo. Mas com você, eu não precisava, porque você gostava dele. Você, a todo momento, me lembrava que ela existia, que eu não precisava ter vergonha dos meus defeitos, porque você os aprovaria. E eu pensava... Puxa, se mesmo mostrando que eu sou assim, fui capaz de fazer alguém gostar de mim, de fazer alguém gostar de ficar ao meu lado, de fazer alguém me amar, então, talvez eu alguém não seja tão ruim como eu julgava, afinal. Daí, eu meio que comecei a gostar de mim também. Eu comecei a acreditar que, talvez, eu fosse capaz de não esconder nada dos outros também — parou, buscando ar, cuidando em limpar as lágrimas do rosto com as mãos. — Será que assim você entende por que é tão difícil pra mim deixar isso pra trás? O porquê de, entre tudo que eu já passei, deixar você pra trás foi o mais difícil? Você era aquilo no qual eu acreditava pra mim — Sasuke a encarava, seu rosto não estava marcado pela usual seriedade, estava tocado pelo espanto. Seus olhos negros brilhavam anormalmente, e ele parecia congelado, de tão imóvel. — Eu só te disse isso porque vou fazer questão de que essa seja a última vez que nós conversamos mais do que o extremamente necessário.

Sasuke piscou os olhos mais rápido, sem saber o que fazer. — Espera, Sakura, você está nervosa. Não diga coisas das quais vai se arrepender depois.

Ela o olhou, fazendo uma careta de horror e reprovação. Deixou um ruído incompreensível ser ouvido, e saiu dali em passos rápidos, antes que qualquer outra coisa pudesse ser feita.Andou pelos cantos do lugar, para evitar que fosse parada por alguém. Não se importava mais com nada, só queria ir embora.

Saiu apressada, sendo pega de surpresa pelos inúmeros flashes que aguardavam lá fora. Passou o mais rápido possível por eles, jogando alguns xingamentos.

Culpou seu vestido longo por não conseguir se movimentar tão depressa quanto queria. Aquele mesmo lugar, no qual eles haviam sido apresentados pela primeira vez. E, assim como há tantos anos atrás, ela estava correndo, saindo de lá antes que a noite acabasse. Mas dessa vez, não havia Naruto para consolá-la.

– Sakura? — havia acabado de alcançar seu carro no estacionamento. Estava encostada nele, ofegante, com as mãos sobre os olhos, quando ouviu aquela voz.

– Itachi? Só está chegando agora?

– Eu... Tive uns contratempos — ele disfarçou. — O que aconteceu?

Abriu a boca para dizer que não era nada, mas sabia que não adiantaria.

– Você pode perguntar isso diretamente para o idiota do seu irmão — sorriu fracamente, virando-se para destravar o automóvel.

– Espera — a voz dele era calma e firme, como sempre. — Está tremendo. Não pode dirigir assim. Eu te levo até em casa.

Ela o fitou, pensou em recusar. Olhou para as mãos. Era verdade, elas tremiam.

Fez que não. — Obrigada, mas não se preocupe. Vá para a festa, agora, sem as homenagens idiotas, ficará mais interessante — comprimiu os lábios, e virou-se para partir definitivamente.



Notas finais
Esse capítulo é, digamos, "o começo do fim". Aqui, as coisas vãos começar a se encaminhar mais definitivamente.
Hm, ele não saiu muito do jeito que eu queria, então me perdoem se ficou dramático demais. E se tiver ficado, me falem, haha. Aliás, qualquer defeito, por favor me falem.
UHAUAH é isso, até o próximo :3