Doom!
3 Tsubasa Angel e Tsubasa Ren
Notas iniciais
Capitulo 3 – Tsubasa Angel e Tsubasa Ren
1º de agosto de 2017
Desde que eu acordei, sabia que algo importante ia acontecer hoje.
Acordei um pouco indisposta, mas o problema não era sono e sim os pesadelos que eu tive durante a noite, eu não via nada só escutava, porem era uma voz assustadora que transmitia um frio e uma dor. Me levantei e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal.
Eu tenho cabelos tenho cabelos longos, castanhos, lisos e com as pontas enroladas, meus olhos são azuis esverdeados. Tenho uma pele muito branca e minhas bochechas ficam rosadas quando está frio ou calor (também quando eu estou com vergonha). Sou baixinha, um metro e meio.
Sai do banheiro e fui andando ate a mesinha onde deixo a minha roupa, uma blusa branca com renda, no centro possui assas de anjo, um short preto e um par de tênis amarelos. Chego até a mesinha e me visto, quando vou calçar o meu tênis alguém bate na porta.
– Pode entrar.
– Bom dia, Angel-sama – disse a empregada aqui de casa – quer uma ajuda ai?
– Não, eu posso fazer sozinha.
– Então eu vou arrumar sua cama.
– Tudo bem.
Acho que me esqueci de falar, eu sou cega, desde os nove anos, tenho quinze agora. É uma cegueira psicológica e todos os médicos falam que eu preciso acreditar que eu dia eu vou voltar a ver e eu acredito, mas meu pai não, ele me super protege de mais desde que eu fiquei cega e isso acabou me fechando para as outras pessoas, todos pensam que eu sou anti-social e super tímida, mas eu não sou.
Fui até a minha penteadeira e passei a mão pela mesa procurando o meu colar, ele tem um pingente que é uma clave de sol, minha mãe me deu quando eu tinha três anos.
– Kirina você viu o meu colar?
– Está do lado da sua mão direita.
– Obrigada – mexi minha mão e peguei o colar.
– Quer que eu ponha em você?
– Claro – entreguei o colar pra ela, coloquei o cabelo para o lado e ele colocou o colar em mim.
– Quer que eu penteie seu cabelo?
– Se não for incômodo
– Claro. – E ela começou a pentear. – vou deixar ele solto e usar uma fita branca com um laço pra manter ele pra traz
– Ok
Quando ela terminou de arrumar meu cabelo eu peguei a minha bengala do lado da cama e desci para tomar café, Kirina se ofereceu para me acompanhar até em baixo, mas eu recusei, conheço essa casa de cabeça, afinal já são seis anos memorizando.
Me sentei para tomar café, dava para perceber que tinha comida na mesa só pelo cheiro, eu também sabia que não estava sozinha, pois ouvia barulho de xícara sendo levantada e depois voltando para a mesa.
– Bom dia Angel – Frio como sempre
– Bom dia papai.
– Por que Kirina não desceu com você?
– Pedi para ela ficar lá em cima, arrumando o quarto.
– Não gosto que você fique descendo a escada sozinha.
– Eu sei descer a escada. – disse colocando as mãos na mesa, procurando os talheres e o meu suco.
– Vou chamar a Kirina para ajudar você.
– Eu sei fazer isso sozinha – localizei meu suco e os talheres, comecei a comer – Ren? – chamei.
– Já tomou café e saiu.
– Pra onde?
– Não sei, ele saiu com os amigos.
Ren é o meu irmão mais velho, a pessoa da minha família com de quem eu sou mais próxima, mesmo ele sendo super protetor comigo eu o adoro. No bairro ele é conhecido como o bad boy, descolado e valentão, mas eu sei que ele não é assim, essa é só a forma com que ele reagiu a... Morte da mamãe.
– O senhor vem almoçar hoje?
