Dont Let Me Fall

18 Uma decisão difícil...


Notas iniciais
O capítulo de hoje é dedicado ao meu leitor Victor, que está passando por um momento de luto, não é fácil, força pra você amigo...

Beijos e Boa leitura! ♕

Capítulo 18 – Uma decisão difícil...

Narrado por Felipe

Depois que fui embora da casa de Matheus, cheguei e procurei meu pai, ele estava com o uniforme do trabalho, que era um macacão da oficina. Logo me lembrei, eu precisava de um emprego!

–Pai! –Eu disse chegando de repente e o assustando. -Eu queria te perguntar... Eh... Tem alguma vaga sobrando lá na oficina?

–Por quê? –Ele diz me olhando desconfiado.

–Bom... É que eu tô precisando trabalhar...

–Posso saber do motivo?

–Preciso de dinheiro, tem motivo melhor?

–Eu te dou tudo que precisa, precisa de dinheiro pra quê?

–Bom... Eu queria ser independente... E também quem sabe... Talvez... Mudar de escola... –Eu disse abaixando o tom de voz cada vez mais.

–O quê? Pra que mudar de escola?!

–É que... Eu queria ir pra uma particular... Ainda esse ano...

–Por que tanta pressa? Tem alguma coisa errada?

–É... Que... Bom... A mãe do Matheus não gostou nada de saber dessa briga, e vai mudá-lo de escola... Só que é uma particular, por isso eu queria trabalhar...

–Só pra ir pra essa escola? E estudar com seu amigo?

–É... –Digo olhando para baixo.

–Nunca ouvi tanta bobagem...

–Mas pai...

–Sossega moleque, quando chegar a hora, você vai trabalhar... –Disse ele me dando as costas.

–Droga... –Xinguei baixinho.

Mais tarde, eu estava vendo TV, até que me lembrei de Matheus, já fazia quase duas semanas que estávamos juntos e meus pais ainda não sabiam do nosso namoro. E como meu pai achou bobagem eu querer ir para a mesma escola que meu “amigo” vai, acho que talvez me levasse a sério se eu falasse que agora ele é meu namorado...

Fui até onde meu pai estava novamente, ele resmungou perguntando se era sobre o mesmo assunto anterior, mas eu disse que não, que era uma coisa ainda mais importante. Perguntei se eu tinha permissão para chamar minha mãe para vir em casa, ele me olhou ainda mais desconfiado, perguntou o motivo, mas eu disse que só falaria quando ela chegasse. Depois de muito insistir, ele me deixou convidá-la, liguei para ela, dizendo que era importante que ela viesse, e como ela não tinha compromissos para hoje, aceitou com facilidade.

Um pouco depois, ouço a campainha, com certeza era minha mãe, fui até lá abrir o portão para ela, que logo me abraçou.

–Filho! Como você está lindo! Fazia um tempão que eu não te via...

–É...

–Me desculpe... Eu estava tão ocupada... Mas eu senti muita falta de você...

–Eu também, mãe... Eu também... Mas entre... Eu tenho que contar uma coisa...

Segurei em seu antebraço e fui a levando para dentro de casa, fomos até a sala, onde meu pai estava sentado, somente esperando.

–Do que se trata? –Minha mãe pergunta sentando-se ao lado de meu pai.

–É... Eu também quero saber... –Resmunga ele.

–Calma... Eu vou tentar achar um jeito de contar isso... Porque eu tenho certeza que vocês não vão entender de início... Bom... Mas sabem... Vocês sempre conheceram o Matheus, não é?

–Claro que sim, vocês viviam grudados quando eram pequenos... –Diz minha mãe.

–Não me diga que vai começar novamente com aquele assunto de escola particular... –Meu pai reclama.

–Não pai... Não tem nada a ver... –Eu digo bufando. –É que... Eu queria que vocês soubessem... Eu e ele... Nós... Estamos juntos... Estamos namorando faz duas semanas...

