Dormindo Com Fantasmas - Naruto
36 When you go, never think I'll make you try to stay
Notas iniciais
Esse capítulo finaliza essa "fase", digamos assim.
Boa leitura ♥
Hitomi sentia sua irritação lapidar-se cada vez mais, a cada minuto que Sakura se atrasava. O que ela estaria fazendo, afinal? Será que havia cometido a estupidez de tentar se defender, explicar? Não seria surpresa. Tudo que Hamasaki mais queria era um filho que lhe desse a devida sucessão, mas seu desejo não havia sido atendido. Lembrou-se de quando era apenas uma adolescente de classe média, filha de um executivo medíocre da Teruya. Depois de tudo que havia batalhado pra chegar àquele ponto, lhe era insuportável apenas a ideia de que seu poder caísse nas mãos de uma pessoa qualquer, de alguém que não tivesse seu sangue. Soprou. Talvez, se tivesse tentado mais com Seiji, se não tivesse desistido dele tão rapidamente, se tivesse mostrado o seu lugar de outras formas... Não, não. Não iria adiantar. Seria apenas perda de tempo. O filho mais velho não tinha pulso algum, era um lunático, bem como seu pai. Sua última esperança era Sakura. Mas a filha também não carregava sua avidez, era uma libertina e manipulável. Não podia ser diferente, com o pai que tinha, pensou. Mas Sakura tinha o mesmo gosto que ela pelo poder, e era nisso que apostava. Nunca se esquecera da resposta da mais nova, quando lhe perguntara por que queria lhe suceder. Sim, o dinheiro não importava. A fama, o status, muito menos. Eram coisas quase dispensáveis. Mas o controle para operar um gigante, com ramificações incontáveis, que causavam os mais diversos efeitos em várias pessoas ao redor do mundo, isso sim valia a pena. Permitiu-se sorrir vagamente. E de sua janela, avistou um ponto rosa que saia de um táxi e agora atravessava o jardim. Contou seus passos até que a porta batesse, e ordenou que entrasse.
- O que você disse? — foi sua primeira pergunta, enquanto fazia sinal para que a Haruno se acomodasse numa das poltronas dispostas pelo quarto.
- O que você mandou. Renunciei.
- Ótimo — Hitomi estava séria, o que causava tensão em Sakura. A mãe estava quase sempre sorrindo, independente da situação — agora, Sakura, preste atenção no que eu vou dizer. Mesmo depois de tudo que você me aprontou, eu continuei te protengendo e acreditando no seu potencial. E você conseguiu estragar as coisas de novo. Eu não vou ficar aqui falando quantas vezes te avisei que o Uchiha era perigoso. Você foi ingênua demais pra alguém que se diz tão esperta. Mas essa foi a última vez, foi o limite. Eu só farei mais uma única aposta em você, Sakura. Mais uma falha, e eu não quero nem saber. Está me entendendo? Está disposta a fazer tudo o que eu disser, de agora em diante?
Sakura encarou-a diretamente, e assentiu.
- Certo. Você irá para a França, e eu tenho um setor perfeito pra você por lá. Nosso ramo imobiliário nunca foi um dos mais fortes, mas depois da crise de 2009, despencou e nunca mais se recuperou. Entretanto, eu já havia desenvolvido um plano de metas para recuperá-lo. Vou dar um jeito de colocar você por lá, como cabeça desse projeto. Durante sua estadia na Europa, responsabilize-se por reconstruir sua imagem. Nada de festas, nada de namoradinhos famosos. O que você tem que mostrar agora é que aquela era uma época da sua juventude que ficou para trás, e se tornará uma adulta responsável. Use esses jornalistas idiotas a seu favor, isso é primodial. Quanto ao Sasuke, enquanto ele estiver em Yale, não vai poder fazer muita coisa, mas eu sei que ele vai querer meter suas patas também, pra mostrar serviço. Porém, não se preocupe. Vou dar um jeito de confiná-lo em um dos nossos piores setores, onde ele não vai poder se desenvolver. Mas, Sakura, tudo depende de você. Mesmo que eu faça do Uchiha um incompetente, de nada vai adiantar se você não conseguir mudar sua imagem, que, no momento, é a pior possível. Não vai ser uma tarefa fácil. E se você errar, eu desisto de você.
