Dormindo Com Fantasmas - Naruto

40 Don't cry for me, cause I don't feel bad about it


Notas iniciais
Mais um capítulo!
Boa leitura ♥

O dia seria longo. E importante. Ela sabia disso, ouvindo seu salto médio bater contra o piso do corredor mais importante da Teruya Incorpore, rumo à sala de reuniões. Aquela mesma, em que há seis anos, ela renunciara. O tecido preto de sua calça reta parecia desconfortável em seu corpo, e, antes de girar a maçaneta da porta dupla, ajeitou a blusa branca por baixo do terno preto, organizando também, pela décima quinta vez, sua pasta. Respirou fundo. Às oito da manhã, seria iniciada uma reunião com os representantes da Petterson Industries, anunciando o atrasamento da fusão e buscando novas negociações. Kakashi faria o que ela aconselhara, por isso era tão importante. Se a Petterson realmente viesse a ter problemas nos próximos dias, Sakura ganharia maior visão dos demais executivos. Seria seu primeiro acerto, um passo fundamental, a prova concreta de que havia mudado. Do contrário, se a Petterson continuasse com seus bons balancetes e eles perdessem a vez na negociação, uma de suas maiores empresas estaria em maus lençóis. E grande parte da culpa recairia sobre ela. Isso definitivamente não podia acontecer. Apesar de estar tratando o assunto com naturalidade, era arriscado e tinha um grau enorme de perigo. Por isso, talvez, estivesse tão inquieta naquela manhã.

A sala ainda estava pouco iluminada. Parecia não ter mudado muito durante aquele tempo. Estava vazia, e seus passos ecoaram pelo local inteiro no momento em que atravessou a porta, e viu a única pessoa que tinha se adiantado mais que ela. Sasuke. Sasuke Uchiha. Aquele nome, sempre parecendo tão forte, tão convidativo, tão perigoso. Sentava-se ao lado esquerdo do que deveria ser a cadeira de Kakashi, espalhando mil papeis pela mesa. Levantou seu olhar despreocupado, a fim de examinar quem finalmente havia chegado para lhe fazer um companhia desnecessária, e, para a Haruno, sua íris pareceu ainda mais negra ao vê-la.

Sakura desviou daquele olhar e concentrou-se em chegar segura até sua cadeira, ao lado direito de Kakashi. Sentou-se, e tratou de também tirar alguns papeis da pasta, e analisá-los, ou ao menos tentar. Sentia a atmosfera em volta carregada demais para que pudesse de fato se concentrar em letras ou números. Sua visão periférica informava que Sasuke lhe lançava alguns olhares, mas não quis atestar a veracidade disso, nem de que tipo eram os olhares. A conhecida voz grave, alta e afiada cortou o silêncio ao mesmo tempo reconfortante e incômodo. Ela ergueu a cabeça, sentindo a garganta milhares de vezes mais seca.

- Tem mesmo certeza de que quer continuar com isso? É sua última chance.

Ele lhe olhava sério. Sasuke não era do tipo que dizia palavras desnecessárias, nem era do tipo impulsivo, embora também não costumasse pensar duas vezes. Seu primeiro pensamento era sempre o melhor, o mais lógico, era natural. E Sasuke não era homem de cobrar certezas, ou dar segundas chances. Ele não precisava verbalizar o que tinha acabado de falar, e nem o faria, normalmente. Talvez ele achasse o silêncio com ela difícil de suportar. Talvez simplesmente quisesse puxar conversa com ela. Talvez apenas quisesse arrancar alguma coisa. Sakura não soube o porquê, mas nenhuma das três suposições a deixavam reconfortada.

- Isso o que? — limitou-se a perguntar. Não queria deixar brechas para qualquer tipo de engano que pudesse ser usado contra si depois. Sua voz era ríspida, e seus olhos já haviam inconscientemente caído nas folhas de novo.

