Dont Let Me Fall
7 Parque aquático.
Notas iniciais
Capítulo 7 – Parque aquático.
Narrado por Matheus
O colégio faria uma viagem, estávamos animados, e com isso quero dizer, eu e Thiago, meu novo melhor amigo. Ele merecia, era muito mais gentil comigo do que Felipe, ou melhor, era gentil do jeito que Felipe nunca foi.
O diretor ainda não havia nos avisado para aonde seria o destino da viagem, mas eu esperava por um lugar que fosse bem pacífico, infelizmente não era, quando ele foi nos comunicar na classe, todos gritaram quando ele disse “parque aquático”.
Eu não gostava muito de ir em lugares assim, sempre tive vergonha de mostrar o meu corpo. A princípio eu preferi não ir, mas Thiago ficava me encorajando dizendo que seria legal, mesmo recusando muitas vezes, acabei cedendo.
Olhei para Felipe por um instante, ele era um dos muitos que ainda estavam eufóricos, conversava animadamente com seus amigos e sorria, esbanjava felicidade. Thiago continuou falando comigo enquanto eu estava absorto em pensamentos, que eram todos relacionados a Felipe, tenho certeza que nessa altura ele já estava pensando em ver a Aline de biquíni.
Suspirei e Thiago percebeu que eu olhava para o lado, ele puxou meu braço e me chamou baixinho para tirar minha atenção de Felipe. Eu o olhei ainda confuso e ele viu a tristeza e meu olhar.
—O que foi Math? –Disse ele.
—Ah... Nada...
—Sei... –Ele disse e me olhou desconfiado. –Tenho certeza que há algo te incomodando.
—Tô bem. –Insisti.
Thiago deu um sorriso torto e voltou a atenção na matéria. Apoiei minha cabeça na mão e continuei olhando Felipe...
Como ele conseguia ser tão bonito?
Pensei também no dia que paramos de nos falar... Será que ele um dia irá me perdoar?
Suspirei novamente, meu peito doía, eu queria ao menos vê-lo de perto, poder ouvir a voz dele falando diretamente comigo.
Minha caneta caiu e por um instante o imaginei vindo em minha direção, se abaixando e pegando-a do chão e a entregando para mim, mas nada aconteceu, ele continuou conversando com seus amigos.
De repente Aline chega e enlaça o seu braço no braço de Felipe, desde quando eles eram tão íntimos?
Ela diz algo bem perto do ouvido dele e fico observando o sorriso malicioso no rosto de ambos, quem ela pensa que é para ter tanta aproximação?
Tentei desviar o olhar, mas era impossível retirar todo aquele ciúme de dentro de mim, e continuei olhando-o como um bobo.
Finalmente o professor colocou ordem na classe, todos eles se sentaram, mas Aline e Felipe ainda ficaram cochichando. Senti o sangue ferver, do que será que eles estavam falando?
No rosto de Felipe agora tinha um sorriso alegre, e muito bonito, e quanto mais eu admirava, mais tinha raiva pelo motivo da felicidade dele ser Aline.
Quando pararam de conversar, finalmente caiu minha ficha e parei de olhá-lo, mesmo a tentação sendo grande.
POV MATHEUS OFF
Thiago observava Matheus todo o tempo em que ele ficava olhando para Felipe, Matheus tinha uma expressão serena, mas ele estava atormentado.
O amigo que agora tomara o lugar de Felipe, era o sonho de qualquer garota. Thiago tinha cabelos loiros, olhos verdes, pele bem clara, rosto angelical e feição simpática, por mais que sua aparência demonstrasse uma expressão ingênua, seu olhar era sedutor e malicioso, o que fazia as meninas se apaixonarem, algumas garotas de vez em quando o chamavam para sair, ou ir a festas, mas ele educadamente recusava, não gostava de lugares lotados de gente e música alta, e também, a única pessoa com quem se importava estava diante de si.
Estavam no meio da aula, quando Thiago se volta para Matheus e diz:
—Math, pare de ficar se torturando...
—An? Do que você está falando?
—Não se faça de bobo, você fica olhando Felipe o tempo todo...
—Não... É que...
—Eu sei que você gosta dele... –Sussurrou Thiago. -Tudo bem... Não tem nenhum problema em contar para mim...
Matheus sorriu envergonhado – um pouco constrangido –, não sabia onde enfiar a cara.
—Como você sabe disso? –Perguntou ele.
—Dá pra ver no seu olhar... Você está apaixonado...
—Não diga essa palavra, muito menos em voz alta. –Reclama Matheus.
—Mas que é verdade... É.
—Mas... Espera... Você não acha estranho?
—Como assim? Estranho o quê?
—Eu gostar... Dele...
—Ah... Entendi o que quis dizer... Gostar de um garoto? É claro que não... Eu sei muito bem o que você sente... Te entendo...
—Me... Entende?
—Eu também sou... “Diferente” como diz a sociedade... Eu não quero citar o verdadeiro termo que eles realmente usam... É preconceituoso...
—Nem me fale...
—Bom... Agora que você sabe do meu segredo, e eu sei do seu, quero que você saiba que pode contar comigo no que der e vier...
