Dormindo Com Fantasmas - Naruto

7 Start to sweat, hold me tight


Notas iniciais
Yo!! Nesse capítulo tem Naruto se aproximando um pouco da Hinata, e também pequenas pistas da história do Sasuke e da Sakura!
Boa leitura! ^-^

Naruto andava pelos corredores do colégio ao lado de Sai, rumo à área de alimentação do Konoha. Estava aéreo o tempo inteiro, mal escutava o que o moreno ao seu lado dizia. Ouviu a conversa de duas meninas que passavam empolgadas por eles, tagarelando. Ouviu elas falarem o nome Sakura. Lembrou-se dela. Droga, não queria ficar longe daqueles olhos verdes logo agora.

– Acho que eu devia me resolver logo com ela, né?

– Hã? — Sai ficou surpreso com a mudança repentina de assunto

– A Sakura. Eu devia falar com ela. Sabe, ela deve ter me dito aquilo por que não estava bem, eu digo, diante de tudo que está acontecendo, que tipo de namorado eu seria se não endendesse isso?

Sai soltou um sopro cansado. Naruto tomou a frente dele, gesticulando e berrando "O que que foi?"

– Cara, você só está inventando desculpas. Tudo o que você quer é correr pra ela de novo, não importa quem está errado ou certo. Naruto fez um bico infantil de chateação

– Sai, por que você é sempre tão desagradável?

Sai riu. Eles chegaram na área de alimentação ampla do colégio. Naruto viu Sakura numa mesa, junto a Ino e Tenten. Tinha a mão apoiando o queixo, um leve sorriso. Parecia bem. Ele ficou estático, sem saber direito o que fazer.


....


Sakura saiu apressada da sala, tentando conter a irritação. Praticamente correu para a área de alimentação. Enxergou Ino e Tenten já sentadas, e foi até elas, sem nem mesmo pegar algo para comer.

– Impossível — ela deu dois leves socos na mesa, fazendo com que as outras duas olhassem para cima, para observá-la

– O que diabos aconteceu com você? — Ino perguntou, meio boquiaberta

– Ele poderia só ficar quieto no canto dele, mas não, ele tem que me fazer lembrar que ele existe! Essa cara vai fazer da minha vida um inferno, Ino, um inferno!

– Especificamente, o que foi que aconteceu?

– Ele tem aula de Inglês junto comigo. Dai ele decidiu sentar perto de mim. E justamente hoje, o professor resolveu começar os testes para a peça principal. Adivinhem só quem é meu par?

– Caramba, de quem, exatamente você está falando?

– Do Sasuke, ora!! De quem mais?

Ino fez uma cara de "uau". Tenten colocou a mão no ombro da garota, agora sentada — Calma Sakura, é só uma peça. Veja pelo lado bom, pelo menos ele não deve ser tão ruim quanto o Naruto, desse jeito você tem mais chances.

– Quem dera eu fazer uma peça com aquele gato do seu irmãozinho. Aliás, você só tem irmão gato, né Sakura?

Ino soltou uma risada divertida, mas percebeu, pela expressão das outras, que não tinha tocado no assunto certo. Tentou logo mudar a direção da conversa.

– Hey, mas aliás... Onde está a Hinata pra vir aqui lanchar com a gente?

Sakura riu, apontando o dedo para a loira — Eu falei, não falei??!! Você já está amigona da Hinata!!

– Epa, eu já falei que ela é legal! Só é estranha. Tipo, agora é intervalo e onde ela está? Provavelmente ainda na sala!

– Ê, ê, você sempre tem o que implicar

Ino teve um sobressalto — Sakura, olha só quem está ali.

Sakura virou um pouco o rosto e viu Naruto parado, feito uma estátua, olhando para ela. Ficou assim também por um tempo, e depois, automaticamente se levantou, indo em direção a ele, que continuou o tempo todo do jeito que estava. Aumentava mais o ritmo à medida que se aproximava dele e abraçou-o.

– Me desculpa por ontem, eu fui grossa com você

– Na verdade, eu também vim para pedir desculpas. Eu deveria ter te entendido.

Sakura soltou-se dele — Não. Eu que fui ingrata. Mas vamos deixar isso pra lá. Vem, vamos sentar com a gente. Sai, você também. Onde estão Neji e Shikamaru?

– Nem faço ideia.


....