Sakura moveu o maxilar e mordeu o lábio inferior.
- Tudo bem. Eu não vou mais falhar. É uma promessa. Pra mim.
- Assim espero. Quando você vai?
- Eu iria apenas no fim de janeiro, mas mudei de ideia. Assim que passar o Natal, eu me mudo.
Hitomi deu um leve sorriso em aprovação. Sakura fez um aceno com a cabeça, mas antes que chegasse à porta, a mais velha chamou de volta sua atenção;
- Ah, Sakura, diga à Tamiko que avise ao Uchiha para arrumar suas malas. Não há mais sentido em eu continuar a abrigá-lo aqui.
Ela respirou mais profundamente, e cerrou os punhos com força. Disse um "certo" firme e saiu.
....
Nos corredores da Teruya, Asuma andava ao lado de Sasuke, com um sorriso vitorioso em sua expressão calma.
- Foi uma bela jogada. Você acabou com a carreira daquela Haruno.
Sasuke apenas assentiu, sem grandes expressões.
- É. Aquela velha Hamasaki me manteve na casa dela após a morte de Fugaku com a política do "mantenha seu inimigo por perto", e devo dizer que ela quase me atrapalhou de verdade.
- Oh, sim, ela é uma mulher astuta.
- É. Mas não tinha como ela me descobrir. Ah, sim, Asuma. Dispense Ebisu. E trate de dar um fim na carreira estúpida dele também.
O advogado ficou surpreso.
- O quê? Ele foi muito útil divulgando as fotos nos jornais que queríamos. Conseguiu divulgar todas elas!
- Isso mesmo. Ele divulgou todas elas.
Sasuke soltou um sopro, e Asuma já sabia que aquilo significava que o Uchiha não mais tocaria no assunto. Assentiu, parcialmente relutante, e entraram no elevador.
....
Sasuke caminhou pela passarela coberta de neve do jardim, e observou os arbustos, que mesmo com todo o cuidado e limpeza que era feita, também tinham a mesma camada branca. Lembrou-se de vários anos atrás, das brincadeiras com Itachi e da mãe em pé, na porta, soprando as mãos e rindo com a irritação do menor em não conseguir acertar o irmão com as bolas de neve. Ela adorava o inverno. Colocou a mão na maçaneta da porta, por aquela que sabia ser a última vez.
Não se incomodou em manter seu terno, mesmo que fizesse frio. Ficou apenas com a camisa preta e grosa que vestia, soprando cansado.
Sakura estava lá, no topo da escada, e ele percebeu sua relutância em continuar a descê-la. Afastou um pé para trás, no que ele reconheceu ser uma dúvida em voltar para o andar em que estava. Por fim, observou sua expressão agravar em sua pele fina, e ela continou seu percurso pelas escadas. Sasuke não disse nada. Não havia nada a dizer. Não pediria desculpas. Não poderia, mesmo se quisesse, e não tinha certeza sobre o último ponto. Se tudo fosse à sua vontade, Sakura o entenderia e pronto, tudo voltaria a ser como antes, sem mais perguntas ou questionamentos. Mas nenhuma pessoa faria aquilo, muito menos ela. Não. Ele também não queria que tudo fosse como antes. Balançou a cabeça, arrastando o terno por cima do ombro e atravessando a sala, ao encontro da escada, na direção oposta à Haruno.
- Espero que esteja subindo para arrumar suas malas — ela disse, assim que ele passou por ela. Sua frase começou firme, mas o fim quase morreu antes de passar por sua garganta, exatamente como ele esperava. E sabia, mesmo sem olhar para trás, que Sakura não havia parado, mas seus passos estavam tão lentos quanto poderiam estar, como se esperando para ouvir a resposta, mas tentando se convencer de que não precisava dela.
