Dormindo Com Fantasmas - Naruto

35 I will be the one to make you crawl


Notas iniciais
Yo! Bom, esse capítulo tem muita coisa, heh.
Só uns toques: lembram, lá no capítulo 12, quando a Sakura falou o motivo de ter ido pra Suíça? Então, pra quem não lembra, ela disse pro Sasuke algo meio vago sobre ter sido pega numa boate 18+... E isso mesmo, ela mentiu. Pois é. Uma meia mentira, na verdade haha. Vocês vão entender quando lerem.
E só mais uma coisa: não se assustem com o jeito da Sakura no internato, ela era diferente e petulante mesmo, hehe.
Sem mais, boa leitura ♥

- Essa merda está em todos os jornais, Sakura!

Não conseguiu dizer nada. É claro que a amiga só podia estar falando de uma coisa, mas ela não podia acreditar. Afinal, quem...

- Escuta só isso: - Tenten continou, cortando os pensamentos vagarosos de Sakura — "Os segredos de Hamasaki Sakura". O quão ridículo é isso? Você pode me dizer por que essas coisas estão espalhadas por aí justo hoje? Sakura? Alô? Sakura?!

.

Suíça. Dois anos atrás. Internato. A maioria dos adolescentes por alí eram pessoas sem muitas perspectivas, deixadas naquele lugar porque os pais haviam cansado de tentar lidar com eles, ou motivos mais sórdidos ainda.

"Essa merda está em todos os jornais, Sakura!"


"Todo mundo já sabe, Sakura!"

Era Andy, a melhor amiga de Sakura ali, que escancarava a porta da Haruno, afobada. Andy era meio gordinha, os olhos azuis e cabelos loiros, sardas por todo o rosto, e a pele incrivelmente branca, agora tomava um tom avermelhado pelo cansaço.

- O quê? — Sakura levantou da cama imediatamente, deixando de lado seu livro de história.

- Você e o Gabe... Hm, tiraram fotos. Nada legais. A diretora está te chamando agora. Ah, Sakura, quantas vezes eu te falei pra ter cuidado quando estivesse com ele?

Gabriel Foster. Professor de história da arte. Jovem e bonito, porém muito correto. Nenhuma das alunas havia conseguido alguma coisa com ele em todas suas tentativas. Mas Sakura estava apaixonada por Gabe. Tão profundamente, que nem se lembrava mais de que ele era seu professor, nem lembrava mais de que ele tinha uma noiva, e muito menos de que aquele tipo de relação entre professor e aluna era extremamente proibida. No começo, ela tentou se afastar, até tentou mudar sua aula. Mas quando Gabe deu sinais de correspondê-la, não pôde fazer nada. E agora estava ali, na sala escura e fria da diretora, com fotos nada discretas sendo exibidas bem em frente aos seus olhos. O que tem a me dizer sobre isso, srta. Hamasaki? Era o que a mulher alta e mal-encarada perguntava. Dizer? Ele não tinha nada a dizer, não havia nada que conseguisse dizer. Era como se todo o sangue do corpo a tivesse abandonado, e ela tinha a certeza de estar tão pálida quanto fosse possível.

- Nos corredores deste colégio só se fala em uma coisa. Nessas fotos, srta. Hamasaki! — ela se controlava para não perder o controle da voz — Estou tão decepcionada com vossa pessoa... — ela parou, andando de um lado para o outro da sala, enquanto Sakura a acompanhava com os olhos — A reputação desta instituição não pode ser abalada por um erro leviano como este. Não vejo outra saída se não comunicar o fato à sra. Hamasaki e retirar permanentemente o sr. Foster de nosso ensino. O mesmo só não lhe acontece por respeito e admiração à figura de sua mãe, tenha consciência disso.

- Não. Fale pra minha mãe, e eu saio daqui, eu saio agora! Já não é punição o suficiente? Não precisava expulsar o Gabriel, a culpa, na verdade é minha, sra. Sebert. Fui eu quem começou tudo.

A mulher sentou-se na cadeira, encarando Sakura com uma expressão que ela não pôde traduzir.

- Os atos incompetentes do sr. Foster não podem ser banalizados. Vocês envergonharam nossa instituição. E veja só, ainda tem a ousadia de chamá-lo pelo primeiro nome!