Ouviu uma respiração mais forçada sair dele.

- Eu conheço a Petterson melhor que você. Eu conheço o tipo de problemas pelos quais estão passando, e sei que não vão tropeçar por qualquer bobagem. E eu... Digamos que eu tenha uma apego especial por essa nossa empresa em jogo, eu trabalhei lá, então estou dizendo: é tolice o que você e Kakashi estão fazendo.

- Kakashi é o presidente, não eu. Eu não tenho esse poder de decisão. Deveria procurar a ele, não a mim.

- Sakura, — seu nome foi como uma alfinetada inesperada. Aquela voz, no fino equilíbrio entre a maciez e a aspereza, naquele tom intraduzível, chamando-a novamente, passando por cada sílaba melodicamente. Sua cabeça se ergueu de imediato, exatamente como se Sasuke a tivesse forçado fisicamente a isso — Ainda lembra meu nome? — sua expressão, assim como sua voz, não diziam muito. Estava sério, mas não o suficiente para parecer bravo ou carrancudo. Apenas seu olhar era um velho conhecido, aquele olhar perfurante.

Não entendeu o propósito daquela pergunta, mas a respondeu de maneira breve.

- Perfeitamente — a palavra saiu com o leve e indesejado sotaque francês adquirido, e ela se corrigiu em silêncio.

- Então por que não o usa? — a mesma voz impassível. Ela pôde reconhecer aquele gesto. Era quase como se ele estivesse zombando dela. Não, era como se ele estivesse corrigindo uma novata despreparada. Exatamente isso. Não zombava, porque não considerava que a novata tivesse verdadeiramente alguma chance de acertar, e a perdoava por isso. Esse entendimento só a fazia achar a situação mais humilhante.

Não... Por outro lado, ele parecia irritado por ela não utilizar o nome dele, por negar a proximidade dos dois.

Não, não havia sentido naquilo. Estava gastando muito tempo analisando o propósito de uma simples pergunta. Seu olhar foi atraído por um objeto que se destacava, no anelar da mão direita de Sasuke. Um anel prateado. Ele mexeu levemente a mão, percebendo o olhar dela. Sakura voltou rapidamente a fitar o roto do Uchiha, e pôde enxergar uma expressão que reafirmava o que ele tinha dito, cobrando uma resposta.

Ergueu uma sobrancelha minimamente, mas antes que pudesse eleger qual resposta dar, a porta foi aberta, e eles não estavam mais sozinhos. A sala foi lentamente preenchida, em sua maioria, por homens. Kakashi foi o último a aparecer, com um atraso razoável em se tratando dele.

Durante quase toda a reunião, Sakura pôde sentir o olhar de Sasuke pesando em seus ombros, como se dissesse que ainda dava tempo de reparar seu erro. Ela apenas evita ao máximo responder o olhar, como numa afirmação de que iria prosseguir, estava certa. A reunião se encerrou sem que um acordo fosse feito. Os representantes da Petterson não quiseram renegociar, desistindo da fusão e não dando esperança alguma de que qualquer outro tipo de parceiria pudesse ser possível. Sasuke estava visivelmente insatisfeito, e Kakashi acompanhava a satisfação de Sakura, embora em menor grau.

Ela apertou algumas mãos e saiu antes de Sasuke, com um sorriso confiante. Agora tinha mais um assunto a tratar

.....

Sasuke olhava para a janela de sua sala. Inspirou mais ar que o natural, e se deixou relaxar até que um leve sorriso se formasse. Estava tudo bem. Dentro de alguns meses, ele teria o poder de decisão, e falhas como aquela não mais aconteceriam. Dentro de alguns meses, ele alcançaria sua maior meta.

A porta abriu e se fechou rápido, sem qualquer aviso da secretária ou qualquer batida. Virou-se, e encontrou Tenten, fazendo um aceno e sentando-se numa cadeira à sua frente. Claro. Aquele tipo de coisa só podia mesmo ter vindo de Tenten.

