Dont Let Me Fall
2 Uma bela tarde de sol.
Notas iniciais
Capítulo 2 – Uma bela tarde de sol.
Era um dia estranhamente monótono, o vento fresco da tarde entrava pela porta escancarada, Matheus estava jogado sobre o sofá de uma maneira desconfortável e cochilava enquanto a TV estava ligada num volume baixo, sua mãe estava fazendo um bolo e seu pai trabalhando.
Ele era filho único, por isso a atenção de seus pais sempre foi voltada totalmente a ele, digamos até que era um pouco mimado, e tudo o que pedia, seus pais lhe davam.
Já a família de Felipe, era bem diferente da de Matheus, seus pais eram separados, ele tinha uma irmã, que morava com sua mãe, e ele morava com seu pai, e ninguém se intrometia nos assuntos de ninguém.
Seu pai era um trabalhador, pagava pensão, as contas, os alimentos, e com o pouco dinheiro que sobrava, sempre que Felipe pedia algo, ele se esforçava para comprar. Mas não se arrependia de ter separado de sua mulher, gostava da liberdade, era um pai moderno, tinha cabelos compridos e castanhos, sempre usava regata e bermuda. Era forte, tinha tatuagem nos dois braços e era alto. Ele namorava com uma moça que limpava a casa deles algumas vezes por semana sem cobrar nada, Felipe gostava dela, a considerava como mãe.
Matheus acordou sorrindo, tivera um sonho com Felipe, mas preferia nem comentar sobre o que era, percebeu o volume nas calças e foi rapidamente para seu quarto, antes que sua mãe percebesse.
“Droga, isso está acontecendo o tempo todo, e se quando eu dormir na casa de Felipe, também acontecer? Se bem que ele sempre acorda depois de mim... Não tenho que me preocupar...” Ele pensou.
Matheus se jogou na cama, passar o tempo se distraindo sempre fazia aquela vontade ir embora.
Então quando ele percebeu, tinha escurecido, e o domingo havia passado num piscar de olhos. Demorou um pouco para dormir a noite, pois quando dormia de tarde era difícil pegar no sono, mas relaxou um pouco ouvindo músicas e quando se sentiu sonolento, desligou o aparelho e foi dormir.
Amanhecendo de um sonho maravilhosamente bom com Felipe, Matheus quase jogou o despertador pela janela, pois havia o acordado na melhor parte, se não fosse novo, não pensaria duas vezes para tacá-lo afora. E sempre xingava por sempre acordar da mesma maneira, excitado.
Tomou um banho gelado que o aquietou e se vestiu, sua mãe estava terminando de fazer o café da manhã, ele se juntou a mesa com seu pai e pegou uma xícara de café, sua mãe colocou as panquecas na mesa e sentou-se ao lado do marido.
–Você deve estar faminto, não jantou ontem... Ficou trancado no quarto... –Disse Ana. –Você está esquisito filho...
–Eu só estava com sono mãe...
–Então vê se vai com a barriguinha bem cheia pra escola hoje, saco vazio não para em pé.
–Eu sei mãe, mas...
–Nada de “mas”, eu sei o que é bom ou ruim para você, então para de manha. –Disse ela enquanto colocava uma panqueca bem grande no prato dele.
–Tá, mãe. –Matheus olhou para a comida e fez a mesma coisa que uma criança faria quando não quer comer: começou a brincar com a panqueca, cortando em pedaços pequenos, melecando com mel e margarina, girando e cutucando de um lado para o outro, mas quando viu o olhar da mãe, parou com isso e colocou um dos pedaços na boca.
Era o começo de uma segunda-feira, e como todos os dias, Matheus no caminho da escola, parou numa banca, onde o vendedor já o conhecia bem, e sabia de cor e salteado o que ele sempre comprava: balas de muitos sabores diferentes, mas ele nunca mudava sua preferência. Sua fala era sempre a mesma:
–Sr. Vicente!
–Olá Matheus! Chegou cedo hoje. –Ele disse levantando de trás do balcão, onde estava terminando de preencher as prateleiras com as guloseimas.