Hinata saíra da sala. Tinha resolvido ir para a área de alimentação, como todo mundo. Quem sabe até Sakura a chamasse para sentar com ela e Naruto? Entrou naquela parte espaçosa do colégio feliz, mas foi surpreendida por uma cena nada agradável. Sakura estava pendurada no pescoço de Naruto, um mais sorridente que o outro. Ela sabia que aquilo era normal, eles eram namorados, afinal. Mas a dor era inevitável. Ela perdeu todas as forças para continuar ali. Tivera uma péssima ideia ao resolver deixar da sala.


....


Sasuke carregava refrigerantes e várias embalagens de pizza, tortas e biscoitos. Jogou tudo no canto do sofá ao seu lado. Colocou os pés na mesinha baixa amadeirada e começou a passar pelos canais de televisão, procurando algo que chamasse sua atenção. Ouviu o barulho da porta de madeira sendo violentamente fechada. Sakura vinha em sua direção, andando com passos largos e mais fortes que o necessário. Arremessou os livros no outro sofá e ficou praticamente na frente da televisão, parada.

– Você faz isso só pra me irritar, não é? — ela estava ofegante, como se tivesse vindo correndo

– O que mesmo?

– Por que sentou hoje ao meu lado? E por que aceitou fazer essa maldita peça comigo? Deixa eu avisar uma coisa, eu não estou disposta a ficar amiguinha sua!

– Ah, isso? Foi mal — ele ainda olhava para a pequena parte da televisão que Sakura não encobrira — É que eu tenho péssimas notas em Inglês, e essa matéria é importante pra mim. A peça é a minha chance de recuperar, então eu precisava ir com uma boa atriz. Você foi selecionada em outro ano, não foi?

Sakura fez uma cara incrédula — Espera ai, como sabia que a seleção começaria hoje e como sabia que eu já fui selecionada antes?

– O professor vinha conversando com um outro sobre isso nos corredores, antes da aula começar. E você é o número um do top dez de assuntos mais comentados naquela escola, não é difícil ouvir coisas sobre você.

Sakura relaxou. Aproximou-se do sofá para pegar seus livros.

– Ah, sim. Eles disseram que não vão voltar pra casa antes do casamento. Sua mãe disse pra você estar pronta na hora, eu vou com você.

Ela desabou no sofá — Ah, eu não acredito! Mas que saco! E eu também não acredito que vou ter que ir.

O moreno desviou pela primeira vez seu olhar para Sakura — Pensei que você estivesse gostando dessa palhaçada de casamento.

– Não brinca com a minha cara. Eu tenho vontade de sumir daqui.

Sasuke ficou calado. Olhou pra Sakura, que tinha a cabeça jogada para trás no sofá, os olhos fechados. Sorriu — Sua mãe te mandou ficar longe de mim, não foi?

Ela deve um estalo. Ficou sentada reta num pulo só, os olhos arregalados — C-como assim?

– Seus olhos, quando você olha pra mim. Você está com medo.

Ela abaixou a cabeça, sem dizer uma palavra — Seu pai também não deve ter ficado calado. Ah, eu aposto que ele te mandou tentar alguma coisa comigo.

– Sim, algo como isso. Mas eu vou fazer as coisas do meu jeito. Não preciso ser um fantoche dele.

Sakura observou Sasuke. Também queria ter forças para não ser um fantoche da mãe. Queria poder colocar tudo em risco, fazer o que quisesse.

– São bem previsíveis esses dois, não?

– É. Seu pai e minha mãe... Eles bem são parecidos. Se não fosse tão patético, eu até diria que se merecem.

Sasuke ficou sério — Você não dá o crédito necessário à sua mãe. Meu pai é que é o maior babaca.

– Como assim?

– Você não tem contato nenhum com a administração da Teruya, tem?

Ela baixou o olhar — Não, ela me afasta o quanto pode.

– Entendo. O fato é, meu pai não tem competência alguma. O modelo administrativo agressivo dele seria bem aplicado uns trinta, vinte anos atrás, mas agora, do jeito que a economia anda, é desastroso. A Teruya só é o que é hoje por causa da sua mãe. Primeiramente, naquela crise, quando a empresa quase foi fechada, sua mãe comprou os quarenta por cento das ações. Por isso que agora se chama Teruya&Hamasaki. E nesse momento, ela é que é responsável por todo esse crescimento da companhia. Ela tem um talento raro pros negócios. Já meu pai é um fracasso. Ele só é CEO* hoje em dia porque tem mais influência, além da empresa ser da família da minha avó. Mas acredito que em pouco tempo isso vai mudar, ainda mais agora, que ele casou com a sua mãe.

