Dormindo Com Fantasmas - Naruto
19 A series of unfortunate events
Notas iniciais
A dor de cabeça comprimia seu cérebro com uma competência incrível, sem deixar sequer um mísero ângulo de fora. O sol havia feito questão de aparecer naquela manhã, adentrando no quarto pelas frestas da janela e sendo refletido pelas paredes claras. Como sentia falta das suas cortinas.
Arrastou-se minimamente até a borda da cama. Nove horas e vinte e sete minutos da manhã, ela pôde confirmar.Ainda podia sentir o cheiro doce de Ino no travesseiro. A loira tinha ficado com ela até que adormecesse, para "evitar que você faça mais uma burrice". Ah, aquela delicadeza típica da melhor amiga.
Após sair do banheiro, dirigiu-se para a cozinha, arrastando os pés. Comida, comida, precisava de comida.
Tenten e Ino já estavam por lá; a loira sentada no banco baixo e comprido de madeira, que acompanhava a mesa no lugar das cadeiras, e a morena procurava qualquer coisa nos armários.
– Hm, aí está a senhorita! Acordou com o humor melhor hoje?
– O seu doce perfume purificou minha vida, meu amor! — Sakura declamou, colocando a mão do peito, fazendo com que as outras acompanhassem sua risada — Cadê o Gaara? — ela perguntou.
– Ainda dormindo. Só nós três estamos acordadas, os preguiçosos aproveitaram que a manhã é de folga pra pregarem os olhos — a morena disse, com o rosto completamente dentro do móvel de madeira.
– E de que horas a gente pega no pesado?
– Hoje é às três horas. Vou me certificar de que você esteja bem acordada — apontou Tenten.
– Ah, eu não perco mais nenhuma — a Haruno disse, sentando-se no banco — Mas e então, do que vocês estavam falando antes de eu chegar?
– É... Bem... — Tenten ponderou — A Ino comentou que o Naruto tinha falado que Hinata disse que tinha um namorado escocês — ela contava os dedos, acrescentando um a cada "que" — O que é estranho, porque o Neji não sabe de namorado nenhum. E também é estranho ele nunca ter vindo ou ela nunca ter falado dele pra gente. Será que é escondido?
– Talvez — Ino considerava — vai ver o pai dela é um desses bem assustadores e ela prefere manter em segredo.
– Que engraçado — Sakura soltou um pequeno riso — não imagino a Hinata com um namorado secreto.
– É, bem bizarro. De qualquer forma, não deve ser legal um relacionamento a essa distância, né?
– Tem gente que gosta...
– Tem gente pra tudo nesse mundo.
.
– Bom dia, Sasuke.
Ino falava para o garoto parado na entrada da cozinha, ainda com uma cara de sono. Respondeu qualquer murmúrio não muito compreensível e se pôs a procurar alguma coisa nos armários.
– Ei, onde está a comida daqui?
– Que simpático — Ino protestou meio baixo, pelo canto da boca cheia.
– É... É isso que eu queria dizer — Tenten tinha um sorriso amarelo — aparentemente, a gente esqueceu que comida é uma prioridade e.... Bem, só a Hinata, o Neji e o Shikamaru trouxeram algum alimento. E nós já pegamos quase tudo deles.
– Espera ai! — Sasuke e Sakura disseram quase em uníssono — o Gaara ficou responsável de trazer a comida que eu tinha separado — ela continou.
– Exatamente — disse Sasuke, soltando um grunhido de raiva — Gaara...
– Quem mandou vocês confiarem alguma coisa àquele ser estranho? Bem feito pra vocês aprenderem — disse Ino, em deboche — enfim, a realidade é que nós vamos ficar totalmente desabastecidos em, no máximo, dois dias. E nós temos duas semanas pela frente para encarar.
– Ah — Sakura suspirou — e o ponto comercial mais próximo daqui fica a uns quarenta e cinco minutos.
– Como sabe?
– Eu presto atenção no caminho?
– Então não tem jeito — decidiu a loira — já que você é a única que viu esse oásis, você vai lá.
Sakura riu — E você espera que eu vá andando? Se não percebeu, nenhum de nós está com carro ou qualquer transporte.
– Bem, se não tiver outro jeito, eu espero que você vá sim.
– Ahh!! Ino porca!
– Testuda!
– Calem a boca — Sasuke falou mais alto, com o cenho franzido — o Genma veio de carro. Talvez ele possa te levar.
– Eu nem sabia que o Genma tinha vindo.
– Pois é, o que um professor de inglês faz numa viagem desse tipo? — indagou Tenten.