Matheus sorriu, ainda envergonhado.
A aula prosseguiu, mas os alunos não paravam de pensar na viagem da semana que vem. E no mesmo dia, quando Matheus chegou em casa, sua mãe lhe perguntou as novidades, então ele disse que não havia nada demais para contar, senão sobre o parque aquático.
Ela ficou animada pelo filho e bagunçou-lhe os cabelos, dizendo que ele estava crescendo e se enturmando, virando um homem.
Matheus bufou e foi para seu quarto.
Narrado por Matheus
Uma semana depois...
Mesmo a contragosto, arrumei minha mochila para a pequena viagem, logo que terminei, meu celular começou a tocar, no visor havia o nome de Thiago, atendi, ele me perguntou se eu já estava pronto e confirmei dizendo que já estava indo.
Minha mãe me levou até o colégio, onde o ônibus da viagem estava estacionado em frente. Encontrei com Thiago, que abriu um grande sorriso ao me ver. Entregamos a autorização para o responsável do passeio e entramos no ônibus.
Sentamos lado a lado, mas ele preferiu sentar no banco da janela, só que não me importei, de onde eu estava, dava para ter uma bela visão de Felipe, que estava praticamente no banco ao lado.
Aline entrou e rangi os dentes, foi em direção a Felipe e pediu para sentar ao lado dele, o babaca aceitou, e ainda ficou de olho no corpo dela enquanto ela entrava pela passagem apertada entre os bancos e sentava-se ao lado dele.
Quando me estressei de ficar o observando pelo canto dos olhos, coloquei meus fones de ouvido e tombei a cabeça para trás, relaxei, mas logo peguei no sono. Não sei quantos minutos depois acordei, Thiago me olhava, mas virou o rosto para o lado quando viu que eu abri os olhos.
Olhei para Felipe mais uma vez, ele segurava a mão de Aline, enquanto o rosto dela estava virado para ele, e com outra mão, ele acariciava a face dela, senti uma pontada bem forte de ciúmes perfurar meu peito, mas olhando melhor, notei que ela dormia. Suspirei aliviado, mas mesmo assim, eu morria de vontade de estar naquele banco, tendo a atenção toda de Felipe para mim.
Meus olhos instantaneamente se encheram de lágrimas, Thiago infelizmente notou minha tristeza, não gostava de quando ele ficava triste só por eu estar também. Mas daquela vez, ele não perguntou o que estava acontecendo, talvez ele tivesse visto a cena com seus próprios olhos e feito a conclusão.
Quando uma lágrima cismou em cair, Thiago segurou meu rosto, e com o polegar enxugou a lágrima que escorria, fiquei mais vermelho do que um pimentão, tentei disfarçar tudo aquilo, coloquei meus fones de ouvido e fechei os olhos fingindo dormir, mas depois daquilo, eu com certeza não iria conseguir.
A viagem prosseguiu quieta, a maioria dormia, e nesse momento, até Felipe. Mas quando o motorista estacionou, todos já estavam bem acordados.
Todos pegaram suas coisas e desceram do ônibus para vestirem as roupas de banho, o motorista e o responsável pelo passeio também desceram, foram ao banheiro, eu e Thiago éramos os únicos ali dentro. E como eu não queria me trocar no banheiro masculino, decidi trocar ali dentro mesmo.
Tirei o tênis e as meias, troquei a calça jeans por um short de praia e por fim, tirei a camisa. Me trocar na frente de alguém era desconfortável, mas pelo menos eu não tinha ficado inteiramente nu.
Thiago também se trocou lá dentro, e enquanto eu guardava minhas roupas dentro da mochila, ele se aproximou e disse:
—Math... Por que você se ilude tanto?
—Vai começar de novo com aquele assunto?
—Sim, é para o seu bem... –Disse Thiago.
—Esquece isso...
—Não. –Ele disse me empurrando para sentar.
—Eu não quero falar disso...
—É... Viemos aqui para nos divertir, não é? –Disse Thiago.
—Bom... Então vamos logo... Vão estranhar se nos pegarem aqui... –Eu disse. –Podem até achar que estávamos fazendo outra coisa... –Falei num tom de voz mais baixo.
—E se falarem? Pelo menos vai ser verdade...
O olhei confuso, não entendi o que ele quis dizer com aquilo, mas quando ele sentou-se com as pernas abertas em meu colo e me beijou, eu percebi suas intenções. Tentei empurrá-lo, mas ele era bem persistente, e não descolava os lábios dos meus.
Por um momento, fechei os olhos e tentei me desligar do mundo, tentei acreditar nas palavras dele, eu realmente me iludia demais, quem eu amo não sente o mesmo por mim, então por que não seguir em frente?
Ele deslizou a mão pelo meu abdômen, e fiz o mesmo com ele, o corpo dele era magro, só que muito bonito... E a pele dele... Era tão macia...
Enquanto meus olhos estavam fechados, aproveitei cada segundo do beijo, os toques, o gosto, a sensação...
Era bom se sentir amado...
