Notas iniciais
Yoo! Capitulo oito!!

Era manhã de terça-feira. Sasuke havia saído do colégio, mal-humorado depois de uma aula de Sociologia. Detestava aquele tipo de matéria chata, cheia de conversa fiada. Abriu a geladeira e tirou seus refrigerante e massas, jogando-os no sofá. Tinha de esperar Sakura chegar para que eles ensaiassem a tal peça. Ele havia chamado a garota — num tom que parecia mais uma ordem — para ir pra casa com ele, mas ele negara brutalmete, dizendo que iria comer com as amigas e só depois iria para casa.

– Chegou mais cedo do que eu esperava — falou ele, ao ouvir o barulho agudo da porta.

– É, as meninas tinham coisas pra fazer — ela deu uma olhada nos vários pacotes em cima do sofá, o que era o almoço de Sasuke

– Você só come porcaria. Desse jeito, vai ter um infarto antes que possa tentar se apoderar da Teruya. Toma, eu trouxe pra você.

Ela estendeu uma sacola, com uma embalagem de torta de chocolate com morango. Ele olhou para o conteúdo, com um sorriso torto — Nossa, é porque isso aqui é tão mais saudável do que o que ia comer...

Eles soltaram uma risada. Sakura se jogou no sofá — Quando você terminar, a gente começa a ensair.

– Na verdade, podemos começar agora. Já comi alguma coisa, nem estou com fome.

Ela observou Sasuke, que havia largado a comida e agora estava concentrado em enrolar algum tipo de pó num pedaço de seda.

– Cara, você é tão careta. Por que tem trabalho fazendo uma porcaria dessas?

– Tem noção de quanto custa um cigarro normal em Londres? A gente tem que se virar.

Ela revirou os olhos — Mas você não está mais em Londres, lembra? Além disso, essa coisa fede.

Ele fez uma careta para ela, sem responder.

– Então, como era lá em Londres? Aconteceu alguma coisa ruim que te fez voltar?

– Hm, lá era... Normal. Eu gostava. Aqui as pessoas são diferentes, não sei. Digamos que... As pessoas de lá geralmente eram mais do meu tipo. E eu só voltei por que Fugaku quis que eu ficasse mais próximo da empresa. E você? Por que foi para a Suíça?


Então ele também sabia que ela tinha ido para a Suíça. Claro que sabia. Aquele garoto aparentemente tinha investigado a vida dela toda. Sentiu uma pontada de irritação por estar tão descoberta.

– Ah, sei lá. Eu estava naquela fase de adolescente rebelde, então acho que a minha mãe ficou de saco cheio de mim.

Sasuke estreitou o olhar. Não acreditava nela. Primeiro, porque sua voz e postura estavam vagas demais, segundo, porque aquele não era o estilo de Hitomi. Resolveu deixar para lá. Isso era algo que, inevitavelmente, descobriria depois.

– Ok, então, vamos começar?

– Hã... Você tem o seu papel, não tem? Eu acho que perdi o meu — ela falou, meio sem graça

– Cara, como você é irresponsável — ele suspirou — Claro que eu tenho

Sakura fez uma careta de indignação, arrancando o papel das mãos dele.

– Vamos ensaiar aquela parte que a gente ainda está ruim.

– Qual?

O moreno revirou os olhos — Aquela lá que o Edward pede pra casar com a Jane e tal.

– Ah sim, aquela em que eu dou um fora em você? — ela riu, divertida

– A Jane dá um fora no Edward. Eu não tenho nada a ver com isso

– 'Tá, ok. Pronto?

Sasuke levantou-se. Ajeitou a postura, ficando mais reto. Pegou o script e se pôs a falar, com uma entonação apática na voz.

– Minha noiva está aqui.

Ele se aproximou de Sakura, caminhando firmemente, olhando fixamente em seus olhos verdes. A mão dele chegou na cintura da garota, contornando-a, pegando-a desprevinida. O atrito de seu toque com a roupa dela pareciam dar choques em seu corpo. Ela ficou daquele jeito, abobada, olhando para os olhos dele, tão profundos, tão intensos. De repente, balançou a cabeça para o lado e empurrou-o. Sasuke tropeçou. Olhou para ela indignado.

– O que foi? Nessa porcaria aqui diz que eu tenho que te "trazer pra perto de mim", você sabe disso! — ele quase gritava

Ela estava parada, a respiração mais pesada que o normal. Olhou para Sasuke, que ainda tinha uma expressão assustada e irritada ao mesmo tempo.

– Me desculpe — disse ela, olhando para baixo, fazendo esforço para raciocinar — É só que eu não estou muito bem hoje. Depois... Depois a gente ensaia.

Pegou os livros apressadamente e começou a subir as escadas, num andar que mais parecia uma corrida.

– Ei! — Sasuke gritou — A seleção já é amanhã!

– Depois! — ela respondeu lá de cima, batendo a porta do quarto em seguida.


.....


