Don't Shoot Me Santa
2 Parte 2 - A Dustland Fairytale
http://www.youtube.com/watch?v=-3hyrkzFRss
Um conto de fadas da terra empoeirada começando
Só mais um beijo bagunçado do inteiro
Em 61, longos cabelos castanhos, e olhos bobos
Ele parecia como você gostaria que fosse
Um tipo de príncipe americano
Uma serenata calma, e a luz do luar no rio, o que você fez comigo
Eu não acredito em você
Eu vi Cinderela no seu vestido de gala
Mas ela estava procurando por uma camisola
Eu vi o diabo amarrando as mãos dele
Ele esta se preparando para o espetáculo
Eu vi no minuto em que me virei
Eu tenho meu dinheiro em minha mão hoje a noite.
Mudanças vieram num disfarce de revelação, botou fogo em sua alma
Ela disse que sempre soube que ele apareceria
E as décadas desapareceram como navios afundados
Mas nós perseveramos, Deus nos deu esperança
Mas ainda sentimos medo do que não sabemos
A mente estava envenenada
Castelos no céu ficam abandonados, vandalizados
Uma ponte levadiça fechando
Eu vi Cinderela no seu vestido de gala
Mas ela estava procurando por uma camisola
Eu vi o diabo amarrando as mãos dele
Ele esta se preparando para o espetáculo
Eu vi o final quando eles viraram a página
Eu peguei meu dinheiro e corri
Direto pro vale da grande divisão
Lá fora onde os sonhos são altos
Lá fora onde o vento não assopra
Aqui fora, as garotas boas morrem
E não neva no céu
Aqui fora, os pássaros não cantam
Aqui fora, o campo não cresce
Aqui fora, o sino não toca
Aqui fora, o sino não toca
Aqui fora, as garotas boas morrem
Agora Cinderela, não vá dormir
É uma forma azeda de se refugiar
Oh você não sabe, o reinado está sitiado
E todo mundo precisa de você
há ainda magia no sol da meia-noite?
ou você deixou isso em 61?
na cadencia dos olhos do jovem homem
eu não sonharia tão alto
Parte Dois — A Dustland Fairytale
A história das mortes eram todas as mesmas. Uma semana antes da criança morrer, ela começava a ter pesadelos e problemas para dormir a noite. Não diziam aos pais qual era o problema, no máximo o genérico “tem um monstro no meu quarto”, e muitas vezes passavam a noite inteira em claro. Então, no sábado, sofriam um acidente e morriam. Foram seis vitimas, no total, e a sétima ocorreria no dia seguinte, sábado. Alicia queria poder fazer alguma coisa para impedir, mas a verdade é que não tinha ideia do que estava acontecendo. Estava decidida a pedir ajuda para Dean, mas quando ela voltou, ele já tinha ido embora caçar novamente.
Ela passou a noite de sexta tentando encontrar uma ligação. A única coisa clara era que todas as crianças tinham irmãos cerca de 10 anos mais velhos. Dois tinham deixado a escola há dois anos, um tinha deixado no ano passado; dois deles eram da turma de Sam, e o último era da turma de Alicia. Tudo apontava para um fantasma, e esse fantasma devia estar ligado a todas essas pessoas, mas como ela poderia descobrir isso?
Jogou as roupas e as bolsas que estavam em cima da sua cama no chão, e se deitou, olhando para o teto. Pensou em Sam. Ele veio com todo aquele olhar de cachorrinho sem dono pedir para Alicia ir aquele estupido baile com ele, e obviamente, ela não poderia recusar nunca. Ela se levantou e olhou-se no espelho atrás da porta do armário. Ali estava o motivo que, por mais que ela desejasse, não podia se envolver com Sam: seus olhos estavam muito negros.
Alicia não tinha ideia do que acontecia com ela. De qualquer forma, o tempo estava se esgotando. Já tinha comprado a passagem de avião. Nos próximos meses, Sam devia estar concentrado em tentar entrar para a faculdade e ela não podia continuar distraindo ele. Ela também não suportava mais a ideia de continuar frequentando a escola por mais um ano e meio. Odiava.
E havia outra coisa: provavelmente, não conseguiria continuar resistindo a Sam por tanto tempo. Já estava no limite, e ela tinha reparado que nos últimos meses ele estava mais ousado, demostrando mais o que sentia. Alicia não iria conseguir mostrando indiferente por muito tempo, ainda mais porque ela não era indiferente.
Alicia se apaixonou por ele logo depois de terminar com o primeiro namorado. Ela tinha uns 15 anos e foi o primeiro namorado dela, mas quando tudo terminou, uns meses depois, por que ela vivia se mudando, ela ficou arrasada. E Sam estava lá o tempo todo, e foi ele quem ajudou superar o cara, e no meio disso, ela se apaixonou por ele.
Não sabia o que fazer. Resolveu ignorar e continuar saindo com outros caras. Aos poucos, foi percebendo que Sam gostava dela também – ele era muito discreto, muito tímido, mas a convivência não deixava dúvidas. Mas quando ela percebeu, já era tarde demais. Todas aquelas coisas estranhas já estavam acontecendo com ela, cada vez mais, e se eles se envolvessem agora, ela nunca conseguiria partir e resolver o problema: precisava encontrar seu pai e descobrir quem, de fato era Alicia Kavanagh.