Depois que eu terminei a frase, os dois ficaram paralisados, como se não tivessem entendido, ou surpresos, bom, tenho certeza que os dois. Mas eu estava nervoso, meu coração pulsava rapidamente, como se a qualquer momento fosse pular pela janela, minhas pernas estavam trêmulas, o chão parecia placas tectônicas em movimento, e eu temia do que fossem falar.

–Filho... Mas... Isso é sério? –Minha mãe disse espantada.

–Sim... É...

–E aquela garota? Seu pai disse que você estava namorando...

Olhei para meu pai, que estava com a mão no rosto, ele continuou calado.

–Terminei com Aline... Vi que ela não era pra mim...

–Eu... Eu ainda não entendi... Felipe... Você está brincando conosco?

–Não mãe... Não estou... Por que é tão difícil entender que estou namorando o Matheus?

–Não é por ser ele... É por ser um... Menino...

–O que tem?

–Bom... Isso é... Bom...

Respirei fundo, sentei no sofá ao lado dela, eu estava ainda mais nervoso, meu pai não tinha dito nada, e parecia extremamente incomodado com o que eu havia dito.

–Não dá pra imaginar você namorando um garoto... Você sempre pareceu se interessar por meninas... Como isso aconteceu? –Minha mãe pergunta.

–E-Eu... Não sei...

–Felipe... Acho que... Você já está grandinho para decidir sozinho o que você quer... E se você quiser namorar esse garoto... Tudo bem... Se essa for sua escolha, e te deixar feliz... Eu aprovo... –Diz meu pai num tom de voz baixo e se levantando.

–Victor! –Disse minha mãe chamando a atenção dele. –Como você pode aceitar isso?!

–Aceitar que meu filho seja feliz?

–Não! Isso é... Quase uma aberração...

–Uma aberração? –Perguntei. –Eu sou uma aberração?

–Não querido... Dois homens juntos... Isso é...

–Duas pessoas que se amam juntas é uma aberração? –Eu disse.

–Felipe... Você realmente ama esse menino? –Pergunta minha mãe.

–É claro que sim, por que então estaria o namorando se não o amasse?

–Já chega... Isso é um absurdo... –Minha mãe se levanta. –Eu vou embora... Acho que já ouvi demais por hoje... E você Victor, vai continuar concordando com isso?

–Claro que sim... Ele é o meu garoto... –Diz meu pai pesando a mão em meu ombro.

Sorri por um instante, minha mãe poderia não entender, e meu pai sempre foi meu melhor amigo, no fim das contas.

POV FELIPE OFF

A mãe de Felipe vai embora um pouco abalada, não acreditava nas palavras do filho, algumas horas depois, ela não conseguia pegar no sono, achou que tinha sido injusta demais com ele, mas o que poderia fazer? Não era uma coisa que ela esperava ouvir...

No dia seguinte, Felipe levantou-se para ir para a escola, mas já sabia que Matheus não iria, por isso não estava nem um pouco animado em sair de casa. Tomou um banho e se trocou sem ânimo, tomou um rápido café da manhã e foi para a escola.

O dia parecia andar bem mais devagar, olhava para o lado, a carteira de Matheus estava vazia, assim como o seu dia. As aulas passaram, o intervalo chegou, mais um momento solitário, e logo depois teve que retornar às aulas.

Uma hora se passou, e ele torcia para a última aula terminar logo, não agüentava mais ficar dentro daquela sala de aula cheia de pessoas barulhentas e insuportáveis. Mas logo seu pedido foi atendido, o sinal tocou, e ele colocou a mochila nas costas, saindo rapidamente da classe.

No meio do caminho, Felipe pensava se visitava Matheus ou iria direto para sua casa, mas não teria o que fazer em sua casa, e estaria na hora do almoço para visitar Matheus. Então mudou seu rumo, foi diretamente para a oficina onde seu pai trabalhava. E ao chegar, andou o procurando, até que o encontrou.