– Não sei. Só sei que agora eu vou ter que ir lá no quinto dos infernos por causa do Gaara. Aliás, e vocês, por que não trouxeram nada?
Tenten soltou um risinho nervoso — A gente... É.... Bem... A gente esqueceu...
– Sinceramente.
– Ah, a gente está acostumada a ficar em hotéis nessas viagens. É bem melhor, eles dão tudo. Francamente, esses professores são idiotas por quererem vir pra esse fim de mundo — Ino cruzou os braços, emburrada.
Sakura soltou um suspirou cansado — Enfim, é melhor eu ir logo. Vou pegar uma bolsa e... Sasuke, você pode me levar até onde o Genma está?
Ele fez um sinal de positivo com a cabeça, ela saiu apressada.
.....
– Ha, Gaara — Sasuke sorriu torto ao ver o ruivo no corredor, ainda de pijama, saindo do quarto — tenho assuntos a resolver com você.
Gaara continuou mudo, sério.
O sorriso de Sasuke desapareceu — Qual foi o propósito daquilo?
– Eu fiz a pergunta pra saber a resposta, não é óbvio? Não é de hoje que eu sei de vocês dois, Sasuke. Só que alguma coisa nisso cheira mal, e isso me preocupa. Por isso queria que me explicasse a verdade.
– Não precisava ser na frente de todo mundo. Tem noção do que você quase causou?
– Eu não queria que todos ouvissem. Mas também, eu sei que se eu te perguntasse a sós, você não responderia.
– Oh, sim, e eu com certeza responderia naquela situação. Inteligente da sua parte.
– Pelo menos você seria forçado a dar alguma resposta — Gaara suspirou — mas tudo bem, eu criei um momento desagradável, reconheço. Só que agora você vai ter que dar a minha resposta.
Gaara encarava Sasuke fixamente, com os braços cruzados.
....
Sakura conferiu duas vezes o conteúdo que precisaria levar. O destino ultimamente parecia ter escolhido ela para sacanear, então considerar até o último extremo da Lei de Murphy não era exagero. Sim, sua vida chegara a um tal ponto que ela estava convencida de que aquela Lei era a única coisa da qual podia ter certeza.
Colocou a mão na maçaneta da porta, mas, antes de abrir, ouviu duas vozes no corredor.
– Não é de hoje que eu sei de vocês dois, Sasuke. Só que alguma coisa nisso cheira mal, e isso me preocupa. Por isso queria que me explicasse a verdade.
Era a voz de Gaara.
O que aquele ruivo metido estava dizendo mesmo? O que ele achava que sabia?
Ok. Mais essa. Ela tinha que parar de se consolar com "pelo menos não pode ficar pior que isso". Defitivamente tinha.
Colou seu ouvido na porta. Não dava para entender tudo, mas ela tentava ao máximo captar a ideia da conversa.
– Pelo menos você seria forçado a dar alguma resposta. Mas tudo bem, eu criei um momento desagradável, reconheço. Só que agora você vai ter que dar a minha resposta.
Era inacreditável. Tudo o que ela não precisava era de mais um intrometido bisbilhotando assuntos que não deveriam ser bisbilhotados.
Saber o que o Uchiha imprevisível número um responderia era humanamente impossível. Fosse o que fosse, não dava para confiar nele. Ela mesma teria que agir.
....
Sasuke encarou o garoto à sua frente. Em sua mente, a pergunta "quem ele pensa que é?" passava de um lado para o outro.
Soltou uma risada curta e baixa de deboche — Eu não-
Sua voz vou cortada pela própria garota em questão, que saiu furtivamente pela porta e anunciou um "estou pronta! Vamos?"
– Oh! Gaara! Você está ai! — ela fingiu surpressa — cara, onde você deixou a comida que eu e o Sasuke pedimos?
Gaara piscou duas vezes — Eu... Não sei...
– Parabéns. Graças à você, eu agora tenho que ir ao fim do mundo pra conseguir o que comer. Aliás, acabei de decidir. Você vem comigo.
– O que?
– Isso mesmo, você é o culpado, você aguenta a consequência comigo. Vai logo trocar de roupa. E não demore.
....
Saíram todos os quatro por aquela base de pesquisas que mais se parecia com uma vilazinha europeia, o raro sol batendo em suas cabeças e os pés tentando desviar das eventuais poças d'água, muitas vezes não conseguindo, é claro.
Sim, os quatro. Ino fizera questão de ir, dizendo que "se o Genma vai, eu também vou".
Agora Sakura estava de frente ao tal homem, pedindo que ele os levasse em seu carro até o meio do nada. Na maior cara de pau.
