Dormindo Com Fantasmas - Naruto

45 I just wanna be your lover, no matter how it ends


Notas iniciais
Yo! Esse capítulo ficou bem dramático e_e mais do que o usual e talvez mais do que eu gostaria que ele tivesse ficado. Acho que meu humor influenciou, não tem jeito, tsc.
Ennnfim, espero que não esteja tão ruim e_e q

Eu já estava mergulhada naquele medo há muito mais tempo do que imaginava. Ele envolveu meus pés, pernas, mãos, e eu não pude enxergar quando foi que me impediu de respirar. Era um medo grande demais para a causa que eu menosprezava tanto. Nós podíamos ter uma relação de ódio, nossos raros diálogos podiam não acontecer mais, os pontos medíocres que ainda nos ligavam podiam ir embora. Era medo por saber que eu não evitaria isso.

Porque não é realmente necessário possuir alguma coisa para se ter medo de perdê-la.

E o que eu não pude enxergar no seu olhar, que me deu tantas chances pra decifrá-lo, foi que você estava com medo disso também. E com raiva. Raiva, porque você sabia que não era capaz de colocar seus próprios interesses em segundo lugar, assim como eu também não era.

Hey, Sasuke, hora de abrir os olhos. Estou cansada de lembrar do passado sozinha.

Silêncio. Calor. Fios de cabelo entrelançando-se uns nos outros a cada vez que o vento vinha mais forte, o sentimento de vazio. Cemitérios são sempre assim, pensava ela, sem significado algum. A áurea de tristeza que a mãe tentava passar era quase cômica, de tão conveniente. Sakura não havia entendido o porquê, talvez fosse por que lhe sobrava tempo, mas todas as vezes, quando chegava aquela data de falecimento de sua antiga enteada, morta num acidente de iate, Hitomi fazia questão de visitar o túmulo. E Sakura a acompanhava apenas porque ela lhe pedia.

- Eu estava observando, esse dias — a mais velha começou a falar, quando elas já estavam na calçada, deixando para trás o cemitério gramado — aquela casa é muito grande. Tem certeza de que não quer voltar pra lá? — Sakura olhou para a mãe, com uma sobrancelha arqueada e uma expressão divertida.

Hamasaki olhava para a frente — chame também Seiji e o menino. Seria divertido ter alguém correndo pela sala.

A Haruno riu — Louis não é exatamente do tipo que sai correndo por todos os lados.

Fez daquilo sua resposta, calando-se enquanto o motorista a ajudava a colocar Hitomi no banco traseiro do carro em que viera.

Entendia o que a outra mulher queria. Hitomi estava se sentido sozinha. Mas, no momento, Sakura tinha outras coisas na cabeça que considerava mais importante. Dar trabalho à sua secretária era mais importante. Assinar os papéis que poderiam esperar até a outra semana era mais importante. Telefonar para Gaara e perguntar se ele poderia ajudá-la com alguns trabalhos que deveriam ser de Naruto era mais importante. Sua pequena reunião com Sasuke, naquela segunda, era mais importante. Qualquer coisa parecia mais importante que as carências de sua mãe.

Respondeu ao sorriso de despedida dela com um igual, fechando a porta e deixando que ela se fosse.

....

Deu leves e rápidas batidas na porta, entrando logo depois, sem esperar por uma permissão de quem estava lá dentro. Sasuke encontrava-se sentando em sua confortável cadeira, aparentemente vasculhando todas as suas gavetas em busca de algo. Não levantou o olhar quando aquela pessoa de cabelos peculiares entrou na sala, nem lhe desejou um formal bom dia quando esta sentou-se à sua frente. Por fim, bateu a última das gavetas, aparentemente desistindo de sua busca.

- Você está atrasada — ele disse, e Sakura pôde identificar aquela expressão que exijia uma explicação.

Respirou fundo — Dezessete anos da morte da enteada de Hitomi. Fomos... Visitá-la.

Sasuke deixou que as pontas de suas sobrancelhas se curvassem. Lembrava de como Sakura não acreditava naquele tipo de coisa, algo bem explicitado pelo tom em que usara para pronunciar a última palavra. Levou um tempo para lembrar-se também da história sobre a tal irmã postiça, contada pela própria Sakura há tanto tempo. Fechou os olhos por um breve momento, tentando concentrar-se no que estava ali, no presente.