–Felipe! O que você tá fazendo aqui moleque?! –Esbravejou Victor.

–Eu só vim pra ajudar... Eu juro que não vou te atrapalhar em nada...

–Vai pra casa... É perigoso você ficar por aqui... –Diz ele deitando-se na esteira e deslizando para baixo do carro.

–Eu quero ajudar em alguma coisa...

–Você vai acabar sujando seu uniforme...

–Isso não é problema... –Diz Felipe tirando a mochila das costas e logo depois a camisa do uniforme, guardando-a dentro da bolsa.

–Você quer tanto ajudar? –Diz Victor deslizando para fora do carro e o encarando.

–Quero pai, e se eu atrapalhar, eu volto pra casa, mas se não, eu fico aqui. Fechado?

–Não sei não... –Diz Victor receoso.

–Por favor... Só dessa vez...

–Tá, tá... Então ande logo e me passe a chave em L...

–Qual delas? –Diz Felipe olhando para o carrinho de ferramentas.

–A que tem formato de L. –Diz Victor em tom seco.

–Essa? –Felipe diz lhe entregando uma delas.

–Não... Essa é de catorze milímetros... Eu preciso da de sete milímetros...

Narrado por Felipe

Quando meu pai terminou as últimas manutenções no carro, se retirou debaixo dele, se levantou e me olhou, dizendo:

–Até que você tem potencial pra isso, mas ainda é um trabalho perigoso...

–Eu agüento...

–Sua mãe não vai gostar nada da história... –Diz meu pai coçando a nuca.

–Ela não precisa saber... Vai... Me dá uma chance...

–Tá... Vou pensar... Mas você tem certeza que vai dar conta de trabalhar, estudar, e lidar com o namoro ao mesmo tempo?

–Claro que sim...

–Mas escola particular não é moleza, quero ver somente notas boas, ouviu?

–Você... Você vai me deixar mesmo ir pra a escola que o Math vai? –Digo sorrindo.

–Você provou pra mim que é esforçado... Vejo muito de mim em você...

–O-Obrigado pai... –Eu disse o abraçando.

–Não precisa disso tudo... E se lembre de que amanhã você tem que estar aqui logo depois da escola...

–Sem problemas...

–Vamos dar uma pausa para o almoço, mas guarde as ferramentas antes...

–Pode deixar... –Eu disse me abaixando e recolhendo-as.

–Ei... O que é isso nas suas costas? –Disse meu pai. –Esses arranhões não parecem ser da briga que você teve...

–E... Não são mesmo... –Eu disse envergonhado.

–Conheço muito bem esse tipo de arranhão... Por acaso você já avançou para o próximo nível do relacionamento? –Disse ele debochado.

–B-Bom... –Digo envergonhado. –Na verdade... Já...

–O quê?! –Ele disse dando uma engasgada. -Como?! Você... Você não me contou isso!

–E como contaria? Não tinha jeito...

–Temos que... Temos que conversar direito sobre isso... Mas aqui não, há muita gente fofoqueira... –Diz ele gaguejando, nunca imaginei ele nervoso dessa maneira.

Coloquei a camisa do meu uniforme e nós dois fomos para uma lanchonete próxima dali, onde meu pai era cliente há muito tempo.

–Então, quer me falar direito sobre isso? –Ele disse quando nos sentamos.

–Isso o quê?

–Não seja bobo, sobre o que estávamos falando na oficina...

–Ah... Sobre... Sobre... Os arranhões... –Eu digo com dificuldade.

–Exatamente...

–Bom... Eh...

–Como foi isso?

–Ah... Somente aconteceu...

–Não é diferente? –Ele pergunta me olhando diretamente.

–Diferente? –Pergunto.

–Você entendeu...

–Ah... Por ser com um cara? –Perguntei e ele afirmou balançando a cabeça. –Ah... Na primeira vez isso nem passou pela minha cabeça...

