Don't Shoot Me Santa
1 Parte 1 - Sam's Town
Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=Ocsl-sfMOyY
Ninguém nunca teve um sonho por aqui,
Mas eu não me importo muito que esteja começando a me afetar
Ninguém retira as remendas por aqui,
Mas eu não me importo muito que esteja começando a me afetar
Tenho essa energia sob meus pés
Como se algo no subsolo fosse sair e me carregar
Tenho esse coração sentimental que bate
Mas não me importo que esteja começando me afetar
Agora, "por que você desperdiça meu tempo?"
É a resposta para a pergunta em sua mente
E estou de saco cheio de todos os meus juízes
Com tanto medo do que eles encontrarão
Mas sei que posso conseguir
Desde que alguém me leve pra casa,
De vez em quando.
Oh, você já viu as luzes?
Você já viu as luzes?
Embarquei no foguete para uma viagem de ondas de choque
Onde as pessoas no cercado apertam gatilhos para reconhecimento
Uma bala me atingiu, eu olhei pra dentro
Correndo em minhas veias
Uma farsa americana
Ainda me lembro do jeito de vovó Dixie
Nunca soube de alguém morrer diante de
Vermelho, branco e azul num bolo de aniversário
E meu irmão, ele nasceu no quatro de julho
e é só isso
"Então por que você desperdiça meu tempo?"
É a resposta para a pergunta em sua mente
E estou de saco cheio de todos os meus juízes
Com tanto medo de me deixar brilhar
Mas sei que posso conseguir
Desde que alguém me leve pra casa
Wooooooooooo!
De vez em quando (2x)
Você sabe, eu vejo Londres, eu vejo a cidade de sam.
Segura minha mão e deixa cair meu cabelo
Retira o mundo dos meus ombros
Eu vejo Londres, eu vejo a cidade de Sam
15 de dezembro de 2000
Sam abriu a porta do apartamento. Estava uma bagunça, como sempre. Alicia tinha deixado seus sapatos perto da porta, e tinha uma toalha branca em cima do sofá que não estava ali quando ele saiu pela manhã. Foi andando até o seu quarto, para encontrar Dean dormindo em sua cama.
–Dean. Dean. Acorde!
–O que? – o irmão acordou assustado e irritado. – o que você está fazendo, Sammy?
–Você viu a Alicia? – ele perguntou, deixando a mochila cair no chão. – o que está fazendo aqui, aliais?
–Papai pediu para eu checar vocês dois. Ver como estavam as coisas. Já faz 3 semanas que não vamos ver vocês, afinal.
–Está tudo bem – respondeu Sam, irritado. Preferia o pai longe. Sorte que ele não tinha vindo. – onde ele está?
–Caçando.
–Você viu a Alicia? – repetiu Sam.
–Ela não devia ter ido para a aula hoje, Sammy? – Dean fez um cara de bravo, e em seguida, deu risada – ela chegou há meia hora. E depois saiu, foi correr no parque.
O parque ficava há uns 10 minutos dali, a pé.
–-
Sam andou pelas ruas vazias e geladas, xingando Alicia em pensamento. O que ela tinha na cabeça? Estava congelando. Logo avistou, era uma figura vestida de preto correndo em meio a neve. Felizmente, a pista para corrida tinha sido limpa naquela manhã. Ela terminou de dar a volta e parou diante dele. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo solto, ela usava calça de ginastica e o casaco estava meio aberto, indicando que ela só usava um top por baixo.
–Sammy, você sempre fica observando as garotas assim de longe? – ela perguntou, rindo – ok, me desculpe.
–Você não foi para a aula hoje. – o rosto dela estava vermelho, talvez pelo frio ou pelo o exercício. – você não foi na aula quase a semana inteira. Alicia, o que está acontecendo?
–Promete que não vai ficar bravo?
Como se Sam conseguisse ficar irritado com ela por mais de 10 segundos.
–Allie, você não... – falou Sam.
–Eu fui uma boa menina todos esses meses, Sam. – ela disse, séria – mas dessa vez não pude evitar. Tem crianças morrendo. Todo sábado morre uma em algum acidente domestico esquisito, desde o Halloween. E você quer deixar isso quieto? John...
–John não está aqui. – falou Sam. – quando conseguimos vir para cá, prometemos deixar essa vida para trás.
–Bem, me desculpe por me importar com crianças morrendo. – ela começou a andar, deixando Sam para trás. Ele correu para acompanha-la.
–Onde está indo?
–Tomar um chocolate quente. Eu estou congelado.
Eles caminharam até o café mais próximo, em silencio. Sam já não estava mais bravo com ela – estava triste, na verdade. Ele estava fazendo o possível e o impossível para tirar ele e Alicia daquela vida, e na primeira oportunidade, ela voltava correndo para ela. Não que ele não se importava com crianças morrendo, mas ele se importava mais com Alicia morrendo. Ou sendo uma caçadora para o resto da vida, aquela vida maluca.
