Dont Let Me Fall

5 Sim... Foi real...


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Matheus acorda e se depara com Felipe, que dormia profundamente, demorou um pouco para ele processar que haviam dormido juntos, e o que provava que aquilo não era uma mentira, era o corpo extremamente dolorido dele – principalmente em uma certa região – e ambos estavam nus.

Por mais que ele não queria se levantar, pensou nas conseqüências, então deu uma última olhada no rosto sereno de Felipe e se levantou, ficou envergonhado por estar sem roupas, ele ainda não sabia de onde havia tirado coragem para tudo aquilo de ontem a noite.

Ele se trocou, tendo também que vestir Felipe para encobrir qualquer suspeita. Achou melhor ir embora para evitar alguma provável pergunta do outro, então sem fazer barulho, guardou algumas coisas suas que estavam espalhadas, dentro da mochila, depositou um selinho leve nos lábios inativos de Felipe e foi embora.

Quando chegou em casa, foi diretamente para o banho, sentia-se como se o cheiro de bebida e suor exalassem de seus poros. Quando estava lavando os pés, percebeu algo escorrendo em suas coxas. Se sentiu constrangido ao ver o líquido de Felipe em suas pernas, além disso, o local de onde escorria, ardia e doía profundamente, e o resto de seu corpo estava dolorido e cheio de marcas.

Quando ligou o chuveiro novamente e a água caiu sobre si, Matheus teve a breve lembrança do banho que deu em Felipe, foi o melhor banho de sua vida, lembrou-se também, daquele beijo tão romântico que deram enquanto a água deslizava por eles. Matheus fechou os olhos como se voltasse no tempo.

Algumas horas depois, Felipe acordava com uma dor de cabeça absurdamente insuportável, mas o que ele mais estranhava era Matheus não estar no colchão ao lado de sua cama, e ao olhar para seu próprio corpo deitado, parecia lembrar-se do sonho que havia acabado de ter tido... Um pouco perturbador... Ele e Matheus... Fazendo... Digamos que... Coisas inapropriadas...

“Que sonho estranho... Mas eu até que gostei... Eca.” Pensou ele.

Quase que Felipe não conseguiu ir para o colégio, não estava com um pingo de ânimo, e ainda não sabia porque Matheus não estava mais na casa dele assim que acordou, mas quando chegou no colégio e ia tirar satisfações com o amigo, simplesmente não conseguiu se aproximar, só de vê-lo, suas mãos ficaram geladas, e ele preferiu desviar-se do caminho dele.

Mas com o passar dos dias, eles não entendiam porque estavam se distanciando, só sabiam que estava acontecendo, Matheus estava desconfiado, já Felipe não conseguia olhar para o amigo sem se lembrar do sonho e instantaneamente querer tirar provas concretas, como beijá-lo novamente para ver se sua boca tinha o gosto que imaginava, e que não saía de sua cabeça.

Mas achava que tudo aquilo era uma loucura e queria se matar por ter pensamentos tão gays...

Então Felipe começou a se enturmar com as pessoas do outro lado da sala, e para isso, precisou mudar de lugar no mapa de classe, até achou bom não ter que encarar Matheus por um tempo, porque depois que teve aquele sonho, toda vez que o olhava frente a frente, suas bochechas ficavam coradas, mesmo ele não querendo admitir, morria de vergonha do amigo, por isso que sempre tentava evitá-lo.

Matheus havia começado a ficar mais concentrado na matéria depois que Felipe mudou de lugar, mas o outro até achava melhor assim, pois não se sentia mal em pensar que estava ignorando Matheus.

Felipe nem acreditava, mas estava se tornando um dos garotos mais populares do colégio, havia até mudado o corte do cabelo, e nem acreditou que Aline, que antes o esnobava, agora estava o paquerando, chegava até a mandar bilhetinhos sem o professor ver durante a aula.

Ele não poderia pedir mais nada... Estava adorando tudo aquilo...

Narrado por Matheus

Duas semanas se passaram, eu já não agüentava mais ficar sem falar com Felipe, e não acreditava que ele tinha mudado de lugar, agora quem sentava na minha frente era um garoto chamado Thiago, que tentava puxar assunto comigo de vez em quando, poderia até dizer que ele era bem simpático... E... Muito bonito...

Na última aula daquele dia, esperei algumas pessoas saírem e fui falar com Felipe, que só fingia guardar os materiais para não ter que olhar em meus olhos, sabia bem quando ele disfarçava, o conheço melhor do que ninguém...

Ele aceitou ir até em casa mais tarde, pois eu disse que precisava falar com ele, que pareceu meio abalado com meu tom de voz sério, eu nunca havia falado com ele daquele jeito, então nos despedimos... Não íamos embora juntos há um bom tempo... E hoje não seria diferente.