–E quantas vezes foram? –Ele perguntou assustado.

–Umas... Três... Eu acho... –Digo coçando a nuca.

–Bom... Pelo menos você... Você usou proteção? –Ele pergunta envergonhado, nunca imaginei meu pai desse jeito.

–N-Na última... Na última vez sim... –Eu disse engolindo seco. –Peguei no seu quarto...

–Sem minha permissão? –Ele disse arqueando uma das sobrancelhas.

–Você não estava em casa... E mesmo se eu pedisse, você daria?

–Bom... É... Você está certo... Mas filho... Você foi... Foi o ativo... Ou passivo?

–O quê?! –Perguntei arregalando os olhos.

–Você sabe, ativo é quem dá... Passivo... É quem recebe...

–Eu sei... Eu sei, mas por que quer saber disso? –Digo sentindo minhas bochechas queimarem.

–Só por curiosidade... Se não quiser falar, tudo bem...

–Ativo.

–Meu garoto... –Disse meu pai dando uma gargalhada e colocando a mão em meu ombro.

–Eu nunca imaginei que falaria dessas coisas com você... É constrangedor... –Digo.

–Tudo bem... Tudo bem... Mas agora vamos fazer nosso pedido...

POV FELIPE OFF

Eles almoçaram, nada que fosse muito nutritivo, mas lanches já serviam para preencher algum espaço no estômago.

Felipe ajudou seu pai na oficina até mais tarde, e o ajudou a fechar o estabelecimento quando deu a hora. Quando chegaram em casa, já era noite. Então ele foi para seu quarto, deixou a mochila num canto e ligou para Matheus.

–Alô?

–Oi Math...

–Oi Felipe... Como você está?

–Tô legal, mas cansado... E você?

–Estou bem também... E com saudade... Você disse que ia vir a tarde em casa...

–Não deu... Eu estava ajudando meu pai...

–Entendi...

–Mas eu também estou morrendo de saudade... Quero te ver... –Felipe diz.

–Vem pra cá...

–Já está tarde... Melhor não, seus pais não vão gostar...

–Ah... Mas é sério... Estou sentindo sua falta... Do seu beijo também...

Felipe mordeu o lábio inferior pela voz manhosa de Matheus, e disse:

–Não faz isso, me faz querer ir correndo te ver...

–Eu estou te esperando aqui... –Diz Matheus. –Não aceito um não como resposta.

–Tudo bem... Tudo bem... Eu vou... Só me espera tomar banho...

–Eu espero... Ah! Felipe...

–Oi?

–Seria pedir demais que você dormisse aqui?

–Bom... Acho... Acho que dá sim... Eu não estou a fim de ir pra escola amanhã mesmo...

–Então traga suas coisas...

–Pode deixar... –Diz Felipe. –Vou tomar banho e depois vou pra aí correndo...

Desligaram a chamada e logo Felipe foi para o banho, quando terminou, pegou sua mochila, tirou os materiais da escola e colocou algumas peças de roupa dentro, pensou se também pegava algum preservativo com seu pai... Por precaução...

Ele não sabia se pedia ou pegava novamente sem permissão, mas quando entrou no quarto de seu pai, Victor o perguntou o que queria.

–Bom... Eh... Eu... Eu vou dormir na casa do Math hoje... E queria... Queria saber se...

–Tome... –Diz Victor tirando os pacotinhos da gaveta e jogando em sua direção.

–Acho que... Não vou precisar de tantas...

–Então guarde com você...

–O-Obrigado... –Diz Felipe abrindo a porta para sair. –Bom, eu já estou indo para a casa dele...

–Felipe...

–Oi? –Diz ele voltando.

–O que você acha de... Samanta vir morar conosco?

–Eu acho ótimo... –Disse Felipe sorrindo. –Iria ser legal...

–É mesmo?

–Sim... Seria como se... Como se eu voltasse a ter uma mãe...

