Dont Let Me Fall
37 Qual seria a minha cura, doutor?
Notas iniciais
Capítulo 37 – Qual seria a minha cura, doutor?
Narrado por Thiago
Acordei com a visão mais linda do mundo, Renato estava dormindo profundamente e sua respiração estava lenta, aproveitei e depositei milhares de beijos em sua bochecha, ele se mexeu um pouco, mas continuou dormindo.
Me sentei na cama, estava com um pouco de frio, percebi que tínhamos dormido do jeito que nos deitamos, nus. Coloquei minhas roupas e desci para a cozinha, procurei algo para comer dentro dos armários, coloquei um pouco de água para ferver para fazer o café e preparei algumas torradas.
“A noite passada tinha sito tão boa...” Pensei enquanto suspirava sorrindo.
Valeu a pena ter ficado com Renato, nós trabalhamos na música, tomamos banho e dormimos juntos. Mas é claro que não conseguimos nos deitar e não fazer nada...
Quando terminei de fazer o café, sinto um aperto forte por trás de mim, Renato passou seus braços pela minha cintura e beijou meu pescoço.
–Pensei que você não ia acordar tão cedo... –Falei.
–Você é muito barulhento enquanto se troca, sabia?
–D-Desculpe... Mas por que não dormiu um pouco mais? Nós fomos dormir tarde...
–Eu levantei pra vir te agarrar... –Diz ele mordendo minha orelha, e depois rindo. –Nossa, que cheiro bom...
–Quer uma xícara? –Falei quando ele me soltou.
–Quero sim.
POV THIAGO OFF
Narrado por Matheus
Eu estava na beira da janela quando meu despertador tocou, fui até ele, o desligando. Percebi que TomTom havia acordado com o barulho, mas pelo menos alguém tinha conseguido dormir naquela noite...
Fiquei durante a madrugada toda sentado na poltrona, enrolado numa coberta e olhando pela janela. Eu tinha visto o sol nascer, nunca imaginava que era uma paisagem tão bonita...
Levantei-me e joguei a coberta sobre a cama.
–Está com fome, Tom? –Perguntei, olhando-o se espreguiçar.
Desci as escadas e ele me acompanhou, eu estava com muita fome, não havia jantado, quando cheguei à cozinha, coloquei ração na pequena vasilha de TomTom e água fresca.
Abri os armários, procurando alguma coisa para comer, tomei um café da manhã simples, que consistia em um copo de leite e biscoitos. Quando terminei, fui para o banheiro, tomei uma ducha rápida, escovei os dentes e me troquei.
Peguei as chaves de casa e do carro da minha mãe, que havia ficado no estacionamento da faculdade, por isso eu teria que ir a pé...
Saí pela porta da frente, eu estava com pressa, mas o sono não ajudava muito. Quando cheguei ao ponto de ônibus, eu era o único ali, tirei o celular do bolso para ver as horas e me impressionei, não havia nenhuma mensagem, nem ligação perdida. Mas por sorte, eu não estava atrasado, ao menos eu teria tempo para comprar um energético.
O ônibus não demorou muito a chegar, entrei e me sentei perto da janela, coloquei meus fones de ouvido e procurei alguma música, infelizmente, eu só tinha músicas da minha banda preferida, não que aquilo fosse uma coisa ruim, mas me trazia muitas lembranças.
Ao ouvir o toque inicial da música, meu coração acelerou. Cada nota da guitarra me trazia ainda mais recordações.
Droga! Por que eu tive que ir nesse show?! Seria tão bom se naquele tempo eu tivesse obedecido a minha mãe, como é que ela consegue sempre estar certa?
Depois de um tempo, guardei meus fones, o ponto onde eu iria descer estava se aproximando, fiquei em pé e assim que abriram as portas, desci. A faculdade era na rua de trás, andei um pouco, minhas pernas estavam bambas, meu estômago ainda embrulhava de nervosismo, a dor no meu peito apertava cada vez mais...
Mal acreditei quando cheguei, tinha sido uma caminhada torturante, mesmo que curta. A primeira coisa que eu fiz, foi ir até o refeitório, para comprar uma lata de energético.