- Olha só, vim te entregar as fotos do departamento de imprensa.

Sasuke se sentou na maior cadeira, uma ruga aparecendo em sua expressão.

- Então você deveria entregá-las ao departamento de imprensa, não sou eu quem cuida disso.

Tenten soltou um gemido insatisfeito.

- Ah, será que eu não posso nem dar uma desculpa pra visitar meu azedinho preferido?

Sasuke rolou os olhos, tanto pelo inoportuna visita, quanto pelo igualmente inoportuno "apelido".

- O que você quer?

- Nada — Tenten olhou para cima, com uma voz fina — Só saber como foi seu dia.

Sasuke a olhou com uma sobrancelha arqueada, em estranhamento.

- Olha, Tenten, eu não tenho tempo pra isso agora, você pode me procurar depois que eu sair e-

- Viu a Sakura hoje? — a morena perguntou de repente, pegando o Uchiha de surpresa.

Ele ajeitou as costas contra o apoio confortável da poltrona — Vi sim. Por quê?

Mitsashi deu de ombros — Sei lá. Já contou a novidade pra ela?

Sasuke fechou brevemente os olhos, e seu tom saiu um pouco mais irritado quando falou — Qual, especificamente?

- Essa que está ai no seu dedo, né, queridinho? — ela revirou os olhos — Aliás, por quanto tempo mais vai ficar enrolando a pobre da Tayuya?

Foi a vez de Sasuke dar de ombros — Até quando precisar.

- Fala sério — Tenten soltou uma risada debochada — Você inventou essa coisa de noivado só pra segurar ela mais um pouco, não é? Claro, depois de quase cinco anos enrolando a coitada. E aposto que agora, vai passar mais uns cinco anos enrolando ela pra poder se casar.

Sasuke balançou a cabeça para os dois lados, encostou o cotovelo na mesa e massageou as têmporas. As visitas de Tenten eram sempre assim, falando demais e perguntando demais sobre os assuntos mais triviais possíveis.

- Tenten, eu realmente estou ocupado — enfatizou sua frase e o pedido implícito, olhando brevemente para a porta. Mas ela não pareceu se incomodar. Encarou Sasuke, em silêncio, depois, cerrando os olhos rapidamente.

Seu tom era diferente quando falou, mais cauteloso, curioso, baixo, e sua voz era mais cheia.

- O que sentiu quando viu a Sakura pela primeira vez, depois desse anos todos?

Foi pego novamente de surpresa. Deixou seu queixo cair um pouco, embora não fosse perceptível. Encarou a mulher à sua frente. Eram poucas as pessoas que podiam ter toda aquela ousadia com ele, e eram pouquíssimas as pessoas que ele já não teria chutado porta afora. Infelizmente, Tenten era uma dessas poucas pessoas. Coçou o olho direito com indicador, num claro sinal de impaciência.

- Eu não sei, Tenten, nada? Surpresa, talvez? Você veio até aqui só pra me importunar?

- Sabe o que eu acho engraçado? — ela continuava com seu quase monólogo, sem se preocupar com que o outro dizia — A Tayuya é parecida com a Sakura, né? Digo, um pouco mais estressadinha e não tem interesses em tomar a Teruya, mas às vezes, quando eu conversava com ela, era quase como se estivesse conversando com a própria Sakura.

Sasuke soprou. Apoiou o queixo numa das mãos — Tenten, você sabe o que é isto? — Apontou para uma pequena pilha de papeis em cima da mesa — Trabalho. Pra hoje, sem falta. Eu não posso me dar ao luxo de ouvir sua conjecturas malucas logo agora — parou. Viu a morena teimar em abrir a boca para respondê-lo, mas foi mais rápido — E antes que continue a falar ou perguntar, vou te esclarecer uma coisa. Sakura e eu foi um assunto de muito, muito tempo atrás, acabou, é antigo, passado. Tanto pra ela quanto pra mim. E nada do que você disser vai mudar isso ou me fazer pensar de novo.

