Doom!
4 Sasaki Ryo e Sakurai Hana
Notas iniciais
Capitulo 4 – Sasaki Ryo e Sakurai Hana.
1º de agosto de 2017
Minhas férias estavam programadas para serem chatas, mas ninguém avisou isso ao mundo.
Acordei exalando preguiça. Mesmo eu não tendo ficado tanto tempo na festa, fui dormir bem mais tarde do que o habitual e por causa meu relógio biológico, eu acordo cedo todos os dias, então, devo estar parecendo um zumbi.
Me levantei e fui fazer minha higiene matinal. Fui até o guarda-roupa e peguei uma camisa vermelha, uma calca jeans preta e um tênis preto, me vesti e andei até a cozinha, mas não havia ninguém lá, minha mãe já tinha saído, normal, eu estava de férias, ela não, o hospital devia estar uma bagunça.
Abri o microondas e encontrei meu café da manha, mesmo com pressa pra sair, minha mãe deixou tudo pronto. Sentei a mesa e comecei a comer, olhei pro relógio e vi que não era tão cedo. Tinha que terminar o café logo, pois daqui a pouco a Hana está batendo na porta, para a agente ir pro passeio que eu prometi que nós íamos fazer.
Sinceramente, eu adoro a Hana, ela é minha melhor amiga há muito tempo, mas às vezes ela me sufoca querendo passar tempo demais comigo. Eu até entendo, pois a gente se da muito bem e falamos de coisas que não falamos com os outros, tipo o fato de nos dois sermos filhos de pais separados, mas ela tem outras amigas, não ia fazer mal se ela sair mais com elas.
Terminei meu café e lavei a lousa. Fui ate a sala e me olhei em um espelho que tinha lá, eu não estava tão mal, não parecia um zumbi, parecia um garoto normal de dezesseis anos que tinha dormido às oito horas necessárias, mesmo que essa ultima parte não fosse verdade.
Me sentei no sofá e fiquei esperando a Hana chegar, não deveria demorar muito. Eu não estava muito a fim de ir nesse passeio, mas eu prometi então, eu tenho que ir.
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O meu cabelo só podia estar de brincadeira comigo.
Eu já estava à meia hora na frente do espelho tentando ajeitar o meu cabelo e nada. Um rabo de cavalo ficava muito simples, prender nos lados de deixava desconfortável e se eu deixo solto ia ficar muito calor.
Com tantos dias para um Bad Hair Day, tinha que ser justo hoje? Olhei o relógio e vi que se eu não fosse rápida, ia me atrasar pro meu passeio com o Ryo, e essa era a ultima coisa que eu queria.
Finalmente achei um jeito que deixava meu cabelo bonito, um meio rabo de cavalo. Prendo meu cabelo com um elástico preto com bolinhas brancas, ele tem um detalhe, parece que tem orelhinhas de coelho, fofo.
Vou ate a cozinha e vejo minha mãe sentada, tomando o café da manha, lhe dou bom dia e começo meu café. Minha mãe não estava só tomando café, ela também estava revisando uns modelos para o próximo desfile que ela estava organizando, ela é uma grande designer, estava muito ocupada com esse desfile, pois era onde apresentaria a coleção de verão, que é super importante.
Termino meu café, me despeço da minha mãe e vou ate o elevador. Eu e Ryo somos vizinhos de prédio, ele mora três andares antes de mim. Por sorte não tinha ninguém mais no elevador, então resolvi verificar se estava tudo certo. Meu cabelo, lindo no meio rabo, e não é pra menos, afinal meu cabelo é lindo, longo, liso e azul (antes que perguntem, sim é natural), maquiagem perfeita, não fiz uma coisa muito exagerada, só um pó básico, um batom claro e rimel, é menos do que eu uso para ir pra escola.
A roupa, uma blusa rosa claro, uma jaqueta preta e curta (não eu não estou louca por usar uma jaqueta no verão, afinal a jaqueta não é pra aquecer, mas sim pra dar um charme no visual, como minha mãe diz, não importa se está frio ou calor, importa que você esta bonita) um short jeans preto e uma sapatilha rosa. Resumindo, estou perfeita.
A porta do elevador abre no andar do Ryo, caminho até a porta do apartamento, respiro fundo e toco a campainha, não demora muito até que ele abra, olho pra ele e... Esse menino não conhece o significado da palavra limite.
Ryo estava simplesmente lindo, uma camisa vermelha, uma calca jeans preta e um sapato preto, pode não parecer grande coisa, mas nele fica perfeito, olho para o cabelo castanho naturalmente bagunçado, lindo.
