Dont Let Me Fall
29 Responsabilidades em dobro.
Notas iniciais
Capítulo 29 – Responsabilidades em dobro.
Narrado por Felipe
Eu nunca achei que Matheus ia ficar tão orgulhoso de mim, eu estava contente por isso, era uma sensação diferente de qualquer outra, teria que me esforçar de agora em diante para mantê-lo sempre com esse sorriso no rosto.
Já era um pouco tarde quando cheguei em casa, eu mal imaginava o que me esperava, quando abri a porta, me deparei com minha mãe, meu pai e Samanta sentados no sofá.
–O que tá acontecendo aqui? –Perguntei.
–Filho! –Minha mãe se levantou e correu em minha direção, me abraçando. –Meus parabéns!
Fiquei sem entender o motivo, não era meu aniversário nem nada, até que ela diz:
–Nós olhamos o site, você foi aprovado!
Meu pai também me abraça, fiquei sem ter o que dizer, era um pouco constrangedor.
–Parabéns campeão.
–Ah, obrigado... –Falei sem jeito.
Logo depois foi a vez da Samanta me abraçar e apertar minha bochecha, como ela sempre fazia.
–Parabéns querido! –Diz ela.
Sorri, eu não sabia mais o que dizer, todos estavam me olhando abobalhados e contentes, e me senti bem, parecia que era a primeira vez na vida que eu fiz meus pais terem orgulho de mim.
–Isso merece uma comemoração! –Diz Samanta animada. –Por que não vamos todos para o restaurante que inaugurou semana passada?
–Eu topo! –Falei.
–Então vamos. –Disse meu pai.
–Vão vocês, eu já vou indo pra casa... –Minha mãe disse e colocou a alça da bolsa no ombro.
–Não! –Falei. –Você precisa ir também!
–Mas eu vou atrapalhar vocês...
–Seria um prazer se você fosse... –Meu pai disse e Samanta concordou sorrindo.
Troquei de roupa e logo nós quatro fomos para o restaurante, me senti um pouco deslocado ao entrar, as pessoas que estavam lá eram tão finas, com roupas elegantes e tudo mais, só que não mudamos de ideia.
Entramos, escolhemos uma das poucas mesas disponíveis e sentamos, logo um garçom veio nos atender e fizemos nosso pedido. Fiquei tamborilando os dedos na mesa, olhando as pessoas na mesa vizinha quando minha mãe me chamou.
–Felipe...
–Oi mãe?
–Eu fiquei sabendo que você quis aprender a dirigir a moto do seu pai...
–É, mas ele não quis me ensinar...
–Sabe... Como você se esforçou muito, eu tenho um presente pra você, só que para usá-lo, vai precisar das aulas de seu pai, e quando você completar dezoito anos, já vai poder dirigir...
–N-Não brinca! Você vai me dar uma moto?! –Perguntei surpreso.
–Calma... Calma... Você ainda vai ter que vir comigo escolher o modelo, e essas coisas, mas quanto ao seu pai, conversei com ele e aceitou te ensinar...
Durante esse tempo, fiquei fazendo milhares de perguntas sobre eu ter minha própria moto, eu estava eufórico, e eles poderiam falar milhares de vezes que carro seria uma opção melhor e mais segura para mim, mas sabiam que moto era minha paixão desde a infância.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
Dois meses depois, Felipe estava em minha casa, nós dois estávamos deitados no sofá, com o TomTom no meio de nós, o que não era novidade. Estávamos comemorando a bolsa de medicina que eu tinha ganhado com uma sessão de filmes , sim eu tinha conseguido.
Mesmo com a condição de vida razoável que minha família tinha, meus pais não poderiam me dar um curso de medicina, e mesmo se eu trabalhasse, ainda não seria o suficiente para pagá-lo, então tive que me inscrever em outra seletiva, que dependendo da minha pontuação na prova, poderia ganhar uma bolsa.
Depois disso comecei a estudar mais que o normal, os cinco primeiros da lista, teria sua ficha escolar analisada e ganharia bolsa total, ou seja, cem por cento. Minha mãe entrou em choque quando descobriu que fui o quarto colocado, eu queria ser o primeiro, mas por uma palavra sem acentuação em minha dissertação abaixou minha pontuação, mas mesmo assim, eu estava feliz.
TomTom se assustou com o grito da mulher no filme e cravou as garras no meu braço, e com isso me assustei também, era um filme de terror, Felipe riu de nós dois, ele sempre teve sangue frio para esse tipo de coisa, pegou o TomTom, colocando em seu colo e fez carinho atrás de suas orelhas.
Tom se aconchegou no colo dele e ronronou com as carícias, aproveitei aquela cena fofa e me aproximei de Felipe, colocando a cabeça em seu ombro, como se também quisesse carinho. Olhei para a TV e continuei assistindo até pegar no sono...
POV MATHEUS OFF
O fim do ano havia chegado, e Felipe tinha que se preparar para o início das suas aulas na faculdade que era na cidade vizinha, com isso, seu pai decidiu alugar algum local para ele dormir durante a semana, para depois voltar para a casa nos feriados e finais de semana.
Fizeram uma rápida viagem, pois a cidade ficava somente a trinta e sete quilômetros de distância de onde moravam, e andaram por ela toda, a fim de achar alguma casa pequena com um aluguel decente, mas pararam de escolher quando viram que não tinham muita opção.
Por coincidência, pararam de frente a um condomínio pronto para morar que havia vagas e era algumas quadras da faculdade, conversaram com o responsável sobre o aluguel, e ficaram sabendo que era quase o de uma casa, mas o lado bom era que já vinha mobiliado.
Sem pensar duas vezes, Victor perguntou para Felipe se ele seria responsável o suficiente para morar sozinho, ou se ele preferia fazer uma pequena viagem todos os dias. Felipe ficou sem saber responder, mas sabia que não era mais uma criança, e em breve deixaria de ser adolescente, então já tomaria decisões de adulto.
Por fim, Victor combinou com o proprietário o que seria necessário para a locação, que ficou de levar os documentos no próximo dia útil. Mas já estava decidido, Felipe teria responsabilidades em dobro a partir de agora.
Narrado por Matheus
–Você chegou rápido... Acabei de te ligar... –Falei dando um selinho em Felipe, que entrava em meu quarto. –Estou quase pronto...
–Você vai sair assim? –Ele pergunta.
–Tem algo de errado na minha roupa? –Falei assustado olhando no espelho.
–N-Não, nada disso, é que devia ser um crime sair tão bonito assim...
–Idiota. –Falei sorrindo torto.
–Vamos?
–Sim, estou pronto... –Falei colocando o celular na mochila.
–Tem certeza que seu pai vai deixar você dormir lá?
–Minha mãe vai dizer que estou na sua casa, caso ele pergunte.
–Então tudo bem.
Coloquei a mochila nas costas e me despedi da minha mãe, eu estava feliz, seria a primeira vez que eu iria visitar o condomínio onde Felipe iria morar a maior parte de seu tempo quando começasse suas aulas.
Ele me convidou para passar a noite lá, já que em breve iríamos nos ver bem pouco. Fechei o portão de casa e quando reparei, Felipe estava sentado numa moto, encaixando um capacete na cabeça e me oferecendo o outro.
–Felipe! Você! Você comprou uma moto?!
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