Dormindo Com Fantasmas - Naruto

4 But never forgets what I lost


Notas iniciais
Yo!! Mais um capítulo!

Sakura subiu as escadas concentrando a maior força que podia nos pés. Queria que sua mãe percebesse o quão irritada ela estava. "Não que ela fosse se importar com isso". Bateu a porta do quarto e chutou a almofada que estava no chão. Se jogou em sua cama e pegou o celular.

– Ino?

– Oi! O que foi? Eu peguei uma sacola sua de novo?

– Não é isso. É que não vai dar pra sair hoje.

– Ah, eu não acredito que você vai furar com a gente de novo! Por que você sempre faz isso na última hora, hein?

– Se eu te contar o que acabou de acontecer... Você acredita que a minha mãe inventou de se casar de novo? Ela simplesmente declarou isso agora quando eu cheguei, na maior facilidade e disse que eu tenho que ir hoje pra um jantar, comemorar o casamento dela, quando eu nem sequer conheço o cara!

– Sakura, sua mãe é uma figura — Ino não mostrou muita surpresa. Já estava acostumada com as extravagâncias da famosa senhora Hamasaki.

– Enfim, avisa à Tenten e se divirtam por mim. E não deixem de ir por minha causa.

– Não sei, Sakura, sabe como é, se você fosse, eu não correria o risco de segurar vela sozinha, né.

– Oh, por favor, Ino, nós duas sabemos que entre você e a Tenten, se alguém tiver de segurar vela, esse alguém vai ser a Tenten.

A loira soltou uma risada divertida — É verdade, né? Tudo bem, vou ligar pra ela pra ver se ela ainda está afim. Se divirta lá!

– 'Tá brincando né?


Ouviu a risada da amiga e desligou. Esticou seus braços pela confortável cama, e suspirou, encarando o teto. Estava tão cansada que foi pega de surpresa pelo sono. Quando despertou, moveu relutantemente sua cabeça para o lado, a fim de consultar a hora, e levantou-se da cama num pulo só. O relógio já marcava sete e trinta e sete. Se não se apressasse, iria se atrasar, e tudo o que não precisava era ouvir da mãe o quanto ela não sabia lidar com responsablidades. Abriu uma das sacolas que ainda estavam espalhadas pelo quarto e retirou um vestido longo, inteiramente prateado. "É uma pena um vestido tão bonito ser usado numa ocasião tão desprezível".

Hitomi Hamasaki esperava a filha no andar de baixo, tomando traquilamente um drinque qualquer. Usava um longo vestido nude de aspecto sério e seus cabelos estavam presos num coque.

– Atrasada, como sempre.

Sakura observou o sorriso na face da mãe e montou um bico — Posso perguntar uma coisa? Algumas coisas, na verdade?

– Diga, mas vamos logo andando, sim?

– Por que você resolveu dar esse tipo de festa numa segunda-feira? E quando você vai se casar com esse cara?

– Uma coisa está ligada à outra, na verdade. Nós iremos nos casar na quarta-feira.

– HEIN? Você quer dizer quarta-feira, depois de amanhã? Isso está muito em cima! Por que diabos você vai se casar numa quarta-feira?!

As duas haviam saído do prédio, entrando num carro que esperava por elas, enquanto Hitomi suspirava, como se tivesse a árdua tarefa de explicar algo óbvio a uma criança — No final de semana nós temos uma viagem internacional inadiável. E também não poderia ser depois porque vão fazer uma matéria muito importante sobre nossa família na terça-feira próxima.

"Família? O que ela está chamando de família?"

– Obrigada mãe, você realmente faz a minha vida parecer uma piada.

A mulher apenas continou quieta, sentada no banco do carro, ainda mantinha seu leve sorrisinho habitual. Após minutos de silêncio, ela continuou, sem olhar para o lado — Convidei seu irmão para vir, claro, mas, com sempre, ele não me responde.

O impacto daquelas palavras, aumentado pela surpresa, gelou a garota por dentro. Era incrível como apenas a menção da existência de seu irmão era suficiente para trazer à tona todos os seus pesadelos. Todo o fiasco que havia sido seu passado, as cenas horríveis que não saiam da cabeça dela, por mais que ela gritasse para si mesma que era forte, tentando expulsá-las com isso. Não adiantava, mas era tudo o que ela tinha, e precisava se agarrar à isso mais uma vez. Não queria que a mãe percebesse os estragos que as memórias faziam com ela. Não queria dar esse gostinho a ela. Nem a ninguém. Jogou seu confortável manto de negação e tentou dar uma direção ao seu olhar vago. Soltou uma risada de deboche — Se Seiji viesse da França até aqui a cada casamento seu, já poderia ser considerado um nômade.

– Querida, considerando seu humor de agora, me sinto na obrigação de te avisar... Seja agradável com o Uchiha. Não será grande coisa, apenas irei apresentá-la a ele e depois você pode ficar com o Naruto.