– Talvez – o escutei se levantando – tenho que ir, tenha um bom dia filha e não saia de casa – disse ele me beijando na testa
Escutei a porta abrindo e fechando. Continuei comendo, na verdade eu não me importava se o meu pai ia ou não almoçar em casa hoje, a única coisa que me importava de verdade era o Ren, quando ele saia de manhã cedo e não dava satisfação de para onde ia e quando voltava, eu sabia que algo bom ele não ia fazer.
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Mesmo sendo cedo, o parque perto de casa já estava cheio.
Eu estava sentado num banco com os meus amigos, nós estávamos vendo as garotas passarem e dando nota pra elas, de acordo com a cara e corpo que tinham.
– E aquela ali, quanto vocês dão para ela? – perguntou meu amigo Ichiro, ele é ruivo de olhos negros, 17 anos.
– Oito, ela é gostosa, mas tem cara de idiota. – Respondeu Jiro, ele tem cabelos loiros e olhos negros, 16 anos. – e o que você acha Ren?
– Oito e meio – respondi normalmente. Os garotos continuaram e eu só respondia sem nem olhar. – vamos sair daqui, esse lugar está chato. – eles concordaram.
Fomos dar uma volta no bairro e depois voltaríamos pro parque. Quando passamos na frente de uma lojinha eu observei o meu reflexo. Uma camisa branca com detalhes verdes e uma calça jeans foram as primeiras roupas que eu vi quando acordei. Eu queria sair de casa o mais rápido possível, não estava nem um pouco a fim de tomar café com meu pai, ele iria começar a reclamar por eu ter chegado tarde ontem depois da festa (na verdade eu cheguei bem cedo, três e meia da manhã, tinha gente na festa até as seis) e eu não estava com humor pra escutar reclamações do velho.
Voltamos pro parque e ficamos por lá um tempo, algumas garotas vinham falar com a gente, convidavam a gente pra dar uma volta ou ir ver um filme, mas eu não estava nem um pouco a fim de aturá-las hoje, então mandei todas se mandaram.
Resolvi voltar pra casa sozinho, já que os caras acabaram aceitando um convite pro cinema, no meio do caminho eu encontrei um cara todo nervoso, ele estava me acusando de ter ficado com a namorada dele na festa e eu fiquei mesmo, então não neguei. Ele partiu pra cima de mim com um soco e acabou tirando sangue da minha boca, mas eu não deixei barato, devolvi o soco, ele tentou revidar, mas eu não deixei, dei mais alguns socos e mandei ele sair da minha frente e o idiota foi. Passei a mão no meu lábio e vi o sangue, não era muito, mas se alguém em casa visse ia fazer um escândalo.
Voltei pra casa, quando abri a porta, vi a Angel sentada no sofá, tentei não fazer barulho, mas não conseguir, ela tem uma audição perfeita.
– Ren?
Mesmo não querendo, respondi – sim
– Onde esteve?
– No parque.
– Por que foi lá tão cedo?
– Vai fazer interrogatório, mesmo?
– Só fiquei preocupada.
– Mas não precisava. Eu fui ao parque, pois eu queria um pouco de ar puro, é verão o dia está lindo. Eu vou subir e tomar um banho.
– Ok
E eu ia me livrar, a Angel não fez nenhuma pergunta e o meu pai não tava em casa, mas eu me esqueci da...
– Ren-Sama o que aconteceu com você? – Kirina
– Ren o que aconteceu? – Angel perguntou se levantando do sofá.
– Nada
– Se estar com a boca sangrando é “nada” imagina quando for alguma coisa?
– Boca sangrando? Ren você brigou na rua de novo? – eu não gosto quando a Angel fica assim, até parece que ela é a mais velha.
– Bom...
– “bom...” nada, senta aqui no sofá, Kirina pega o kit de primeiros socorros pra fazer um curativo na boca desse meu irmão idiota.
– Sim, Angel-sama
Eu me sentei no sofá e Kirina fez o curativo, depois ela saiu, disse que não iria demorar, só ia até o mercado comprar umas coisas que estavam faltando. Eu e a Angel ficamos sozinhos, estava silencio de mais, o que era estranho, quando eu ia falar alguma coisa, eu sinto um tapa no meu braço.