– Oi – digo.
– Oi – ele responde abrindo um sorriso. Ai céus, como aquele sorriso é lindo, é impossível você conhecer uma garota que não se derreta toda por esse sorriso e isso me irrita. Outra coisa que faz todas as garotas se derreterem são os olhos azuis acinzentados, deuses como são lindos.
– Então, vamos? – pergunto dando o meu melhor sorriso.
– Claro – responde sorrindo, eu nunca vi o Ryo sem ser sorrindo.
Fomos ate uma praça que fica perto do prédio. A manhã não podia ter sido melhor, nós andamos um pouco, tomamos sorvete, conversamos sobre planos para as férias, o Ryo não tinha nada planejado, o que era perfeito, eu podia passear com ele quando quiser e podíamos ir juntos a umas festas incríveis que vão ter nesse verão.
Falei sobre o desfile que minha mãe estava organizando, o bom do Ryo é que ele presta atenção em tudo o que você diz, me diz se existe menino mais perfeito do que ele?
Falei também que ia passar uma semana com o meu pai, ele e minha mãe são divorciados, e perguntei se ele ia passar um tempo com o pai nas férias.
– Prefiro quebrar as pernas e os braços a passa uma semana com ele – ele respondeu.
Eu entendo a raiva do Ryo pelo pai, mesmo que a minha relação com o meu pai seja boa, eu também enfrentei o divorcio dos meus pais muito nova, mas com o Ryo é diferente, o pai dele fez muito mais do que simplesmente se divorciar e se afastar do filho.
Depois da resposta dele, nem toquei mais no assunto de pai. Caminhamos mais um pouco, ficamos olhando as pessoas passarem, mas o melhor de tudo é que estávamos juntos.
Mas tudo o que é bom, dura pouco. Um tempo depois ele diz que precisa voltar pra casa, eu até pensei em protestar, mas resolvi deixar pra lá, afinal, tivemos uma manhã perfeita. Nós voltamos para o prédio, quando chegamos ao andar dele, o Ryo perguntou se eu não queria ficar um tempo no apartamento com ele. Indireta ou educação? Não sei, mas eu respondi que sim.
Ficamos conversando e assistindo um filme que passava na TV.
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Na verdade, eu não queria continuar conversando com a Hana, mas alguma coisa me dizia que eu não devia deixa-lá sozinha. Não é que eu não queria a companhia da Hana, mas quando ela falou do meu pai, eu fiquei meio mal, não gosto de falar dele.
Mesmo querendo ficar sozinho, não foi tão ruim ficar mais um tempo com a Hana, ficamos assistindo um filme, mas eu quase não prestava atenção, eu estava mesmo era interessado no que estava acontecendo lá fora, pois podia jurar que vi neve caindo, mas é impossível, estamos no verão.
Quando eu volto minha atenção para o filme tenho a noticia que o impossível é possível quando um noticiário de emergência entra ao ar e fala da tempestade de neve que estava acontecendo no Japão, depois disso as próximas horas foram um vulto.
Eu e Hana tentamos ao maximo ficar aquecidos, pegamos mantas casacos, mas, mesmo assim, parecia que a casa minuto ficava mais frio e não parecia que a nevasca iria acabar tão cedo, a gente até almoçou.
Depois do almoço a Hana já não estava mais aguentando.
– Será que isso não vai acabar nunca? – ela perguntou.
– Pode acabar daqui uma hora ou só amanhã, o clima é imprevisível. – respondi.
– Então pra que existe previsão do tempo? – ela perguntou se encolhendo.
– Sei lá. Pra tentar adivinha, talvez.
– Como pode ser possível que neve no verão?
– O ser humano já fez tanta coisa no mundo, que tudo é possível agora.
– Quero que isso acabe. Não aguento mais esse frio.
– Você não é a única.
Hana é bem legal, mas quando as coisas não saem como ela quer, bom, digamos que ela fica meio insuportável e isso é tudo culpa dos pais dela, depois do divorcio eles mimaram ela demais, para que ela não ficasse mal. Ela não ficou mal, só um pouco mimada.
Depois de mais algumas horas a nevasca parou, foi um grande alivio, por que se a Hana continuasse reclamando a minha cabeça iria explodi. Não me leve a mal, eu gosto dela, mas quando fica com esses ataques de menininha mimada ela fica insuportável, mas ainda é minha amiga.
Quando finalmente terminamos de dobrar as mantas que tínhamos usado, o frio já não era um problema.