Sakura fez uma careta de pura irritação. Sua paciência usualmente já não era muita naquela época, e aquela mulher havia esgotado-a. Levantou-se da poltrona e empurrou-a com força, virando-se para sair — Você sabe que eu já disse coisas muito mais divertidas a ele do que seu primeiro nome, não sabe? Talvez você esteja precisando tentar também, qualquer dia desses, vaca miserável.

O ano letivo estava quase pela metade, mas ela embarcou de volta para Nova Iorque assim que pôde. Não conseguiu se despedir de Gabriel, e tinha a sensação de que nunca mais o veria. Seu segredo ficou trancado naquela escola na parte mais fria da Suíça, e também em seu cofre, guardado a duzentas chaves. Antes de partir, ela havia descobrido seu espião e comprado, por um valor realmente absurdo, as fotos comprometedoras. Mas não conseguiu dar o devido fim nelas. Tinha que mantê-las para si, só para ela, num sigilo que compartilhava apenas com a mãe. E agora, todos os jornais sabiam. Algumas revistas com menos censura também publicaram algumas das fotos mais comprometedoras. Sakura sentiu tudo à sua volta derreter, como a neve exposta ao sol. Sim, só havia uma pessoa que tinha conhecimento daquilo além dela... Sua mãe. Porém, só havia uma pessoa que efetivamente organizaria tudo aquilo, especialmente naquele dia...

E era nisso que não queria acreditar. Não podia acreditar. Era surreal demais. Então todo esse tempo, era ela quem estava errada? Era Hitomi quem estava certa sobre tudo, desde o começo?

O carro freou, e ela piscou, assustada. Agora, ela realmente queria poder demorar mais. Pagou o taxista e saiu, ainda tonta. Kurenai já a aguardava no saguão, atordoada, e foi ao seu encontro assim que a percebeu.

- Sakura, você já soube?

- Já — ela falou, sua voz ainda fraca.

- Alguma ideia de quem fez isso?

A Haruno não a encarou. Seus olhos ainda vagueavam de ponto em ponto, perdidos em suas teorias internas.

- Não — respondeu rapidamente.

- Bem, está na cara que foi um golpe. Nós podemos alegar isso e-

A advogada foi interrompida por mais uma ligação. Sakura pegou o celular avidamente ao ver quem era.

- Mãe? Você já?

- Já, já, já vi tudo — a voz dela era levemente nervosa e descompassada — E você sabe quem fez isso, não sabe?

— Não... Não é possível...

- É possível! É óbvio que foi. O que eu não sei ainda é de que forma a sua estupidez permitiu que ele soubesse de tudo, mas é claro que foi! Mas não temos tempo para isso agora. Todos estão te esperando lá em cima.

- Sim, eu sei. Eu vou dizer que foi tudo um golpe, e ai com cert-

- Não - Hitomi enfureceu-se — Você definitivamente não vai tentar se defender.

- O quê?

- Cale-se! Escute o que tenho a dizer. Sua função hoje nunca foi se mostrar mais apta que o Sasuke. Já era certeza de que ele seria escolhido o primeiro na linha de sucessão antes mesmo desse... Desastre. Sua missão era apenas mostrar que você também era uma escolha possível, e, só depois, apareceria como efetivamente a melhor escolha. Mas tudo isso foi arruinado agora, os planos são outros. O que você fará naquela sala será desculpar-se pelo transtorno e abdicar o seu lugar, em benefício da empresa. Não tente se justificar de forma alguma. Entendeu? Quando acabar, venha diretamente para casa. Eu te direi os próximos passos.

- Abdicar do meu lugar? Mas por que eu faria uma loucura dessas?

Porém, Hitomi já havia desligado. Sakura olhou impotente e indignada para o aparelho.

- Era a sra. Hamasaki? O que ela disse?

- Ela disse... Ela disse pra eu abdicar meu lugar.

- O que? Mas isso não faz sentido!

- Eu sei — Sakura disse, enquanto elas entravam no elevador.

- E o que vai fazer?

- Eu não sei.

.