–Não diga isso... Você tem uma mãe...

–Mas... Ela me acha uma aberração... Pelo menos Samanta gosta de mim...

–Eu estava pensando se a convidaria para vir... Mas não sei como ela vai reagir...

–Ela vai aceitar, com toda a certeza...

–Amanhã mesmo... Vou conversar com ela... E quem sabe... Caso ela aceite... Providenciar uma mudança... –Victor diz pensativo. –Talvez eu nem abra a oficina a tarde...

–Se precisar da minha ajuda, é só dizer... –Diz Felipe.

–Tudo bem... Pode ir agora... Toma cuidado na rua moleque...

–Pode deixar pai...

–Juízo...

Narrado por Felipe

Coloquei a mochila nas costas, peguei uma cópia das chaves de casa e saí, no relógio do pulso marcavam vinte horas e trinta e quatro minutos, não estava tão tarde. Avancei algumas ruas e já pude ver Matheus na frente de sua casa e estranhei por ele estar me esperando. Quando me aproximei, ele me recebeu com um beijo e disse:

–Fiquei te esperando aqui fora porque meus pais já estão dormindo, se ouvissem o interfone, eles acordariam...

–Entendi... Mas eles sabem que vou passar a noite aqui?

–Não... Mas não tem problema... Vem, entra... –Ele diz me puxando pelo braço.

Entramos e fomos diretamente ao quarto dele, onde deixei minha mochila e sentei em sua cama.

–Você quer comer alguma coisa? –Ele pergunta.

–Não estou com fome...

–Ei... Você disse que também estava com saudade de mim... Mas não recebi nenhum abraço até agora... –Diz Matheus sentando em meu colo e colocando as mãos em meus ombros.

–Desculpe... –Falei segurando em sua cintura. –Eu só estou cansado...

–Tudo bem... –Matheus diz me beijando na testa.

Entrelacei os braços em suas costas e o puxei para aproximá-lo de mim, encaixando-o em meu colo. Enquanto o abraçava, aproveitei para atacar seu pescoço, eu sentia falta de provocá-lo naquela área.

–Ah... Felipe... Você sabe como isso me deixa...

–E você sabe que eu não resisto...

Matheus funga meu pescoço de leve e diz:

–Que cheiro bom... Que perfume é esse? Parece ser novo...

–Ganhei da Samanta no meu aniversário, mas só decidi usar agora...

–É uma delícia... –Diz ele me olhando nos olhos. –Ah... O perfume também...

–Isso foi uma indireta é? –Eu disse rindo.

–Talvez... –Diz ele levantando-se do meu colo, mas o impeço puxando suas coxas para se sentar, e quando o seu corpo novamente encosta no meu, percebo que ele estava excitado.

–Math... Você...

–É... Eu sei... –Ele disse envergonhado. -Me desculpe... Eu não consigo me controlar perto de você...

–Nem eu... –Falei pegando uma das mãos de Matheus e esfregando sobre o volume na minha calça.

–Você quer fazer? –Matheus diz.

–Se você também quiser...

–Por que ainda pergunta? –Diz ele segurando em meu cabelo, e aproximando o rosto para me beijar.

Segurei firme em suas coxas e levantei com ele ainda abraçado comigo e com suas pernas ao redor do meu corpo. Continuamos nos beijando, e o encostei na parede.

–Math... Onde está o TomTom?

–Deve estar no tapete da sala, ele pegou a mania de dormir lá...

–Então ele não vai nos atrapalhar essa noite...

POV FELIPE OFF

Logo suas roupas começaram a cair pelo local, e Felipe joga Matheus na cama, ficando entre suas pernas e o provocando com mordidas no abdômen.

–Quero que seja perfeito pra você... –Felipe sussurra.

Narrado por Matheus

Saí do banho com Felipe, meus pais ainda dormiam, então voltamos para o meu quarto e tranquei a porta, coloquei uma roupa confortável para dormir e Felipe ficou somente com uma calça de moletom, por que ele ainda insistia em dormir sem camisa? Se ele soubesse como isso me deixava, iria com certeza me provocar ainda mais.

