Dookie
1 Prólogo
Notas iniciais
Que transe louco foi esse? Cada segundo, cada batida do coração, o cachorro ao final da rua latindo contra uma lata de lixo, o céu acinzentado tocando o chão em um horizonte que parece se aproximar até... me tocar... tudo pareceu tão... intenso.
— Sam! — uma voz feminina, e suáve, mas ao mesmo tempo autoritária dizia — Venha, eu vou te levar na sua escola hoje, lembra-se?
— Ah, sim. — me viro a ela. Uma garota de cabelos compridos e castanhos meio palha me esperava ao meio daquela rua nunca movimentada. — Vamos então, mana.
Bem, antes de continuar, tenho que falar duas coisas sobre mim. Primeira, me chamo Sam, se pronúncia \"sãn\", e não \"sên\"; e segundo, completo 10 anos daqui a dois meses. Ah, como vocês devem ter percebido, eu tenho uma irmã, ela tem agora, 13 anos. Iremos caminhar até minha escola, perdi o primeiro dia de aula porque minha mãe estava ocupada demais, então minha irmã vai me levar hoje pra não perder o segundo (sim, mamãe está ocupada novamente).
O caminho não é tão longo, 10 minutos de caminhada, normalmente eu tufaria o rosto e dificultaria a vida de todo mundo para não ter que enfrentar isso, mas hoje o dia está tão bonito para mim, me dá forças, sei lá. Esse clima nublado, nem frio, nem quente, meio nostálgico, meio gótico, uma fina penunbra. Prefiro mil vezes, não, cem mil vezes mais o tempo assim do que um dia ensolarado.
A escola em que vou estudar não é tão legal, é uma escola normal, 3 blocos com salas, um bloco para diretores e ajudantes desse, uma quadra de concreto e outra de areia.
Ao chegar, vejo várias crianças por lá, num instante um pavor me subiu a espinha e por um momento parei, mas no outro continuei a seguir até eles. Minha irmã avistou uma amiga, e fomos até essa. Não demorou muito, me senti ignorado, olhei o relógio e vi 7:11, faltam uns 20 minutos para abrirem o portão.
Por algum motivo, tinha que fazer um esforço para olhar para as outras crianças, e por um instinto, procurei um lugar aonde eu pudesse ficar sozinho, encontrei quaze, tinha um garto sentado no meio-fio da calçada. Fui até-lá e sentei ao lado dele, um pouco afastado. Ele olhou pra mim, e voltou a fazer o que fazia.
Na verdade, o que ele estava fazendo? Ele estava com uma garrafa de mão, uma garrafa daquelas de água , mas em vez de água, tinha um \"líquido\" enbranquissado, com uma textura forte, como se fosse Leite Condensado. O garoto estava com o nariz próximo ao gargalho da garrafa, aproximei um pouco minha cabeça, e tentei sentir o cheiro. Era um cheiro forte, que me deixou nauseado.
— SAM! Vem! — minha irmã puxou bruscamente meu braço. Logo após a sirene avisou que o portão da escola seria aberto. — O que estava fazendo com aquele garoto!?
— N-nada — respondi com a cabeça baixa, sem entender muito bem o momento, logo olhei pra trás, e o garoto olhava para mim, com olhos lamentáveis.
— Hum! — minha irmã expressou com rispidez.
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