Quando se sentaram – Sam pediu um café, Alicia um chocolate quente com marshmallows e um prato de cookies de baunilha com gotas de chocolate. Ela falou.
–OK, Sammy. Eu conheço você. Você odeia o frio e não teria vindo até aqui só para brigar comigo por ter matado aula. Eu odeio a escola e todo mundo sabe disso. O que ta acontecendo?
Sam suspirou fundo. Droga, como aquilo era difícil. Não seria mais fácil se ele simplesmente desse um beijo naqueles lábios sujos de chocolate? Pela milésima vez, se perguntou por que de todas as mulheres do mundo, tinha que ter se apaixonado justamente por ela, com quem ele vivia grudado e fazia da sua vida uma tortura.
–Eu ia perguntar para você se você ainda vai ao baile com o Josh.
–Eu e Josh terminamos semana passada. Dessa vez definitivamente. – ela informou, séria. – você pelo menos podia ficar triste por mim, Sam, ao invés de abrir esse sorriso orelha a orelha.
–Você nem ao menos gosta dele, Allie.
–Ele é bonito.
–E burro. O que aconteceu?
Alicia e Josh tinham ficado juntos numa festa na primeira semana de aula. Na seguinte, ele chutou a namorada de cinco anos, Lindsay, para namorar Alicia. Os dois já tinham terminado pelo menos cinco vezes, e cada termino tinha durado no máximo dois dias. Eles terminavam e logo Josh aparecia no apartamento com flores. Uma vez ele fez uma serenata. Se houvesse uma caçada a qual Sam queria tomar parte, com certeza era para caçar Josh.
–Eu não quis ir ao estupido Baile de Inverno. Então ele disse que tinha largado tudo para ficar comigo, e eu nem podia ir ao baile com ele. Eu disse que nem morta iria a um baile de inverno, e ele terminou comigo porque eu era esquisita e os pais dele não gostavam de mim.
A recusa em ir ao baile não era um bom sinal para Sam. Mas que ele estava feliz de ter se livrado do maldito Josh, ele estava.
–Bem, eu sinto muito, Allie. Mas você está melhor sem ele. E, hmm, você sabe que não é esquisita.
–Eu sou esquisita, Sam, e está tudo bem de verdade. Eu meio que gosto de ser esquisita. Melhor ser esquisita do que ser a Lindsay. Ela o aceitou de volta. Eu jamais faria isso depois do que ele fez para ela.
Sam deu risada. Respirou fundo, tomando coragem para o que estava prestes a fazer. O pior que pode acontecer é Alicia morrer de rir de mim.
–Então, sobre o baile de inverno... Você sabe que vou ter que ir.
–Vai? – ela perguntou, terminando o chocolate e erguendo os olhos – por que, você tem uma namorada normal e nem ao menos meu contou?
–Não, não é nada disso – ele disse rapidamente – é porque sou do conselho estudantil e faço parte da organização do baile. Eu não sabia que eu teria de fato, ir ao baile.
–Que droga, Sammy. – ela disse – meus pêsames.
Ele deu uma risadinha. Estava fazendo o máximo para esconder o nervosismo que sentia.
–Posso te pedir um favor?
–Claro. Não tem nada que eu não faria por você, Sam.
–Vai ao baile comigo? – ele falou depressa. Alicia não respondeu, apenas ficou encarando ele, as sobrancelhas erguidas. Surpresa. Era claro que ela não estava mais relaxada quanto estava há segundos atrás.
Para o desespero de Sam, a próxima coisa que ela fez foi dar risada.
–Você está brincando comigo né? – ao ver a expressão séria dele, e talvez ligeiramente magoada, ela falou – tudo bem, Sam, só porque é você, eu vou nesse baile. Mas estou fazendo isso por você, ok?
–Ok. Obrigado.
Os dois ficaram se encarando.
–Jura para mim que não tem ninguém que você gostaria que fosse com você?
Ninguém. Só você. Ele respondeu em pensamento, mas o que disse a ela foi:
–Você sabe que eu também sou um esquisito, Allie.
–Certo, os esquisitos vão ao baile juntos. Meu Deus, Sam, Dean vai chorar de rir da nossa cara. E outra, você está me devendo uma.
–Estou te devendo dez. – ele disse, sorrindo, aliviado. – não é tão esquisito isso, todo mundo sabe que nós somos amigos.
A história que eles tinham contato para as pessoas era a seguinte: os pais de Sam e os pais de Alicia trabalhavam em fazendas no interior do estado, e tinham mandado eles para estudar na cidade.
–Bem, Sammy, tenho um caso para investigar. Eu te chamaria para ir junto, mas sei que você odeia. Tchauzinho.
Ela se levantou e deu um beijo no rosto de Sam, muito próximo dos lábios dele, e saiu, sem olhar para trás. Ele tocou o lugar em que Alicia tinha beijado. Bem, talvez agora eles estivessem indo para algum lugar. Mas Sam não ia ter muitas esperanças. Ele já tinha tido tantas vezes e sempre se desapontava.
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