Ela batia o pé no chão freneticamente, do lado de fora do teatro da escola. Destestava esperar. Genma fizera questão de que só um casal candidato entrasse por vez, queria ficar em paz e sozinho para analisar cada aluno. Olhou para Sasuke, apoiado na outra parede do corredor, à sua frente. Estava totalmente calmo e relaxado. Como diabos ele conseguia?

Sua mente trabalhava repeditamente entre passar todas as falas, todos os movimentos necessários para peça, e também em, contra a sua vontade, lembrar vergonhosos momentos da entrevista familiar de ontem, a tal entrevista que sua mãe havia usado como desculpa para se casar tão depressa.

A porta do teatro se abriu, fazendo com que ela mudasse o foco das suas atenções. Kiba e Nami, uma menina que ela lembrava ter visto andando com Karin, saíram discutindo na frente de todo mundo.

– Você que é um imbecil!!

– Você é burra! Esqueceu mais da metade das falas!

Genma apareceu na porta, olhando um papel.

– Sasuke Uchiha e Sakura Haruno, por favor.

Ela olhou para Sasuke, a fim de compartilhar sua ansiedade com o olhar, mas ele mirava apenas na frente.



– Não acredita em mim? — perguntava Sasuke para Sakura, no palco. Agradecia mentalmente por ser a última fala

– Em absoluto — Sakura finalizou

– Ok, ok — Genma bateu palmas, na plateia, fazendo sinal para que eles viessem até ele — Bom, eu fiquei sabendo que vocês são irmãos, então esse tipo de coisa deve ser difícil para vocês fazerem juntos. Sakura, me desculpe por não ter permitido que você trocasse de par, mas agora vocês estão livres para procurar outra pessoa.

– Não, não — Sasuke gesticulava — Nossos pais apenas se casaram recentemente, mas nós não temos nenhum laço saguíneo, não há problema algum.

– Ah, é mesmo? — o rosto de Genma se iluminou — Ótimo, então, porque vocês têm uma química incrível, são perfeitos juntos. Eu já estava achando uma pena não poder escolher vocês, sabe, pensei que eram irmãos legítimos. Vocês são meus escolhidos. Se dediquem bastante a partir de agora, vou entregar o script completo.

Sakura olhou sorridente para Sasuke, com um EBA estampado na cara. Ele cruzou os braços e soltou um leve sorriso de canto, recebendo as várias folhas que lhes eram entregues.


....


Mais de duas semanas se passaram. Ino andava alegremente em direção à escola, ao lado de Shikamaru e Chouji. Era sexta-feira, e ela estava num estado de animação máxima, maquinando qual seria o plano da vez. Percebeu que Shikamaru havia passado o tempo todo dedicando-se ao próprio celular, nada passava por despercebido com aqueles olhos azuis especulativos por perto. Ela ficou por trás de Shikamaru, apoiando-se nos ombros dele, tentando ver o que ele fazia com o aparelho.

– Hmm, aposto que você está de tititi com a Temari!!

Shikamaru levantou uma sobrancelha — Cara, não é nada disso

– Hah! Eu du-vi-do!!Ela apontava para ele, sorrindo e tomando sua frente.

Shikamaru olhou para ela desanimadamente e soltou um suspiro — Ah, por que mulheres são sempre tão neuróticas?

Ino e Chouji riram, fazendo Shikamaru ficar ainda mais desconfortável. A loira avistou Hinata assim que cruzou o portão do colégio, e soltou um "vejo vocês depois" apressado. Correu até a outra garota e praticamente pulou em cima dela — Hinata!! Você estava sumida, onde estava se escondendo, hein? Por acaso estava fugindo da gente?

Hinata tropeçava nas palavras, tentando responder, mas Ino continuava falando antes de ouvi-la — Ah, vamos, vem, vamos nos encontrar com os outros porque eu tenho ótimos planos pra hoje e você vem! Sem papai nem mamãe nem outra desculpa!! — Ino puxava Hinata pela mão até um grupo numeroso de pessoas esparramadas no gramado.

Naruto e Sakura estavam lá. O loiro estava sentado, e a rosada estava deitada no gramado, com a cabeça no colo do garoto, que acariciava os cabelos dela. Hinata ficou parada. Não estava muito acostumada a conhecer gente nova, nunca tinha trocado uma só palavra com alguns dali.

Quando viu Hinata chegar, Sakura levantou-se prontamente e abraçou a garota, exibindo mais um de seus belos sorrisos — Você anda sumida, Hinata, por onde andou?

– Eu só estava... Estudando.

– Oh, sim, eu entendo. Mas agora a gente vai prender você, senta aí!

Hinata sentou perto de Neji, era a pessoa com quem tinha mais intimidade ali. Ficaram conversando sobre a família, um perguntava sobre o pai do outro e coisas afins, mas a cabeça de Hinata não estava exatamente ali. Ela só tinha olhos para Naruto e para a garota ao seu lado. Era verdade o que todos diziam de Sakura. Tinha gente que a odiava, gente que a idolatrava, mas todos concordavam que ela era especial. Ela tinha uma aura especial, praticamente brilhava. Seu humor era contagiante, sua beleza era invejável. Hinata não tinha esse brilho. Hinata achava que jamais alcançaria Sakura, e isso a entristecia. Não é como se quisesse roubar Naruto dela, não, isso nunca. Mas ela desejava que ele pelo menos a olhasse, que ele a exergasse através de todo o brilho de Sakura.

