Dores passadas podem mudar o presente se quisermos

1 Depois do presente: Problemas na volta pra casa?


Notas iniciais
Bem, essa é minha primeira fic sobre Hetalia e minha primeira fic Yaoi, espero que vocês gostem!

Ele tinha ficado tão feliz com aquele presente... O sorriso doce nos lábios de América depois que viu o “Sino da Liberdade versão comemorativa de bicentenário” tinha feito valer a pena todo o seu esforço (e os danos a sua saúde causados pela perda de sangue).

E mesmo assim... Mesmo tendo feito sua idiota (mas adorável, diga-se de passagem) ex-colônia ficar feliz, aquela dor no peito continuava, e Arthur sabia que ela continuaria para sempre. Ele nunca ia aceitar o fato de ter perdido América naquela maldita Independência, aquele maldito 4 de julho. Desde aquele dia, tudo parecia tão sem graça, só o que restava entre os dois era observar o quanto se afastavam cada vez mais.

“Porque teve a ideia de ser independente, seu pirralho idiota?” Arthur pensou enquanto esperava seu avião, mas uma moça da companhia informou que por causa de um problema técnico, todos os vôos iam ser cancelados e ele só poderia voltar para casa no dia seguinte.

“É, parece que eu não tenho escolha, vou ter de passar a noite na casa daquele estúpido devorador de hambúrgueres.” O loiro de olhos verdes pegou sua mala e esperou alguns minutos por um táxi. Cerca de meia hora depois, estava na porta da casa de América, mas não o encontrava em lugar nenhum.

“Ei, onde aquele moleque se meteu?” Arthur perguntou a uma empregada que já estava de saída.

“O América-san chegou em casa faz bastante tempo, e que eu saiba ele não saiu.”

“Obrigado. Bem, eu vou passar a noite aqui, então posso gastar algum tempo procurando o idiota.”

“Certo. Por favor, pode avisar ao América-san que eu deixei tudo organizado e que volto na semana que vem?”

“Claro que sim.” A empregada se curvou em sinal de agradecimento e retirou-se da casa. Inglaterra deixou sua mala no quarto de hospedes e começou a procurar América em todos os cômodos, mas o loiro parecia ter sido engolido por um buraco. Não estava em nenhum dos quartos, nem assistindo filmes com seu esquisito alien, nem comendo porcarias na cozinha... Arthur já estava ficando sem ideias quando uma lembrança apareceu na sua mente, e de repente ele sabia exatamente aonde procurar.

“Pelo visto não mudou nada depois de tanto tempo América.” Inglaterra falou logo que confirmou o seu palpite, Alfred estava sentado num dos bancos do jardim da casa. Apesar de existirem alguns postes de luz por ali, tudo estava meio escuro.

“Inglaterra? O que diabos está fazendo na minha casa?” América perguntou surpreso, e sua voz estava baixa e até meio.... Deprimida?

“Deu um problema no aeroporto então eu só vou embora amanhã. Já é tarde para procurar um hotel, então seja um pouco cavalheiro e aceite uma visita com educação.”

“Parece que você vai precisar da minha grande ajuda não é Inglaterra? HAHAHAHAHA mas não se preocupe, o grande HERO pode aguentar sua presença por algumas horas a mais.” O loiro de olhos azuis tentou voltar a seu jeito elétrico de sempre, porem já era tarde demais. Arthur sentou ao lado de Alfred e o observou tentando parecer indiferente.

“Posso saber por que está aqui sozinho no jardim? Não devia estar comemorando essa data tãaaaaao especial?”

“E-Eu só estava descansando um...”

“América, você estava chorando! Seus olhos ainda estão marejados, então nem adianta fingir.” Inglaterra interrompeu, já completamente incomodado com o que estava acontecendo. Ele era o único que ficava deprimido naquela data estúpida, certo?

“Porque justo hoje eu tive que ficar na casa desse moleque? De todos os dias do ano, porque hoje?” Era simplesmente insuportável. Claro, tinha ido até a casa de América, lhe levado um presente (dois, se você considerasse o unicórnio) e o feito sorrir, com certeza tinha valido a pena. Mesmo depois das brigas, depois das coisas que aconteceram no passado ele ainda tinha sentimentos muito fortes por sua ex-colônia, sentimentos esses que Arthur preferia nem pensar muito para não deixar as coisas mais complicadas. Mas mesmo tendo ido até aquele lugar por vontade própria, esperava estar em casa rápido, a dor em seu peito era impossível de segurar. A única coisa que podia fazer era tirar um dia de folga para deixar as lagrimas lavarem suas mágoas. Porém, agora estava ali, com seus olhos doendo de tanto segurar o choro, o que estava se tornando ainda pior pela possibilidade de algo ruim ter acontecido com aquele ser de cérebro minúsculo viciado em junk food.

“Chorando eu? HAHAHAHAHA Acho que a velhice está te deixando meio burro hein? Um HERO nunca chora.”

“Pode tentar mentir pra si mesmo, mas não vai conseguir me enganar América. Você continua o mesmo garotinho de antigamente, que ia se esconder no jardim pra chorar. Porque acha que vim te procurar aqui?”