POV MATHEUS OFF

Felipe colocou a mochila nas costas e foi para a casa com pressa, a curiosidade cismava em fazer seu coração bater mais rápido, ou simplesmente o que fazia seu coração acelerar era a ansiedade em ver Matheus...

Quando chegou, tomou um banho, almoçou, esperou o tempo passar vendo TV, e foi se arrumar, passou gel nos cabelos, colocou uma calça jeans escura, uma camisa qualquer e um casaco.

Caminhou até a casa de Matheus e sorria sem perceber quando se pegou pensando no amigo, quando chegou e viu Matheus, suas bochechas coraram imediatamente, se sentia feliz por vê-lo, e ele estava tão bonito...

Entraram na casa, e foram até o quarto dele.

Narrado por Matheus

Quando Felipe chegou, fiquei mais tenso do que já estava, minhas mãos estavam geladas e suadas, eu estava inquieto, e só Felipe tinha o dom de detectar quando algo me preocupava.

Ele perguntou qual era a coisa tão séria que eu tinha que tratar com ele, e naquele momento agradeci a Deus por meus pais não estarem em casa, pois se ouvissem o que eu iria dizer, com certeza estranhariam.

—B-bom... Vo-você se lembra d-do dia do show? –Eu disse gaguejando.

—É claro que sim. –Ele disse arqueando uma das sobrancelhas. –Por quê?

—Ma-m-mas... Você se lembra do que houve depois? –Eu estava ficando cada vez mais nervoso.

—Eu te arrastei pra um bar... O que tem?

—Um pouco depois disso... Você se lembra? –Disse olhando para o chão.

—Pensando bem... Eu devo ter apagado, a única coisa que eu me lembro era da moça das bebidas... Ela era uma gata... –Ele disse e começou a rir. –Lembrei agora que até tive um sonho esquisito com você... Nunca mais vou beber na vida...

—E do que se tratava esse sonho? –Perguntei curioso.

—Nada não... –Ele disse virando o rosto para o lado.

—Bom, não importa... Eu só quero me desculpar...

—An? Pelo quê? –Ele perguntou confuso.

—Bom... É que... Ah... Hum...

—Desembucha.

—Naquela noite... Você estava bêbado...

—Isso eu já sei, você não imagina como meu pai ficou furioso...

—Desculpe por aquilo... Eu me aproveitei de você... –Disse envergonhado. –Estávamos sob o efeito do ecstasy então...

—Não entendi.

—Nós... Bom... Tínhamos tomado o ecstasy que nos ofereceram nesse bar... Você quase que me obrigou... E você sabe que aquilo meche com os hormônios, então... Ah... Bom... Acabamos dormindo juntos... –Disse com dificuldade ainda encarando o chão.

—Mas como assim... Você disse que se “aproveitou de mim”. –Disse Felipe com cara de quem ainda não havia entendido.

—Exatamente Felipe! –Quase gritei constrangido. – Você não ouviu a parte que eu disse que “dormimos juntos”?

Ele ficou estático.

—Espera aí...

—Não tinha como resistir. –Disse baixinho, mas alto o suficiente para ele ouvir.

—Cara, tô te estranhando.

—Felipe, eu te amo. –Eu disse e depois esfreguei as mãos suadas no short, mas não tirava os olhos do chão.

—Pare de brincadeiras Matheus...

—Não estou brincando. Eu amo você... –Eu disse mordendo o lábio inferior com força tentando segurar as lágrimas.

—Fala sério, você não é gay...

Continuei parado, ele estava sentado em minha cama, também de cabeça baixa, Felipe bagunçou os cabelos com fúria – ele sempre fazia aquilo quando estava confuso – e levantou, vindo em minha direção.

—Tá explicado, aquilo não foi um sonho... Eu não tenho uma imaginação tão fértil... –Diz ele com as bochechas coradas.

O olhei por um milésimo de segundo e abaixei a cabeça novamente.

—Então é verdade, que fizemos...? –Diz ele sem mencionar a última palavra...

Balancei a cabeça afirmativamente em resposta.

—Você me perdoa? –Eu disse envergonhado.

—Matheus, eu ainda estou confuso... Não acredito no que aconteceu, não acredito que comi meu melhor amigo... Não faço idéia do que te responder... A culpa não foi sua...

Felipe abaixou a cabeça como se tivesse levado um sermão, nós dois ficamos calados, estávamos constrangidos com tudo aquilo... Achei até que ele ia me espancar, mas o fato de eu ser quase seu “irmão” deve ter o impedido disso.

Ele quis ir embora, e depois disso não trocamos nenhuma palavra sequer, não tive escolha, o vi caminhar pela rua vazia com as mãos dentro do bolso do casaco, ainda cabisbaixo...

Voltei para o quarto, desabei em lágrimas.

Notas finais