Dormindo Com Fantasmas - Naruto

15 Call me six times, still I won't pick up the phone


Notas iniciais
Olá! Desculpem pela demora :/
Sem mais, vamos ais capítulo...

Hey, Sasuke. Naquela época, eu estava implorando para ser salva. Eu achava que o único que podia me tirar daquele vazio e escuridão era o Naruto. Ele deveria ser o heroi da história, ele era o único que iria me resgatar. Agora ele não pode mais ser meu heroi, e eu não posso mais ser salva. Ah, Sasuke, sabe por que eu te afastei tão decididamente de mim naquele tempo? Você me fazia sentir, e eu não sabia lidar com isso. Até hoje, pra mim, isso não é algo fácil de dizer, mas antes de você, tudo o que eu sentia pelas outras pessoas, era, em sua maioria, construído pela minha própria consciência, para que eu não me sentisse insensível e incapaz de ter empatia, não era de verdade; eu apenas confirmava para mim mesma que eu tinha os mais diversos sentimentos pelos outros para poder renegar aquele vazio de emoções que eu não conseguia encarar. Pode parecer horrível, mas eu não sabia de verdade se já havia amado alguém, nem mesmo minhas amigas ou meu irmão. Eu não sabia o que eu deveria fazer com um sentimento tão forte e completo como o que eu tinha por você. Eu nem tinha ideia que tal coisa pudesse existir. Ao contrário de mim, você não fazia esforço para sentir nada por ninguém, e eu, hipócrita, te julgava todos os dias por isso. Eu vi em você tudo o que eu tentava esconder em mim, e isso me aterrorizava. Eu sabia, ainda mais depois de eu ter te confirmado tudo sobre a minha vida, que você iria me mostrar que éramos iguais. Que eu, que me achava um ser tão mais superior, era igual a você, tão desprezível. Hey, Sasuke, eu estava morrendo de medo que você me dissesse quem eu era.


Sakura entrou em casa e deu de cara com uma cena bizarra: Hitomi, Fugaku e Sasuke estavam todos na sala, sentados. Se já era raro ver o Uchiha e sua mãe em casa ao mesmo tempo, era verdadeiramente um milagre encontrar aqueles três ali de bobeira na sala. Não, aquilo cheirava à confusão, e ela não iria nem chegar perto. Cumprimentaria todos e passaria direto para seu quarto.

– Sakura! — ouviu sua mãe chamar — estávamos apenas esperando por você.

Eles estavam sentados ali apenas esperando por ela? Isso não poderia ser bom. Sakura virou-se lentamente, andou até perto deles e se sentou no lugar do sofá que estava vazio, ao lado de Sasuke.

– O que foi que aconteceu? — Temos ótimas notícias para vocês dois.

"Vocês dois?"

– Bem... O fim de ano já está chegando, estamos quase em agosto. Vocês com certeza já pensaram em qual universidade quem entrar, certo?

– Brown — disse Sakura.

– Yale — Sasuke falou, pelo canto da boca.

– Nós temos uma sugestão melhor. Que tal Cambridge?

Sasuke e Sakura se entreolharam, de um jeito que soava como "Eles ficaram malucos de vez?"

– Isso fica na Inglaterra. Não é muito fácil para americanos entrarem lá, e eu não sei se você já viu minhas notas, mãe, eu não extamente um gênio.

– Você está sendo modesta, querida. Não está entre os primeiros alunos da classe?

– É... Bem, mas-

– Sem "mas". Por enquanto, é só uma possibilidade, mas fiquem alertas.

– Eu só não entendo a necessidade disso. Nós temos ótimas universidades aqui mesmo.

– Seria melhor que você dois se afastassem daqui, principalmente da Teruya, para focar apenas nos estudos.

– Não precisamos atravessar o oceno para isso! — foi a vez de Sasuke intervir — E não foi você, Fugaku, quem me arrastou de volta para a América dizendo que eu deveria ficar perto da Teruya?

Hitomi olhou um pouco surpresa. Fugaku falou pela primeira vez — Não há sentido em discutirmos isso agora. Vamos deixar para quando tivermos certeza do positivo ou do negativo — ele se levantou, pegando sua pasta.

– Você vem, Hitomi?

– Ah, não, passarei na embaixada alemã antes. Te vejo mais tarde.

Fugaku acenou com a cabeça. Hitomi lançou um olhar indecifrável para Sakura, e saiu.

Sakura jogou a cabeça para trás, colocando as mãos sobre os olhos.

– Eu sinceramente não suporto mais a falta de noção desses dois.

Olhou para Sasuke. Ele olhava para a frente, para o nada. Perguntou-se no que ele estaria pensando. Espera ai, no que ela estava pensando? A ordem era ficar longe de Sasuke Uchiha, o que ela estava fazendo naquele sofá?

– Vou subir — disse, levantando-se.

– Você vai? — ele disse, ainda olhando para a frente.