Tenten o fitou. Deu de ombros — Eu sei. Eu só não... — balançou a cabeça — Deixa pra lá — levantou-se — Ah... Já que está aqui mesmo, pode entregar essas fotos pra mim no departamento de imprensa? — sorriu, como se ele tivesse efetivamente respondido um "sim", e saiu.

Sasuke soprou. De todas as trivialidades que já escutara de Tenten ao longo de sua vida, havia uma se repetia vagamente muitas vezes quando olhava naqueles olhos chocolate. Uma frase simplória e sem muito significado, uma das primeiras coisas que havia lembrado inconscientemente quando falara com Naruto do telefone e soubera da volta de Sakura, dois dias atrás. Não era como se concordasse plenamente com aquela frase de cinco palavras separadas por reticências ou lamentasse por isso, mas estranhamente, aquilo vinha à sua cabeça. Aquela frase coloquial parecia mais forte do que era de verdade. Olhou para as fotos. Tenten era mesmo um talento. Tratou de mandar que alguém viesse buscá-las logo, para que continuasse seu trabalho sem mais problemas. Havia muita coisa a ser feita.

....

Era hora do almoço. E Sakura pretendia aproveitá-la bem. Passou pela porta de Naruto do percurso, mas não bateu, não entrou. Não, aquela não era a ordem correta, por pouco não havia cometido um erro. Ligou para Ino e pediu para que ela lhe informasse o endereço da gravadora onde Hinata trabalhava. Ignorou todos os "por quês?" da loira, e foi de táxi até o lugar. Não via a hora de a documentação do carro ficar pronta logo, e pessoalmente, achava que isso podia ser feito mais rapidamente. Perguntou para a recepcionista sobre Hyuuga Hinata, mas antes que a mulher pudesse chamá-la, Hinata apareceu, distraída com alguma coisa que procurava na bolsa. Parou ao ver Sakura, e se aproximou dela vagarosamente.

- Você tem tempo pra mim? — a Haruno perguntava num tom baixo e doce.

Hinata continuou séria, demorando para responder.

- Claro. Estava indo almoçar num restaurante aqui na frente, quer me acompanhar?

Sakura assentiu. Elas saíram andando pelas calçadas, sem falar nada. Chegaram ao restaurante e pediram uma massa italiana qualquer. Nenhuma das duas iniciou uma conversa. Sakura esperaria sua comida chegar, pois não queria correr o risco de ser interrompida num ponto crítico. Porém, assim que os pratos foram servidos, apressou-se em falar.

- Eu queria pedir desculpas por ontem.

A Hyuuga a olhou surpresa, mas fez que sim, sem seu sorriso doce habitual.

- E hoje, eu vim pra ser um pouco evasiva novamente, espero que possa me entender. É realmente necessário que eu-

- Sakura — Hinata a interrompeu — Se veio pra falar do Naruto, perdeu seu tempo. Olha, eu entendo que você tenha ficado fora por muito tempo e não tenha se acostumado às coisas com elas são agora, mas isso não te dá o direito de tentar estragar tudo. Meu casamento com Itachi está marcado, os convites foram enviados, a data na igreja está reservada, as passagens da minha família estão compradas, e eu escolhi meu vestido. Eu realmente tenho certeza disso.

Engoliu em seco. Enrolou a comida no garfo, tomou um vinho. Voltou a fitar a Hyuuga.

- Então você gosta dele mesmo? Do Itachi?

- Claro — deu de ombros — se eu vou me casar com ele, é óbvio que sim. Por que é tão difícil de acreditar nisso? Por acaso você nunca se apaixonou por uma pessoa diferente?

- Não é essa a questão. É que eu... Não sei, não consigo te ver sem ser apaixonada pelo Naruto. De verdade, Hinata, não sente mais nada, nada por ele?