Naruto? Ah, sim, lógico que Naruto estaria lá. Com toda a confusão que havia sido seu dia, Sakura tinha esquecido de que Naruto se faria presente, afinal, também era um funcionário de sua mãe. Estagiário, na verdade. Hitomi adquirira uma intimidade considerável com o garoto ao longo dos anos, e devido ao seu talento, mesmo ainda tão jovem, com 17 anos na época, foi convidado a trabalhar para ela por causa de suas iniciativas rápidas e ideias inovadoras. Ela sempre dizia que a filha tinha sorte de alguém tão responsável como o Uzumaki estar namorando-a. "Ah, sim, Naruto é muito responsável" pensava a garota, com ironia.


O movimento do carro que dava ritmo aos seus pensamentos remotos parou. Elas tinham chegado a um enorme e luxuoso hotel, dirigindo-se para a sala de repções que já tinha alguns jornalistas concentrados bem na sua porta. Ora, não podiam deixar de cobrir um evento como aquele, a celebração da união de dois dos maiores ricaços do país.

Hitomi passou direto e rápido por eles, o rosto sério e o olhar alto. Sakura sorriu, como sempre. Se iria estar na capa das revistas no dia seguinte, então que pelo menos estivesse com uma cara boa, certo?

O salão estava lotado de gente velha. As esposas dos executivos, sócios e advogados desfilavam com os seus vestidos, examinando cada uma das outras personalidades femininas ali, a fim de assegurar para elas mesmas que eram as mais belas da noite.

Sakura começou a se desviar da mãe a sim que entrou, mas Hitomi segurou seu braço.

– Vou te apresentar ao Uchiha agora, querida — ela falava sorrindo, o sorriso convencional dela.

Sakura revirou os olhos, à contragosto, e se deixou levar. Assim que os avistou, à uma média distância, a mulher mais velha parou sua filha, e disse num tom baixo — Ali. O mais velho é o Uchiha Fugaku, claro. Aquele jovem ao lado dele é o Uchiha Sasuke, seu futuro irmãozinho.

Hitomi deu uma risada. Sakura ficou estática, paralisada, congelada.

– Mãe! Esse cara estuda no meu colégio!

– Ah, que ótimo, pelo menos vocês já se conhecem

– Não brinca comigo! Isso é horrível! Já pensou? Eu ter que estudar com enteado da minha mãe? O quão patético isso é? Quer dizer, esse cara vai morar na nossa casa?

– Na verdade, não é bem assim. Nós é que vamos morar na casa deles.

Os olhos de Sakura ficaram vermelhos. Ela explodiu por dentro. A vontade que tinha era de gritar, quebrar o que visse na sua frente, fazer um escândalo. Em todos aqueles anos, durante os vários casamentos de sua mãe, pelo menos ela nunca tinha feito a garota sair de sua casa, e seus padrastos nunca traziam seus filhos para serem irmãos postiços e fedelhos. Quer dizer, quase nunca, com exeção daquela vez, há dez anos.

Precisou de alguns segundos de respiração profunda e olhos fechados para que sua voz não fosse audível para todos os convidados.

– Eu não acredito que você vai me tirar da minha casa.

– Oh, querida, Fugaku fez questão. A propriedade dele é antiga, passada de geração a geração, essas coisas de família. Mas você vai gostar, pode ter certeza. A casa é enorme e linda, eu mesma já conheci.

– Eu não estou nem aí! Eu não vou me meter de repente na casa de duas pessoas que eu mal conheço. Vou logo avisando que não vou morar com você.

– Ah, não? E vai morar aonde? Na calçada do shopping?

– Não. Posso morar com a Ino ou com o Naruto, tenho certeza que eles não vão fazer objeção alguma, mamãe. Além disso, você pode muito bem me deixar morar na nossa casa, aquele apartamento é seu, não ia te doer nadinha.

Hitomi fez um bico no canto da boca, sua cabeça se movendo em sinal de negativo — Acontece que você vai ter que morar lá. Preciso de você comigo, Sakura. Primeiro, não quero que o Uchiha pense que nós não nos damos super bem, e segundo... Eu vou mesmo precisar muito de você lá — Ela fez a última frase soar significativa, mas Sakura procurou não dar muita importância. Aquilo era provavelmente só um truque para convencê-la. Relaxou os ombros e perguntou, com a voz cansada — Eu não tenho outra escolha, tenho?

– Não, querida, você não tem.

Sakura cruzou os braços e fechou a cara. Duas figuras masculinas haviam notado-as de longe e começaram a se aproximar.

– Hitomi, você está linda hoje, meu bem.

