Dont Let Me Fall

3 O tão esperado show.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 3 – O tão esperado show.

Narrado por Math

Finalmente eu poderia parar de usar aquelas faixas no tornozelo, e o show seria aquela noite. Nossos ingressos já estavam comprados, eu não agüentava de ansiedade, coloquei peças de roupa, escova de dente, aparelhos eletrônicos, algumas balas de menta, perfume, e o ingresso dentro da mochila.

Dei tchau para minha mãe, coloquei a mochila nas costas e fui até a casa dele andando. Abri o portão com facilidade e entrei, eu não tocava a campainha, pois já diziam que eu era da família, e Felipe fazia o mesmo quando se tratava da minha casa.

Fui para o quarto de Felipe, que se assustou, mas me cumprimentou com um soco no ombro, gostaria que ele me cumprimentasse de outra maneira...

—O que você ta fazendo? –Eu disse colocando a mochila na cama dele.

—Vendo umas coisas... Mas você trouxe seu ingresso, né?

—Sim. -Disse sentando em sua cama, enquanto ele também estava sentado na mesma, encostado na cabeceira, e com o notebook no colo.

Ele estava com os pés para fora da coberta, ambos tocavam em minha coxa, nossa distância era pouca, e aquilo fazia meu coração acelerar. Tentei disfarçar a vergonha, peguei uma bala de menta na mochila, desembalei e joguei em sua direção, que a pegou no ar com a boca.

Por um breve instante, imaginei Felipe segurando a bala com a ponta dos dentes, e se aproximando de mim para eu pegá-la, e depois...

—Que cara é essa? –Disse ele mordendo a bala.

—Não é nada... Ah, que horas é o show?

—Daqui três horas...

—O que quer fazer até lá? –Perguntei querendo receber uma resposta maliciosa para a minha pergunta de duplo sentido.

—Sei lá... –Ele disse e continuou a digitar.

—O que você tá fazendo aí hein? –Perguntei curioso.

—Vem ver...

Engatinhei na cama ficando do lado dele e olhando a tela do notebook, que mostrava o perfil de Aline. Ele sorriu e meu coração se estraçalhou, enquanto ele voltava a ver as fotos dela. Levantei, andei até a estante do quarto dele, e vi um DVD que parecia ser de terror. Perguntei para ele, que disse que alugou para assistirmos depois do show, mas insisti, e o convenci a assistirmos antes.

Levei o DVD até ele, e sentei-me novamente ao seu lado, me cobrindo e encostando na cabeceira. Quando ele colocou o filme para rodar no notebook, eu não parava de olhar para o lado, meu coração estava acelerado, e meu corpo gelado de medo, aquelas cenas eram assustadoras, e Felipe somente ria, mas ele sem querer, deu um leve toque em minha mão.

—Nossa, está gelada, você está com medo? Se quiser, eu tiro... –Diz ele dando uma esfregada rápida em minha mão, para esquentá-la.

—Não, pode deixar, estou gostando...

Felipe continuava a rir das cenas de mutilação, antes eu tinha minhas dúvidas, mas agora eu já tinha certeza de que ele era um sádico.

O filme estava quase no fim, eu mal abria os olhos, não por causa do medo, mas porque meus olhos estavam pregando, encostei-me ao ombro dele, que deixou por um tempo. Seu cheiro era tão delicioso que chegou a me embriagar, e estar com ele, ali, em um certo tipo de carinho, me deixou louco...

Felipe me acordou e disse que seria melhor nos trocarmos logo, ele removeu o short que estava, ficando apenas de cueca, procurou uma calça jeans, vestiu-a e a zipou. Meu coração quis pular pela boca, mas me segurei, tentei esquecer a cena e me troquei também, nós iríamos para o show em pouco tempo, terminei de escovar os dentes e passei um pouco de perfume, quando cheguei ao quarto, Felipe havia terminado de se trocar, estava tão bonito com aquela roupa toda preta e cabelos arrepiados como sempre.

O pai dele nos chamou, nos esperava na garagem, Felipe passou na minha frente, e mais uma vez aquele cheiro me deixou alucinado, o segui abobalhado e entramos no carro. Íamos um em cada janela,ele não quis ir no banco ao lado do motorista, e eu gostei, porque assim poderia vê-lo melhor.

Enquanto ele olhava pela janela todo o movimento das ruas, eu o observava discretamente, mas meu rosto ardia de vergonha quando ele me pegava olhando para ele.

Quando chegamos, a fila para entrar estava enorme, ficamos quase uma hora em pé esperando, mas chegou nossa vez, passamos por uma entrada apertada onde entregamos os ingressos, com muitas pessoas empurrando, quase me sufoquei com tanta gente, mas por fim, entramos.

Só que aquele tumulto havia um ponto positivo, abaixei minhas mãos vagarosamente pelo corpo de Felipe e apertei sua bunda, e com rapidez coloquei as mãos dentro do bolso da calça. Estranhamente, o vejo sorrir depois, será que ele sabe que fui eu? Quando o show tinha começado, eu já havia me esquecido do fato ocorrido, estava com as mãos para cima e de repente senti uma mão me acariciar do ombro até a coxa, procurei pelo toque, não vi ninguém suspeito, e Felipe estava sorrindo daquela mesma maneira.

Acabando o show, ainda era um pouco cedo para Felipe, e como a maioria das pessoas estavam indo para bares aleatórios naquele bairro, ele decidiu ir para qualquer um também, e o que ele escolheu era um pub do outro lado da rua, então entramos, o local era sujo e cheirava a fumo e suor, havia alguns sofás que ficavam em cantos menos iluminados, mas mesmo assim dava para ver os casais fazendo coisas obscenas, realmente, aquele lugar não era para nós. Felipe sentou-se num dos bancos em volta do balcão, servindo-se de bebidas fortes e repetiu várias doses.

Eu estava sentado ao lado dele, enquanto alguns velhos caducas nos encaravam, como se estivessem alertando a todos que éramos menor de idade, eu só fiquei quieto e não pedi nada, Felipe olhava para o decote da moça que o servia e sempre pedia a ela para que pegasse daquelas bebidas que ficavam no alto da estante, só para vê-la se empinando para alcançar, eu o conheço bem.

Mas as coisas começaram a sair do limite quando Felipe ficou alterado e começou a falar com pessoas estranhas, eles ofereceram “balinhas” que eu muito desconfiava do que podia ser, só que quando fui ver, Felipe já tinha colocado uma na boca, e me obrigou a experimentar uma também, e para não passar uma má impressão na frente daquelas pessoas estranhas, eu experimentei, mesmo me arrependendo amargamente depois.

Percebi que aquilo de certo modo deixava meu corpo estranho, me deixou alegre, agitado, e com uma vontade extrema de querer beijar Felipe. Tentei me lembrar do foco, que seria voltar para casa dele, eu tinha o celular de seu pai, liguei mesmo com o receio de ele ver seu filho bêbado, mas aquilo era preciso.

Então depois de muito pegar no pé de Felipe, consegui o levar para fora daquele pub imundo, ele estava com um braço em torno de meu ombro, se apoiando em mim, pois ele cambaleava, não conseguia ficar em pé. E ficamos esperando o pai dele chegar, o que não demorou muito...

Notas finais