A Haruno notou. Naquela manhã, Sasuke estava mais sério que o usual. Falaram apenas de assuntos profissionais, ele não lhe lançou nenhum olhar minimamente demorado, não deu mais nenhuma brecha para qualquer frase que relacionasse tópicos pessoais. Quatro horas se passaram exatamente assim. Por um lado, sentiu-se aliviada diante daquela postura do Uchiha, mas seu sentimento de desconforto era muito maior. Não soube por que, afinal, era isso que queria, não era? Uma relação extremamente profissional. Ou pelo menos, era no que acreditava.

- Srta. Haruno — uma loira jovem fez apenas sua cabeça visível, depois de bater levemente contra a madeira da porta. Nii, sua secretária. Pela postura dela, pôde prever que o recado era rápido — o sr. Uzumaki está na linha — observou certa surpresa e hesitação em Sakura — Anh... Quer que eu transfira para-

- Não, não — virou-se para a frente de Sasuke novamente, juntando suas coisas e olhando rapidamente para o moreno, que fitava um relatório de proposta que, aliás, eles já haviam recusado, logo no começo da manhã. Franziu a as sobrancelhas com aquela ação estranha, e logo se levantou — Pode deixar, Yugito. Eu estou indo para a minha sala.

...

Assim que ouviu a primeira sílaba de Naruto, Sakura contraiu sua expressão. Era uma voz rouca, distante e pesada. Não se recordava de alguma vez ter ouvido o loiro falar naquele tom.

- Espera. Não entendi — ela disse, pausando as palavras — O que exatamente aconteceu?

- Eu... Cheguei aqui ontem — ele soprou — E então me dei conta de que não sabia exatamente o endereço dela, mas não foi muito difícil de encontrar. Enfim, um parente da Hinata que estava por lá me disse que ela tinha ido ao hospital em que Hiashi está se recuperando, e eu fui até lá. Ela estava visitando o pai quando eu cheguei, e... Sei lá, não pareceu muito feliz por eu ter aparecido. Eu falei com ela. Disse que se casar com Itachi era um erro, disse que... Mas ela não quis terminar de me escutar. Apenas abaixou a cabeça e disse para eu não me intrometer na vida dela, e... Não me deu chances pra mais nada - a Haruno pôde ouvir algum vento chiando brutalmente do outro lado, e perguntou-se onde ele estaria - Eu não sei o que fazer — ele disse de uma vez, numa confissão.

Sakura sabia o motivo de suas mãos terem apertado o telefone com força, de seus dentes terem se cerrado, de seus olhos cada vez mais arregalados e da raiva que sentia. Sabia, mas brincava em não admitir. Porém, não pôde evitar de explodir.

- Não sabe o que fazer? Não sabe o que fazer? — ela repetia, começando a soar desesperada — Você vai atrás dela nem que seja no inferno, é isso que você vai fazer! Você tem que trazê-ça de volta, ouviu? Você precisa, Naruto! Não volte aqui sem a Hinata! Você não pode fazer isso! Não pode. Eu... Eu nunca vou te perdoar se você não trouxer ela de volta contigo, entendeu?

Ele não deu uma resposta rápida, nem explosiva, como ela esperava. Tudo o que teve foi silêncio. Sua raiva e ansiedade foram se substituindo por um súbito receio. Chamou-o novamente, pensando na possibilidade de o loiro ter desligado, mas o chiado do outro lado ainda dizia que não. Porém, mesmo assim, continuou sem uma resposta do Uzumaki.

- O que eu sou pra você? — ele disse, depois de alguns minutos, com uma voz rouca e séria. Uma voz que causava espanto e uma certa tristeza só pelo fato de ter sido usada por Naruto.

Ela franziu as sobrancelhas e soltou um riso nervoso, confusa e surpresa com aquela pergunta.

- Oras, você é meu melhor amigo, Naruto. Uma das pessoas mais importantes da minha vida, com certeza, eu te amo, você sabe.

Ele soltou um suspiro pesado do outro lado, antes de falar com um tom reprovador e desapontado.

- Pelo visto, não sou tão importante a ponto de ser poupado do seu jogo.

Sakura inalou e expirou com brusquidão, frustrada e irritada — Pode me dizer do que diabos está falando?