Comprei a ficha e inseri na máquina, peguei a lata que caiu e fui em direção ao campus, desci algumas escadas, indo para um dos bancos que ficava ao ar livre. Abri o lacre da lata, ouvindo o estalar do metal e dei várias goladas, como se aquilo fosse me fazer ter efeito imediato.
Olhei tudo em volta, era um lugar tão bonito, eu não passava muito por ali, era bem relaxante, talvez devesse vir mais vezes para estudar ou simplesmente ler um livro comum. Abaixei minha cabeça, olhando a grama, pensativo, até que escuto alguém atrás de mim.
–Nunca esperava te ver por aqui...
Olhei para trás, e acabei me engasgando ao responder.
–L-Leonard... Q-Quero dizer, Doutor... B-Bom dia...
–Posso me sentar aqui?
–C-Claro...
–Pode me chamar pelo meu nome quando estivermos sozinhos, Matheus.
Às vezes eu perdia noção de que ele sabia que eu existia, ainda mais que se lembrava do meu nome...
–Dormiu mal? –Leonardo Indaga.
O olhei confuso, mas ele apontou para a latinha e disse:
–Está tomando energético e suas olheiras estão enormes, sem falar dos seus olhos, que estão inchados... –Diz ele erguendo o meu queixo, me encarando.
Afastei sua mão, por que ele insistia em sempre fazer isso?
–Matheus...
–Diga.
–Bom, eu fiquei receoso em te perguntar antes, mas acho que agora é uma boa hora...
Fiquei curioso, o olhei como se dissesse para que continuasse.
–Sobre você e seu ex-namorado... O que aconteceu para se separarem?
Engoli seco, nunca imaginava que ele iria me perguntar aquilo.
–Ele me traiu... –Falei constrangido.
–Sinto muito.
–Não sinta.
Dessa vez foi ele que me olhou, mas sem esboçar nenhuma expressão.
–Eu já passei por isso, infelizmente só tem uma cura eficaz...
–O que você fez pra esquecer?
–Suas aulas vão começar daqui a pouco, certo? Então conversamos mais tarde, me mande uma mensagem quando acabar seu período de hoje.
–Tudo bem...
Me levantei, tomando as últimas goladas e joguei a lata no lixo, Dr. Martinez me acompanhou até o pátio, mas logo entrei para a minha sala.
POV MATHEUS OFF
Narrado por Felipe
Acordei um pouco desnorteado, olhei para o despertador, eram quase onze horas, eu já havia perdido três horas de aula, meu corpo estava pesado, mal conseguia me mover, minha cabeça doía, eu não tinha dormido bem, mesmo que havia acordado tarde, não estava totalmente descansado.
Sentei na cama e baguncei os cabelos, logo me lembrei de Matheus, será que ele teria ido à faculdade hoje? Seria errado ir novamente a sua casa?
Não... Melhor não abusar da sorte...
Mas eu quase não tinha opções, se eu aparecesse na faculdade, ele estaria grudado com aquele doutorzinho de merda, que me encarava como se ele fosse um ser superior, e eu um deliquente.
E eu também já não tinha nem vontade de voltar para o condomínio, principalmente agora, com essa situação tão difícil, e eu não quero deixar passar batido toda a discussão que tive com o Matheus, eu não estou completamente certo, é claro que não estou, mas ao menos quero que ele saiba toda a verdade e tudo que eu escondi dele, não quero ouvir suas palavras finais antes disso.
Reuni forças e consegui ficar de pé, caminhei pesado até o corredor, indo para a cozinha, Samanta estava com um avental, picando alguns legumes, meu pai provavelmente estava trabalhando. Ela me deu bom dia, e riu, fazendo uma piadinha de que já era quase “boa tarde”.
–Eu não quis te acordar... –Ela continuou.
–Eu estou bem... –Disse colocando um copo de água na mesa, e puxando uma cadeira para me sentar.
Ela parou o que estava fazendo, e veio em minha direção, sentando-se ao meu lado.
–Lipe...
–Fala.
–O que você tem?
–Nada... –Falei suspirando.
–Eu sei que você está abatido, não quer mesmo me contar?
–A-Acho que... Não sei, é complicado, não sei se você entenderia...
–Tente.
–Bom... Eu e o Matheus, brigamos.
–Continue.
–Ele na verdade, terminou comigo, jogou a aliança em minha direção e tudo mais.