Havia outros problemas também: Alicia gostava de caçar. Nunca conheceu outra vida, mas adorava essa de caçadora. Quando caçava, se sentia no controle. Como se tivesse nascido para fazer aquilo. Sam queria ir para a faculdade e ela não queria ser um obstáculo na vida dele.
Mas ela estava curiosa. Será que ele estava planejando alguma coisa com esse baile? Se sim, era típico de Sam. Algo bem tradicional na vida de adolescentes normais.
–-
No sábado de tarde, Alicia decidiu ir até a biblioteca da prefeitura, tentar descobrir quantas crianças na cidade tinham irmãos cerca de 10 anos mais velhos. Chegando lá, quase desistiu – mesmo a cidade sendo pequena, havia o suficiente. Então ela ligou para Sam.
–Sammy, já que você pediu para eu fazer algo que eu nunca faria na vida, posso te pedir o mesmo?
–O que você quer?
–Preciso de ajuda com o caso. Por favor. Você me deve uma.
Ele chegou em 15 minutos.
–Só porque eu te devo uma. – ele disse, sorrindo.
Alicia colocou várias caixas na frente dele.
–Preciso que me ajude a encontrar a próxima vitima. Uma criança que tenha um irmão 10 anos mais velho.
–E o que você vai fazer?
–Vou tentar descobrir se alguma coisa estranha aconteceu há 10 anos. Algum acidente com a morte de uma criança ou coisa parecida.
Era quase o fim da tarde quando Alicia voltou para a mesa em que Sam estava sentado.
–Achei. Aqui diz que há 10 anos, Tommy Hendrick morreu afogado numa festa de natal. Ele tinha 7 anos. Consegui uma foto da festa, saiu no jornal. Sete crianças estavam brincando com Tommy quando ele caiu na piscina da casa. Todas essas crianças hoje tinham irmãos mais novos, que foram assassinados. Mas que coisa mais esquisita, todo mundo que estava envolvido na história ter um irmão mais novo. E você não acredita que é a sétima, Sammy.
–Quem?
–Lindsay.
–Então, acho que temos que ir ao cemitério e queimar o corpo de Tommy.
–Temos? Achei que você não estava mais caçando. – falou Alicia, sorrindo.
–Eu, é, hm. – Sam ficou vermelho – estou fazendo isso por você, e não vou deixar você invadir um cemitério sozinha.
Alicia riu.
–John ficaria tão orgulhoso! – Sam cruzou os braços, mas também estava rindo – vamos comer alguma coisa. Acho que vamos ter um excelente passeio hoje à noite.
–Sim, ouvi mesmo dizer que o cemitério é O Local para se estar nesse inverno, ver gente e ser visto por todo mundo que importa.
Os dois foram embora, dando risada.
–-
Cemitério, meia noite.
Sam tinha cavado o tumulo. Depois, jogaram sal e queimaram o corpo. Agora observavam as chamas, esperando se apagarem para poder encobrir os traços. Estavam sentados num dos túmulos. O cemitério estava coberto de neve. Havia alguma coisa de belo no cenário.
–Acha que isso resolve? – perguntou Sam.
–Espero que sim. Salvamos a vida do irmãozinho de Lindsay – declarou Alicia – mas sabe, Sam, há duas coisas que eu não entendi nesse caso. A primeira é porque todas essas pessoas tinham irmãos mais novos, parece muita coincidência e eu não acredito em coincidências. Segundo, por que só começar agora? Tommy morreu há 10 anos.
Sam não respondeu, ficou observando Alicia. Eles estavam sentados muito juntos, a noite estava muito fria. Ele queria estar mais junto dela. Por fim, perguntou, com uma expressão triste no rosto:
–Você realmente gosta disso, não?
–De que?
–Caçar. Seus olhos estão brilhando. Você não esteve animada assim todos esses meses.
Alicia suspirou fundo.
–É, acredito que sim. Mas Sammy, eu entendo você. Você tem o direito de fazer o que quer da sua vida.
Ele estendeu a mão, tocando o rosto dela. A respiração de ambos formava uma nevoa no ar gelado. Ele suspirou fundo, tomando coragem para beijá-la. Sentia que agora seria um bom momento. Desviou o olhar dos lábios dela para olha-la nos olhos, e viu que Alicia não olhava para ele. Olhava para alguma coisa atrás dele.
–O que? – ele perguntou, decepcionado. Tirou a mão do rosto dela e se virou para ver o que ela olhava.
–Venha aqui. Em silencio.
Os dois seguiram até uma feia estatua de anjo da morte coberta de neve.
–Eu vi uma coisa se movimentar — ela sussurrou. Chegando a estatua, não havia nada. Alicia usou a pá para tirar a neve que cobria a base da estatua. Havia um monte de símbolos estranhos talhados na pedra, e por cima deles havia algo que parecia ser sangue seco. Havia também restos de algumas ervas, e de velas pretas e vermelhas.
–Eu não acho que estamos lidando com o espirito de Tommy – falou Alicia.
E estava certa. Na manhã seguinte, o irmão de Lindsay estava morto.
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