Minhas mãos foram para suas costas, deixando nossos corpos ainda mais próximos, aproveitei o máximo do beijo antes de recuperar o fôlego, e quando ia continuar, ouvi um barulho. Pensamos que alguém estava entrando, por isso nos separamos brutalmente, e Thiago quase caiu do meu colo, mas para nossa sorte, não era ninguém...
—Math... Você me perdoa? Passei dos limites...
—Tá tudo bem... Não aconteceu nada...
—Só quero que você saiba que tem alguém que te quer, do jeito que ninguém mais... Eu Math...
—Talvez, quem sabe... Um dia... Só que nesse momento... Você sabe...
—Sim... Eu sei... No seu coração só tem espaço para o Felipe...
—É que... Eu o amo...
—Eu entendo. –Disse ele forçando um sorriso, mas era perceptível a tristeza em seus olhos.
—Bom, não podemos ficar aqui para sempre...
—É... Vamos...
POV MATHEUS OFF
Os dois amigos saíram do ônibus do estacionamento do local sem serem vistos, ou era isso que os dois pensavam. Felipe os observava de longe, pensava em Matheus, e se ele realmente teria o esquecido assim tão rápido, mas conforme o que tinha visto dentro do ônibus, a resposta para aquela pergunta era sim.
Ele voltou para onde Aline estava e tentou se distrair para tirar aquela cena da cabeça, o que seria impossível...
Thiago estava com remorso, havia se aproveitado da fraqueza de Matheus para se aproximar e o agarrar quando estivesse desprevenido, mas aquilo era tão tentador, não tinha como resistir... O corpo de Matheus no ponto de vista dele era muito atraente.
Mas pelo menos tinha pedido desculpas e agora os dois se divertiam naqueles brinquedos que refrescavam o dia quente.
Thiago admirava Matheus, era como um deus grego, pele alva, cabelos pretos e olhos penetrantes, o que mais gostava era de seus olhos... Cor de ônix, sempre brilhantes, e sua boca pálida, que mesmo de lábios finos, eram sensuais.
Thiago estava quase ficando louco, adorava o sorriso de Matheus, seus dentes perfeitos, o olhar sedutor, sua feição sempre serena e o jeito que ele andava, suas roupas, a voz rouca, e suas pequenas manias, como rabiscar a última folha do caderno, tamborilar os dedos na mesa, morder o lábio inferior constantemente, o que particularmente deixava Thiago um pouco excitado.
Os dois iam para o próximo brinquedo até que no caminho, decidiram comprar sorvete, os dois pegaram picolés, Thiago escolheu de chocolate, e Matheus de baunilha. Conforme abriam a embalagem, eles caminhavam até encontrar um banco.
Sentaram-se e conversavam enquanto apreciavam os sorvetes, e por mais que queriam tocar no assunto do beijo, se controlavam. Thiago por um momento, deixou a malícia dominar sua mente, observou o jeito que a boca de Matheus chupava o picolé, e nos cantos dos lábios o líquido escorrendo, o que fez a imaginação de Thiago voar mais alto ainda.
Continuou observando o jeito que o sorvete entrava e saia da boca de Matheus, que disse que não conseguia morder por ser gelado demais. Thiago ficou embasbacado quando viu a língua de Matheus agora lamber as laterais do picolé, ele até tinha deixado de tomar o seu para prestar atenção no outro.
—Ei... Thiago, não vai tomar seu sorvete? Está derretendo...
—Ah sim... Eu só estava distraído...
Quando se levantaram dali, Thiago se ofereceu para jogar fora o papel da embalagem do sorvete de Matheus, que o entregou, mas Thiago sem deixar o outro ver, guardou no bolso, queria ficar com aquilo de lembrança.
Quando já estava um pouco tarde, e eles já tinham ido em todos os brinquedos que tinham vontade, teriam que se trocar novamente para a viagem, não poderiam sentar molhados no banco do ônibus.
Pegaram suas mochilas e seguiram para o banheiro masculino do parque. Matheus pegou as roupas secas, uma toalha e entrou em uma das cabines para se trocar.
Thiago -que estava na cabine ao lado- quando saiu, viu Matheus enxugando os cabelos, ele estava uma graça, os cabelos pretos molhados, bagunçados e grudados na testa. Thiago não resistiu, se aproximou de mansinho e enlaçou a cintura de Matheus pelas costas, o beijando no pescoço enquanto o outro não fazia nenhum esforço para se desvencilhar do abraço e dos beijos.
Matheus ficou ali sem protestar, enquanto sentia a língua de Thiago o tocar no pescoço, e depois sentiu uma leve mordida na orelha. Quando retomou a consciência se afastou do amigo, que o encostou na parede, o prendendo com os braços. Mas ele não tentou fugir, Thiago colocou uma mão nas costas de Matheus e outra em sua nuca, dando impulso para mais um beijo.
Felipe, que estava entrando no local, viu Matheus aos beijos com Thiago, seu coração doeu naquele instante, não sabia o porquê, mas ele não parava de observá-lo mesmo com o ciúme imenso. Ele queria estar no lugar de Thiago, tocando Matheus daquela maneira, mas se livrou daqueles pensamentos urgentemente e saiu dali depressa.
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