- Não foi você mesma quem disse que aqui é o meu lugar? — disse, apenas para ver a reação da outra.
Virou o rosto minimamente para poder vê-la de canto. Sakura havia parado. Demorou segundos para que fizesse alguma coisa, mas apenas deu de ombros — Que seja. A casa é da minha mãe agora, ela não vai mais te querer aqui, de qualquer jeito.
Ajeitou o cachecol em volta do pescoço, atravessou a sala e deixou o vento gelado invadí-la, na fração de segundos antes de fechar a porta.
....
- Eu não acredito — era o que Tenten dizia, balançando a cabeça. Hinata havia ligado para Sakura, alegando que precisava de ajuda dela para encaixotar os livros para a mudança, mas quando a Haruno chegou ao apartamento da Hyuuga, todas as outras estavam lá, reunidas. Não tinha a menor vontade de contar tudo o que acontecera, mas tinha que contar, uma hora ou outra.
- Eu também não. E eu não sei no que é mais inacreditável, a canalhice do Sasuke ou essa sua coisa com o Itachi — Temari arqueou uma sobrancelha.
Tenten estava segurando um "por que nunca nos contou?", mas não disse. Não era a hora certa. Pensava em Sasuke. Ela estava certa em desconfiar dele, afinal. Mas também não esperava algo como aquilo. Entretanto, vindo dele, não era bem uma surpresa, pensou.
- Como você está se sentindo? — perguntou Hinata, com uma ruga na testa. Ino voltou o olhar para os olhos verdes.
Dor. Foi o que ela pensou. A dor era tanta e tão afiada que às vezes parecia não existir.
- Eu não sei — deu de ombros — eu sinto raiva. De resto, eu não sei. Mas também não quero falar sobre isso — fez uma careta.
- Tudo bem — Ino se apressou em dizer — e então... Quando você vai?
- Daqui a três dias. Depois da véspera de Natal.
- Daqui a três dias? Mas você não ia só no começo do próximo ano?
- É, mas eu acho melhor assim. Me desculpem. Acho que temos pouco tempo agora — riu, sem humor.
- É verdade. Tipo, eu sei que no Natal geralmente a gente fica com a família, mas já que a Sakura vai embora, que tal a gente ficar junto? — sugeriu a Yamanaka.
- Eu acho legal — concordou Hinata — minha família está do outro lado do país mesmo, então...
Tenten concordou vagamente, e Temari disse que eles poderiam se reunir do apartamento dela e Gaara. Mitsashi fingiu atender uma ligação, e disse que tinha de sair urgentemente. Sakura falou que estava cansada, e iria para casa. Ino comprimiu os lábios e a abraçou, antes de se despedir.
Jogou-se no sofá de Hinata e olhou para Temari.
- Ela está fazendo o que eu acho que está fazendo? — a mais velha perguntou.
Ino murmurou um "uhum" balançando a cabeça para cima e para baixo. Hinata olhou confusa para as duas — O quê?
A loira mais nova soltou um sopro e sentou-se no sofá.
- Em situações como essa, há três estados para a Sakura: no primeiro, ela fica com um ódio incontrolável e nós temos que prendê-la para que ela não mate o causador, no caso, o Sasuke. No segundo, ela começa a achar que o problema está com ela e que a outra pessoa até tem o direito de ter feito o que fez. E esse é o que demora mais. É problemático. Só no terceiro, ela começa a esquecer a pessoa e toda a importância que ela teve. A Sakura o apaga completamente. É assim que ela funciona. Só que agora....
- Agora? — Hinata perguntou, ainda não conseguindo completar.
- Agora ela está tentando pular direto para o terceiro estágio — disse Temari, suspirando — provavelmente. Tsc.
....
Pensar. Tenten precisava pensar. Era isso que havia feito nos últimos dois dias, e por mais que refletisse, não conseguia definir ao certo qual deveria ser sua postura.
