Dores passadas podem mudar o presente se quisermos

2 Madrugada agitada, manhã confusa


Notas iniciais
Minna-san desculpem pela demora para postar o final da fic! Eu estive ocupada e meio sem inspiração esses dias, então só consegui terminar agora. Bem, espero que gostem!

“Eu não consigo dormir.” Inglaterra pensou enquanto levantava da cama no quarto de hospedes, tateando para poder achar o interruptor de luz. Já estava se remexendo há horas e o sono insistia em não aparecer. O ideal seria uma boa xícara de chá, mas na casa de América? Achar um artigo tão sofisticado parecia uma missão impossível.

“Bem, não custa tentar. Se não houver chá eu posso só tomar um leite quente ou algo parecido, ficar aqui deitado não vai me ajudar.” O inglês pensou enquanto descia as escadas. Logo que chegou ao térreo da casa, avistou uma luz vindo da cozinha, e seguiu desconfiado, se deparando com uma pilha gigantesca de hambúrgueres, sacos de batatinha frita e doces em cima de um balcão. Pelo barulho de mastigação, deveria ter algum ser atrás daquele monte de besteiras.

“Quem está ai?” América perguntou, logo que ouviu os passos perto de si.

“Um fantasma...” Inglaterra falou num tom irônico, ouvindo um grito desesperado e vendo a pilha de comida desmoronar.

“O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO INGLATERRA?”

“Só vim pegar um copo de leite ou algo parecido. E quanto a você, comendo esse monte de porcarias de madrugada? Não me surpreende que esteja gordo desse jeito.”

“EU NÃO SOU GORDO! E não que seja da sua conta, mas eu não estava conseguindo dormir, então resolvi vir comer alguma coisa.”

“Isso tudo é realmente muito mais que alguma coisa... E, espera, o que disse antes... Também não está conseguindo dormir?”

“E-Eu provavelmente só estava com fome! Nada mais normal depois de comemorar tanto hoje HAHAHAHA!”

“Claro, claro. América, quanto ao que você estava dizendo antes...”

“O que eu estava dizendo? Do que está falando? A única coisa que eu lembro é que você tentou me agarrar!” América falou, se escondendo atrás da comida pra o britânico não ver suas bochechas coradas.

“UM CAVALHEIRO NUNCA TENTARIA AGARRAR ALGUEM!” Depois disso nenhum dos dois falou nada. Na verdade, não havia muita coisa que eles teriam coragem de dizer. Mas, em algum momento, sem que ninguém percebesse, os lábios de ambos se tocaram, num beijo apaixonado e desesperado, que tinha sido guardado por centenas de anos. Não havia mais espaço para nenhuma ofensa boba ou palavra falsa de ódio, apenas para toques urgentes enquanto tentavam inutilmente respirar.

Aquele amor já tinha ficado guardado por muito tempo.

Sem nem olhar o caminho, os dois loiros subiram desajeitadamente as escadas, finalmente chegando ao quarto de América, que imediatamente empurrou Inglaterra na sua cama, o olhando nos olhos pela primeira vez. Quando o verde e o azul se encontraram, os dois se deram conta do que estava acontecendo.

“O-O Q-QUE D-DIABOS ESTÁ FAZENDO INGLATERRA? ME AGARRANDO DESSE JEITO DEPOIS DE INTERROMPER MEU LANCHE DA MADRUGADA.”

“Você seria mais convincente se não estivesse em cima de mim.” O inglês respondeu, e os dois ficaram se encarando por algum tempo, seus rostos ainda bastante próximos.

“Eu amo você América.” Arthur deixou escapar, era péssimo em esconder seus sentimentos, e isso já estava guardado a tanto tempo que era impossível evitar falar a verdade. “Eu te amo, e talvez seja por isso que eu nunca pude te perdoar por ter me abandonado.”

“E você acha que eu fiz aquilo porque? Eu já expliquei antes e não vou explicar de novo, um HERO como eu não tem tempo de ficar repetindo.” Alfred falou feito uma criança emburrada, e os dois voltaram a se beijar.

De uma hora pra outra tudo virou um borrão confuso e extasiante, sem nenhuma lógica e ao mesmo tempo fazendo um sentido absurdo.

Já de manhã, o primeiro a acordar foi América, sentindo que algo estava diferente na sua cama. Pra começar percebeu que estava sem suas roupas, e depois sentiu alguém abraçado em seu corpo, com a cabeça encostada no seu peito. Logo que as memórias da noite anterior retornaram, o jovem loiro quase deixou um longo “KYAHHHHHHHHHH” histérico igual ao daquelas garotas dos animes feitos na casa do Japão. Segurou a boca, afinal um HERO não podia fazer uma coisa desse tipo.