Ouviu sua própria ação ser repetida por Naruto — Isso é só mais uma parte da sua disputa particular. Você envolveu a mim e a Hinata nesse lixo, você... Eu não conheço mais você, Sakura — ele soprou, e a Haruno pôde imaginá-lo balançando a cabeça para os lados — Eu sei que você sabe, mas mesmo assim, vou fazer o favor de te explicar o que você finge não existir. Você só quer que eu volte com a Hinata porque de um jeito... Doente, vê isso como uma vitória. De algum modo, você acha que se a Hinata ficar com o Itachi, o Sasuke estaria ganhando alguma coisa. Quer ela do seu lado, não é? No seu círculo de amizades, dentro do seu poder. Eu... Custei a acreditar que era isso, mas agora, eu não tenho mais dúvidas - ele parou, cansado — É tão óbvio — riu, sem humor — eu... Eu só... Nunca pensei que sentiria por você o que eu estou sentindo agora.

Sakura não disse nada, nem poderia. Seus lábios estavam entreabertos, gelados, assim como as pontas de seus dedos. Sentia-se como se tivessem a desmascarado, descoberto seu maior e pior segredo. Sentia-se tocada pela decepção de Naruto, sentia-se pesada.

Demorou a perceber que ele já havia desligado. Seu transe só parou quando a porta foi aberta, e Yugito falou alguma coisa que ela não ouviu. Apenas balançou a cebça repetidas vezes, e a moça pareceu satisfeita. Logo depois, Gaara apareceu, cumprimentando-a e sentando-se à sua frente. Olhava-a diferente, em estranhamento.

- Eu vim aqui por que você me perguntou se poderia cobrir o Naruto, mas... Aconteceu alguma coisa?

Ela olhou ao redor, apenas por vezes, passando por Gaara. Piscava os olhos repetidamente, como se isso fosse, de repente, revelar alguma coisa.

- Não — ela disse, encarando sua mesa, com uma careta — Eu só não estou muito bem hoje — Levantou-se — Desculpe-me por isso, mas poderia acertar com a Nii? Eu preciso sair agora — olhou mais uma vez as paredes, como se buscasse ter certeza no que dizia. Forçou um sorriso para Gaara, que ainda a encarava confuso, e apressou os passos mais que nunca até a porta.

...

Riverside Park. O vento que batia no rio também ia contra a sua pele, cada vez mais forte, às vezes, parecendo criar uma barreira para que ela não pudesse ouvir os sons exteriores. No fim, aquele ainda foi o lugar no qual ela pensou para se refugiar. Será que, afinal, não havia mudado tanto assim desde os dezoito anos? Será que tinha mudado para pior?

Eu não conheço mais você.

Nunca pensei que sentiria por você o que eu estou sentindo agora.

Naruto e Louis eram, talvez, as pessoas que ela mais amava. Não conseguia se imaginar sem eles. O que o loiro havia dito era a pior coisa que poderia ter sido dita a ela. Estava decepcionada. Decepcionada consigo mesma. Mas não extamente culpada.

Olhou para as grades que gentilmente apoiavam suas mãos. Era irônico pensar que, depois de tudo, ela ainda corria para aquele lugar. Situações diferentes, mais igualmente ruins. Do mesmo modo, havia o sentimento terrível de que estava irrevogavelmente errada sobre tudo.

E ainda... Tome cuidado, porque se não, você vai ficar igual a ela.

Era a última coisa que queria. A admiração — mesmo que não assumida — por Hitomi, na adolescência, não tinha sobrevivido. A mãe estava longe de ser um modelo que quisesse seguir, agora. Essa possibilidade, negada com veemência até ali, começava a se tornar uma interrogação para Sakura. Talvez, então, ela estivesse errada no modo de como estava agindo, pensando, sentindo. Mas como devia ser, então? O que deveria sentir, pensar, fazer? Tinha realmente envolvido todos à sua volta na nuvem pesada que era seus sentimentos por Sasuke?

- Hey — ouviu a voz doce e calma, acompanhada por um imediato toque em seu ombro — recebi sua mensagem.

Era Ino. Ela tinha aquele tom raro, preocupado e concentrado. Parecia que adivinhava. Sempre adivinhava. Teve a conhecida sensação do nariz mais sensível, olhos mais frios e garganta mais pesada. Demorou a se virar, na tentativa de conter o choro. Mas como viu que não conseguia, confortou-se com o fato de que havia alguém ali para sustentar seus braços.

A loira recebeu sem grandes surpresas o abraço urgente da Haruno, passando a mão por seus cabelos enquanto ela apoiava a cabeça nos ombros da Yamanaka, atraindo algumas atenções com os sons que escapavam entre seus dentes.