–Ele não fez isso à toa, não é? O que mais aconteceu?
Abaixei a cabeça, respirando fundo.
–Vou ter que voltar um pouco no tempo, você se lembra da Aline?
–Sei sim, a garota problema. –Diz ela rindo.
–É, ela mesma...
–O que ela fez?
–Eu sei que a maior parte foi erro meu, mas é que... Depois que eu e ela terminamos, ficamos um bom tempo sem nos falar, mas por um acaso, começamos a nos falar aos poucos, mas nada que podia ser considerado uma amizade...
Tamborilei os dedos na mesa, eu estava nervoso, as palavras fugiam.
–Continue Lipe.
–Depois que o pai dela morreu, ela veio me ver algumas vezes, muito triste, estava abalada também, ela dizia que eu era o único amigo, a única pessoa que podia confiar, essas coisas, não tinha como eu pedir para que uma menina aos prantos e desolada fosse embora, não sou tão insensível.
Era tão constrangedor dizer tudo aquilo...
–Os anos se passaram e aquilo não passou de uma amizade comum, mas no meu primeiro dia de aula na faculdade, descobri que ela também resolveu fazer engenharia civil, e na mesma faculdade que a minha, foi uma surpresa, é claro, mas então... A pior parte começa. O Math não sabia da minha amizade com ela... Não teria como chegar e dizer: “olha, minha ex-namorada agora é minha amiga”. Eu havia escondido isso por tanto tempo que tinha ficado tarde demais para dizer a ele...
–Entendi...
–Mas o começo de tudo foi quando me chamaram para ir numa confraternização, todos da classe foram, e assim que acabaram minhas aulas, eu ia voltar para o condomínio descansar um pouco, pois a comemoração seria a noite, num restaurante ali perto. Eu conversei com o Matheus, dizendo que ia e que ligaria para ele quando voltasse. Só que o problema, é que Aline se aproveitou, sabendo que eu morava num condomínio ali perto...
Respirei fundo, tomei um gole de água, e continuei.
–Ela insistiu tanto que acabei deixando-a ficar a tarde lá para depois irmos até a confraternização juntos.
–Meu Deus, Lipe, como você pôde aceitar isso?
–O pior, é que eu só imaginei que depois disso, ela ia embora, mas quando chegamos ao restaurante, ela passou da conta, bebeu tanto, mas tanto, que mal se aguentava em pé, eu peguei o celular dela, liguei milhares de vezes para a mãe dela, e ninguém atendia... O que eu ia fazer? Deixar ela lá bêbada até que fechassem o restaurante? Eu não podia... Até que voltamos para o condomínio, tentei ligar novamente pra sua mãe, depois fui tomar um banho, e mais tarde tornei a ligar, mas por fim, a mãe dela realmente não atendia, eu estava tão estressado com tudo aquilo, e tão cansado, que falei para ela dormir no quarto vazio que tem ali, sabe?
–Sei.
–Depois fui para o meu quarto e dormi, e acabei me esquecendo de ligar para o Matheus... Só que no outro dia, acordei e fui tomar um banho, e quando saí, nem me dei conta de que ela estava em casa, saí de toalha e tudo, e quando ia para o meu quarto, me deparei com ela sentada no sofá, com meu celular nas mãos e rindo, fiquei correndo atrás dela pela casa para tentar recuperar meu celular, mas ela me tranca para fora do quarto, e eu ainda estava de toalha, mas quando percebo, Matheus entra ali com tudo, eu dei uma chave reserva para ele, mas eu nunca podia imaginar que ele apareceria ali pela manhã...
Samanta me olhava com uma cara de quem estava prestando atenção, mas ainda assim, muito confusa.
–E pra acabar com tudo, Aline abre a porta só quando ele aparece, mas acho que ela ouviu a voz dele, porque ela estava com uma camisa minha, desabotoada, e sem roupas... Eu fiquei sem saber como reagir, acho que o Matheus deve ter pensado milhares de coisas naquele momento, eu mal sabia o que falar, foi então que ele começou a gritar, jogou a aliança em minha direção... Ah... Foi a pior experiência que eu já passei... –Disse bagunçando os cabelos.
–Resumindo, vamos ver se eu entendi... Vocês não fizeram absolutamente nada, mas Aline te contrariou, e fez isso de propósito?
