Dookie

2 Irritado


Acendo mais um cigarro. Cada tragada é tão intensa, é como se o trago que entra pelo meu corpo dilatasse tudo que sinto e assim, esvair de mim em uma fumaça. Coloco meus braço entre as pernas e fico abaixando e subindo com a cabeça voltada para cima, os olhos fechados e o cigarro entre os lábios.

— CARALHO! — o cigarro cai, aquele cume em braza abre uma ferida na poltrona. Eu suspiro, abro a porta do meu quarto e vou em direção ao banheiro.

Fecho a tranca da porta e ligo\' o chuveiro, novamente me isolo em um cômodo. Já sem roupas, deixo a água me banhar por si só, lágrimas correm pelo meu rosto camufladas por aquela corrente que cai. Penso em me masturbar, ou algo assim.

Volto ao meu quarto, visto uma calça jeans justa, uma camiseta gola V e um all star vermelho. Caço mixarias em moedas para pagar o bonde\', acho uns $4,50. Saio de quarto, encaro minha mãe, que tá sentada à mesa, e saio batendo a porta.

Pego o bonde, a ida e a volta dão um total de $1,60. O que me sobra $2,90. Desço do ônibus em frente ao half de skate, comprimento uns colegas e atravesso a praça, compro um novo cigarro e então caminho até a casa do meu amigo, Oliie.

Bato na porta, mais uma vez, e então ele aparece sem camisa e com o cabelo desarrumado como quem acabou de acordar (talvez tenha). Entro, espero ele se arrumar, e voltamos ao half de skate.

O Ollie é meu melhor amigo, conheci ele faz 4 anos. Sim, ele era aquele garotinho que cheirava cola em frente ao colégio. Ele tem 15 anos, eu 14. Seu apelido é Ollie por que ele demorou quase uma ano pra aprender a manobra de mesmo nome, essa manobra é a mais fácil, e é a base para as outras. Fiz meu pirmeiro Ollie perfeito com 3 meses, só pra constar.

Ah, você precisa saber duas coisas sobre aquele half. Primeira, além de andar de skate, fumamos maconha lá. Segunda, tem uma delegacia na esquina de uma rua paralela à da praça.

Chegamos lá, avistamos quem queriamos:

— Hey, Milico! — o Ollie comprimenta.

Esse Milico é um malandro qualquer, tem o cabelo é curto. Tem duas tatuagens, uma em cada braço (eu me lembro que uma tá escrito \"VIDA LOKA\" SODIHIDHSHID).

— Fala, manolos. — Acenou com a cabeça — Sabem do Pablo?

— O que tem ele? — disse o Ollie.

— Ontem ele entrou em uma briga, tá com a cara toda estourada na casa dele.

— Bem, Miliko... Mudando de assunto. — disse Ollie — Precisamos que você faça uma missão pra gente...

— Tá certo, quanto vocês tem?

Ollie e eu nos entre-olhamos, pegamos o que tinhamos no bolso, Ollie tinha $3,00, já eu dei $2,00.

— Bem, compra um cartucho de 5 conto... — eu disse com voz mansa.

Num instante o Milico desapareceu com a bicicleta pra comprar nossa birra. Ollie e eu subimos no half e nos sentamos. Às vezes penso nessa rotina, o porque que fasso tudo isso, se valhe a pena, ou coisas assim. Mas nunca tomo uma conclusão séria sobre isso. Geralmente penso: \"Quero morrer com 27 anos mesmo, haha!\" ou idiotices do tipo. Mas, talvez, eu acabe morrendo um dia desse mesmo... No entanto, sinceramente, não estou mais nem aí pra nada! Foda-se, e seja feliz!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.