Dont Let Me Fall
6 Meu novo amigo.
Notas iniciais
Capítulo 6 – Meu novo amigo.
Narrado por Matheus
No dia seguinte, Felipe agiu muito mais estranho do que antes, também não veio falar comigo, mas havia uma máscara no rosto dele, não deixando que seus colegas percebessem que ele estava mal com alguma coisa, algo o preocupava ou intrigava, algo fazia Felipe ficar pensativo, mas sorrir para todos, para que não precisasse falar do que lhe chateava.
Porém era só eu que percebia isso...
O intervalo também chegou, eu ainda tinha esperanças de que ele viesse falar comigo, mas nada aconteceu, fiquei no meu canto vendo Felipe andar com seus novos amigos. Quando o sinal toca, alertando a hora da saída, ele devia estar feliz, a menina que ele gostava agora sempre falava com ele.
Felipe estava bem melhor sem mim...
POV MATHEUS OFF
Matheus criou uma barreira impenetrável, se trancou no seu mundo cada vez mais, ia para o colégio de cabeça baixa, com o capuz do casaco na cabeça, as mãos no bolso da calça e andava encolhido como se fosse um monstro que ninguém poderia ousar a ver.
Copiava as matérias com a fúria nos dedos, eles queimavam enquanto seguravam a lapiseira, e o grafite ia riscando o papel e se formando palavras rapidamente, algumas até ilegíveis.
Era sempre o primeiro em todas as aulas a levantar para o professor dar visto e um ponto positivo na caderneta. Enquanto Felipe conversava com seu grupo no fundo da classe. O único jeito de Matheus se distrair daquela dor torturante e dilaceradora, era se concentrar nos estudos, e isso estava o tornando o melhor aluno da classe.
Dois meses se passaram, Matheus já tinha se acostumado com o mundo sombrio da solidão, em todos os seus intervalos, colocava seus fones, rock no último volume. E ele desejava gritar como o vocalista da banda para tentar se livrar dos malditos espinhos envenenados da tristeza.
Narrado por Matheus
Ficar observando Felipe de longe estava se tornando cansativo, mas eu não parava de fazê-lo, de alguma maneira, por algum motivo, aquilo era meu sustento. Nesses dois meses, o meu único “amigo”, se é que eu posso chamá-lo assim, era Thiago, o garoto que agora sentava em minha frente, ele me olhava de uma maneira esquisita, mas pelo menos conversava comigo, só queria saber o que tanto se passava na cabeça dele para me olhar tão indiscretamente.
POV MATHEUS OFF
Com o passar do tempo, Felipe ia ficando cada vez mais popular, e com isso, Matheus ia ficando cada vez mais excluído, mas o aluno que sentava agora na carteira de Felipe tentava puxar assunto, mas Matheus só respondia por educação e não mudava a expressão de cansaço do rosto, cansado de esperar tanto por um olhar de Felipe, um pouquinho que fosse de sua atenção voltada pra ele, ao menos...
Ele estava cansado de sofrer tanto.
Narrado por Thiago
Matheus não era muito de falar comigo, mas eu não tinha amigos, e ele parecia a única pessoa que valia a pena conversar, e aos poucos, eu conseguia até fazê-lo falar de sua vida pessoal, pois temos os mesmos gostos.
Muitas vezes eu o via sozinho no intervalo, sempre com fones de ouvido, eu percebi que ele gostava de fechar os olhos enquanto ouvia a música, também tenho essa mania, é uma maneira ótima de apreciar a melodia.
No intervalo daquele dia, não foi diferente, ele estava no canto afastado de sempre ouvindo música, aproximei-me e ele olhou para mim.
—Oi Thiago. –Ele diz retirando os fones.
—De novo sozinho Matheus? Eu até perguntei se você queria passar o intervalo de hoje comigo...
—Desculpe, eu esqueci... E sabe, às vezes é bom o silêncio para não ouvir o que te atormenta...
—Você está certo Math... Se quiser eu vou para outro lugar...
—Relaxa, senta aí.
POV THIAGO OFF
Thiago sentou ao lado dele e sorriu, pensou que estava conseguindo se aproximar cada vez mais dele... Só que ele percebia a tristeza no olhar do amigo, Thiago tinha curiosidade em perguntar o que chateava o pobre Matheus, mas tinha receio quanto aquilo.