–Sim...
–Tem certeza que não está distorcendo a história Lipe?
–É claro que sim! Eu nunca trairia o Matheus!
Ela me olhou, como se me repreendesse, passou a mão nos meus cabelos, para arrumá-los, e disse:
–Lipe, eu mal sei o que te dizer... Só sei que o que ele está sentindo, acredite, é mil vezes pior do que você está sentindo nesse momento. –Ela disse colocando o dedo indicador do lado esquerdo do meu peito. –Se tudo o que você disse agora, foi verdade, trate de ir atrás dele, lute por ele, mesmo que ele não entenda, ou não acredite nas suas palavras... E trate de dar um jeito nessa Aline...
Tudo o que ela falou era verdade, eu não poderia desistir tão fácil, e tinha que fazer Aline pagar pelo que fez.
–Eu não aguento mais... Estou com saudade dele... –Falei me debruçando sobre a mesa.
–Eu tenho certeza que ele também está morto de saudades suas.
Eu sorri, por um instante.
–Certeza mesmo?
–Eu sempre tenho. –Samanta ressaltou.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
Meu intervalo para o almoço chegou, fui para o refeitório, nem para casa eu queria ir, não queria encarar minha mãe por um tempo, eu não queria que ela me visse dessa maneira. Comprei um lanche e mais um energético, fui para aquele banco do campus, era um lugar muito agradável. Eu esperava ver Dr. Martinez por ali, mas não o encontrei, até que era melhor assim, eu estava com muita vergonha desde que ele tocou naquele assunto do meu relacionamento com Felipe, embora estivesse curioso com o que ele teria para me falar...
Passei um tempo lendo algumas apostilas, até que fui para minhas próximas aulas, que seriam muito tediosas, quando cheguei, ouvi um pessoal me chamando e dizendo que o professor, que nos daria a aula dupla naquele dia, não iria comparecer, e que ele só conseguiu avisar de última hora.
Mesmo que aquilo era motivo de estresse numa faculdade daquele porte, eu fiquei aliviado, queria descansar um pouco mais, minha cabeça estava quase explodindo, não conseguia raciocinar direito.
Fui para o estacionamento, assim que entrei no carro da minha mãe, me sentei no banco do motorista, e antes mesmo de colocar o cinto, olhei o celular, ainda não havia nenhuma mensagem, nem ligação.
Lembrei-me então de que Dr. Martinez tinha falado que quando eu terminasse meu período, era para lhe mandar uma mensagem. E mesmo que fosse um pouco mais cedo que o comum, mandei uma mensagem do mesmo jeito, dizendo que o professor não pôde comparecer, e que eu já estava indo para a casa. E sem demorar muito, ele me responde, mas Leonardo passou um endereço, e disse para eu me encontrar com ele.
Pensei um pouco, eu já não queria ir para a casa, não teria mal algum naquilo, e pelo menos, ele tinha passado um ponto de referência para eu encontrar o local com mais facilidade.
Dei partida no carro, saí do estacionamento e fui avançando as ruas, procurando as numerações das casas para ver se eu estava indo para o local certo, até que por fim, achei o ponto de referência, uma loja de informática famosa da cidade, ele dizia que era para eu encontrar com ele na rua de trás.
Estacionei o carro num lugar disponível por ali e fui caminhando, quando pensei em mandar mensagem, o vi encostado num muro de uma casa. Fui até ele, que me recebeu animado.
–Fico feliz que você veio mesmo! Foi fácil de encontrar?
–Foi sim...
–Venha, venha... Entre.
Ao lado, tinha um portão encostado, ele empurrou, para que abrisse, e pensei na possibilidade de ali ser sua casa, o segui, quando passei pelo portão, pude ver melhor. A casa em si era gigantesca em comparação à minha, o seu carro estava na garagem, a porta de entrada era triunfal, e por fora havia um jardim lindo.
Entramos, indo para uma saleta de recepções, e continuei o seguindo, tudo era muito bem decorado, e com sofisticação, me senti até um pouco envergonhado diante de tantas coisas bonitas.
Quando chegamos à sala de estar, Leonardo perguntou se eu queria comer algo, mas falei que já tinha almoçado na faculdade, então ele pediu que fosse junto com ele ao andar de cima, nós subimos e fomos a outro corredor, e uma das portas, ele tinha dito que era seu escritório –eu tentava imaginar como seria-, e a outra era seu quarto, para onde fomos.