A sala de reuniões, no último andar, era algo enorme e realmente bonito. As extensas janelas de vidro ao fundo revelavam o trânsito intenso de uma das avenidas mais movimentadas do mundo, e havia uma mesa elípitica de consideráveis dimensões, onde Kakashi ocupava o lugar da ponta. Ao seu lado esquerdo, dois homens com seus cinquenta anos, e logo depois deles, Asuma e Sasuke.

Sakura entrou com Kurenai, atraindo todos os olhares cheios de acusasões e reprovação dos executivos, e tomou seu lugar à mesa. Sasuke estava ali, olhando-a de forma cautelosa todo o tempo. Ela evitou ao máximo que seus olhares cruzassem, sentindo o peso na garganta aumentando cada vez mais. Sua pernas quase já não se matinham mais sobre o salto fino.

- Eu tenho apenas um comunicado breve para os senhores — ela disse, sem nem mesmo se sentar — Devido ao fato que se sucedeu hoje, em benefício e para manter a credibilidade da Teruya&Hamasaki Incorpore, eu, Sakura Haruno, retiro minha candidatura prévia a presidência — ela umedeceu o lábio inferior, controlando as lágrimas — peço desculpas pelo transtorno. Com licença, e obrigada.

Ela saiu, com os punhos cerrados, deixando que Kurenai tomasse as providências restantes, e com olhares de executivos alivados, e até mesmo alguns poucos admirados, em suas costas.

Assim que bateu a porta, permitiu-se chorar. Encostou-se em uma das paredes, praticamente fincando as unhas naquela textura. Sentia como se tivesse perdido tudo, de uma só vez, e o pior, pelas mãos da pessoa que ela mais queria por perto. Tudo que queria agora era gritar, desabar em algum lugar confortável e ficar alí, na esperança de que aquela dor sufocante passasse. Desencostou-se da parede e retomou o equilíbrio, apressando-se para sair daquele prédio o quanto antes. Entretanto, seu próprio nome ecoou em seus ouvidos, embalados pela única voz que ela fazia questão de não ouvir. Sasuke. Parou de imediato. Ele não se aproximou, não falou mais nada. E ela voltou a andar, mais rápido que antes.

- Sakura — ele repetiu, alcançando-a e pegando-a pelo braço. Ela o encarou. Seu olhar ainda era cauteloso.

Sentiu a fúria tomar conta se si, e antes que percebesse, já esmurrava o peito de Sasuke, descontrolada.

- HAH!! — ela gritava — SEU CRETINO! COMO TEVE CORAGEM DE USAR UM GOLPE TÃO BAIXO??? COMO PÔDE-

Sasuke segurou a boca dela com uma mão, empurrando-a para uma sala escura ali por perto, cheia de caixas, escura e empoeirada. Sakura mordeu sua mão, e ele a sacudiu, prendendo a Haruno entre a parede.

- Tudo o que eu sinto agora é raiva. Tudo o que eu quero agora é quebrar seus ossos um a um e te jogar no rio Hudson!! Você tem noção do que fez, seu infeliz?

- Shhh — ele fez sinal com o indicador.

- Não me peça silêncio! Não me peça nada! Você me enganou esse tempo todo, não foi?

Ele calou-se, com a cabeça baixa. Sakura relaxou, não mais debatendo-se.

- Como... Como você descobriu? Essa foi a única coisa que eu não te contei.

- Eu investiguei — sua voz era baixa e rouca quando ele falou — fui atrás de informações no seu internato, tive contato com seus colegas... Descobri seu cofre. Não foi tão difícil, estando com você a todo tempo, tendo acesso livre ao seu quarto.

Ela sentiu seu corpo enfraquecer mais uma vez, e as lágrimas percorrerem seu rosto.

- Então quer dizer que todo esse tempo... Você só esteve comigo por isso? Era só uma enganação... Tudo?

Sasuke apertou mais as mãos que ainda seguravam os braços finos na Haruno, e sua cabeça baixa não permitia que ele a encarasse.

- Sakura... Eu...

Ele demorava para se completar, e Sakura não queria ouvir mais nada. Empurrou-o, afastando-o de si, e colocou a mão da maçaneta da porta.

- Desde quando? — ela perguntou, antes de ir — Ou melhor, não. Não responda.

- Desde a o dia seguinte ao primeiro baile — ele disse, mesmo assim. A expressão de Sakura contraiu-se ainda mais — Foi quando eu descobri o que realmente tinha acontecido com Itachi — ele continuou.

