PRÓLOGO

Um dia eu fui simplesmente uma garota frágil, doce, inofensiva e ingênua. Fui. Mas não mais. Desde aquela noite eu mudei. Tornando-me algo, tornando-me diferente, e a melhor parte é que eu gosto disso. Do rumo que minha vidou levou desde então, do sentido que ela possui agora. Da adrenalina, do poder, da força, e acima disso, de como eu não preciso de ninguém para nada.

O problema é que eu sei que algo está errado, e mesmo tendo uma vida boa em NY eu não consigo parar de pensar nele. Ele precisa de mim, eu sinto. Vamos recomeçar. Desde que descobri que existe outro mundo dentro desse as coisas viraram de cabeça para baixo. Os monstros que mostram nos filmes não são nada fictícios. Não estão em baixo das nossas camas, mas sim, dentro de nós. Eu era um monstro, assim como todo o resto do planeta. Isso não precisa envolver poderes respectivamente, apesar de que eu os tenho. A partir disso as coisas estavam erradas. Ou melhor, a verdade da vida real estava errada. A vida era muito mais do que só nascer, arrumar um emprego, casar e morrer.

E agora, meu irmão corre perigo.

Nesses quatro anos longe, eu consegui enxergar a verdade, eu não podia mudar quem eu era. Então aceitei-me. Tomei controle da situação. Os erros que eu cometi não poderiam ser esquecidos, mas eu sentia-me liberta de qualquer arrependimento. O que está feito, não pode ser desfeito. Porém agora, sinto que coisas muito mais tenebrosas estão envolvidas. Não se trata de mim, se trata de algo muito mais perigoso. Eu poderia continuar aqui, trabalhando no bar fingindo uma vida normal com meus "amigos". Ou, poderia descobrir qual é esse mal tão forte e destruí-lo, afim de proteger aquele que abandonei.

O fato de ser impulsiva e inconsequente tinha me trazido até aqui, e estava me fazendo retornar. Uma parte de mim arrepiava só de pensar nisso, sentia medo e agonia apenas de citar essa ideia. Mas eu me proibi de ter medo de alguma coisa faz muito tempo, eu não era mais uma garotinha assustada. Eu enfrentaria meus demônios do passado e do presente de cabeça erguida, como deve ser. A decisão estava tomada. Tudo que eu havia construído aqui iria para os ares junto á fumaça dessa cidade. E eu não me importo.

Desde que tudo aconteceu, eu não permiti me aproximar de ninguém, pois pessoas próximas seriam uma fraqueza para mim. Mesmo sabendo as consequências, eu estaria ao lado dele, estava sendo fraca com certeza, e ainda assim, eu estava aceitando o sentimento. Não conseguia simplesmente deixar para lá. Eu o expulsei de minha vida e ele foi. Agora eu voltaria, ele querendo ou não.

Não importa ele ser o mais velho, eu sou a mais esperta. E no mundo em que vivemos, vence quem tem cabeça e não quem tem coração.