– Onde?

– Cambridge.

Ela riu — Claro que não. Isso é ridículo.

O Uchiha assentiu.

– Você... Voltou com aquele cara?

– Não.

– Você quem terminou?

– Ninguém terminou. É... complicado. Eu não estou mais com ele, só que... A gente deixou uma janela aberta, digamos assim. Mas, ei, por que você quer saber disso?

– Não é óbvio?

Sakura o encarou. Ele estava visivelmente de péssimo humor por se ver naquela situação. Mas não havia outro jeito, ela não podia deixá-lo mover as peças como quisesse.

– É sério que você gruda desse jeito em toda mulher que fica com você?

Ela viu a raiva brilhar ainda mais forte nos olhos de Sasuke.

– Por que você está me evitando desse jeito?

– Porque-eu-não-quero-você! Por que você age como se eu fosse obrigada a isso? É tão difícil entender?

Sakura havia sido cruel, e sabia disso. Detestava ter que falar daquele jeito, mas, de outra forma, Sasuke não recuaria. E se ele não recuasse agora, ia ser pior para os dois depois. Ela precisava fazer isso. Agora, ela tinha certeza de que ele não olharia mais na cara dela, como qualquer outro.

Foi pega de surpresa por ele segurando um de seus braços com força, fazendo com que ela o encarasse.

– O que é difícil de entender mesmo... É por que você mente tanto.

Ele a soltou brutalmente, subindo as escadas em passos largos e raivosos logo em seguida.


....


Sasuke bateu a porta tão fortemente quanto podia, como se aquele gesto pudesse fazê-lo transpirar toda a raiva que sentia. Quer dizer, seu ego estava furioso por ter sido colocado tão de lado, e a culpada era aquela pessoa insignificante. Quem ela achava que era, afinal? Nada, ela não era nada.

Droga, de todas as pessoas, por que Sakura?

E por que ela dificultava tanto as coisas? Por que relutava tanto?

Oh, ela gostava de mentir, como gostava.

E então ela tinha duas caras: uma que só vivia sorrindo — e que ela mostrava a todo mundo; e uma diabólica — que ela só usava com ele.

Sasuke ainda não sabia exatamente o que fizera para merecer esse tratamento diferenciado, mas tinha pistas.

De qualquer forma, O Plano Sakura Hamasaki seguia. Sim, ele teve que dar nome a isso para manter seu foco, o que o fazia xingar a si mesmo. "A que ponto eu cheguei"


......



Sakura ouviu alguém bater na porta, e deu uma ordem de "entre". Sasuke abriu minimamente a estrutura de madeira, fazendo metade de seu corpo visível.

– Eu só queria dizer que o Genma me mandou te avisar que os ensaios agora serão no teatro da escola, e hoje é o primeiro, daqui a uma hora.

Ele já começava a fechar a porta, mas Sakura o chamou, fazendo sinal para que ele entrasse.

– Sasuke, me desculpa pelo que eu te disse agora pouco.

– Não foi nada.

– Não. Me deixa explicar. Eu não tenho absolutamente nada contra você. É só que... Aquela noite foi um erro. As coisas aconteceram rápido demais, e eu me sinto suja, errada por causa disso. Toda vez que eu olho pra você, esse sentimento de culpa só cresce. E depois, no dia seguinte, você falou aquelas coisas e... Aquilo também foi depressa demais. Foi um erro gerado de outro erro. Então, por favor, me deixa respirar. Deixa as coisas voltarem a ser como eram antes.

Sasuke ficou um pouco mudo. Então era isso? Ela se sentia suja por ter estado com ele? Era demais, aquilo havia atingido o limite.

– Ok. Eu concordo, e me desculpe, eu também acho que foi fora de hora, mas acredito que nós não estávamos aptos a decidir isso. De qualquer forma, não vai mais acontecer. Agora eu acho melhor você se arrumar, ou nós vamos nos atrasar.


"Plano Sakura Hamasaki: abortar"


....



– Para, para, para! — Genma movimentava as duas mãos em sinal de "corta", indo da plateia para o palco — O que está havendo com vocês? Parecem mortos! — ele soltou um suspiro cansado — Tem certeza de que eram mesmo vocês dois quem estavam aqui na seleção?

Sasuke encarava o professor com uma leve expressão de raiva.

– A culpa é minha — disse Sakura — Me desculpa, estou meio aérea hoje. Poderíamos deixar esse ensaio para outro dia?

– E pensar que eu vim até aqui só para isso — Genma balançou a cabeça — tudo bem.

Aviso vocês quando puder. Será em breve, então cuidem em aprender a deixar os problemas fora do palco, entenderam?
.


....



Já era noite. Sasuke dirigia, lutando para enxergar através da chuva torrencial que caía. Sakura estava do lado, olhando de um canto para o outro, parecia preocupada. Finalmente chegaram em frente ao pequeno jardim da casa. Depois de guardarem o carro, desceram, andando apressados até a porta de entrada, quando Sakura ouviu aquela voz grave e conhecida gritar o nome dela meio distante.