- Não faria muita diferença, faria? — ela baixou o olhar, a timidez estampada voltando.

Sakura girou os olhos.

- Ele só terminou com você porque estava preocupado. O Naruto é assim, coloca o bem estar de quem ele ama acima de tudo. O que ele disse era tudo uma mentira. Você não pensa em como fazer isso foi difícil pra ele?

Hinata formou um bico no canto da boca.

- Isso é o que todos dizem. Mas sabe, eu não acho que tenha sido inteiramente uma mentira. Vocês não estavam lá pra enxergar os olhos dele quando ele me falou. Uma parte disso é verdade. Ele nunca teria olhado pra mim se você não tivesse se apaixonado pelo Sasuke. O Naruto era plenamente satisfeito com você, ele jamais pensaria em tentar algo diferente. E sabe de uma coisa que eu percebi em todo esse tempo que eu estive com ele? — os olhos de Hinata brilhavam dez vezes mais, pelas lágrimas acumuladas. Sua voz falha revelava que ela lutava para não chorar — Que eu nunca, nunca poderia competir com o amor que ele sentiu por você. Eu nunca poderia competir com a história que vocês tiveram.

Sakura ficou calada. As palavras que ela tentava verbalizar eram todas perdidas e presas na insegurança. A comida de Hinata de repente ficou sem gosto, o canto de sua boca sentia apenas o sabor salgado das lágrimas.

- Sabe, Sakura. Vocês eram o casal perfeito. Acho que todo mundo percebia isso, e era por isso que vocês eram o centro de tudo. Porque claro, oh, céus, todos queriam ter algo como o relacionamento de vocês em suas vidas. Até eu. Vocês se completavam, e a única coisa que tornou isso um desencaixe foi o fato de que você amou o Sasuke mais.

A Haruno parou, imóvel. De repente, foi como se cada frase de Hinata estivesse gravada nas texturas das paredes do restaurante. Ela não ergueu o olhar para fitar a amiga à sua frente, pois sabia que encontraria uma feição triste, tentando engolir a comida para negar seu estado. Todos os argumentos em que ela acreditava agora pareciam despreparados para serem moldados.

Terminaram o almoço em silêncio, captando muito mais as cores do que os paladares do prato. Não se pronunciaram para uma sobremesa, e pagaram a refeição sem maiores problemas.

Passaram pela porta de vidro do estabelecimento, o vento em uma só direção jogava seus cabelos para longe. Sakura ajeitou-o atrás da orelha, e olhou para Hinata, antes que tomassem caminhos opostos.

- Hey, Hinata — a Hyuuga a olhou, com uma surpresa descrente — Agora, quer saber de uma coisa que eu percebi? — Hinata girou seu corpo de forma que pudesse encará-la melhor, colocando uma mecha de cabelo longo e rebelde para trás — Os olhos do Naruto sempre me prometiam alguma coisa. Uma visita no dia seguinte, um beijo a mais de despedida, a segurança incondicional... Mas faz muito tempo que isso não acontece. Mais precisamente, desde que ele começou a conversar mais intimamente com você. As promessas do Naruto não são mais minhas. E desde que eu cheguei, no aeroporto, eu soube que a satisfação completa dele não estava mais comigo, e sim, com você.

Sorriu sem humor, e deixou seus cabelos se desorganizarem de novo enquanto dava as costas para Hinata, parada até dez segundos depois, ouvindo as falas de Sakura ecoarem e reverberarem no ar.

Notas finais
Oh, só uma coisa: talvez vocês tenham ficado confusos, mas aquela frase lá a que o Sasuke se referiu, que ele sempre lembra, não é pra vocês saberem mesmo, não agora. Foi de uma conversa que ele teve com a Tenten antes de a Sakura ir embora, e eu sou explicitar qual é depois.
Espero que tenham gostado ^-^