“Mmmm... América eu...” A voz de Arthur ecoou pelo cômodo, mas ele estava apenas falando dormindo.

“In-gla-ter-ra! Acorde e me solte, eu quero ir tomar café!” América quase gritou, tentando parecer o mais normal possível.

“Hein? HEIN?” O britânico teve a mesma reação do americano ao lembrar de tudo, mas também como ele tentou não demonstrar. Olhou o relógio ao lado da cama e bateu na própria testa. “Perdi quase todos os vôos da manhã. Mas se eu correr ainda dá tempo de...”

“Você pode deixar para ir mais tarde. N-Não é como se eu quisesse sua companhia, mas um HERO como eu deve ajudar pessoas de idade, e se estiver muito apressado pode acabar caindo ou sei lá o que...” Aquele relacionamento sempre tinha sido uma batalha de tsunderes.

“QUEM VOCE ESTÁ CHAMANDO DE PESSOA DE IDADE?!? Bem, eu realmente não queria ficar aqui, mas... É, eu provavelmente não teria tempo de me aprontar adequadamente, e um cavalheiro nunca deve sair desarrumado. Mas eu não quero ficar devendo nada, então por você me deixar ficar aqui mais um tempo, eu faço o café da manhã. Vai ser bom para a sua saúde comer algo que não venha pronto num saco ou congelado.”

“Eu realmente estou com preguiça de levantar, então vou correr o risco de morrer envenenado pela sua comida.” América respondeu e enfiou a cara no travesseiro, suas bochechas estavam queimando demais pra continuar fingindo.

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“Inglaterra, parece que você e o América-kun finalmente se entenderam! Nós estamos muito felizes por você!” Uma fadinha de cabelo roxo comentou, enquanto ela e suas amigas flutuavam perto da cabeça do britânico, que queimava, eh... Quero dizer, assava alguma coisa na frigideira.

“N-NÃO FALE DESSE JEITO! N-Não é como se eu estivesse planejando alguma coisa com aquele idiota... Definitivamente não é isso.” O telefone de Arthur tocou, e ele começou a limpar as mãos num avental para atender, mas antes que fizesse isso, América atendeu.

“Quem é?”

“Hein? América? Então você está atendendo o telefone dele hein... Interessante...” A voz de Francis falou maliciosamente do outro lado da linha.

“França? O que foi?”

“França? O que aquele maldito bebedor de vinho quer comigo a essa hora?” Inglaterra perguntou, e América pos o telefone no viva-voz.

“Ah, ah Inglaterra, América, como foi a noite? Dormiram bem?”

“O QUE VOCE TEM A VER COM ISSO?” O inglês gritou, já com as bochechas ardendo.

“Pessoal, ouviram isso? Pelo visto eu tinha razão. Vamos lá, quem apostou que eles iam fazer alguma coisa pode pegar o valor combinado no balcão de apostas.” Alguns murmúrios foram ouvidos do outro lado da linha, na verdade muitas vozes falando ao mesmo tempo.

“OY MALDITO, DO QUE ESTÁ FALANDO?” Inglaterra perguntou.

“Simples. Ontem depois de ver a bela cena romântica de vocês dois eu liguei para todos e nós decidimos torcer por esse amor tão bonitinho. Bem, se decidirem gravar alguma fita pornográfica algum dia, não esqueçam de mandar pro Onee-san aqui certo? Tchauzinho!” Francis desligou.

“Aquele inútil viciado em greves... Ah, como vamos aparecer na próxima Conferencia?”

“Isso realmente vai ser difícil... UM TRABALHO PERFEITO PARA UM HERO COMO EU HAHAHAHA! E QUANTOA ESSE CAFÉ DA MANHÃ HEIN INGLATERRA? VOCE ESTÁ TÃO VELHO QUE NEM CONSEGUE TERMINAR UMA SIMPLES REFEIÇÃO!!” América falou animadamente, mas dava para ver que suas bochechas estavam vermelhas. Por um segundo apenas ele sorriu pra Arthur, e ele sorriu de volta. Aquilo era o suficiente pra demonstrar que as coisas tinham melhorado pra eles. Que iam conseguir esquecer todas as dores do passado, dessa vez juntos.

Notas finais
Até uma outra hora!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!