– Ai, Angel, doeu.
– Essa era a intenção.
– Eu posso explicar o que aconteceu.
– Eu não quero ouvir, eu quero que você pare de agir dessa forma, dezessete anos esfregados na cara e você agindo como um adolescente de treze. – não disse que ela fica parecendo a mais velha.
– Foi mal.
– Foi péssimo. Porque que você age desse jeito?
– Como assim “desse jeito”? Eu sou assim
– Não, você não é. – antes que eu começa-se a responder, vi uma coisa muito estranha pela janela.
– Aquilo é neve?
– O que?
– Aquilo caindo lá fora é neve?
– Como é que eu vou saber e não tenta mudar de assunto.
– Eu não to tentando mudar de assunto, ta mesmo caindo neve lá fora.
– Estamos no verão, Ren.
– Eu sei, eu não to mentindo – olhei pra TV e vi que passava alguma coisa sobre essa nevasca, tirei ela do mudo e disse – escuta.
O cara do jornal falou que a nevasca estava atingindo todo o Japão, mas não era uma simples nevasca e sim uma grande tempestade. Antes de o cara continuar eu desliguei a TV e fechei a janela e a cortina.
– Ren? – Angel me chamou, era muito fácil perceber que estava assustada.
– Você fica aqui, eu vou lá em cima pegar uns casacos e umas mantas.
– Ok.
Subi as escadas correndo e fui para o quarto da Angel, abri o guarda roupas e peguei as mantas que estavam entulhadas no fundo, junto delas estava o casaco da Angel (amarelo claro, com bolsos e o capuz tinha orelhas de gato), fui pro meu quarto e peguei o meu casaco preto, voltei correndo pra sala.
As próximas horas passaram correndo pra mim, pois eu só fazia uma coisa: garantir que a Angel estivesse aquecida, mesmo que eu tivesse que ficar com frio. Eu conseguir levar o aquecedor pra sala e o liguei, sabia que com a tempestade a eletricidade podia acabar a qualquer momento, mas sem o aquecedor teríamos morrido de frio em poucos minutos.
Eu olhava frequentemente pra janela, para poder ver se a tempestade estava passando, mas nada, parecia que a cada minuto ficava pior, eu podia jurar que em pouco tempo o vidro da janela iria congelar.
As horas passaram e eu nem percebi, só quando a Angel reclamou que estava com calor que eu notei que a tempestade estava parando. Tiramos as mantas, mas não os casacos, não me atrevi a ligar o ar, vai que a tempestade voltava, mas eu desliguei o aquecedor, pois mais um minuto ligado e íamos derreter.
Enquanto eu dobrava as mantas, Angel ligou a TV. O jornalista falou que a tempestade estava parando da mesma forma que começou, sem explicação.
– Que estranho. – Angel comentou.
– Bastante.
– O que você acha que aconteceu?
– Quem sabe o ser humano conseguiu destruir a Terra de vez e essas são as consequências.
– É bem capaz – ela soltou uma risada fraca.
– Vou guardar essas mantas lá em cima.
– Ok. Vou ficar aqui.
Subi e fui guardar as mantas. Realmente era muito estranho nevar no verão, mas provavelmente até a noite já vai ter uma explicação estúpida que todo mundo vai acreditar, então...
– Ren! – quando escutei o grito da Angel, não pensei duas vezes e fui correndo ate lá em baixo.
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Acho que quando eu tiver filhos vou poder contar pra eles que a coisa mais estranha que já me aconteceu foi quase ser seqüestrada por um ser bizarro que rosna. Mas eu só acho.
Quando esse ser me agarrou pelo braço eu pensei que fosse o Ren, mas logo percebi que não era ele, o ser era mais alto e o meu irmão não rosna, pelo menos eu nunca escutei. Assim que eu percebi isso, fiz a coisa mais sensata que eu pensei: Gritei.