Sakura franziu as sobrancelhas, sem entender. Largou a maçaneta, e virou-se para o Uchiha.

- O quê? Do que está falando agora? Uma coisa não tem nada a ver com a outra!

- Tem sim. Você tem tudo a ver, pra ser mais específico.

- Enlouqueceu? Eu nem sequer conheço seu irmão!

- Conhece. Ele foi o motivo de você ter ido para a Suíça. Você não me contou isso também, Sakura. Aliás, você mentiu sobre isso.

Sasuke sentava em uma das caixas empoeiradas dali, os cotovelos sobre os joelhos e a cabeça baixa, uma voz morta.

- Eu vou perguntar de novo... Do que você está falando?

- Não se faça de tonta, Sakura. Aminésia de bêbado não dura quase três anos. Na polícia, consta que haviam quatro pessoas no carro do Itachi. Mas, na verdade, havia uma quinta. Você.

Sakura estava parada, calada, imóvel. Sasuke continuou — Havia alguém no banco do passageiro. A batida foi na traseira direita, por isso, você sofreu bem menos danos que os outros. Sua mãe, e eu não duvido nada que meu pai tenha ajudado nisso também, cobriram seu nome disso tudo. E ela te mandou pra longe logo depois, enquanto as coisas esfriavam, não foi? Eu estive investigando isso por muito tempo. A versão de Fugaku nunca me foi suficiente. E naquela manhã, depois do primeiro baile, eu recebi uma ligação de volta de outra garota que estava com vocês, Konan. E ela me confirmou tudo. Você sabia, Sakura, você me ouviu contar tudo e mesmo assim não me disse nada. Você só leva desgraça por onde passa, então não venha se fazer de vítima agora. Não pra mim.

Apenas a respiração deles ecoava pela sala, e Sakura encarou os próprios pés, sem saber po onde começar.

- Eu... Eu realmente não lembrei — a voz dela estava fria, mas incerta, e atraiu a atenção de Sasuke — Eu estava alta naquela noite e...No começo, eu não lembrei de nada. Eu acho que eu passei tanto tempo assim, sem lembrar, porque, na verdade, eu não queria, eu sabia que era algo ruim. Com o tempo, eu fui lembrando, aos poucos. Itachi não me disse seu sobrenome, por isso, eu não sabia. Naquela noite, quando você me contou, eu finalmente lembrei de tudo, de cada detalhe. Mas eu não queria... Eu tentava me convencer de que era alguma ideia maluca da minha cabeça, ou de que não era o mesmo Itachi, mesmo isso sendo ridículo e obviamente mentira, porque eu não poderia me lembrar do rosto de alguém que eu supostamente não conhecia, nem de uma situação que eu supostamente não vivi, certo? — ela soltou uma risada baixa, sem nenhum humor — Mas é claro que o que eu fiz foi não procurar pensar sobre isso. E eu sei que eu sou culpada por não ter te falado nada. Eu tinha obrigação de te falar, eu realmente me senti mal por isso, todos os dias. Mas ainda assim, eu não sou culpada pelo acidente, eu não sou culpada por Itachi ter sido preso, e o que você fez não se justifica.

- Ele só estava lá, naquele dia, por sua causa. Se não fosse por você, nada teria acontecido.

- Se não fosse por mim, ele teria achado outra garota, e tudo seria extamente igual. Você só o ama demais pra aceitar que ele tem culpa, não é?

Eles ficaram em silêncio por minutos incontáveis, até que Sakura suspirou e virou-se novamente para a porta.

- Eu... Fiz questão de sequer olhar para aquelas fotos. Eu não conseguiria. Se é que isso te faz sentir melhor — ele disse, antes que ela fechasse a porta.

- O que me faria sentir melhor... Era se você morresse, Sasuke.

A voz de Sakura era fria, e ela saiu, batendo a porta e levantando a poeira do lugar. Sasuke observou os pontinhos subirem, tornando-se visíveis pela pouca luz da janela pequena e alta que iluminava o lugar.

Notas finais
Então? Estão com mais raiva do Sasuke ou da Sakura? Ou de mim? UHAUAHEUHAUE hehe, aposto que de mim AHAUEHAUEH