Ele me abraçou por trás e me deu um beijo no pescoço, enquanto me guiava para a cama. Quando nos deitamos, ele puxou minha cintura para mais perto dele e o olhei nos olhos, a luz estava desligada, mas com um pouco de claridade da janela eu percebia o seu sorriso.

–Math... Você gostou? –Felipe pergunta me dando um beijo na testa.

–F-Foi maravilhoso... –Eu disse sentindo as bochechas arderem. –Como sempre...

–Foi melhor que a outra vez?

Fiquei em silêncio, como ele podia me perguntar uma coisa dessas?

–Me responde...

–E-Eu... Adorei... Todas as vezes... Em que fizemos... –Eu disse envergonhado.

Ele acariciou meu rosto e novamente vi seu sorriso mergulhado em algumas sombras do quarto.

–Math... Eu te amo...

–Felipe... –Disse sorrindo envergonhado. –Eu... Também amo você... Você sabe...

–Ah... Você é tão fofo... –Ele diz me envolvendo com seus braços e me apertando.

–Felipe... Ai... I-Isso dói...

–Desculpa... Desculpa... –Ele disse e logo depois morde com força minha bochecha.

–Ei... Isso vai deixar marca...

–Para de ser enjoado...

–Mas doeu...

–Você sobreviveu a dores bem piores do que essa... –Ele se aproxima e diz pervertidamente perto do meu ouvido.

–F-Felipe... Para... Para com isso...

Ele acariciou o meu braço e disse.

–Ficou arrepiado...

–Eu... Eu só... Estou com frio... –Falei.

–Mas não está frio...

–Pra mim está...

–Desembucha.

–É que... Meu pescoço, é meu ponto fraco...

–Ah... Então é por isso que você fica gemendo...

–Ei... Eu não fico gemendo...

Felipe se aproximou novamente e passou levemente a língua no meu pescoço, minha respiração ficou falhada, e ele logo assoprou, deixando meus pelos ouriçados, ainda mais arrepiado do que eu já estava, dei um suspiro e sem querer um gemido escapou da minha boca.

–Eu não disse? –Felipe diz com voz irônica.

–Você fez de propósito...

–É claro que eu fiz, pra provar que você geme...

Bufei e dei as costas pra ele, que passa o braço em torno da minha cintura e me aproxima de seu corpo.

–Math... Não fica bravo não... Eu não disse que não gostava...

–Não estou bravo... Só que fico envergonhado quando você fala esse tipo de coisa...

–Ah... Você é tão fofo... –Diz ele mordendo meu pescoço.

–Felipe... P-Para... Ah...

Ele afrouxou o abraço e virei novamente em sua direção, ele parecia estar um pouco cansado, se não continuaria me provocando e àquela hora já estaríamos tirando a roupa novamente.

Passei o braço em seu pescoço e aproximei para beijá-lo, sua boca era tão macia, e o gosto tão doce. Dei um último beijo nele e acariciei seu rosto, sua respiração estava lenta, ele fazia esforço para abrir os olhos, e quando conseguia, fechava as pálpebras novamente, da última vez, ele que implorava para que eu não dormisse... Mas eu não faria aquilo com ele... Afaguei seus cabelos e fiquei os massageando, ele gostava de quando eu fazia isso, pois mesmo com sono, estava sorrindo, da mesma maneira que as outras vezes.

Fiquei observando ele se ajeitar, virou para vários lados e finalmente ficou debruço, afundando a cabeça no travesseiro, depois virando a cabeça de lado, para me encarar.

–Boa noite Math...

–Boa noite... –Falei dando um beijo em sua bochecha e afagando seus cabelos novamente.

Mas eu ainda ficaria o observando por um bom tempo antes de dormir...


Notas finais