Gaara corria cautelosamente, totalmente encharcado pela chuva. Chegou perto de Sakura, apoiou as mãos nos joelhos, com uma respiração cansada.

A garota ficou surpresa e alarmada — Gaara! o que faz aqui? Você não deveria estar-

– Eu fugi — disse ele, ainda recuperando o fôlego.

– Como assim? Você fugiu de casa, é isso?

– Ei, não coloque as coisas nesses termos, me faz parecer uma criança — ele riu — Meu lugar é aqui, Sakura. Eu não aguento mais Los Angeles. Aproveitei que a Temari ainda estava no voo voltando para casa e que o nosso pai estava viajando para fazer o que eu já devia ter feito há muito tempo.

– M-mas eles não vão deixar, você deveria ter feito as coisas com mais calma.

– Pelo contrário, se fosse diferente, eu nunca teria conseguido. E não tem essa de "deixar", eu já vinha para cá próximo ano mesmo, só adiantei as coisas. Vai ficar tudo bem.

– Se você diz — ela teve um estalo — Ah, sim, vamos entrar, antes que a chuva piore.

Eles entraram apressados. Gaara olhou para Sasuke pela primeira vez, e teve um sobressalto.

– S-Sasuke? É o Sasuke Uchiha?

Sakura olhava abobada para os dois. Seria possível que eles se conhecessem?

Sasuke encarava Gaara, parecia fazer um esforço para pensar.

– Você... Eu te conheço...

– Sim, o Gaara. Não lembra de mim?

– Ah sim, Gaara! — ele sorriu — Cara, quanto tempo! Esse mundo é mesmo pequeno demais, quem diria. Você ficou muito diferente com essa tatuagem — ele levantou uma sobrancelha, observando o desenho bem na testa do ruivo,

Sakura olhava de Sasuke para Gaara e de Gaara para Sasuke, sem entender — Espera aí, vocês já se conhecem, é isso?

– A gente é amigo de infância — informou Gaara, com um leve sorriso — A gente tinha até uma banda quando éramos adolescentes, lembra, Sasuke?

O moreno colocou a mão na cara, envergonhado — Cara, você não precisava lembrar disso.

"Não era ele quem dizia que não tinha amigos?" pensou Sakura.

– A banda acabou porque o Sasuke queria mandar em todo mundo.

– Mas é claro, eu era o líder.

– Ah... — Sakura pigarreou — Gaara, você quer que eu mostre seu quarto agora?

– Ah, sim, claro. E me desculpe por chegar assim do nada, Sakura. Prometo que amanhã mesmo vou para outro lugar.

– Que é isso! — ela riu — Não tem pressa, aqui tem espaço suficiente para você, sem problemas. Mas, ei, quanto aos seus estudos, o que vai fazer?

– Bom... Antes de vir, eu pedi a documentação necessária da minha antiga escola. Amanhã mesmo eu vou no Konoha, e quando tudo estiver legalizado, eu começo a estudar lá.

– Oh, isso é ótimo! A gente sentiu tanto a sua falta, Gaara!

– Eu também — ele riu — mas então, são sete da noite, o que vocês costumam fazer a essa hora?

Sasuke e Sakura se entreolharam. Na verdade, naquela faixa de horário, eles geralmente ficavam cada um no seu canto. Sasuke vendo televisão na sala e Sakura no quarto.

Vinte minutos depois, estavam todos três ali, na sala, procurando um filme para assistir e fazendo um mini acampamento no chão.

– Já haviam me falado que você tinha arrrumado um irmão postiço, mas eu nunca imaginaria que esse irmão seria o Sasuke — disse Gaara, num tom divertido.

– Pois é — Sakura sorriu, sem graça.

Gaara olhou para Sasuke. Tinha ficado sabendo sobre a morte da mãe e a prisão do irmão. Sabia que os três eram muito ligados, e deveria ter sido difícil para ele. Decidiu que não tocaria nesses assuntos.

Sakura ouviu seu celular tocar, largado no chão.

– Sakura! O irresponsável do Gaara está aí, não é? Acabei de chegar e ele simplesmente não está mais! E nem pra atenteder o celular serve, sinceramente.

– Calma, Temari. O Gaara está bem, ok? Relaxa, vocês sabiam que isso iria acontecer uma hora ou outra.

– Sim, mas ele deveria ter avisado antes!

– Olha, você está cansada e estressada da viagem, o que acha de ligar para ele amanhã, com a cabeça fria, e ai vocês conversam?

Temari soltou um sopro cansado, parecia tentar juntar paciência — Ok, tudo bem. Amanhã eu ligo então.

Sakura colocou o celular no canto que estava. Gaara continuava com sua expressão sossegada, não disse nada.


Notas finais
E ai? Me digam se gostaram, se não gostaram...