– Então, é isso — ela falava, com seu sorriso mais angelical e seu olhar mais pidão.
– Ah — Genma falou, com seu entusiasmo natural. Ou melhor dizendo, com a total falta de um — Acontece que eu não vou poder levar vocês, sinto muito. Estou muito ocupado fazendo o planejamento todo e tenho que terminar um relatório até o meio-dia.
Ele observou a garota de cabelos rosas à sua frente desmanchar gradualmente a expressão animada. Praticamente fazia um biquinho, ainda que a reação fosse involutária.
Revirou os olhos, enchendo e esvaziando os pulmões.
– Ok, ok. Eu não posso ir, mas vocês podem usar o meu carro — ele remexeu os largos bolsos e retirou uma chave de lá, lançando-a ao ar para qualquer um dos quatro que pegasse e apontando para um jeep esverdeado estacionado perto dali — devolvam inteiro — ele disse, já batendo a porta para eles em seguida.
– Mas... — Sakura ficou pasma, encarando a porta amarronzada. Virou-se automaticamente para os companheiros — ok, Gaara, vamos lá — ela sinalizou, passando por eles e indo em direção ao veículo.
– Hehe — o ruivo abriu um sorriso amarelo, passando a mão direita por trás da cabeça — Sabe o que é... A minha habilitação foi uma das coisas que eu esqueci em Los Angeles... Eu ia pedir pra Temari me enviar, assim que voltarmos pra Nova Iorque.
– Não acredito — Sakura colocou a mão na testa — Mas ok, tudo bem, você com certeza não vai precisar mostrar sua licença. Só preciso mesmo de alguém que saiba dirigir porque a desligada aqui ainda não deu atenção pra aprender isso.
– Você está enganada — Sasuke explicou — devido estas montanhas serem bem frequentadas por pesquisadores, esta área é bem policiada.
– Como sabe disso? — Ino indagou, olhando estranho para o garoto.
– Eu pesquiso informações sobre o lugar pra onde eu venho — ele olhou para a loira com uma cara de "é óbvio".
"Que tipo de pessoa faz isso? Francamente, nós já temos o Shikamaru" a loira pensou.
– Além disso — ele continou — não lembram da fiscalização quando viemos para cá?
Era verdade. Por causa daquilo, aliás, tinham perdido quatorze minutos, ela ainda lembrava.
Sakura pigarreou. Gaara tinha se livrado mais uma vez.
Como queria ter a sorte daquele menino só um pouquinho.
Rolou os olhos do ruivo para a loira — Ino...
– Ih, nem vem. Quando eu iria imaginar que precisaria de habilitação num lugar assim?
Sakura suspirou. Aquilo não era uma coisa que as pessoas deveriam carregar sempre, não importa onde fossem? Mas claro, com Ino Yamanaka a ordem mundial era diferente.
Moveu o pescoço, encarando sua última chance.
– Por favor, Sasuke, tenha uma licença.
– Nossa, obrigado pela consideração. E sim, obviamente eu tenho. Vamos logo.
– Err... Não sei se você percebeu — alertou Ino — mas nesse troço aí só tem dois lugares, o que significa que não dá pra o Gaara ou eu irmos aí.
Sakura se virou para trás, examinando o objeto esverdeado. Dois assentos, apenas dois assentos e nenhum espaço a mais.Oh, não, ela não sabia exatamente qual tipo de humor o destino, acaso, coicidência, vida, karma ou Deus tinham, mas com certeza não era engraçado. Um, duas, três, não, quatro. Quatro catástrofes naturais tinham acontecido em sequência só para jogá-la em algum lugar isolada com aquela pessoa. Começava a achar que com certeza algo não estava certo nela.
Considerou suas opções. Negar não era uma opção. Não poderia se recusar àquilo na frente de Ino ou Gaara. Não havia outro modo a não ser ir. Mas ora, que bobagem. Tanto alarde desnecessário. Era só um simples trajeto, tudo ficaria bem. Que dramática estava sendo.
– Podem deixar. Eu e Gaara iremos procurar algum transporte por aqui e vamos atrás de vocês — Ah, Ino. Ela era mesmo uma santa — Mas vão logo, vai, se não, não dá tempo!
– Mas como vocês vão saber onde é e-
– Ah, alguém deve ter notado esse ponto além de você, é só esperar eles acordarem. Vão!! Vão!
Sakura jogou as chaves para Sasuke, entrando rapidamente no carro verde, que aparentemente ainda tinha um bom estado de conservação, sentando-se no banco revestido de qualquer material preto que não distinguia.
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