Don't destroy my heart
2 Creatures of the night

A noite estava completamente escura, com direito a raios. Eu poderia jurar que o apocalipse estava vindo, o que não seria uma má ideia. Eu e minha inseparável moto não tínhamos como sair do lugar no trânsito que se alastrava. E, se logo começasse a chover, eu teria que dar um jeito de arrumar um lugar para colocá-la, afinal, todas as minhas coisas estavam no “capô” da moto.
Dei um jeito de ultrapassar todos, e acelerei até chegar á frente da delegacia. Uma fonte minha me avisou que aqui eu o acharia.
– Boa noite, você saberia me informar onde está Jordan Parrish? – Disse meio receosa para a mulher que atendia no balcão.
– Ele saiu para fazer uma patrulha. — Assenti com a cabeça — Boa noite xerife, essa moça veio atrás do Parrish.. – Ela disse quando um homem passava por nós aparentando estar aflito.
– Boa noite. Eu estava indo averiguar porque ele não voltou ainda. Se você puder aguardar.. – Não deixei que ele terminasse a frase.
– É um prazer, Xerife Stilinski. — Disse ao ler a farda dele — Eu gostaria de ir junto, se o senhor deixasse. – Mostrei á ele um olhar de suplica.
– Tudo bem, mas vamos logo.
A chuva havia começado. Ele pegou uma das viaturas, e eu aceitei sua carona. Deixei minha moto guardada por causa do tempo. Paramos em uma casa aparentemente abandonada.
– Parrish!? – O xerife gritou preocupado.
Logo o encontramos caído no chão, com um rasgo no peito.
Em um impulso lá estava eu, vulnerável, só porque meu irmão tinha um arranhado. Sei que não era nada grave, pelo menos para ele, mas a aflição tomou conta de mim mesmo assim. Parei ao seu lado e o abracei — Parrish, olhe para mim. Você está bem?
Ele resmungou alguma coisa. Fomos para o hospital o mais rápido que conseguimos. A cidade estava em caos. Árvores caídas, muita chuva e raios disparados. O levamos até uma ala em que uma enfermeira o atendeu, o nome dela era Melissa. Deduzi ser amiga do xerife.
– O que aconteceu com ele?
Então o xerife á explicava tudo que sabia, e eu continuava encostada na parede com cara de tédio de braços cruzados.
Porém, a enfermeira parecia preocupada. Então ambos olharam para mim e lembraram que os observava de longe.
– Você sabe o que ele é?
– Melissa, certo? – Ela assentiu — Então, eu não tenho uma explicação muito fácil. O que eu posso dizer é que ele tem o poder de não morrer, não facilmente pelo menos.
Eu senti que alguém nos espionava, mas deixei de lado isso, pois no minuto seguinte Parrish acordou do desmaio. Ele disse que algo o atacou, mas não era um lobisomem. Ele procurava por Scott McCall. Trocamos olhares, ele parecia confuso por me ver ali, quem pudera. Melissa parecia assustada.
– Xerife, você poderia levar o Parrish para sua casa? – Ele assentiu contrariado, enquanto eu escrevia um bilhete com meu número de telefone – Me ligue para passar o endereço. Eu tenho algo á fazer. Depois nós conversamos ok? – Virei-me para Parrish, que assentiu com um sorriso no rosto.
Quando sai do quarto, vi um vulto de um garoto correndo pelo corredor. Uma parte de mim me disse que não deveria me intrometer, a outra, estava morrendo de curiosidade. Decidi segui-lo de longe. Se a coisa que atacou meu irmão estava atrás desse garoto, eu precisava ver do que se tratava.
Assisti um cara de dois metros, coberto de algo que parecia vômito negro, com unhas afiadíssimas e brilhantes, atacando um garoto. Mas logo outros chegaram. Ao que parece, eram uma alcateia. Talvez uma parte de mim sentiu uma leve inveja, pois sou uma ômega. Mas melhor sozinha do que má acompanhada.
Sempre gostei de estar no controle das coisas, de estar certa. Mas nesse caso não. A coisa foi embora. E eu sabia que Beacon Hills escondia mais que algumas criaturas sobrenaturais, algo muito pior estava por vir. Uma delas machucou meu irmão para obter informações sobre aquele garoto, e se na próxima algo pior acontecesse?
Recebi uma mensagem do celular, deduzi que era do xerife pois continha um endereço. Á essa altura do campeonato eu estava ensopada devido á chuva, senti uma vontade extrema de me transformar para correr por aí, mas não podia no momento.
