Don't Look Back

2 Cap. 2 Encarando as Circunstâncias


Notas iniciais
Voltei, gente. Não sei se chegaram a ver meu pequeno drama, mas a caixa de edição voltou. Eu queria não ter demorado tanto, mas aí está outro capítulo. Não esqueçam de me dizer o que acharam. Beijos e até o próximo. ♥

Cap.2 – Encarando as circunstâncias

Theo’s pov

Eu nunca imaginei que o mundo começaria a acabar daquela maneira. Nunca pensei que estaria longe da minha família ou de minha casa. Pior de tudo, nunca pensei que estaria ao lado de Gina Weasley, aquela garota que eu amava tanto irritar.

A verdade é que eu gostava dela quando era criança, nossas casas eram muito próximas e ela sempre tentava fugir do convívio dos irmãos. Naquele momento eu tinha a chance de protegê-la. Claro que o fato de ela estar na Grifinória e eu na Sonserina ajudou a nos afastar. Por anos eu tentei enganar a mim mesmo dizendo que o que sentia por ela havia ficado no passado, mas eu havia cansado daquilo.

— Ei, o refeitório é para o outro lado. – ela gritou, segurando-se em mim após uma curva acentuada que fizemos.

— Eu sei. – disse enquanto dávamos uma pausa para respirar. – Mas eu preciso pegar algo no meu armário.

— Theo, seu imbecil! Faltam só cinco minutos pra... – ela começou, mas teve sua boca rapidamente tampada pela minha mão.

Um infectado começou a se aproximar, ele tinha a aparência de uma criança doente. Pude sentir Gina tremer ao meu lado, uma lágrimas escorria de seu olho direito. Só tinha uma coisa que eu poderia fazer. Senti cada músculo do meu corpo enrijecer com a decisão que meu cérebro estava processando. Eu tinha que manter Gina viva, nem que fosse apenas servindo de distração para ela fugir.

Minha perna esquerda criou coragem e se deslocou para frente. Quando eu estava prestes a atacar, senti Gina segurando meu braço. Ele estava passando direto por nós. Só pude pensar que ou não éramos saborosos o suficiente ou ele não poderia nos ver. Forcei meu cérebro a acreditar na segunda opção.

— Theo, estamos sem tempo.

Concordei com ela. Fomos correndo feito loucos pelo corredor, tomando cuidado na virada de cada esquina. Só então pude me atentar ao fato de que ela havia me chamado pelo primeiro nome novamente. Aquilo era o suficiente para me dar energia.

— Não acredito que voltamos por isso. – ela bufou quando tirei dois tacos de baseball do armário.

— Isso pode ser bem importante depois e... – tentei me explicar.

— Acontece que só será importante se a gente estiver vivo, seu cabeça dura.- ela insistiu.

— Ah desculpa, talvez você seria capaz de entender se eu voltasse pra buscar um anel estúpido. – disse antes mesmo que pudesse calcular o efeito daquelas palavras.

— Como você sabe que é um anel? – ela perguntou cabisbaixa.

— Eu vi quando ele te deu...

— Andou me espionando por acaso, Nott? – disse Gina num tom um tanto irritado.

Fomos interrompidos antes mesmo que eu pudesse pensar em algo para responder. Os gritos se tornavam mais constantes nosso tempo havia se esgotado. Não pensei duas vezes, agarrei a mão de Gina e a puxei em direção ao nosso destino. A porta do meu armário ficou aberta. Se alguém fosse procurar algo lá, com certeza acharia uma foto de um garoto, de dez anos, sorridente ao lado de uma menina ruiva na praia.



Hermione’s pov

—Rony, vai dar tudo certo. – disse enquanto colocava minha mão em seu ombro.

Eu queria acalmá-lo, mas não conseguia nem mesmo me passar confiança. Havia se passado cinco minutos do horário combinado e não tínhamos sinal de Gina, ou de Parvati. As lágrimas começavam a brotar em meus olhos com o passar dos segundos.

Nós estávamos parados no canto esquerdo do refeitório, perto da entrada da garagem. Harry e Rony haviam quebrado mesas e voltado com estacas gigantes, eu nem conseguia segurar a minha firmemente. Pessoas corriam pelo meio do refeitório sem rumo. Pude ver uma menina tropeçar no chão e desmaiar logo em seguida.

Zabini e Parkinson trocavam olhares constantes, pareciam estar decidindo se deviam se preocupar com o Nott ou sair correndo. Malfoy mantinha o olhar fixo no lugar de onde o resto do grupo deveria sair.

— Você pode não confiar nos seus amigos, Granger, mas eu tenho certeza que o Theo vai chegar.