O lugar também era grande, e tinha janelas enormes que abriam para a sacada, com alguns artefatos de decoração, uma mesa com seus eletrônicos, uma cama com dossel, e um guarda roupa duplo. Eu tinha que controlar a minha curiosidade de querer olhar tudo em volta, eu gostava da decoração, que era um pouco rústica misturada com modernismo.
Nos sentamos num dos sofás dali, e ele me entregou um livro, me perguntando se eu gostava de literatura medieval, e eu disse que adorava. Leonardo pareceu ficar contente, e sentou-se ao meu lado, dizendo:
–Eu tenho várias crônicas, lendas... Pode me pedir emprestado algum dia sempre que quiser...
–Sério? –Perguntei, sorrindo.
–Sim... Se quiser eu te mostro minha mini biblioteca.
–Não brinca? Você tem uma biblioteca?
–Ah, é só uma pequena coleção, nada demais. –Diz ele sentando-se ao meu lado.
Senti a textura da capa do livro que ele havia me entregado, as pessoas diziam que não se podia julgar um livro pela capa, mas eu simplesmente adorava livros de capa dura, folhas amareladas e com um cheiro bom, particularmente, aquele cheirinho de livro velho...
Eu acho que sou o único idiota que gosta de cheirar livros...
Leonardo contou das histórias de que ele mais gostava, mas que particularmente, aquele livro sobre a Irlanda que ele havia me mostrado, era seu preferido, e que queria me dar de presente.
–O quê? –Perguntei assustado.
–É sério, aceite.
–N-Não... Não posso, você mesmo disse que era seu livro preferido...
–Eu sei, mas eu conheço a história muito bem... Já li milhares de vezes.
Fiquei sem saber como agir, olhei para o livro, enquanto ele continuou a me convencer a aceitar.
–Se você quiser ler o começo, para ver se você se interessa, fique a vontade...
Abri na primeira página, só de ver que as palavras eram todas escritas na maquina de escrever, fiquei ainda mais encantado. Li algumas frases, meu coração acelerou, por que livros medievais têm que ser tão bons?!
–E então? O que achou?
–Eu gostei... –Eu falei um pouco receoso, mas ainda assim, feliz.
–Então já está certo, ele é seu.
Senti minhas bochechas queimando de vergonha, até que ele coloca o livro sobre uma mesa, e me diz:
–Matheus, mas agora eu queria te perguntar uma coisa...
–Tudo bem, pode falar.
–Lembra do que conversamos de manhã? Que eu disse que há uma cura para tudo isso que sentimos quando o relacionamento acab... Bom, você sabe.
–Sim. –Falei olhando para baixo.
–Então... Eu te dei o livro para se distrair um pouco, mas só isso não será suficiente. Às vezes, tudo o que precisamos é de seguir em frente, não importa que seja rápido demais, ou não...
–O que isso quer dizer? –Perguntei confuso,
–Quer dizer que... Bom... –Leonardo segura em meu queixo, o levantando para cima.
Quando percebi, seu rosto se aproximava cada vez mais do meu, meu coração acelerou, tudo o que pensei foi em impedir aquilo, seus lábios estavam à milímetros de distância dos meus quando me afastei, e me levantei do sofá.
Eu respirava ofegante, com a mão sobre o peito, o que tinha sido aquilo?
–Desculpe, foi repentino... –Leonardo concluiu. –Te assustei, não é?
Fiquei sem dizer nada, eu encarava o chão, com as bochechas queimando de vergonha.
–Matheus... –Diz ele levantando-se e vindo em minha direção. –Eu não queria passar essa impressão, eu só acho que...
–Não posso! –Fui mais rápido, o impedindo, e me afastando novamente.
–O que foi? –Leonardo questiona.
–E-Eu... N-Não posso... –Falei com a voz trêmula.
–Você não pode, ou não quer?
O encarei por um milésimo de segundo, mas abaixei a cabeça novamente.
–Desculpa Matheus, mas eu acho que ao menos você deveria tentar, não seria demais, não é? –Leonardo diz, envolvendo minha cintura com seus braços, me aproximando e colando seu corpo no meu.
Fale com o autor