Chegando ao endereço, bati na porta. O senhor que antes vestia o uniforme da polícia agora estava com uma roupa normal, mas a cara aflita continuava a mesma.
– Por favor, entre.
– Obrigada, xerife.
– Bom.. Eu vou buscar umas roupas do meu filho para te emprestar, pelo menos por hoje pra tirar essas roupas molhadas. Parrish foi buscar as coisas dele e a sua moto. Parece que vocês vão ficar um tempo por aqui.
– Como assim?
– Ele não pagou a hipoteca.
Minha cara estava estática, como ele conseguia esquecer uma coisa dessas? Mas eu não tinha do que reclamar no entanto.
– Ok.. Então onde tem um banheiro? — Perguntei envergonhada.
Ele me deu as instruções, roupas e uma toalha. Tomei um banho longo. Não estava com medo do que vi hoje, só pensava em como descobriria o que poderia ser aquilo e como acabaria com isso.
Vesti uma blusa cinza e calça de moletom da mesma cor do filho do xerife. Ao descer as escadas o xerife estava com uma xícara de café na mão e outra na mesa da cozinha.
– Muito obrigada pelas roupas e pela hospitalidade. Não queria ter invadido a privacidade de ninguém, então, desculpe.
Ele esboçou um sorriso e disse que as roupas de Stiles tinham ficado até que bem para mim.
Bebemos o café, o silêncio tomava conta da cozinha. E eu estava inquieta demais para deixar as coisas assim.
– Como é ser um xerife?
– Exaustivo.. Mas é algo bom poder ajudar as pessoas. Por que da pergunta?
– É meu último ano da escola.
– Ah, e pensou em seguir como Parrish?
– Na verdade, não no mesmo ramo. Eu estava pensando em ser investigadora ou quem sabe, criminalista.
– Interessante. Já fez sua matrícula na escola?
– Na verdade, não.. — Tantas coisas passavam pela minha cabeça e eu tinha esquecido completamente disso.
– Vou pedir para que Stiles te dê uma carona amanhã então, acho que você já é emancipada?
– Exatamente. Obrigada. — Nesse momento a porta bateu.
Parrish apareceu esboçando um sorriso, vestindo uma roupa social e jaqueta de couro. Estava carregado de coisas nos braços. O ajudamos a trazer o resto das coisas que estavam na viatura e moto. Os olhos dele continuavam os mesmos que os de criança, transmitindo uma paz inigualável. O xerife nos deixou só.
– Eu não acredito. Como você cresceu! — Veio até mim e me abraçou. Eu esperava um discurso, um xingo, qualquer coisa. Mas ele estava aqui, parecendo aquelas tias que aparecem no natal e te fazem um monte de perguntas e apertam suas bochechas.
– Você está mentindo! Parei de crescer faz tempo. — Então sorrimos um para o outro.
Assegurou minhas mãos e disse — Leena, eu sei que você deve estar pensando que eu vou brigar com você, mas.. Você é uma adolescente, eu sei como é difícil, mas estou feliz que tenha criado juízo já. Eu não sei como é ser um lobisomem, mas eu sei que você deu o seu melhor. Eu fico feliz que você esteja aqui.. Senti muito sua falta.
Meus olhos começaram a lacrimejar sem a minha permissão.
– Eu fiz coisas.. Coisas horríveis. Em toda lua cheia meus ossos doem só de lembrar. — Comecei a chorar desesperadamente, enquanto ele me acolhia em um abraço.
– Você fez. Mas faz agora? Você é uma boa garota Lee. O que está feito não pode ser desfeito. Agora pode me dizer o real motivo de estar aqui?
Sequei minhas lágrimas. Ele estava certo. Eu fiz coisas lá no passado. Depois que aprendi a controlar meu gênio e poder, nunca machuquei ninguém mais. E bem, era bom ter alguém por perto para ver o melhor de mim, e eu quase acreditava nas palavras dele.
– Eu senti que você precisava de mim. O que eu vi hoje, simplesmente.. Não tem sentido. Parrish, as coisas vão ficar feias por aqui.
– Eu sei. Imaginei isso.. Vem cá. — Ficamos abraçados em silêncio por um tempo — Lembra daquela vez em que você atirou em um pássaro? Você estava radiante de orgulho de você mesma. No dia seguinte, me acordou de madrugada para encontrar o tal passarinho para fazer um velório para ele. — Impossível não sorrir com essa lembrança — Eu sei que muitas coisas que você faz são pra te deixar mais forte, mas você tem que entender que você sempre foi. Ok? — Assenti. Estava exausta pela viagem e aproveitei a brecha para dormir.
Amanhã será um dia longo.
Fale com o autor