A frase de Malfoy acabou me transmitindo um pouco de confiança. Prendi a respiração, tentando manter a calma. O ar saiu completamente de meu pulmão quando avistei um raio de cabelos ruivos passando pela porta. Minhas mãos foram levadas direto à boca quando enxerguei uma figura estranha correndo atrás dos dois.

Gina tentava correr, mas o estado de sua perna não parecia muito bem, ela estava mancando. Nott segurava em sua cintura, tentando conduzi-la mais rápido. Ele olhou para trás, largou Gina e virou-se proferindo um golpe certeiro na cabeça daquele que os perseguia. Foi como se uma melancia podre tivesse sido estourada.

O alívio que seguiu após aquele ato contagiou a todos. Neville pareceu recordar a consciência. Luna estava encolhida em um canto do chão. O alívio foi substituído rapidamente. Eles não eram os únicos que faltavam.

— São nove e quarenta. – afirmou Zabini. – Temos que ir.

Parte do meu corpo me dizia para ficar, já a outra queria sair dali o mais rápido o possível. Eu sabia que os sonserinos só iriam esperar o Nott para irem embora.

— Mas... – começou Luna.

— Se formos esperá-los vamos estar abandonando nossas chances de sobrevivência. – grunhiu Pansy. – Não sabemos nem se ainda estão vivos...

O caos estava completamente instalado, nós estávamos estrategicamente posicionados. O refeitório não era o lugar mais cheio, mas gritos podiam ser ouvidos nos corredores adjacentes. Rostos familiares passavam por mim todo momento.

— Ta bom, mas como vamos sair daqui? – perguntou Harry.

De fato, ninguém tinha parado para pensar naquilo, nós só tínhamos em mente que deveríamos estar todos juntos naquele local e horário. Um monte de adolescentes correndo sem rumo seria certamente o nosso fim.

— Olha só... — começou Malfoy. -, nós podemos pegar aquela van antiga do colégio e ir pra minha casa. Acho que é a mais próxima daqui. — completou ele.

— Ta, e o que a gente faz depois de chegar lá? — Perguntou Rony, impaciente.

— Não sei! — exclamou Malfoy. — Lá decidiremos nossas prioridades.

— Exato! — exclamou Nott. — Só não podemos ficar aqui esperando.

— Então é isso... — disse, por fim. -, vamos calmamente até o pátio buscar a van.

Eu realmente queria esperar pelos outros, mas o medo foi mais forte do que a preocupação. Começamos nosso trajeto até lá silenciosamente. Nos dividimos em duplas, espaçadas uma da outra apenas por poucos metros.

Lilá estava constantemente olhando para trás; no momento eu pude sentir sua dor. Como teria sido se talvez Gina não voltasse? Ou Harry, ou Rony? Eu já estava mal o suficiente por abandonar pessoas tão próximas de mim, imagina então abandonar meus melhores amigos...

Passamos com sucesso pela porta de acesso à garagem, ignorando os constantes gritos vindo do lado de dentro do prédio. Minha respiração prendeu ao dar de cara com dezenas de infectados que pairavam o local; tinha certeza que todos ficaram tensos no momento.

— Acho que a infecção ta começando de fora para dentro. — disse Rony, segurando fortemente minha mão.

— A van está ali! — disse Luna, desapoiando o braço de Neville e apontando para o veículo que se encontrava perto de uma árvore; o portão estava aberto, poderíamos passar facilmente por lá.

Todos sabiam que seria impossível chegar até o local. Teríamos que ser rápidos o suficiente para passar por todos eles em zigue zag, e com certeza não estávamos aptos para tal feito; nossas pernas não aguentariam.

— Gente, eu sei que parece loucura... — começou Nott, nos juntando em um pequeno círculo. -, mas esses caras não conseguem nos ver; eles se guiam pelo som.

— Até parece... — comentou Simas num tom incrédulo.

Nott olhou para Gina em busca de apoio, e a mesma respondeu segundos depois.

— É verdade... — afirmou a ruiva num tom decidido. -, nós comprovamos isso ao ficar centímetros perto de um.

— Isso é loucura! — exclamou Harry, desconfiado. — Eu não vou arriscar a minha vida assim. Tem que ter outro jeito.

— Você pode continuar com essa frescurinha, Potter. — disse Malfoy, no seu típico tom de deboche. — Eu e meus amigos vamos chegar lá com toda certeza.

— Quer saber... — começou Gina, enraivecida. -, se vocês não acreditam em mim, eu vou com o Theo. Nós vamos provar a vocês...

Não teve tempo para mais discussão; Nott segurou na mão de Gina e os dois caminharam silenciosamente entre os infectados, em direção à van. Eu engoli seco, segurei na mão de Rony e nós, involuntariamente, fizemos o mesmo caminho que os dois.