- Ei, ei — ela ergueu a cabeça da rosada na altura da sua, pondo uma mão em cada lado de seu rosto — O que aconteceu pra você ficar assim?

Olhou para as sobrancelhas loiras, com suas pontas levemente levantadas, as duas rugas horizontais formadas nas testa branca, os olhos azuis que fitavam os seus, brilhando. Não pôde fazer outra coisa, a não ser se jogar de novo nos braços da outra, apertando as costas de sua camiseta lilás com toda a força que podia concentrar.

- Eu... — começou, com a voz abafada pelo ombro da loira, interrompida pelos soluços e falta de coragem, falhada pela instabilidade — Eu só não consigo entender por que... Mesmo depois de tudo, eu ainda o amo.

A Yamanaka deixou os lábios se separarem, incerta sobre o que dizer — Oh... Sakura — Ino deixou um som escapar, fechando os olhos. Estava esperando pelo momento em que aquilo inevitavelmente aconteceria — o que você vai fazer? — ela perguntou, preocupada.

A rosada se separou do abraço, fungando e limpando as últimas lágrimas com as mãos, virando-se rapidamente para o rio — Eu não sei — ela disse de uma vez, balançando a cabeça — Eu não sei como eu vou fazer pra não deixar transparecer, ainda mais agora, que nós estamos trabalhando diretamente juntos. E eu não posso só esperar esquecer, sabe? Eu não tenho tempo.

Ino caminhou até ela, apoiando-se também nas grades. Fitou as outras pessoas, e depois, Sakura.

- Por que você não fala com ele? — sugeriu, colocando o cabelo atrás da orelha, exibindo seu sorriso confiante.

Sakura fez uma careta de desentendimento — Falar com ele pra quê?

Ino girou os olhos, comprimindo os lábios — Pra falar o que você sente. Já admitiu pra si mesma, então agora, por que não tenta conversar com o Sasuke sobre essa situação de vocês? Talvez ainda tenha jeito. E vai custar muito mais não tentar.

Sakura mordeu o lábio inferior, olhando para o céu alguns segundos.

- Não ia adiantar — ela disse, sem olhar para a amiga — quer dizer, primeiramente, eu com certeza não conseguiria falar isso pra ele. Eu.... Tenho um bloqueio. Eu não consigo chegar muito perto do Sasuke, puxar assunto com ele... Mesmo que eu saiba que falar com ele vai ser bom... Eu simplesmente não consigo. E depois, mesmo se, considerando a melhor das hipósteses, ou seja, se ele ainda sentir algo por mim e nós nos desculparmos ou algo assim, que aliás é uma cena que eu nem consigo imaginar... Mesmo assim, eu não acho que me sentiria bem. Eu acho que sempre teria uma parte de mim que me lembraria o que ele fez e não me deixaria em paz.

Ino suspirou, e depois de um tempo calada, disse, com um sorriso moderado — Desculpa.

- Pelo o quê?

- Pela pressa em fazer você admitir isso. Acho que é porque eu não posso te entender completamente. Digo, eu jamais me imaginaria em uma situação assim — ela riu, fazendo a outra acompanhá-la.

- É... Como você falou, eu sou uma doente — olhou para a loira, retribuindo seu sorriso — Mas... Você queria me dizer alguma coisa quando me ligou?

Ino levantou as sobrancelhas — Ah, sim. Passei na Teruya pra falar com você, e lá tinha uma ligação do hospital. Parece que sua mãe teve mais uma daquelas complicações no rim e está internada. Isso é grave?

- Não, não — ela revirou os olhos — Hitomi sempre tem isso. Bem, de qualquer forma, eu tenho que ir lá. Ótimos presentes de aniversário adiantados, esses — falou com ironia, quando já deixava o parque, acompanhada de Ino.

- Hm, não era você quem dizia que não ligava pra isso? — a loira deu de ombros, divertida — Aliás, é depois de amanhã, hein?

- É — Sakura confirmou a pergunta retórica, num sopro — Puramente chato. Vou tentar não dormir.

Aproximou-se de onde estava seu carro, enquanto ouvia de Ino qualquer coisa, que devesse ser um consolo, talvez, sobre Sakura definitivamente não conseguir dormir, se ela estivesse ao seu lado.

Notas finais
Anh, nos próximos capítulos, vocês vão entender melhor o que a Sakura queria dizer com não conseguir ficar em paz com o Sasuke e tudo mais. Hm, é isso. Até o próximo! :3