“EU NÃO SOU AQUELE GAROTINHO!” América explodiu, mas logo depois colocou um sorriso divertido nos lábios. “Você pode falar o que quiser Inglaterra, mas eu nunca mais vou ser aquele garotinho que precisava de você.” O loiro mais novo se arrependeu um pouco das ultimas palavras assim que olhou para o rosto de Inglaterra, que estampava claramente o quanto aquilo tinha doido. Mesmo que tentasse, o ex-pirata não conseguia disfarçar o que sentia, tudo ficava transparente nas suas expressões faciais.

“Eu sou realmente egoísta. Ele se esforçou tanto para me dar um presente, mesmo odiando essa data. Mas não há nada a fazer. Não quando ele não entende qual foi um dos maiores motivos para eu querer ser independente.” Tinha de sair dali, pensar naquilo estava trazendo aquela raiva misturada a tristeza de volta e definitivamente não ia chorar na frente de Inglaterra. América abriu seus olhos só para se deparar com o britânico a poucos centímetros de distância. Suas testas estavam coladas e ambos tinham olhos meio marejados.

“Faz muito tempo que eu não te vejo só como aquele garotinho América. Mesmo quando você ainda era minha colônia, há muito tempo atrás meus sentimentos mudaram.”

“Então quer dizer que ele começou a me odiar mesmo antes da Independência?”

“Afinal de contas...” Inglaterra continuou, aquelas palavras podiam ser sua destruição, mas não conseguia mais parar. “Seria muito estranho amar uma criança desse jeito que eu... Amo você.” O rosto de América ficou completamente vermelho com a frase, queria falar alguma coisa, mas Arthur continuou.

“Mesmo depois de você ter me abandonado eu continuei a amar você. Por todo esse tempo só podia ver a ligação entre nos ficando mais e mais invisível sem poder fazer nada. Eu te amo, e isso só aumentou durante esses anos América. Pronto, agora que eu finalmente terminei de atirar na minha própria cabeça, pode rir.”

“Seu... Seu...” América estava com os cabelos cobrindo seus olhos, e surpreendentemente quando levantou a cabeça, tinha lágrimas escorrendo pelo rosto e uma cara de “raiva infantil”. Antes que Inglaterra ao menos tentasse questionar, começou a levar pequenos murros no corpo.

“IDIOTA IDIOTA, SEU IDIOTA DESTRUIDOR DE COMIDA, MALUCO QUE VÊ UNICORNIOS, FEITICEIRO DE QUINTA CATEGORIA!” Aquilo dava uma sensação de dejavu em Inglaterra, essa cena não já tinha acontecido antes, só que ao contrario, no meio de uma de suas bebedeiras? América finalmente parou de esmurrar o inglês e colocou as mãos em cima dos joelhos, tentando segurar as lágrimas.

“Você é terrível Inglaterra... Sempre achando que foi o único a sofrer naquele dia... Acha que não doeu em mim também? Mas era preciso... Eu não aguentava mais você me ver só como um irmão mais novo enquanto eu tinha sentimentos tão diferentes. Eu... Eu...” Os dois estavam se aproximando a cada segundo, seus rostos estavam quase colados. Naquela altura todas as brigas e magoas tinham deixado de fazer sentido, mesmo que seja lá o que fosse acontecer depois causasse uma reviravolta geral eles iam continuar.

“América, você está aqui?” A voz quase cantada e conhecida soou perto dos dois loiros. Logo que pôs os olhos na situação, França quase teve uma crise de riso. Aqueles teimosos finalmente tinham aceitado a beleza do amor?

“F-F-F-FRANÇA O QUE DIABOS ESTÁ FAZENDO AQUI SEU MALDITO?” Inglaterra perguntou furioso e com o rosto mais vermelho do que um tomate.

“Eu estou indo na casa do Canadá resolver uns negócios, e como hoje é um dia especial para o América resolvi passar para dar um oi. E quanto a você hein In-gla-ter-rra?”

“E-Eu vim deixar uma coisa aqui mais cedo e deu um problema no aeroporto então tive que esperar.”

“Ehh, isso não explica porque vocês dois estão aqui... Sozinhos... Nessa situação tão... Interessante.... Vamos, contem tudinho pro Onee-san aqui.”

“F-F-FRANÇA, VOCE NÃO DISSE QUE TINHA UM COMPROMISSO COM O CANADÁ? N-N-NÃO É MELHOR IR LOGO?” América gritou a plenos pulmões, tentando fazer suas bochechas ficarem menos coradas.

“Tudo bem, eu já entendi, não vou mais atrapalhar. E parece que ele vai ter que vir me buscar aqui com esse problema nos aeroportos ou coisa do tipo. Aproveitem sua noite.” Francis disse com um sorriso malicioso e foi embora, deixando um silêncio gigantesco no lugar.

“B-B-B-B-B-B-Bem... Eu v-v-vou pa-para o meu quarto.” Alfred falou e saiu correndo.

“AMÉRICA ESPERA!” Já era tarde demais quando Inglaterra gritou, o mais novo já tinha entrado na casa. Enquanto se dirigia a seus próprios aposentos por aquela noite, o britânico tentava ignorar tudo que tinha acontecido, mas um sorriso animado insistia em ficar preso a seus lábios.

Aquela ainda seria uma longa noite.

Notas finais
Vou tentar postar o mais rápido possivel, ja ne!