Todos se juntaram e caminharam atrás de Gina e Nott. Neville e Luna ficaram por último; parece que foi difícil para a loira convencer o amigo de ir. Nossos passos eram sorrateiros e firmes; a respiração de todos estava presa. Tudo parecia estar dando certo; faltavam apenas alguns passos para Gina e Nott chegarem até a van. Pude sentir uma felicidade repentina me dominar, estaria finalmente saindo daquele lugar.

Mas, como sempre, algo tinha que dar errado. Acontece que nosso grande amigo Neville já estava nos desesperando com eu próprio desespero, e não faltou muito para o mesmo tropeçar no próprio pé. A ação fez com que todos os infectados presentes congelassem; logo em seguida viraram as cabeças em nossa direção.

Trocamos olhares rapidamente; todos já sabiam o que fazer. Começamos a obrigar nossos corpos a se movimentar, antes mesmo de ouvir o comando de Malfoy para corrermos.

— Andem logo! — gritou Nott. — Entrem na van.

Gina foi a primeira a abrir a porta da frente; ela tentava fazer ligação direta. Logo em seguida Parkinson abriu a porta de trás, puxando Lilá pela mão.

— Luna! vem logo. — gritei para ela, parando no meio do caminho.

Ela ajudou Neville a se levantar e o puxou pela mão desesperadamente. Nott, Malfoy, Rony e Harry faziam uma parede humana; eles podiam estar com armar simples, mas não falhavam em atrasar os infectados. Zanbini e Simas foram em direção à Luna e Neville, que estavam visivelmente sem forças e perdendo a velocidade.

— Sobe nas minhas costas! — gritou Zanbini para Neville, que por pouco não teve seu pé agarrado.

O confuso Neville obedeceu. Luna foi pega no colo por Simas, que chegou até a van primeiro; ele colocou a garota em segurança nos braços de Lilá, e foi em direção dos infectados.

O número de inimigos foi diminuindo à medida em que os ataques de nossa equipe os acertava; era uma cena perturbadora, e naquele momento Rony recuperou a consciência e me levou até as outras meninas.

— Podem vir, pessoal! — exclamou Gina, colocando a cabeça para fora da van. — Está funcionando.

Foi instantâneo, todos voltaram a correr, lado a lado, até a van. Restavam poucos infectados, mas, mesmo assim, não podíamos brincar com o perigo. Mas foi quando só faltava Simas e Malfoy para embarcar que ouvimos um grito de esperança:

— Pessoal, esperem! — a voz de Dino pôde ser reconhecida a metros de distância.

— Não acredito! — exclamou Lilá, com os olhos brilhando.

Ele estava acompanhado de Parvati e Padma, mas o estado do trio não era o dos melhores. Eles pareciam exaustos, a ponto de perderem as forças a qualquer momento; estavam sendo seguidos por cerca de uma dúzia de infectados.

— Eu falei que a gente ia conseguir! — gritou Dino, abrindo um sorriso.

— Eu sabia! — respondeu Simas no mesmo tom.

Uma felicidade súbita envolveu meu coração; foi como se um peso fosse tirado de minha consciência.

— Vamos ajudar! — disse Nott, descendo da van, acompanhado por Simas.

Tudo estava certo; Malfoy havia ocupado o lugar de motorista, e dirigia lentamente na direção deles, tomando cuidado para não parar numa posição que dificultasse nossa saída. Toda esperança foi retirada de nós em uma fração de segundos. O grito de Padma chegou antes mesmo da visão que tivemos da mesma caindo no chão; um infectado tinha agarrado-a pela perna. Dino foi em sua direção e começou a proferir golpes de vassoura naquele que tinha atacado-a, mas era inútil. Seus gritos de dor se tornaram insuportáveis; pude ver Lilá paralisada ao meu lado.

— Saiam logo daí! — gritou Malfoy, girando o volante.

— Eu não vou sem ela! — Parvati começou a gritar desesperadamente, mas foi segurada por Simas, que a jogou nas costas, contra a vontade da menina, e correu o mais rápido o que pôde em direção à van.

— Vão embora! — o comando de Padma pôde ser escutado misturado com os gritos; Dino parou por um segundo.

— Mas... — ele tentou começar.

— Vão logo! — exclamou Padma, parecendo anestesiada. — Só me prometa que vai cuidar dela... — continuou, com lágrimas escorrendo pelos olhos.

— Eu... eu... — ele parecia estar em choque. -, prometo! Claro.

Dino correu em direção à van, que já estava em movimento; Simas segurou-o pelo braço, dando apoio para o moreno subir.

— Me perdoe! — gritou Dino, desesperadamente, em direção ao amontoado de infectados que já haviam dominado Padma.

Parvati estava estática, tentando ser confortada pelo abraço de Lilá e Simas. Passamos livremente pelo portão de saída, em alta velocidade. Podíamos estar livres, podíamos estar indo para um lugar seguro, mas foi inevitável; todos olhavam para trás.