Sakura ficou impressionada. Como podia saber tão pouco sobre o que dizia ser seu sonho? Mas Hitomi não a deixava por dentro de nada, distanciava-a da empresa o máximo possível. Sentiu uma pontada de inveja de Sasuke.

– Mas fica traquila. Quando eu for CEO, vou recuperar tudo o que já foi da minha família um dia.

Sakura levantou-se automaticamente, apontando o dedo para Sasuke — Acontece que isso não vai ser possível, porque eu que vou ser CEO.

– Está mesmo falando sério? Você não sabe nada sobre a Teruya. Além do mais — ele a olhou de um modo provocante — Sua reputação é a de uma riquinha bonitinha que tem namoradinhos famosinhos. As adolescentes idiotas gostam de você, não os sócios e executivos. Acha mesmo que o conselho te escolheria pra ser CEO?

Ela reuniu os livros em mãos e se preparou para sair. Lançou um olhar agudo em direção ao Uchiha — Não ache que me conhece só porque escuta fofocas por ai. Você não sabe o que eu sou. Isso é um aviso.


....


Sakura usava um vestido de tecido fino, cor nude e tomara que caia, que ia até a metade da coxa, um sapato aberto claro e os cabelos soltos, com uma fivela brilhante em um lado. Olhou com preguiça para a longa escada que teria de descer.

Sasuke estava sentado numa das cadeiras brancas, com uma calça formal e uma camiseta preta qualquer.

– Está atrasada — disse, apontando para o relógio.

– Casamentos sempre atrasam. Você vai vestido assim?

– Aham — disse, ao mesmo tempo que se levantava

Sairam da casa e entraram no carro sem dizer mais nenhuma palavra. Sakura olhava vagamente para a paisagem através dos vidros do carro, entediada e pensativa. Sasuke começou a se sentir desconfortável com o ar pesado, ajeitando-se todo o tempo no banco de motorista.

– Ah... E então, por que seu irmão mais velho não veio, onde ele está? — perguntou, tentando puxar conversa

– Como você sabe que eu tenho um irmão?

– Ah, sei lá, Fugaku mencionou isso uma vez.

– Oh, sim. Hã... Bem... Ele... Não se dá muito bem com a minha mãe, vamos dizer assim. Ele resolveu morar na França com o pai dele há muito tempo. E você, é filho único?

A expressão de Sasuke ficou mais dura. Demorou um pouco para responder — Não. Tenho um irmão mais velho também.

– Ué, e onde ele está?

– Ele está preso.

Sasuke respondeu firme, as mãos agarrando o volante com mais intensidade. Sakura ficou visivelmente surpresa. O que o filho de alguém como Fugaku Uchiha poderia ter feito pra conseguir ser detido?

– Preso? Por quê?

O rapaz continuou com a mesma expressão imparcial, sem reponder. Olhou para o lado, mirando em algo do lado de fora do vidro.

– Olha, chegamos — foi tudo o que disse.


....


Naruto andava distraído naquela noite fria, após sair do treino de judô. Procurava incesantemente alguma coisa na mochila que havia trazido. Um treino como aquele deixaria qualquer um exausto, morto vivo, mas não Naruto. Ele estava inteiro e pronto pra outra. Tirou a carteira da mochila, com uma cara de "bingo", mas desanimou quando viu que não tinha lembrado de abastecê-la. Teria mesmo que voltar a pé para casa.

Quando estava perto do portão de saída do clube, avistou aquela longa cabeleira escura. Lembrou-se então que Hinata tinha mesmo falado que estaria lá naquela noite. Chamou o nome dela, o que fez com que a garota olhasse instantaneamente, o olhar meio baixo e perdido.

– Yo!! Hinata!

– N-Naruto! Como foi o judô?

– Bem. E a sua dança?

– Muito bom

– Não sabia que você dançava! Está nisso há muito tempo?

– Sim! Desde quando eu era criança

Na verdade, Hinata só havia começado há alguns meses, mas tudo o que ouviu sair de sua boca foi que já era experiente. Ela queria impressionar Naruto, queria que ele também a admirasse de alguma forma. Não conseguiu evitar.