Mas agora era tarde. Era véspera de Natal, e Sakura partiria no dia seguinte. Ela estava com as mãos e a cabeça encostadas no volante, parada em frente ao prédio em que ela sabia que Sasuke estaria agora. Ele sempre ficava lá quando ainda morava na Europa e tinha que resolver quaisquer assuntos em Nova Iorque.
Disse o número do apartamento de sempre à recepcionista, que autorizou sua entrada. Subiu até o décimo primeiro andar e tocou a campainha, batendo os dedos na parede enquanto o primo fazia questão de deixá-la esperando um pouco mais.
- Tenten — ele disse numa animação sarcástica, enquanto dava as costas para a morena e se acomodava em seu sofá, vendo a reprise de um jogo de basquete qualquer — estava mesmo demorando para vir.
Tenten revirou os olhos e bateu a porta, sentando-se no outro sofá.
- E então, o que veio fazer aqui?
- Eu soube de tudo, Sasuke, como já era esperado.
- Uhum — ele não tirava os olhos da televisão enquanto a prima falava — veio me dar sermão?
A morena soprou, levantando-se e desligando o aparelho. Sentou-se novamente, e Sasuke a encarou com as sobrancelhas erguidas.
- Já deveria me conhecer o suficiente pra saber que não sou de fazer isso. Afinal, Sasuke, eu já sabia que você não estava me dizendo a verdade. Eu nunca engoli aquela história.
- É, eu sei. Você sempre foi de ficar bisbilhotando tudo mesmo.
Tenten se calou brevemente.
- Ela vai embora amanhã, sabia?
Sasuke assentiu, sem expressão.
- E então, o que você vai fazer?
Ele olhou para a morena com pouco entendimento, balançando a cabeça para os lados.
- O que eu vou fazer? Eu não vou fazer nada.
Tenten franziu o cenho — Nada? Como nada?
- O que você queria que eu fizesse? Oh, Sakura, me perdoe por estragar sua carreira e o resto de reputação que você tinha, será que podemos continuar de onde paramos? Tsc.
Tenten soprou impaciente, passando as mãos pelos cabelos — Você é um idiota, sabia? Porque eu sei que, apesar de tudo, você gosta dela. Aquela preocupação com a Sakura no dia do acidente, o fato de você ter manipulado pra que ela fosse pra França... O seu olhar, Sasuke, naquele dia do parque, quando ela anunciou que ia embora. Eu conheço você. Você estava... — ela parou, incerta — Feliz com ela.
Sasuke fitou-a impassível, cruzando os braços.
- Eu vou repetir, porque ainda não entendi o que você quer com isso tudo... O que você espera que eu faça, Tenten?
- Eu espero que você seja decente pelo menos uma vez e vá falar com a Sakura antes de ela ir embora! Fale tudo o que precisa, resolva logo essa palhaçada. E não me venha com essa de blá blá blá ela também mentiu pra mim!
O Uchiha ainda continuava com a mesma expressão, porém não mais encarava a prima, e sim um ponto qualquer na sala.
- Olha — ela continuou — Hoje à noite, nós estaremos todos na casa da Temari — ela pegou um bloco de notas e uma caneta dentro na bolsa — aqui está o endereço. Apareça por lá.
Deixou o papel em cima da mesa de madeira e saiu.
....
- Você o que? Temari continha seu berro num sussuro, variando o olhar entre Tenten e sua sala, que já estava cheia com todos os seus amigos.
A morena a havia arrastado até a cozinha para dizer que tinha convidado Sasuke, e pedindo para que a loira autorizasse sua entrada.
- Calma, eu só acho que ele e a Sakura precisam de uma chance pra conversar.
- Conversar? — ela fazia sinais com as mãos — O que diabos eles teriam pra conversar? — soprou — Você sabe que se o Sasuke aparecer aqui, o Naruto parte pra cima dele, não é?
- Nesse caso, a gente segura ele. Por favor, Temari.