– Onde eu guardo essa? – ele me perguntou, segurando uma pequena pilha de mantas.
– No armário – mostrei onde era o armário. Depois escutei um barulho, provavelmente ela jogou as mantas lá dentro, mas não me importei – Ryo, o que é isso? – me virei pra ela e vi o que segurava.
– Sua mochila da escola?
– Sim. O que ela faz na sua casa?
– Como é que eu vou saber?
– Ela não veio andando sozinha pra cá.
– Mas eu não a trouxe. – olhei dentro do armário e vi a minha mochila, eu a peguei – a minha também está aqui, mas eu juro que deixei no meu quarto.
– Serio Ryo, se isso for uma piada...
– Não é. Eu juro que não trouxe essas mochilas pra cá – e eu realmente não as tinha trazido, afinal, por que eu ou qualquer outra pessoa faria isso?
– Então quem fez isso? – nem tive tempo de responder, pois a Hana gritou.
Quando me virei vi um ser estranho rosnando e indo na direção da Hana. Quando ele estava quase pegando ele eu voltei pra realidade e peguei em seu braço trazendo ela para perto de mim, mas o mostro não desistiu, mas antes que ele conseguisse avançar na gente um brilho forte o afastou.
Demorou um pouco até eu perceber que o brilho vinha do meu bolso e do bolso da Hana. O mostro recuou, mas não parecia que iria desistir tão fácil, quando tentou avançar de novo o brilho ficou mais forte.
Por causa da claridade não consegui ver o que aconteceu direito, mas parecia que o monstro foi embora em uma espécie de portal negro. Depois que ele se foi o brilho diminuiu, mas não se apagou, antes que eu falasse qualquer coisa a Hana me deu um mega abraço.
– Hana, você ta me sufocando – disse com dificuldade.
– Desculpa – falou me soltando – eu estava com tanto medo, Ryo, obrigada.
– Não tem que me agradecer, afinal, eu não fiz nada.
– Então, o que espantou aquele bicho? – eu olhei para o bolso como resposta e acho que ela ainda não tinha percebido – seu bolso está brilhando.
– O seu também – respondi.
Ao mesmo tempo tiramos do bolso a razão do brilho. De primeira eu não consegui ver o que era, pois o brilho aumentou, mas quando o brilho apagou de vez pude ver dois objetos estranhos, parecidos com um iphone, o meu era vermelho e preto e o da Hana era rosa e branco.
– O que é isso? – ela perguntou.
– Não sei, mas seja lá o que for o brilho espantou o mostro.
– Parecem celulares.
Eu apertei um dos botões laterais pra ver se acontecia alguma coisa, mas nada.
– Bom, eles não são celulares.
– Quero ir pra casa – ela pôs o objeto de volta no bolso e colocou sua mochila nas costas.
– Eu acompanho você – alguma coisa ainda me dizia para não deixa-lá só. Coloquei o objeto no bolso e a minha mochila nas costas.
Hana foi na frente, mas antes mesmo que chegássemos à porta eu senti que tinha pisado em falso e só percebi que não era simplesmente isso quando ouvi o grito da Hana, mas era tarde de mais, estávamos caindo. Como? Não sei.
Quando parei de ouvir os gritos da Hana, tentei procurá-la, mas eu mal conseguia manter os olhos abertos, então eu os fechei, sabendo que quando eu os abrisse de novo, eu não estaria em casa.
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O pior foi ter caído de cara.
Quando abri os olhos notei que tinha caído de cara no chão, olhei pro lado e vi que a Hana também tinha caído de cara, ela vai ter um ataque quando acordar. Como não dava pra prolongar muito, eu a acordei, ela deu um pequeno ataque, mas foi mais por estamos no meio de uma floresta do que por ter caído de cara no chão.
– Como viemos parar em uma floresta? – Hana perguntou.
– Não faço a menor idéia
Antes que ela respondesse, uma voz estranha e feminina falou.
– São eles
– Você tem certeza? – perguntou outra voz, também feminina
– Absoluta – respondeu a primeira
Hana foi para trás de mim e eu falei
– Sabemos que tem gente ai, apareçam logo.
E elas apareceram, as não eram meninas, humanas. Percebi que a Hana também se surpreendeu.
– Quem são você? – perguntei.
– Nós somos digimons.
– Estávamos esperando vocês.
– Bem vindos ao digimundo.
Eu e Hana não respondemos, estávamos espantados com tudo o que estava acontecendo. Digimundo, digimons, esperando a gente? Bom se eu queria férias chatas, tinha acabado de perdê-las.
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