–Quero as balas de sempre, e aqueles chicletes ali. –Matheus disse apontando o dedo indicador para a goma de mascar.
Sr. Vicente encheu três saquinhos dos sabores preferidos dele: uva, morango, e menta, e depois pegou os chicletes que ele queria e o entregou. Matheus o pagou, colocou tudo dentro de mochila, e continuou seguindo para a escola, que era a duas quadras dali.
Chegou e ficou zanzando pelo pátio, acabou encontrando com Felipe conversando com Aline, e ficou curioso para saber do que estavam falando.
Aline era uma garota muito bonita, bem magra, um pouco mais baixa que Felipe, tinha cabelos castanhos, pele alva, olhos sedutores, cílios longos, andava sempre maquiada e chamava atenção de vários garotos por onde passava.
Narrado por Matheus
Fiquei sentado em um dos bancos do pátio os olhando de longe, ela pareceu assustada ou coisa parecida e saiu de lá andando com pressa. Felipe a deixou ir e depois bateu na porta do armário com raiva, me levantei e fui até ele.
–O que aconteceu? –Perguntei.
–Eu tentei me declarar para Aline, mas deu tudo errado, eu sabia que não conseguiria falar...
–Como foi?
–Como foi? Foi péssimo, né cara! Primeiro eu disse que gostava do cheiro dela, ela fez uma cara estranha, aí pra contornar a situação, tentei dizer algo, mas nada veio na minha cabeça, aí estraguei tudo de vez, acabei a comparando com minha cachorra...
Segurei a risada, mas saiu um ruído da minha boca, e quando ele perguntou se eu estava rindo, foi aí que comecei a rir mesmo. Me desculpei com ele, bateu o sinal da aula, e enquanto caminhávamos para a classe, o convidei para jogar futebol num campo perto de casa, e Felipe aceitou.
POV MATHEUS OFF
Quando se aproximava de meio-dia, na última aula, que felizmente chegou ao fim, caminhavam tranqüilos para a casa, andando somente na sombra, onde o vento fresco os tocava. Pararam no meio do caminho para entrar numa sorveteria e juntaram o dinheiro que tinham para comprar picolés.
Chegando cada um em sua casa, comeram algo e descansaram, mas Matheus estava impaciente, queria ver Felipe logo, ficar longe dele o deixava agoniado, e inquieto.
Mais tarde se encontraram no campo, a metade dele estava coberta por uma sombra de uma imensa árvore dali, e na outra parte, o sol torrava a grama. Então preferiram jogar no lado de temperatura agradável.
Felipe sempre levava a bola, e dessa vez não foi diferente, mas não estavam muito animados em jogar por causa do calor, então somente ficaram passando a bola um para o outro, até que Matheus desistiu e deitou-se sobre a grama, olhando o céu, e quando olhou para Felipe, ele estava tirando a camisa e a jogando sobre um banco dali, que era um toco de árvore.
Matheus corou violentamente e tentou parar de olhar para aquela cena tentadora, que com certeza, traria desejos estranhos novamente.
Felipe deitou ao seu lado, o vento chacoalhava os galhos da árvore, que eram forrados de folhas de tonalidade verde bem escura, uma paisagem perfeita. Matheus por um momento fechou os olhos, amava sentir a brisa, até no inverno, mesmo que os ventos cortantes ressecassem seus lábios, a sensação era maravilhosa para ele.
–Você se lembra de quando éramos pequenos? Subíamos sempre nessa árvore, chegamos até o topo uma vez... Eu quase caí, se você não tivesse me segurado, não sei onde eu estaria agora...
–Provavelmente, esborrachado no chão. –Responde Matheus rindo.
Aquele início de verão estava sendo perfeito, os dois se divertiram como antigamente, havia muito tempo que Matheus não via um sorriso sincero de Felipe, e ele adorava isso, amava as covinhas que se formavam, e como as bochechas se modelavam, mas principalmente os olhos, eles brilhavam irradiando de felicidade, fazendo o coração de Matheus acelerar toda a vez que Felipe o olhava.
Continuaram ali deitados, por um tempo indeterminado, somente ouvindo, e sentindo a natureza...
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