- E ai, o que vocês estão cochichando, hein? — era Ino que aparecia, junto com Sakura, sorrindo.
Tenten olhou de modo significativo para Temari, que revirou os olhos e assentiu.
- Nada, só estávamos falando mal de vocês duas.
A Haruno e a Yamanaka fizeram careta, e as quatro voltaram para a sala. Conversaram mais algumas horas, com Naruto e Ino se lamentando por terem que ficar todos longe, fizeram o tradicional amigo oculto e a ceia. Tenten, vez ou outra, olhava para o relógio em seu pulso e batia o pé ansiosamente. Sasuke não havia aparecido. Com a madrugada, todos começaram a ir embora, e Tenten fez um bico de irritação, junto com um sopro de derrota quando Sakura disse que ia embora, e despediu-se de todos. Logo depois, ela mesma resolveu ir, acompanhada por Neji. Sasuke efetivamente não aparecera, mesmo depois de tudo o que ela dissera. Respondeu um "nada" quando Neji perguntou pela segunda vez o porquê de ela estar tão estranha naquela noite "é só nostalgia antecipada" completou, e entrou no carro.
...
O JFK estava apinhado de gente, como o usual. O voo estava marcado para as dez da manhã, e quando Sakura chegou, apenas meia hora adiantada, quase todos já estavam sentados nas cadeiras pretas do aeroporto, esperando por ela. Tinha várias camadas de roupas, e seu nariz estava avermelhado por causa do frio. Sentiria falta daquela cidade. Do movimento, do ar único que Nova Iorque tinha. Odiava despedidas, e tentou se concentrar na afirmação de que logo voltaria, mesmo não tendo certeza se seu tempo permitiria. Recebeu os cumprimentos de todos. Naruto, Ino, Hinata e Tenten fizeram o favor de chorar, arrancando também algumas lágrimas suas. Desde o dia em que não fora aceita em Yale, pegava-se imaginando aquela cena de adeus várias vezes em sua cabeça, mas no final, nenhuma delas se parecia com a real. Porque, ao contrário do que pensara, Sasuke não estava ali. E o que achava mais medonho era que uma parte dela parecia estar esperando que ele surgisse ali, a qualquer momento. Mas ele não apareceu. Ouviu Temari avisando que só restavam dez minutos, e abraçou cada um mais uma vez.
- Faça o que tem de fazer, e volte pra nós o quanto antes, Sakura. Eu sei que você consegue. Eu vou sentir muitas saudades suas — Naruto dizia enquanto a abraçava, e ela podia dizer, pela entonação dele, que o loiro exibia mais um de seus gigantes sorrisos. Balançou levemente a cabeça e sussurrou um "obrigada" dos mais sinceros. Os agradecimentos que devia a Naruto eram infinitos.
Olhou para todos eles novamente, enquanto Ino a fazia prometer que daria notícias assim que chegasse. Acenou pela última vez, e numa última tentativa, virou-se para trás. Foi quando viu, a uma distância média, encostado numa parede e de braços cruzados, aqueles olhos pretos incríveis, observando-a continuamente, sem permitirem ser traduzidos. Ela o fitou, sem saber o que era aquilo que sentia, pois seu raciocínio estava ocupado demais captando todos os detalhes daquele rosto pela última vez. Foi despertada por alguém desastrado que passou apressadamente, batendo em seu ombro, sem se dignar a pedir desculpas. Viu que só tinha cinco minutos. Tirou seus olhos definitivamente daquela direção, e apressou-se em passar pelo portão de embarque.
Sakura não sabia se era a determinação, o orgulho ou a vergonha que lhe enchia o peito. Seus sensores não funcionavam direito, mas não importava. Só sabia que era suficiente para que pudesse afirmar que sim, algo mudaria. Tudo mudaria. Ela não mais seria uma peça do jogo alheio, prometia. Queria ter um lugar na mesa, queria suas próprias cartas, e iria buscá-las na... França.
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