Um dia, quando a professora de geografia passou um trabalho em dupla, Thiago logo se ofereceu para fazê-lo com Matheus, que depois de pensar, aceitou sem ânimo.
Narrado por Thiago
Marcamos um dia qualquer na semana para nos encontrarmos e fazermos o tal trabalho. Eu estava ansioso, os dias passaram devagar demais.
Anotamos os números dos nossos celulares na sala de aula no dia que a professora passou o trabalho, e quando finalmente a data chegou, eu não via a hora de receber a ligação dele, dizendo que eu já podia ir.
Finalmente fui até a casa dele, alegre como nunca, quando ele veio me atender, reparei bem na roupa dele, ele estava bonito como sempre, usava uma regata branca e uma bermuda jeans, e o sorriso que ele deu fez meu coração disparar.
Subimos as escadas indo para o quarto dele, fiquei mais envergonhado do que já estava, nunca imaginei que somente uma pessoa me faria ter tantas sensações num dia só.
Ele ligou o notebook para começarmos a pesquisa, sentei ao lado dele e fiquei reparando no jeito que ele escrevia, e até em sua expressão séria enquanto lia. Sorri com os mínimos movimentos que ele dava...
Eu com certeza estava ficando louco.
Fizemos um resumo dos textos que achamos, relemos várias vezes e depois de tanto repensar, concluímos o trabalho e imprimimos.
—Quer beber algo? –Matheus me pergunta.
—Sim.
O segui até a cozinha e peguei a latinha gelada de refrigerante que ele me ofereceu. Sentamos e ele logo diz:
—Vou te falar uma coisa, é muito melhor fazer trabalho com você do que com meu antigo amigo Felipe.
—E por quê? –Perguntei curioso.
—Bem, ele não tá nem aí pra nada, e agora que se enturmou com os populares é que não vai fazer nada da vida mesmo...
—Mas vocês não eram melhores amigos?
—Exatamente, ele era meu melhor amigo... E meu único amigo...
—Bom, agora você tem a mim.
Matheus sorriu, meu coração bateu mais rápido ainda.
—Matheus, você ficaria incomodado se eu perguntasse o que te perturba? –Perguntei.
—Como assim? –Ele disse me olhando sério.
—Seu olhar está sempre tão... Distante... Tem algo que te preocupa... Ou te magoa... Quer me contar?
—Não fique ofendido, mas... Isso é pessoal...
—Ah... Tudo bem... –Eu disse tentando disfarçar o constrangimento. –Acho que é melhor eu ir embora.
—É cedo.
—Mesmo assim, prometi pra minha mãe chegar antes de escurecer...
—Tudo bem, eu abro o portão pra você.
Novamente um silêncio reina entre nós. Ele pega a chave da entrada e o sigo até lá, mal me despeço e saio apressado, eu estava morrendo de vergonha, ele com certeza me achava um idiota.
POV THIAGO OFF
Narrado por Matheus
Depois que Thiago se foi, algo me apertou no coração...
Eu tinha sido rude demais?
Aquilo que ele perguntou realmente era coisa pessoal demais para contar, eu poderia inventar algo, mas não ia parecer natural, sempre fui péssimo em mentiras, Felipe sempre me ajudou com isso quando eu precisava, principalmente no dia que eu disse que iria dormir na casa dele, sendo que na verdade iríamos para o show... Por que não consigo me esquecer disso?
Que ironia... Como se fosse tão fácil esquecer...
Principalmente uma coisa tão... Íntima...
Senti minhas bochechas arderem só de lembrar do beijo embaixo do chuveiro... Foi... Foi... Foi inesquecível...
Mordi o lábio inferior tentando segurar a emoção, mas simplesmente... Simplesmente não dava para esquecer...
Fui correndo para o meu quarto e me joguei na cama, apertei o travesseiro contra o meu rosto, mas não agüentei... As lágrimas começaram a cair...
Por que não consigo passar um dia sequer sem me lembrar dele? Sem chorar feito uma garotinha...
Eu me odeio por ser tão imbecil!
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