– Que legal! Hehe, um dia eu quero ver isso!

– Ah, sim! Sim, claro.

– Por que você vai pra casa sozinha? Não é muito seguro ficar andando sem ninguém tão tarde.

– Não, tudo bem — ela sorriu — Eu já estou acostumada. Eu moro sozinha mesmo, então, pra mim é normal fazer tudo sozinha.

– Por que mora sozinha? Seus pais são do interior?

– Na verdade, todos moravam aqui. Só que, há dois anos, meu pai foi transferido para Seattle, só que eu não quis ir. Como o Neji e o meu tio moram aqui, ele achou que eu estaria bem amparada, e resolveu me deixar ficar.

– Entendo. Mas por que não quis ir para Seattle? Lá é legal também, já estive lá.

– É que... Eu tenho essa obsessão maluca de entrar em uma boa universidade, mais especificamente, Princeton ou Yale, e eu estando em Nova Iorque, fica mais fácil. É por isso que eu estudo tanto.

Naruto ficou surpreso. Realmente, desde que entrara para o Konoha, Hinata era uma das melhores da classe, totalmente dedicada, vivia andando para cima e para baixo com seus livros. "Então é pra isso que ela se dedicada tanto. É o sonho dela"

– Mas, ei, o que você quer fazer? Aposto que é uma profissão super importante!

Hinata soltou uma risada, cobrindo a boca com a mão — Eu queria música.

– Música? Você também tem talento pra isso? Nossa, Hinata, eu não sabia nada sobre você! Mas você não precisa estudar tanto assim pra música — ele colocou a mão no queixo, pensativo — Bom pelo menos eu acho, né? Mas você deve saber, com certeza sabe!

– É que, na verdade, o sonho do meu pai é que eu seja advogada, como ele. Não é para a música que eu me preparo.

Naruto tomou a frente da garota de surpresa, fazendo com que ela corasse intensamente — Mas isso é um absurdo! Você não tem que fazer o que o seu pai manda! Isso é a sua vida, Hinata! Ser advogado não é pra qualquer um, isso tem que ser o seu sonho também, e o seu sonho não é esse! Você vai ser infeliz se não fizer o que tem vontade.

Naruto baixou o olhar. Hinata ficou parada, com uma expressão triste. O silêncio ficou, até que ela o quebrasse, num tom baixo e suave — Está tudo bem, Naruto. Eu digo que quero fazer música porque... Essa é a coisa que eu mais gosto de fazer, mas... Eu nem sei o que eu faria depois. Não é como se eu tivesse talento ou coragem de tentar uma vida como cantora ou instrumentista. Eu nem sequer consigo subir num palco. E eu nem sei se eu gostaria disso. Então... É realmente uma coisa que não tem sentido. E eu estou bem com a ideia de ser advogada, tenho certeza que vou gostar também!

Ela abriu um sorriso confiante. Naruto relaxou e voltou a caminhar ao lado dela. Era a primeira vez que tinha visto Hinata sorrir daquele jeito.

Chegaram num cruzamento, ela parou. — Eu dobro aqui, e você?

– Eu sigo reto. Tem certeza que não quer que eu te acompanhe até em casa?

– Tenho sim. Obrigada, Naruto.

– De nada, Hinata — ele fez um sinal de positivo com o dedo — Eu gostei muito de conversar com você! Incrível como a gente estuda junto há tanto tempo e eu mal te conhecia! Bem, pelo menos agora você não gagueja mais — ele riu, passando a mão pelo cabelo — Sério, eu achava que você não ia com a minha cara, ou algo assim, porque quando eu falava com você, você mal respondia.

Hinata corou mais uma vez. Levou a mão ao queixo, envergonhada. Então Naruto percebia que ela gaguejava perto dele. Ela deveria parecer uma idiota pra ele. Uma sensação ruim começou a tomar de conta dela, lentamente, se espalhando por todas as direções de seu corpo.

– E-eu tenho que ir, Naruto! A gente se fala amanhã! O loiro observou a garota indo embora, praticamente correndo.

– Será que eu disse alguma coisa errada?

Notas finais
*Chief executive officer. Em algumas empresas, como na Teruya&Hamasaki, digamos que é a mesma coisa de ser presidente.
Então? Espero de verdade que tenham curtido,he. O capítulo oito mostra um pouco mais dos sentimentos da Hinata e a decisão da Sakura.
Até lá!