Logo depois escutei alguém descendo a escada de forma rápida, Ren. Gritei de novo e dessa vez pedindo socorro. Dava pra notar a preocupação na voz do Ren e isso não me deixava tranquila, afinal, o que era esse ser?
Quando o Ren agarrou meu braço eu jurei que iam me rasgar ao meio, mas não, assim que o Ren me segurou o ser estranho me largou. Ren me puxou pra ele e eu pude escutar um barulho come se fosse uma ventania dentro de casa, quando o barulho acabou, senti o Ren me soltando.
– Você está bem?
– Defina a palavra bem – suspirei aliviada, mas ainda estava com medo – o que era aquilo?
– Não sei.
– Legal – ajeitei as mangas do meu casaco e coloquei o capuz. – a sala deve estar uma bagunça, o que a gente vai falar pra Kirina e pro papai.
– Eu vou dar uma arrumada e na hora a gente inventa alguma coisa.
– Ok. – ajeitei minha bengala e comecei a caminhar pra escada, quando começo a sentir um tremor e uma ventania, parecida com a de agora pouco, só que essa estava mais calma, mais amigável. – o que ta acontecendo? – não escutei nada – Ren? – chamei – Ren? – de novo – Ren? – eu estava começando a ficar desesperada, mas finalmente escuto uma voz me chamando e logo percebo que é do Ren. – aqui – grito, achando que assim ele vai poder me achar, mas como ele não estaria me vendo, estávamos a menos de cinco metros um do outro a poucos minutos.
Dou um passo pra traz e logo percebo a burrada que eu fiz. Não tinha chão atrás de mim, mas como? Não sei, só sei que não tinha e eu estava caindo, mas uma mão me segurou a mão do Ren, infelizmente não deu em nada, pois o Ren também começou a cair. Escutei a voz do Ren me chamando, porem não respondi, estava atordoada de mais pra responder, parecia que eu tinha perdido minha voz, esse com certeza é o meu maior medo. Não conseguia me manter consciente, parecia que, seja lá no que eu tivesse caído, estava me cansando aos pouco, acabou que não resistir e acabei adormecendo.
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Eu estava deitada no chão, minha cabeça e minhas costas doíam, tentei me sentar, mesmo com um pouco de dificuldade, eu consegui, passei a mão pelo chão e encontrei minha bengala. Me levantei e tentei me localizar, mas não consegui, eu deveria estar na sala de casa. Fui andando até esbarrar em algo, quando toquei não reconheci, nós não temos uma coluna no meio da sala. Tocando mais um pouco percebi que tinha uma superfície estranha, não parecia com a parede, eu não tinha certeza do que era, mas parecia a casca de uma árvore. Me afasto dessa coisa, não podia ser uma árvore.
– Ren! – chamo, será que ele está aqui por perto – Ren! – comecei a me preocupar por ele não responder, afinal, onde eu estou? – Ren!
– Angel! – escuto da voz do Ren.
– Ren, aqui. – grito e começo a balançar os braços para que ele me note.
– Angel – ele fala aliviado, antes de me abraçar – que bom que eu te achei.
– Onde estamos?
– Não sei. Parece uma floresta.
– Uma floresta?
– É.
Antes que eu possa perguntar mais, ouço uma voz diferente.
– Achamos eles! – parecia animado.
– Quem ta ai? – pergunto me aproximando do Ren.
– Não seja tão precipitado, talvez não sejam eles. – agora foi uma voz feminina.
– Onde vocês estão? Aparecem – o Ren disse.
Escuto um barulho de folhas se mexendo, então eles estavam escondidos, nos vigiando. Percebo que o Ren me afasta um pouco para trás.
– Quem são vocês? – pergunto.
– Nós somos digimons. – respondeu a voz animada.
– Estávamos esperando vocês. – completou a voz feminina.
– Digimons? – perguntei.
– Esperando a gente? – Ren perguntou.
– Sim, sim – respondeu a voz animada.
– E onde estamos? – pergunto.
– Estão no digimundo. – respondeu a voz feminina.
– Digi... – começo
– Mundo? – o Ren termina
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