Lembrou-se daquela noite. Uma noite de domingo, enquanto eles dois voltavam para casa depois de ele sair do judô, e ela do balé. A lua cheia banhava o ceu tão grande quanto poderia estar. Hinata falou, para quebrar o silêncio, que adorava a lua. Naruto respondeu, olhando para o céu, que preferia o sol.

– Por quê? — Hinata perguntou

– Por que o sol brilha o tempo todo. A gente pode até não vê-lo, mas ele sempe está brilhando em alguma parte do mundo. A lua só rouba o brilho do sol, só isso. E assim também são as pessoas.

– Hã? — Ela não entendia

– As pessoas verdadeiras brilham o tempo todo, e esse brilho pertence a elas. Mesmo que em algumas horas nós não estejamos vendo o brilho delas, elas continuam com ele. Já as pessoas mentirosas são como a lua. Elas podem até brilhar por um tempo, podem até mesmo roubar a atenção das pessoas verdadeiras, mas elas não se iluminam por si só. E a beleza delas sempre acaba. É por isso que eu odeio mentiras. Um dia, todo o encanto produzindo por elas acaba, e tudo o que sobra são crateras e feiura.

Hinata gelou. Durante aquelas semanas todas, eles dois tinham ficado mais próximos. Hinata já sabia toda a história de Naruto, e Naruto já sabia toda a história de Hinata. Ou, pelo menos, a história que ela contava para ele. Sempre iam para casa juntos, conversando sobre si mesmos e coisas aleatórias, e a garota já havia inventado um namorado imaginário que morava da Escócia — separado dela por uma enorme e cruel distância, mas o amor deles sempre vencia -, uma firma de advocacia da qual seu pai era dono em Los Angeles e uma paixão de vida inteira pela dança. A verdade era que não tinha namorado nenhum e seu pai não era dono de firma alguma, embora fosse um renomado profissional. Tudo o que o loiro havia acabado de dizer perfurava seu peito como uma espada, mas como ela poderia explicar para ele? Como poderia dizer que era justamente por ser alguém sem luz que ela precisava inventar uma para que ele a enxergasse? Sim, Sakura era exatamente como o sol. Tinha uma luz enorme emanando dela, todos queriam ficar perto dela, todos pareciam precisar dela para esquentar suas vidas. Ela sempre estaria brilhando em alguma parte do mundo, eles tivessem a sorte de acompanhá-la ou não. Meninas como Ino e Tenten eram estrelas. Também possuiam luz própria, mesmo que fossem ofuscadas pela luz do sol quando ele estivesse presente. E ela, Hinata, o que ela era? Apenas um asteróide que vagava por ai no espaço vazio e solitário, sem luz alguma. Era por isso que ela precisava daquele brilho também, mesmo que fosse temporário e falso, mesmo que fosse só por algumas horas, enquanto o sol não roubasse a cena novamente. Mas será que Naruto a entenderia? Ou será que ele a repudiaria por ter mentido sobre sua vida, por estar fingindo ser outra pessoa? Hinata se sentia culpada a cada dia, a cada minuto que via o loiro, por estar inventando coisas sobre si mesma para ele, mas não sentia forças para encarar a verdade e arriscar. Por enquanto, ia só caminhando com o problema, até que chegasse a hora de não conseguir carregar mais seu peso.


....


– Ei, Sakura — Ino chamava a amiga, que estava prestes a entrar na sua sala de aula — Eu já combinei com todo mundo de ir naquele clube que você adora hoje à noite, você vai, né?

– Ah, foi mal, Ino, mas hoje não vai dar.

A loira fez uma cara infantil de irritação — Depois que você começou a namorar o Naruto, não tem mais tempo para os amigos.

– Oh, não, não, isso não tem nada a ver com o Naruto. Eu vou ficar estudando.

– Estudando? Nossa, você está tão mal assim em matemática?

– Na verdade, eu estou bem. Mas eu sou aquela que vai assumir o controle da Teruya, e ir pra festas não vai me ajudar nisso, certo?

– Certo... — Ino estava meio boquiaberta — Por que você decidiu isso assim, tão repentinamente?

– Eu estive brincando esse tempo todo, Ino, mas agora é hora de jogar sério. Depois de conhecer o Sasuke, eu vi que tipo de gente eu vou ter que enfrentar. Se eu continuar sendo a mesma irresponsável de agora, não tenho a mínima chance. Eu ainda estou muito longe dele, mas isso vai mudar. Eu vou recuperar o tempo perdido.


Notas finais
So, o que acharam?
Não fiquem com raiva da Hina, todo muito tem defeito e todo mundo erra. Nessa fic, eu coloquei todo mundo imperfeito,como vocês devem ter percebido. Mas o fato de eles errarem não quer dizer que não sejam boas pessoas. O que vale a pena mesmo é consertar os tais erros.
Ah, sim, estou ansiosa pra postar o próximo capítulo, você vão entender o porquê ^-^