Fugaku Uchiha era um homem com seus mais de quarenta anos. Tinha os olhos e cabelos de um preto muito bonito, sem nenhum fio grisalho. Seu porte era respeitável e altivo, assim com o de Hitomi, e tinha um jeito galante. Ele era extremamente bonito e charmoso. O garoto, da mesma idade de Sakura, tinha os cabelos — pretos como o do pai — mais crescidos e bagunçados na parte de trás. Também estava com os braços cruzados, a cara fechada e parcialmente virada para o lado. Não se dispôs a cumprimentar nenhuma das duas.

– Obrigada, querido, você está muito bem hoje também — ela abriu seu sorriso mais convincente, os dentes branquíssimos e alinhados emoldurados pelo batom vermelho — Esta é a minha filha Sakura Haruno.

Hitomi ergueu uma sobrancelha em direção à garota, que significava um "seja educada". Sakura piscou os olhos rapidamente e abriu um sorriso também, estendendo a mão para Fugaku.

– Olá, senhor Uchiha. É um prazer conhecê-lo, mamãe fala muito do senhor.

– Ora, por favor, não me chame de senhor — ele deu uma risada — afinal, logo seremos uma família, não é? É uma pena só termos podido nos conhecer agora. Você é uma moça encantadora, Sakura, puxou à sua mãe.

– Muito obrigada — ela manteve o sorriso, estreitando os olhos.

Sasuke, que havia permanecido impassível até o momento, percebeu logo o olhar do pai, e tratou de ir amenizando sua expressão.

– Este é meu filho Sasuke.

O garoto não conseguiu desenhar um sorriso em sua boca, por mais que acreditasse que estava conseguindo. Seu rosto era como uma folha de papel em branco, não significava nada. Apertou a mão das outras duas e permaneceu em seu lugar. Os poucos minutos de conversa foram insuportáveis tanto para Sakura quanto para Sasuke. Quanto mais falavam, mais certeza Sakura tinha de que Fugaku era tão cínico e pertubado quanto sua mãe, e que Sasuke era um rebeldezinho sem causa.

Sasuke via em Sakura uma miniatura da mãe. Duas mulheres fúteis que só se preocupavam em sair nas revistas de fofoca. Era patético o modo como seu pai havia decido se casar com aquela mulher, e ainda mais levá-la para sua casa, para a casa que um dia tinha sido da mãe dele.

Depois de algum tempo, quando Hitomi anunciou que o jantar se aproximava, a jovem de cabelos rosas comunicou, com seu sorriso de sempre, que não estava se sentindo bem.

– Tem certeza de que não quer ficar? — A voz de Hitomi era significativa. Na verdade, queria dizer "Estou mandando você ficar". Mas ela não podia fazer nada, não na frente dos Uchiha e dos convidados.

– Sim, sim, acho que o melhor é ir para casa. Vou chamar o Naruto, não se preocupe.

Despediu-se de todos, rindo por dentro com o olhar quase ameaçador que a mãe lhe lançou. Era muito bom ver a toda poderosa Hitomi Hamasaki sem poder fazer absolutamente nada. Deu as costas para aqueles três e começou a procurar qualquer cabeleira loira que estivesse por ali.

– Naruto! — ela acenou assim que o viu. Ele segurou as mãos dela, mantendo uma certa distãncia para examiná-la — Sakura! Você está... Especialmente gata!!

– Imbecil, não fale assim! Não poderia dizer que estou bonita?

O loiro revirou os olhos — Tudo bem, tudo bem. Então, como foi com seu novo papai?

– Nem ouse falar isso de novo. Ele é um louco que nem a minha mãe. Mas o pior é que o filho dele vai morar com a gente, acredita?

– Sério? Quantos anos ele tem? Sabe, se for pequeno demais, pode ser um problema.

– Nada disso. Ele é da nossa idade. Lembra daquele cara estranho que entrou na escola hoje?

– N-não me diga que é ele! Então ele é um Uchiha? Jamais imaginaria que ele é filho do Fugaku, ele é tão... Sério, sei lá.

– Pois é, e ainda por cima, nós é que vamos nos mudar. E você acredita que ela vai se casar depois de amanhã? Em plena quarta-feira?

– É, eu fiquei sabendo. Mas, Sakura, se você detesta tanto a ideia de se mudar, você não precisa, sabe. O que não lhe falta são opções.

– E você acha que eu não já tentei isso? Mas a dona Hamasaki foi categórica. Ela me quer lá. E você sabe que eu tenho que fazer tudo que ela quer.

Sakura baixou o olhar. Naruto fez que sim com a cabeça.

– Sakura, você acha mesmo que ela poderia te tirar a chance de controlar a empresa no futuro?

– Hah, eu tenho certeza. Ela não hesitaria, ela nem confia em mim. Minha mãe duvida que eu possa tomar conta da Teruya. Mas eu vou ser, não importa o que eu tenha que fazer pra conseguir isso.

Notas finais
So...
Hah, no próximo capítulo, vocês vão ver o Sasuke e a Sakura começando a ~bela~ convivência.
Até lá! Beijos!